Como funciona o couchsurfing?

Como funciona o couchsurfing?

Em um primeiro momento, a ideia por trás do Couchsurfing pode parecer meio maluca. É uma comunidade online na qual pessoas do mundo inteiro se dispõem a hospedar completos estranhos num cantinho de suas casas sem cobrar nada por isso. O único objetivo é se beneficiarem da troca cultural proporcionada pela convivência, ainda que breve, com pessoas de outras partes do mundo.

Se essa é a primeira vez que você escuta falar sobre isso, eu sei o que você pode estar pensando: “Mas isso não é perigoso? E se eu acabar na casa de um psicopata?” ou que  “Jamais teria coragem de me expor ao risco de dormir na casa de um desconhecido”. Eu sei. Esses pensamentos macabros também passaram pela minha cabeça quando me contaram sobre o Couchsurfing. No entanto, basta um pouco de informação e pesquisa para que qualquer viajante independente comece a achar a ideia por trás dessa rede genial. Quer ver só? Então vamos entender como funciona o couchsurfing.

O que é Couchsurfing, afinal?

Em português, a expressão poderia ser traduzida para algo como “surfe de sofá”. A proposta é exatamente essa: os “surfistas” (aka viajantes-independentes-querendo-economizar-na-hospedagem) encontram pessoas no mundo inteiro dispostos a recebê-los, trocam alguns emails e combinam a estadia. Para participar, é preciso se cadastrar na rede, que já conta com mais de 4 milhões de participantes distribuídos em mais de 80 mil cidades ao redor do globo.

Isso significa que, ao entrar na rede, você vai estar aderindo a uma comunidade global de pessoas interessadas em intercâmbio cultural e dispostas a abrir a casa delas para te receber. Em todas essas cidades do mundo. E sem cobrar nada por isso. Bom demais para ser verdade?

Como eu posso me tornar um Couchsurfer?

Criando seu perfil na comunidade

O primeiro passo é se inscrever nesse site aqui. Após o registro, você será perguntado se deseja fazer uma contribuição para o site. Isso NÃO é condição obrigatória para fazer parte do Couchsurfing. Se você não deseja dar contribuição nenhuma, simplesmente vá para a próxima tela.

Em seguida, será solicitado que você preencha um extenso formulário contando sobre você, sua viagem, seus hobbies, seu cachorro, papagaio e periquito. Você tem a opção de simplesmente pular a maior parte dos itens, mas para ser bem sucedido na arte de surfar em sofás alheios é recomendável que você responda tudo de forma bem detalhada e simpática.

Lembre-se que seu perfil é o que vai causar a primeira impressão na pessoa e será decisivo para ela decidir se quer dividir o mesmo teto com você por alguns dias. Então, para que não haja dúvidas de que você é realmente uma pessoa legal e “de verdade”, poste também algumas fotos suas em diferentes situações.

É nesse formulário que você marca se também tem disponibilidade para receber alguém em sua casa e, caso positivo, você pode escrever uma descrição do seu “sofá”, que pode também ser um quarto de hóspedes. Você pode falar sobre qualquer restrição que tenha, como você espera que os hóspedes se comportem ou pedir par que os interessados enviem um e-mail com informações mais específicas sobre eles.

Para ter uma ideia melhor sobre o tipo de informação que eu estou falando, você pode passear por alguns perfis antes de terminar de preencher o seu.

Como funciona o couchsurfing?

Como verificar seu perfil

Esse passo é opcional, uma vez que não é necessário verificar o perfil para usar o couchsurfing. No entanto, uma vez que você faz, qualquer pessoa que você contatar vai ter uma prova a mais de que você é você mesmo e não algum perfil fake. A verificação é importante, principalmente se você quiser fazer do Couchsurfing um estilo de vida.

Para isso, basta pagar uma taxa com seu cartão de crédito. Em algumas semanas você receberá, no endereço informado, uma correspondência com um código que vai servir para verificar seu perfil. Uma outra maneira é pedir aos seus amigos que fazem parte da rede  para deixarem comentários positivos sobre você.

