Viaje mais, gaste menos em compras

Viaje mais, gaste menos em compras

Para brasileiros, preços baixos são atrações turísticas. Somos o povo que vai aos Estados Unidos visitar a Disney e os shoppings de Miami, não necessariamente nessa ordem. E há quem tire o visto norte-americano somente para visitar os shoppings mesmo –  tem até agência de viagem especializada no pacote compras no exterior. “Dia 1: Compras no shopping X. Dia dois: shopping Y… Dia 7: transporte para aeroporto. Compras no free shop”. Em 2012 os brasileiros gastaram 22 bilhões de reais no exterior. Vou repetir: 22 BILHÕES. O brasileiro é como aquele ricaço que entra no restaurante e causa tumulto entre os garçons, que lutam para atendê-lo. Consumimos muito mais do que viajamos e por isso viajamos menos do que poderíamos. Viramos um país de contrabandistas, como bem disse a Superinteressante.

Você ficou rico? Como você consegue viajar tanto?

Se eu ganhasse dinheiro toda vez que escuto essa pergunta eu já teria verba para passar outra temporada na estrada. Não, passo longe de ser rico. Mesmo assim, eu viajo. E vou além: viajo bastante porque isso é, muitas vezes, mais barato do que a vida real, aquele dia a dia chato e sedentário que o trabalho e as grandes cidades brasileiras nos forçam a ter. Para mim, viajar não é tão caro. Exemplo: estou me preparando para passar 45 dias na Europa. Quando eu falo meu orçamento de viagem as pessoas têm uma reação estranha, meio bipolar: elas costumam rir. E rir alto. Depois, quando percebem que é verdade, elas surtam.

“Você está brincando? Eu gastei isso numa semana, na Argentina! AHHH!”

“Pois é”, respondo.

Choro e ranger de dentes. Pânico. Lamentos. A conversa costuma acabar assim.

Por que eu gasto menos viajando do que  o brasileiro médio? Existem várias explicações para isso, mas quero destacar uma delas: eu viajo, não compro. Voltei da minha volta ao mundo com menos de 10 lembrancinhas na mala. Outro dia estive na Argentina e não comprei nada. O alfajor que comprei lá, comi lá.  Não frequento shoppings durante as férias, a não ser que precise comprar alguma coisa que terá uso imediato. E não precisa dizer que sou comunista, porque também não é por aí: apenas invisto minha grana de outra forma.  Meu orçamento de viagem não inclui 2 mil dólares para compras e meu roteiro não tem nem um dia reservado só pra shoppings.

pokhara nepal

Pokhara, Nepal

Mas qual a graça então? Viajar e não comprar nada…

Bom, é justamente por isso que eu viajo mais que a média. No lugar de comprar roupas e eletrônicos, eu guardo para comprar outra passagem aérea. Outra passagem aérea na promoção, claro, afinal dinheiro não nasce em árvore. A frase é batida, eu sei, mas poucas coisas são tão fortes quanto um clichê: aprendi a colecionar experiências, não objetos. Com o orçamento bem mais leve, consigo viajar sempre.

E a economia não está só no valor das compras. Nunca gastei meus suados dólares pagando excesso de bagagem e não faço ideia de quais são os limites para compras no exterior. Na Europa, minhas passagens aéreas ficam mais baratas porque eu não preciso levar malas e mais malas no avião. Assim, posso voar em low costs. Viajar leve é saudável, até mesmo para o bolso.

Frequentemente a blogosfera produz textos incríveis. Nos últimos meses, alguns deles falaram sobre assuntos semelhantes e que podem ser aplicados aqui. O primeiro fala sobre como a classe média alta brasileira é escrava do alto dos supérfluos, da Adriana Setti. Compramos o que não precisamos, investimos no que não necessitamos e acabamos escravos das nossas posses. A Adriana garante o que já falei aqui: viajar pode ser mais barato do que viver uma vida “normal”. É tudo uma questão de escolha.

