domingo, 4 de dezembro de 2011
Você não está na Índia
Esta foi a frase que escutamos umas 10 vezes de diferentes colegas do mundo inteiro, referindo-se a Chandigarh, cidade no norte da Índia onde nos propusemos a morar por seis meses. Chandigarh, de fato, é diferente do resto do país. A começar pela história: foi toda planejada por um arquiteto franco-suíço, Le Corbusier, no início dos anos 50. Enquanto os grandes centros indianos, como Mumbai (ou Bombaim), por exemplo, estão lá desde 250 anos antes de Cristo.
É conhecida como The City Beautiful. Tem muitas áreas verdes, bem menos lixo, bem menos vacas e um trânsito menos caótico. Reparem minha ênfase no menos, pois não se engane, ainda existe tudo isso para te chocar bastante, só que nem tanto quanto nos outros lugares do país. Aqui tem até sinal de trânsito e faixa de pedestres respeitadas eventualmente.
Muito mais buzinas
A cidade tem várias opções de áreas verdes e parques, tudo planejado por Corbussier. Talvez ele não contasse que os habitantes de Chandigarh se orgulhariam de um título não ambientalmente positivo. É a cidade com mais carros per capita da Índia. Uhu, soquenão.
O fato de ser também a cidade com a maior renda per capita do país faz com que o carro seja o sinônimo máximo de status para os habitantes. O nosso vizinho de baixo, por exemplo, tem três. Pelo que já conversamos por aí, a preocupação com o ar cada vez mais poluído não existe. A única alternativa para os não motorizados é os tuk tuks, porque sistema de transporte público é praticamente uma lenda. E os engarrafamentos são sempre longos.
Chandigarh é dividida em setores. Inicialmente, eram para ser 30 – com a exclusão do setor 13, por superstição. Cada setor tem seu próprio centro comercial e algum tipo de venda específica. Descobrimos isso quando chegamos: "quer comprar coisas para casa, vai lá no 22"; "celular, acho que é melhor o 17". Mas a população, planejada para não passar de 500 mil habitantes (aham, na Índia e seus bilhões) obviamente cresceu muito. Atualmente já são mais de 50 setores, além das cidades “satélites” próximas, onde moramos.
Pausa para a história
Com a fim da colonização inglesa, em 1947, a Índia foi dividida e parte se transformou no Paquistão (um dos motivos da rivalidade eterna e da guerra, em 1971, entre os dois países). Com isso, a capital do estado de Punjab passou para o outro lado e os indianos precisaram de uma nova cidade referência bem localizada. A decisão foi construir uma cidade moderna e diferente dos padrões do país, daí a escolha de um arquiteto modernista.
Isso tem seus pontos positivos, e, é claro, negativos. É comum andar em Chandigarh e se sentir em Brasília. Vários setores, áreas residenciais e comerciais, tudo meio parecido e que te deixa bem perdido, sempre. Faltam calçadas para os pedestres, que têm que andar pela rua desviando das vacas, bicicletas, motos e carros que buzinam enquanto passam. Praticamente um videogame na vida real.
Fora isso, a cidade é de fato moderna, tem boas casas e avenidas largas. E é sede de um parque tecnológico - que é nosso ambiente de trabalho - referência em TI, que abriga algumas multinacionais famosas, como IBM, Dell e Infosys.
Guia turístico
O Rock Garden abriga uma coleção de esculturas feitas de diversos materiais num clima meio Indiana Jones para anões. Não estou brincando, as belas paisagens do parque são divididas por áreas que só podem ser adentradas por meio de portinhas tão pequenas que só dá para entrar uma pessoa de cada vez, passando meio agachado.
Logo ao lado fica o complexo de prédios governamentais planejado por Corbusier como a “cabeça” da cidade (uma lógica meio orgânica de planejamento). Ali, além dos prédios, fica o Monumento da Mão (The Hand Monnument). É o símbolo da cidade e imagem obrigatória nos suvenires.
Também a uma curta distância de caminhada está o Lago Sukhna, artificial, enorme, cheio de indianos se divertindo e andando de pedalinho. É bem bonito e agradável. Dá para fazer um piquenique ou uma pausa para descansar.
Para terminar a caminhada no setor vá a um memorial das guerras indianas que fica no Bougainvillea Park. Além disso, para quem quiser ver mais espaços verdes, a cidade oferece o Rose Garden, o Botanical Garden, o Leisure Valley, o Rajendra park, o Shanti Kunj, o Hibiscus Garden, o Garden of Fragrance, o Botanical Garden, o Smriti Upavan, o Topiary Garden e o Terraced Garden. Ou seja, é jardim que não acaba mais.
Quem é mais chegado nas compras pode aproveitar as ótimas pechinchas no Cheap Market, no setor 22. Ou fazer bom uso dos bom preços e da rúpia desvalorizada para comprar marcas famosas a preço de banana (para o Brasil, pelo menos) no setor 17.
E quem acha que na Índia não é permitido beber se engana, já que aqui existem várias boates e bares. E segundo um colega indiano, o estado de Punjab também carrega o título de maior consumidor de álcool da Índia. Quer dizer, tem opções para todos os gostos dos visitantes em Chandigarh.
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quando começou a falar da parte boa o texto acaba! quero saber dos bares e das boates!!!!!
ResponderExcluirTirando algumas coisinhas chatas, como lixo, vacas e trânsito caótico, a cidade é bem bacana. Gostei de saber que tem até sinal de trânsito e faixa de pedestre...ainda bem, fico mais tranquila.
ResponderExcluirGente, muito interessante tudo isso !!!Eh experiencia pra vida toda.Agora, cuidado com essas aguas poluidas e essas coisinhas esquisitas . Vai saber, ne hahaha Bjs e sucesso !!!
ResponderExcluirQue lugar INCRÍVEL!
ResponderExcluirLu, tô gostando muito dos seus textos pro blog! Toda vez que começo a ler um dos seus, já sei: "este é da Luíza". :) Estou gostando do estilo solto, mas sem deixar a informação de lado e do tom pessoal que você está dando aos posts.
ResponderExcluirUm beijo, com saudades aumentando visto a proximidade do nosso Explosion de Natal.