Procure por sofás ou surfistas

Agora que você tem um perfil turbinado, é hora de procurar por sofás mundo afora ou por pessoas que precisem de um lugar para dormir na sua cidade. Basta escolher no menu as opções “Surf” ou “Host” e digitar o nome da cidade no campo de busca. Você também pode definir diversos filtros para refinar as buscas por sexo, idade, número de pessoas viajando juntas, etc.

experiência de viagem perdida

Navegue um pouco pelos perfis que aparecerem e leia até o fim antes de enviar um contato. Às vezes as pessoas pedem para você contar um história ou responder alguma pergunta para que elas possam saber mais sobre você. Além disso, não se esqueça de que você também não conhece aquela pessoa e quanto mais informações você tem sobre ela, maiores as chances de você se hospedar com alguém bacana. Escolha pessoas que tenham a ver com você e com o seu estilo de vida, tente sentir uma identificação prévia.

Entre em contato e encontre pessoas parecidas com você

Achou o sofá perfeito? Ótimo, agora é hora de solicitar a estadia. Escreva uma mensagem bem simpática para a pessoa e NUNCA envie mensagens padrão ctrl c+ ctrl v para todos os hosts. Não importa quantos pedidos você teve que escrever. Mostre que você leu o perfil da pessoa e achou interessante. Conte um pouco da sua história, explore pontos que você acha que pode ter em comum com ela. Se você tiver disposição, pode até criar um vídeo falando isso tudo. Lembre-se de que ninguém é obrigado a aceitar você na casa deles. Isso é, antes de tudo, um favor.

Se tudo der certo e a pessoa quiser/puder te receber, vocês devem começar a trocar emails e combinar os detalhes. Seja bastante específico quanto às datas e horários de chegada e partida. Comunique o seu host imediatamente caso alguma coisa mude. Tenha anotado o nome, número de telefone e endereço e pergunte a melhor forma de chegar até a casa dele. Além disso, pesquise alguns hotéis próximos à área onde você vai ficar e anote os endereços, pois nunca se sabe quando o host vai ter um imprevisto e cancelar de última hora.

Couchsurfing host na Malásia

Chiew, nossa host em Kuala Lumpur

Se você vai receber alguém, prepare o sofá/quarto para a chegada da pessoa e faça o possível para dar instruções claras de como encontrar você. Afinal, estamos falando de estrangeiros visitando o Brasil, um país que sofre com problemas de transporte público, falta de placas e pessoas que podem dar informação em inglês.

É claro ninguém espera nada de você a não ser ceder sua casa, mas como você está fazendo isso pela troca cultural, seria legal se organizar para fazer algumas atividades com o seu hóspede, levá-lo para conhecer alguns lugares ou a comida local e mostrar para ele um pouco da nossa cultura. Lembre-se de que você será, provavelmente  a maior referência local dessa pessoa, então tenha também algumas dicas de coisas interessantes que ele pode fazer quando você não puder acompanhá-lo.

Se alguma coisa te deixar desconfortável, converse com seu anfitrião ou hóspede imediatamente. É provável que muitas situações estranhas e desconhecidas para você surjam por causa do choque cultural. Isso é comum e natural que aconteça, por isso é importante que vocês conversem para resolver esses problemas e ter uma experiência agradável para ambas as partes.

Viajante com câmera

Quando tudo acabar, é hora de voltar ao site e contar para outros surfistas como foi. Caso a pessoa tenha sido legal, deixe um comentário positivo para que todos saibam que vale a pena receber ou se hospedar com aquela pessoa. Isso ajuda a tornar a rede mais segura e confiável. Da mesma forma, se sua experiência foi catastrófica, não deixe de contar ao Couchsurfing o porquê.

Mas, no fim das contas, é mesmo seguro utilizar o Couchsurfing?

Em geral, sim. A maioria das pessoas inscritas no Couchsurfing são como você: viajantes ávidos por conhecer outras culturas. Não vou dizer que não existem riscos, mas a maioria deles podem ser minimizados caso você siga as regras da comunidade, seja cauteloso na hora de escolher seus sofás e, como tudo nessa vida, tenha uma boa dose de bom senso.

A experiência vale a pena?