Tower Bridge Londres Destacada

Londres

Compramos no exterior para economizar, afinal tudo é tão caro no Brasil

Sim, as coisas são muito caras no Brasil. E não é preciso muito para achar os vilões: nossos impostos são altos e, pior, não têm o retorno dos impostos escandinavos. Além disso, tem o tal do custo Brasil, fruto dos problemas de infraestrutura do nosso país, que encarecem a produção. Mas apenas esses dois motivos não explicam os preços absurdos cobrados aqui. Aí entra outro texto, do Blog Crash. O México importa carros. Sabe de onde? Do Brasil. E o carro fabricado aqui é vendido bem mais barato lá, mesmo com o custo dos impostos deles (que não são baixos) e com o transporte até a América do Norte. Além dos vilões tradicionais, outro também merece a culpa: para o brasileiro comprar é questão de status.

Ter o carro do ano, um tênis de marca ou uma camisa de grife – isso ainda significa muito no Brasil. Por isso, pagamos muitas vezes absurdos (parcelados em suaves prestações) por produtos que nem precisávamos tanto assim. Ora, se tem quem pague mais, por que diabos o dono abaixaria o preço de um produto?

Antes que você diga que eu mudei de assunto, explico. Pode até parecer um bom negócio gastar mundos e fundos em compras no exterior. Mas estamos simplesmente dando mais velocidade para uma bola de neve que já está rolando morro abaixo: a bola de neve do status que achamos que as mercadorias dão. Enquanto não aprendermos a ter bom senso na hora de gastar nosso dinheiro as coisas serão muito caras no Brasil, mesmo que um milagre aconteça e nossos políticos resolvam fazer uma reforma tributária.

Viagem Europa

Roma, Itália

Por falar em bola de neve, o comportamento consumista do brasileiro durante viagens também pode ser explicado por uma linha mais cultural: há 30 anos só gente privilegiada viajava para o exterior. Viajar para a Europa era O Evento, mesmo para a classe média. Adquirimos o costume de fazer compras lá fora para dar presentes para quem ficava no Brasil e não tinha perspectivas de visitar o velho continente tão cedo. Esse costume, de uma época em que as pessoas faziam questão de estar bem vestidas para entrar no avião, ainda impera. Conheço quem compre inúmeros presentes para os parentes e amigos simplesmente porque isso é o que se espera dele.

“Você só trouxe isso? Não comprou nada pra mim?” Pois é, existe uma pressão social pelo consumismo no exterior. Só que esse comportamento não tem mais sentido – gastamos com presentes, mas muitos dos presenteados vão fazer a mesma viagem meses depois. Com isso, se sentirão obrigados a comprar mais presentes, alimentando a bola de neve, que ameaça assustadoramente as próximas viagens de todos.

Vou fazer um acordo com minha família e meus amigos. Gente, não esperem presentes, roupas ou eletrônicos. Não vou comprar nada disso. Se comprar, será somente uma lembrancinha, algo que tenha valor cultural e afetivo e represente o lugar visitado, não alguma fábrica da China. Com isso, minha viagem vai ficar mais barata. Espero que a sua também, já que você não vai precisar trazer nada pra mim. Quem sabe assim não conseguimos viajar de novo em breve, dividindo a estrada?

Obs: Obviamente, acho perfeitamente aceitável comprar presentes, seja no Brasil ou fora dele, para pessoas queridas de forma eventual. O ponto aqui é a necessidade do equilíbrio e do bom senso, evitando o consumismo.

*Foto destacada: Ian Muttoo, Wikimédia Commons

 

 

Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014 voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura. Siga minhas viagens também no instagram, no perfil @rafael7camara no Instagram

63 comentários em Viaje mais, gaste menos em compras

  1. Impossível te poupar aplausos agora, Rafa. Se superou no texto e descreveu com maestria cada detalhe do que tento explicar desde que cheguei da Europa, com o mochilão mais leve do que quando fui: rica é a experiência que tive, somando detalhes que nenhum souvenir (ou foto) poderia traduzir.

    Por mais viagens, menos consumo. Por mais ‘viver o momento’, menos ‘coisas apenas para mostrar’.

    Que esse caminho continue a ser trilhado por nós e que seu texto inspire muitos outros.

    Beijos.

  2. Olá! Acompanho o blog há algum tempo e esse post me fez lembrar do porquê eu ter decidido fazer meu intercâmbio na Nova Zelândia nas próximas férias.Não sou rica, estou anos luz disso, porém decidi que não mais gastaria com supérfluos para poder investir em mim mesma. Notei que nos últimos meses gastei horrores, com coisas que muitas vezes nem uso mais. Lembrar-me de não gastar como doida lá também é importante!!
    Brasileiro valoriza mais o “ter” e não o “ser”, por isso nossa sociedade é tão superficial e valoriza tanto as aparências. Muito obrigada pelas dicas e infinitamente parabéns pelo blog e por cada post mágico que leio aqui.São minha inspiração 🙂

  3. Oi Rafael, concordo totalmente com você e adoro seus posts. Mas, fiquei curiosa… Quanto foi esse orçamento que você fez pra sua viagem de 45 dias na Europa?! Compartilha com a gente, por favor!

    Abraços,
    Evelin

    • Oi, Evelin.

      Gastei em torno de 7 mil reais com aquela viagem.

      Pensa o seguinte: um orçamento econômico para a Europa, mas nem tão baratinho assim: 6o euros por dia. Tem gente que gasta muito menos que isso, mas esse é o valor mínimo para entrar lá, então vamos trabalhar com ele.

      60 x 30 = 1800 euros. 6 mil reais para 30 dias. Além disso, falta a passagem aérea, que dá uns 2 mil, num preço normal (e dá para parcelar).

      Dá pra fazer com menos que isso? Sim. Eu mesmo fiz. Para isso, basta escolher lugares mais baratos, tipo Portugal, Espanha e Leste Europeu. Ou procurar formas de hospedagem mais em conta.

      Se você tentar comprar um pacote não promocional para a Argentina, em agências, é capaz de chegar nesse valor mesmo para uma viagem curta.

      Enfim, tudo é planejamento e prioridades. 🙂

      Abraço.

      • Oi Rafael,

        muito obrigada!Eu não curto muito os pacotes. Prefiro viajar por conta própria, fazer meus próprios roteiros.Achei seu orçamento sensacional! hahaha… vou usá-lo de referência pra próxima viagem!
        Valeu.

      • Adorei seu texto, Rafael! Me identifico bastante com seu modo de pensar e sempre tento agir assim nas minhas viagens! Mas fiquei com uma dúvida. Esse orçamento de 60 euros por dia já inclui hospedagem, alimentação e transporte? Sério? 60? Se sim, vc é um mágico das viagens! Hehe
        Abraço!

        • Sim, Luina. Esse é o mínimo exigido pra entrar na Europa. Em alguns lugares dá pra fazer com menos – Leste Europeu, Portugal e Espanha, por exemplo. Não é tão complicado não. 🙂

          Mas, claro, isso envolve ficar em hostels, comer em lugares bons, mas baratos, esse tipo de coisa.

          Abraço.

  4. Rafael, gosto muito dos seus textos, e normalmente concordo! Mas nesse caso, não! Acho q você considerou apenas os extremos.

    Tenho 30 anos, um emprego desses quadradoes (entro as 9, saio as 18), amoooo viajar, e normalmente posso fazer isso duas vezes ao ano. Sei que não faço parte da imensa maioria dos brasileiros, mas acredito q esse texto se refira ao contexto em q me enquadro.

    Faço meu orçamento considerando as próximas férias (além é claro de gastos da vida real), e nele a possibilidade de agradar meus entes queridos,bem como comprar objetos q no Brasa são muito mais caros, além é claro de tudo q a vigem pode proporcionar. Tudo com a parcimônia devida para não deixar de viajar na próxima oportunidade.

    Entendo q vc em grande parte do texto se refira aos extremos.

    Tenho alguns amigos que só viajam pra Disney, e fazem muuuuitas compras. O q é preciso entender é q diferentemente de vc ou de mim, eles não querem conhecer o mundo, eles só querem se divertir, e comprar muitas coisas por um preço bem mais em conta do q comprariam no Brasa.

    Escolhas! São elas que nos fazem diferentes e por isso o mundo é tão legal!

    • Oi, Ligia.

      Claro, eu entendo as escolhas. E, como disse no final do texto, acho perfeitamente aceitável comprar presentes, seja no Brasil ou fora dele, para pessoas queridas.

      A questão aqui é quem volta cheio de malas (e com milhares de dólares em compras) de uma viagem.

      É escolha da pessoa? É. A questão não é ser certo ou errado – não existe isso. É outro caso: só estou dizendo que essas compras deixam as viagens mais caras.

      E também entendo quem tem menos tempo e prefere fazer uma viagem mais cara, afinal não sabe quando poderá fazer outra. Essa pessoa quer conforto. Quer comprar o que quiser. Quer ser feliz naquele período de férias, afinal não sabe quando terá outro.

      Enfim, são perfis diferentes. Cada um na sua. 🙂

      Abraço e obrigado pela sinceridade e por sempre acompanhar o blog.

  5. Ótimo texto, Rafael. Estou guardando meu suado dinheirinho (hehe) para realizar a viagem dos meus sonhos (meu sonhado mochilão). Claro que algumas coisas pensamos em comprar, mas em relação às compras, parei de comprar roupas, cosméticos, só os essenciais, o que falta mesmo! Muitas pessoas riem, ou nem dão bola mesmo quando digo que guardo dinheiro para viajar, mas nem ligo mais. Prefiro conhecer novas culturas, locais, do que simplesmente ficar feliz, momentaneamente, por comprar uma camiseta de 50,00 ou mais. Tudo pelo status, tudo pelo capitalismo, nada por nós mesmos. 🙂

  6. Ah Rafael, mas uma vez estou aqui para te parabenizar por mais um post tao interessante e por trazer a tona algo tao pertinente, principalmente para nos brasileiros, q estamos ganhando o mundo agora e em tao pouco tempo, perdemos totalmente o controle.
    Eu moro na Nova Zelandia ha quase 3 anos e meio, e sempre digo a minha familia e amigos como mudei depois q vim pra ca e vi como as pessoas se importam menos com o consumismo, como ter ou nao ter o carro do ano nao muda nada, e ninguem liga se vc esta de unhas feitas ou com a roupa da moda, se tem o ultimo modelo de iphone ou se usa um daqueles nokias q de smart nao tem nada, so tem o phone mesmo. Eu era o tipo de pessoa q, ainda mais morando em SP, passava os finais de semana em shoppings, gastando, gastando, comprando roupas e mais roupas q cansei de doar anos depois sem nem ter tirado a etiqueta! Hoje meu estilo de vida eh outro e meus valores mudaram muito! Mas sempre q tento explicar isso pra alguem me sinto uma ET, a reacao eh mesmo exatamente como vc falou: as pessoas riem, de gargalhar mesmo, ou entao te olham meio de lado, meio estranho, como se vc tivesse enlouquecido ou falando outra lingua.
    Eu ja comentei aqui q trabalho com turismo ha mais de 10 anos e ja cansei de operar pacotes de compras nos EUA – o q pra mim nao faz o menor sentido.
    Mas enfim, estou num processo de tentar entender q as pessoas sao diferentes e tem necessidades diferentes, e o q eh tao claro pra mim nao passa de um nada para tantas outras pessoas (embora te digo q qdo vejo uma fila enorme na porta da Apple dois dias antes do lancamento de um telefone novo, minha vontade eh sair dando um peteleco na cabeca de cada um q estah ali…)

    • Nunca vou entender quem faz fila na porta da Apple (ou de qualquer loja). Mas é como você disse, Carol: as pessoas são diferentes.

      Fora isso, eu acho que devagarzinho o brasileiro vai ficar menos consumista.

      Abraço (e obrigado pela indicação do vídeo. Vou assistir). 🙂

  7. Esse post foi feito para a minha pessoa!! Nunca sai do país, mas viajo bastante pelo Brasil! E o que mais escuto é: “Nossa, vc tá rica!” Eu só compro passagem na promoção, fico em hostel e não faço compras (só trago uma lembrancinha para minha mãe)! Meu celular tem três anos, não saio de caso nos fds, ando de transporte público, tem mais de dois anos que fui ao cinema, última vez que comprei uma roupa foi ano passado o.O e só comprei pq a outra se rasgou hahahahaha…esse “sacrifício” é para poder sempre viajar! Próximo ano irei sair do país (primeira vez) irei fazer intercâmbio pelo AIESEC! E as pessoas acham que eu estou RHYCAAAAAAA! Pois é, e a maioria dessas pessoas nunca saíram do estado, pois preferem trocar de carro todo ano, ir à bares todo fim de semana, enfim! Amo viajar e por isso vivo o mais simples possível! A Rafael você gasta quanto em média (dólares) por dia? Estou querendo saber para poder levar no intercâmbio.
    Obrigada =)

    • Oi, Izabella.

      Te perguntei em outro tópico, mas nesse tem mais sentido. Para onde você vai?

      O gasto varia de acordo com o país. Na Índia, onde eu fui pela AIESEC, eu gastava 15 dólares por dia (muito pouco!). Já na Europa minha média era de 60, mas para quem fica mais tempo o gasto diário fica menor.

  8. Texto muito lúcido. Sempre pensei da mesma forma e sempre viajei do mesmo jeito. Tudo que tenho de lembrancinhas são algumas coisas em 50cm de estante e uns 10 ímãs de geladeria. Se somar o valor disso tudo não passa de 60 reais.
    Mas a pergunta é: como se livrar de uma maldição chamada emprego e poder viajar mais?? Só tenho 30 dias por ano de férias. Com isso só consegui visitar 7 países em 6 anos. Como não consumo quase nada nem no dia-a-dia, não tenho TV de plasma, meu celular é basicão, moro em apto. alugado; meu carro, que quase nem uso, é 2006 e popularzão mesmo, então tenho $$$ sobrando na conta bancária. Mas o que adianta ter o $$$ que sobra (mesmo com meu salário sendo uma merreca digna de gargalhadas) e não poder usá-lo a não ser 30 dias por ano?
    Aí é que a coisa não fecha… Como vc consegue achar tempo????

  9. olá, obrigada pela sua mensagem, sou mulher, ex consumista e confesso que eu já viajei muito somente para gastar, mas quando vejo meu guarda-roupa, prateleiras do quarto, penteadeiras estupefatas de coisas inúteis e caríssimas, parei pra refletir que se eu juntasse tudo pra vender, não renderia nem 30% do que gastei, enfim, ainda bem que li seu post pra consolidar o que eu já havia concluído, vou mês que vem para foz e fiz meu roteiro de 6 dias somente com 1 dia para compras, 1 dia pode parecer muito, mas já é um passo para quem já viajou exclusivamente para comprar.

  10. Rafael, você é um guerreiro! Viajar e não comprar nenhuma lembrancinha!rs

    Gosto de lembrancinhas, porém nada caro! Prefiro lojinhas de artesanato.

    Você tem razão quando diz que tudo é questão de estilo de vida.

    Um dia eu chego lá!

    Valeu pelo artigo.

    • O maior problema da lembrancinha é a falta de espaço na mala! hehe

      Mas não acho um problema comprar uma lembrancinha ou outra não. O problema é a falta de equilíbrio, quando aquele monte de compras pequenas pesa no preço da viagem.

      Abraço!

  11. Eu ainda não fiz uma viajem de verdade(pra falar a verdade o lugar mais longe que fui é um Águas de Lindoia hehehe) mas quando eu começar a conseguir viajar tenho planos de todos os lugares que eu for, eu pegarei um pouco de terra do lugar, pois assim sempre terei um pedaço dele comigo, e não algo comprado e sem valor algum.
    Parabéns pelo post e parabéns a todos vcs pelo blog que alimenta os meus sonhos.

  12. Olá pessoal achei legal os comentario,é uma forma de se desaba e eu vi que ate ajuda, olha como o Rafael comentou nós brasileiro (logico nem todos) consumimos mais que temos e mais que precisamos, eu posso disser isso porque eu so uma dessa que compro sem precisa e estou querendo acabar com isso, eu moro na Europa (alemanha) compro tanto e quando vou para o Brasil vou igual uma arvore de natal e acabo comprando coisas sem necessidade, eu vejo tambem que tem muitos brasileiros aqui que nao sao tao exagerado como ele, se eu podesse eu tambem viajaria com uma bolsa de mao, porque o estress de carregar esses monte de malas que irrita, ficar esperando a bagagem, quem sabe um dia eu chego la. Tudo de bom para todos e sucesso e que 2014 vamos viajar mais e compra menos 🙂

  13. Adorei o post, estou contempladíssima!!
    Por que não acumulamos experiências (boas e também os desafios das viagens) ao invés de acumular tralhas?!
    Já fiz 2 viagens de 20 dias para a Europa com cerca de R$ 8 mil, incluindo as passagens, dormindo e comendo bem, mas sem luxo. O segredo: adquirir a experiência de estar nos lugares e não adquirir coisas do lugar. Ademais, parece que tudo no mundo hoje é Made in China. Então compremos o que de fato precisamos, e de preferência aqui no Brasil, pois ao menos movimenta a economia local.
    parabéns pelo blog.
    Estou me preparando para uma viagem a Cuba na próxima semana e mais uma aventura européia em fevereiro. Estou me aproveitando das dicas!!

  14. Oi Rafael,
    quanto em média você irá gastar pra passar essa temporada que comentou na Europa? Me convidaram pra ir ano que vem e me falaram que é necessário por volta de 10 mil reais, contando com passagem e passando um mês. Quando você fala de um orçamento bem mais abaixo, fala de quanto?! Obrigada

    • Oi, Milena.

      O valor depende dos lugares da Europa. Suíça e a região da Escandinávia são os mais caros. Grandes cidades turísticas, como Londres, Paris e Roma, também exigem mais dinheiro. Já países como Portugal, Espanha e até mesmo partes da Itália são bem mais em conta.

      O Leste Europeu então, nem se fala. A República Tcheca, por exemplo, é mais barata que o Brasil.

      Enfim, e Europa é grande e variada, portanto o orçamento depende do seu roteiro.

      Para onde você vai exatamente?

  15. Excelente post, Rafa!
    Faço exatamente como você.
    Invisto em viagens e não em compras.
    Como gosto de lembranças de onde estive, o máximo que compro é um imã ou uma miniatura, onde coloco todos juntos num cantinho de recordações em casa. E se vou pra algum lugar repetido (no caso, a Colombia, claro hehe)não sinto a menor necessidade de comprar outro souvenir. A não ser que seja uma cidade diferente.
    Bela lição pra muitos.
    Parabéns pelo post!
    Bjs
    Fa

    • Oi Fabíola,

      Assim, com as atitudes pequenas de cada um, vamos fazendo nossa parte para mudar esse quadro. =)

      Obrigado pelo comentário e elogio.

      Abraço!

  16. Ei Rafael, gostei demais da matéria.
    Ando pensando sobre nossa sociedade de hiperconsumo há um tempo, e como eu estava refém disso. Tenho pensado se o que quero comprar é desejo ou necessidade, e me desfiz de muitas coisas que não faziam sentido. Enfim, comprar agora só quando necessário.
    Mas, me diz uma coisa, fiquei curiosa sobre quanto custariam seus 45 dias na Europa a ponto de fazer todos assustarem. Pergunto porque percebi que quero viajar agora, depois de ver um anúncio de work and travel na faculdade, mas sou totalmente por fora de preços, e, embora tenha feito algumas pesquisas, queria saber um preço real, sem os exageros, contando que seja uma viagem equilibrada, como a proposta que você relatou no post.Muito obrigada!

    • Oi Aline,

      A princípio estou pensando em gastar R$ 7 mil pelos 45 dias. Isso incluiria tudo, menos as passagens aéreas para sair e voltar ao Brasil. Tem quem faça até com menos, tem quem diga que é impossível fazer com esse valor. Nós vamos tentar e esperamos que dê (depois conto aqui)! O ponto é que já vi gente falando que pagou R$ 10 mil em pacote de poucos dias na Argentina e que surta quando digo que planejo fazer uma viagem tão grande com menos. Viajar de forma independente deixa tudo muito mais barato.

      Abraço!

  17. Eu já fiz viagens só de compras para os EUA, mas porque era mais barato comprar tudo lá do que aqui. Só que lógico, fiquei 1 ano sem comprar NADA em nenhum shopping do Brasil. Agora, em viagens normais (a passeio), é muito raro eu comprar mais do que um souvenir básico. Mas, infelizmente muita gente só se interessa por compras mesmo. Uma pena! Meus posts mais acessados são os de outlet nos EUA.

    • Pois é, Fernanda. Outro dia ouvi a história de gente que foi a Foz do Iguaçu, mas não teve tempo para ver as Cataratas. Estava lá só pela pelas compras no Paraguai. Triste, né?

  18. Adorei o texto! Sempre digo as pessoas que não é preciso ser rico para viajar. É uma questão de prioridades mesmo. Estive recentemente em uma palestra em que uma pesquisadora francesa disse: “os brasileiros são apenas zumbis do capitalismo”, referindo-se aos milhões que os brasileiros gastam em compras. Afirmativa forte mas verdadeira…

    • Oi Gisele,

      Concordo com a frase do palestrante. Infelizmente é assim mesmo. Mas quem sabe a gente não muda isso um dia, né?

      Abraço!

  19. Ah, muito boa sua reflexão. A questão do ter e do status proporcionado é algo muito presente na nossa sociedade. Não viajei tanto quanto vc, mas as vezes que viajei senti que o brasileiro realmente dá mais valor a isso em comparação aos demais lugares que conheci. Se observar o trânsito na Argentina ou no Uruguai vc percebe que a proporção de carros velhos é muito maior do que no nossa, mesmo considerando que nesses países os veículos custam menos e a renda per capta é mais elevada em comparação ao Brasil. Aí chega o verão e os argentinos invadem as praias aqui de SC com seus carros velhos enquanto em Buenos Aires eu raramente via uma placa brasileira. No Canadá e nos EUA também não vi tão exacerbada essa questão do “show off” como eles chamam, mas talvez porque nesses países o acesso aos bens é muito mais amplo a ponto que um carro novo ou um iphone da última geração não é algo que dê tanto status. Enfim, entrei em uma questão filosófica sobre a questão, mas o que eu queria mesmo era comentar que quando li sobre o quanto vc iria gastar na Europa e a comparação com uma semana na Argentina me deu um acesso de riso nostálgico. Na mesma época em que viajei por 40 dias entre Argentina, Chile e Uruguai um amigo me contou que gastou quase o mesmo em uma semana em Buenos Aires.

  20. Adorei o texto, rafael. É algo que tenho pensado bastante. Também viajo mais que a média, pq não me importo (até gosto) de ficar em albergues, comer em restaurantes simples (a.k.a. falafel e mercados) e não surtar com compras. Mas já caí uma vez na armadilha do “nossa, isso é tão barato aqui e tão caro no brasil que tenho que comprar!”. Na real o que comprei mesmo foram livros de arte, coisas do tipo. E não é que carregar aquela mala cheia de “muamba” e rezar pra estar no limite de peso das low cost foi um verdadeiro estorvo a viagem toda? Fica de lição…

    • Oi Margarida! Mas cair nessas armadilhas é perfeitamente normal, né? Acho que aprendemos pela experiência mesmo. Como a Camila comentou aí em cima, num mundo ideal a gente conseguiria viajar sem despachar bagagem. Imagina como tudo seria mais fácil!

      Abraço!

  21. Gostei muito da reflexão! Eu vivo na Europa há 5 anos e cada vez que vou de férias ao Brasil diminuí drasticamente a qtde de presentes na mala. Somando a isso, aderi aos presentes “coletivos” e comestíveis”, tipo uma cx. de chocolate, um queijo ou vinho local. Marco um encontro para rever os amigos, comemos os presentes e ninguém fica com bibelô para empoeirar pela casa.
    Durante as viagens, passo bem longe de lojas – principalmente as grandes grifes. Se é para deixar dinheiro no país, que seja com produtos típicos locais. Até imã de geladeira de uns tempos para cá eu prefiro comprar um que seja originalmente feito no local visitado do que os batidões made china. Nesse caso, obviamente custam mais caro, mas tem muito mais sentido para mim.

    • Oi Kelli,

      Sua opção é mesmo muito melhor. Assim você compra alguma coisa que representa o país. Coisas que simplesmente não são comuns aqui e que vão significar muito mais para as pessoas que as recebem, seja dividindo aquele vinho ou comendo aquele queijo com você. Ainda por cima vocês conversam sobre a viagem enquanto “usam” os presentes, né?

      Obrigado pelo comentário!

      Abraço!

  22. Rafael,
    perfeito o seu ponto de vista! Onde assino? 🙂
    E a pergunta que mais me irrita responder quando chego de viagem: “Comprou muita coisa por lá?” Arghhhh! Dai qdo respondo que não viajei para comprar, sou rotulado como rude.
    E muitas das vezes nem é por questão de economia, mas de foco mesmo.
    Tenho muito medo desse consumismo eufórico e reprimido dos brasileiros, e as vezes até vergonha também. Gente que deixa de curtir o lugar, pra ficar batendo perna por todos os outlets possíveis e imaginários.
    Já ouvi de um indiano motorista do shutlle em NYC, quando soube que eu era brasileiro: “Brasileiro gosta de mala grande e pesada, né?”
    Claro que não era da minha que ele estava falando 🙂

    • hahaha

      Pois, Marcelo. Eu tenho é medo de mala grande. Mas é isso mesmo. Tem gente que vai para Foz do Iguaçu, por exemplo, e prefere gastar todo o tempo comprando no Paraguai do que conhecer as cataratas. Olha que coisa sem sentido!

      Obrigado pelo comentário!

      Abraço

  23. Ótima reflexão! Compro pouco quando viajo mas sempre trago algo pequeno e típico e que vou usar bastante, como minha pashmina na India, por exemplo. Acho meio chato essa obsessão com compras. Hoje em dia faço até compra de supermercado na internet por falta de paciência com lojas. Já cansei de explicar o porquê de viajar tanto. Não tenho empregada nem diarista, moro numa casa minúscula,tenho bastante roupa e sapato mas nada caro e o que tenho de marca foi comprado com 70% de desconto,ando de transporte público, não vou ao salão toda semana(nem mesmo uma vez por mês!) etc. Agora que meus amigos já entenderam eu tô penando para explicar que eu vou ficar um tempo sem viajar para economizar e finalmente comprar uma casa,rs. Mas enfim, acho que tudo isso é uma questão de escolha. Só me irrito em ser julgada pela minha. Não vejo problema algum se a pessoa quer viajar uma vez por ano e comprar horrores, ficar no hotel mais caro e da moda se é isso que a faz feliz. Também não vejo problema se ela acha que é melhor gastar numa bolsa o que eu gastaria numa semana na Grécia. Mas se eu não julgo ninguém pela maneira que a pessoa gasta seu salário não me julgue também!

    • Pois é, Liliana,

      Tudo é questão de escolha. Algumas vezes precisamos comprar e não viajar. Mas, de uma forma geral, muitos brasileiros compram o que não precisam. Óbvio que não cabe julgar as escolhas de ninguém, mas certamente daria para viajar mais vezes por ano se não gastássemos tanto em compras desnecessárias.

      Abraço!

    • Parabéns Liliana !
      Com absoluta certeza e vivência, uma semana na Grécia vale todas as bolsas da minha vida ! E, é mesmo uma questão de escolha ! Penso que nem vc ! Abraços e lindas viagens !

  24. Eu não sirvo de base, porque tenho preguiça de ir ao shopping/fazer compras mesmo no Brasil, mas nas viagens é que minha aversão fica ainda maior. Carregar três malas? Nunca!!! Ainda amais agora que minha meta de vida é viajar sem despachar. 😉

    Acho que o problema é a questão do status mesmo. Tá, nos EUA é tudo mais barato, mas eu preciso de tanta roupa/sapato/cosmético só porque é de marca e é barato? Esse consumismo parece uma praga! Não é fácil ficar livre dele, mas quando a gente consegue escapar dessa roda a vida fica muito mais leve. E ainda sobra mais $ para viajar! 🙂

    • Pois é, Camila!
      E minha meta também é tentar viajar sem despachar. Estou doido para tentar colocar o novo plano em prática – tudo fica tão mais fácil, né? hehe
      Abraço!

  25. Acho que esse foi um dos melhores textos que já li aqui! Acho bem válido comprar itens realmente necessários que são mais baratos no exterior, porque aí quando chego no Brasil não tenho que gastar com uma calça de R$ 150 pra ir pro trabalho, por exemplo. Mas essa “obrigação” de comprar 30 mil gadgets, bebidas, cosméticos e presentinhos me dá muita preguiça. Nunca vi a menor graça em free shop e sempre que vejo gente cheia de sacolas em viagens fico pensando se têm tanto dinheiro que não sabem o que fazer com ele, ou se vão deixar de fazer outra viagem por causa disso… Boa reflexão! 🙂

      • Que bom que gostou do post, Luisa. Também acho que algumas compras são válidas sim. Agora, muitas vezes compramos o que não precisamos. Todo turista gasta em viagem, mas o brasileiro gasta mais que a média. Podemos melhorar nisso. Abraço!

  26. Ai, eu também fico completamente perdida com esses dados de cota no exterior, tax free, quantas garrafas de vinho pode trazer… Muito boa análise, são textos assim que ajudam a construir a mudança cultural que a gente busca! 😉

    • Pois é, Sílvia. Quando mudamos nossa postura ajudamos a mudar o mundo. Me lembro das primeiras viagens que fiz, há anos: comprei um monte de tralha. Com o dinheiro eu poderia ter comprado outra passagem. E – pior – as coisas que comprei não serviram pra nada. O bom é que a gente aprende com os erros passados. =)

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