Como hospedagem era algo relativamente caro em Kuala Lumpur, resolvemos testar o couchsurfing pela primeira vez. Acabamos na casa da Chiew, uma malaia de ascendência chinesa que, apesar de ser de poucas palavras, foi um amor de anfitriã.

Petrona Towers - KLCC

Combinamos de ir de taxi até a casa dela, mas ela estava no aeroporto para nos receber quando nosso voo chegou. No dia seguinte, nos levou a alguns dos principais pontos turísticos da cidade e em lugares longínquos e que eram difíceis de chegar mesmo com o ótimo sistema de transporte público da cidade. Apresentou alguns aspectos da cultura local, como o bizarro fato de que eles comem macarrão no café da manhã, e fez a gente provar durian, aquela fruta esquisita e mal-cheirosa que é super popular no sudeste asiático.

O que eu quero dizer com isso tudo é que sim, vale a pena utilizar o couchsurfing. E não é apenas pela economia que ele proporciona, mas porque, ao nos hospedarmos na casa da Chiew, chegamos o mais perto que podíamos de uma imersão cultural para alguém que passou apenas quatro dias na cidade. Conhecemos muito da cultura malaia por meio dela e mostramos para ela um pouco da nossa. Tenho certeza que ela ficou com vontade de conhecer o Brasil e, no dia que ela vier, com certeza vai ter um sofá esperando por ela.

Já chamei de casa a Cidade do Cabo, Chandigarh, Buenos Aires e Barcelona, mas acabo sempre voltando pra minha querida BH. Gosto de literatura, cervejas, música e artigos de papelaria, mas minha grande paixão é contar histórias. Por isso, desde 2011 viajo o mundo e escrevo sobre o que vi. Também estou no blog sobre escrita criativa Oxford Comma.

Siga @natybecattini no Instagram

40 comentários em Como funciona o couchsurfing?

  1. Olá Natália bom dia.
    Achei super interessante porém tenho dois filhos e eu ja fiquei com muito medo de arriscar a segurança deles, e sem eles não vou a lugar nenhum rsrs.

  2. Natalia, bom dia!

    Gostaria de cancelar meu pagamento no couchsurfing, vez que irei voltar para o Brasil e não quero mais pagar aquela taxa anual.

    Probelma é que não acho essa opção no app.

    Poderia me orientar?

    Desde já obrigado!

  3. Olá Natália! Eu acompanhei o seu post antes de viajar e estava com dúvidas se valia a pena ou não tentar o couchsurfing, pois vi muitos relatos negativos em relação a segurança. Enfim, resolvi arriscar e deu tudo certo! As experiências foram super positivas e é como você falou, a troca cultural é sensacional! Fiz um relato das minhas experiências. Gostaria de compartilha-las:

    http://partiuviajar.blog.br/couchsurfing-o-que-e-como-funciona-dicas/

  4. Olá! Você sabe se eu posso aceitar vários sofás? Ao todo, cinco pessoas se ofereceram para me receber (eu nem solicitei) e todas são muito queridas. Gostaria de ficar um pouco na casa de cada um, pois vou ficar quase um mês viajando. Sabe se é possível sem mudar meu dashboard? Até porque depois eu gostaria de fazer avaliação deles e vice-versa.
    Obrigada!

  5. Prezados,

    Eu gostaria de saber se para fazer parte deste grupo é preciso falar ingles? e se existe algum cadastro deste somente no Brasil, para a prática entre Brasileiros.

    • Aline, não é obrigatório, mas saber inglês sempre ajuda em viagens. Você pode se cadastrar normalmente e buscar entre brasileiros e cidades brasileiras. Existem grupos nas maiores cidades onde você pode conhecer gente também…

      Abraços

  6. Adorei a postagem, eu já conhecia a comunidade mas sempre tive um certo receio, principalmente pela minha falta de experiência por nunca ter saído do Brasil. Esse post e outros daqui estão ajudando muito a me planejar para passar um mês em Belgrado, na Sérvia 🙂

  7. Ola, pessoal, a idéia é encantadora principalmente para receber aqueles que falam inglês, mas a grande dúvida é na questão da limpeza da casa, eu tenho uma casa muito grande, vários animais e preciso de ajuda até no jardim. Eu posso pedir para a pessoa me ajudar nas tarefas? Isso não seria uma forma de retribuir pela hospedagem? E como fica também a questão da alimentação? Eu adoro cozinhar, não me importo disso, mas as vezes a grana fica apertada aqui, posso também pedir que a pessoa ajude no mercado? Sem ofender a idéia, só estou perguntando, ok?

    • Ei Ângela, na hora de preencher seu perfil no site, você pode colocar as condições que quiser para a pessoa se hospedar na sua casa. Daí é assim: fica quem topar! Não tem problema nenhum em pedir uma contribuição para a comida, ou que a pessoa te ajude em algumas tarefas.

      Abraços!

    • Olá Angela.
      Se você ainda acha legal a idéia, acredito q para o seu perfil, o site mais indicado é o Workaway, onde as pessoas trocam trabalho por estadia e muitas vezes parte da alimentação (por exemplo café da manhã). O Couchsurfing acredito ser mais para troca de experiências do que troca de favores, contrário do Workaway.

  8. Olá,

    tenho pensado bastante em iniciar uma viagem desta maneira (couchsurfing), desta forma acabei encontrando também o site hepx.net e o workaway.info.

    Algum de vocês conhece esses sites ou tem algum referência (boa ou ruim) sobre os mesmos?

  9. […] Existe uma comunidade de mochileiros na internet chamada couch surfing, que seria como “surfar no sofá”. A ideia é interessante, as pessoas criam seus perfis e descrevem como é o seu sofá (que pode ser um quarto de hóspedes). Então os mochileiros, que estão sempre em busca de economizar, entram no perfil da pessoa e se “candidatam” a passar uma ou mais noites. Eu nunca experimentei, mas vou cadastrar assim que tiver um cantinho em Salzburg. O pessoal do 360 Meriadianos explica direitinho e conta a experiência deles aqui. […]

  10. Legal Natália!
    Eu curto muito o CS, já surfei na casa dos outros e já surfaram na minha casa. O lance é ser sincero sempre, dizer a real da sua casa, o que pode e o que não pode. Perguntar pro dona da casa que vc vai ficar o que pode e o que não pode…. ficar ligado em TUDO! Acho que por isso que foi tudo muito bom!!!
    Em junho, vou surfar novamente e tenho certeza que será tão bom como das outras vezes! Bjs!!!

  11. Ola Natalia, eu conheci a Europa inteira com o CS, foi uma otima experiencia pra mim, viajei entre 2007 e 2010 de Cs. Sempre tive boas historias e otimas trocas de cultura. Ja dei muito sofa pra outras pessoas também.
    Abraços.

    • Ei Deyse! Deve ter sido uma viagem incrível, você me contou alguns casos dela ai na itália! Espero um dia poder receber alguém também! Abraços!

  12. É um mundo novo, tenho visto também o AirBnB, mas para mim acho que não rola.

    Vou para a Itália e a fama lá já é de que a itália é um Brasil na europa.

    Queria economizar, mas tenho receio de não sair a contento.

    Mas, gostei do relato do coachsurfing agora preciso amadurecer a idéia.

    Abcs.

    • Ricardo, o AirBnB é uma excelente opção. Se pudesse sempre alugar um apartamento inteiro, eu não ficaria mais em hotéis. A Itália tem ótimos hoteis e hosteis tbm e ficamos em um AirBnB em Milão, foi uma ótima experiência. Se quiser Couchsurfing, basta pesquisar bem e escolher alguém que tenha a ver com você. Abraços!

  13. […] Eu sou uma grande entusiasta do volunturismo. Apesar de algumas ONGs cobrarem por sua participação nos projetos (o dinheiro normalmente vai para a sua manutenção no local e para ajudar o projeto do qual você participa), é possível achar instituições que te aceitam de graça e ainda oferecem hospedagem. Assim você ajuda alguém, economiza na hospedagem e faz uma verdadeira imersão na vida da comunidade. Outra forma de economizar na hospedagem é através do Couchsurfing. […]

Deixe um comentário

RBBV - Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem
ABBV - Associação Brasileira de Blogs de Viagem

Parceiros: