Pode acreditar: o mundo tem jeito

Pode acreditar: o mundo tem jeito

Basta entrar na internet ou ligar a TV para se dar conta de quantos golpes, guerras e problemas existem nesse nosso mundão complicado. Em meio a tudo isso, muita gente se pergunta que planeta é esse, que parece mais uma definição do caos que um ambiente saudável para curtir a nossa breve existência. Mas antes que você grite  “o horror, o horror”, acalme-se.

Sim, tem muita coisa ruim em nosso planeta, mas muita coisa legal também – o problema é que nem sempre nos lembramos disso. Como disse o escritor moçambicano Mia Couto, “há, neste mundo, mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.” 

Como é notícia ruim que vende jornal, muitas vezes somos conduzidos a uma espécie de terrorismo pré-viagem. Por exemplo, eu morria de medo dos taxistas de Buenos Aires, tantas foram as advertências que li sobre isso. Desde que cheguei aqui, no entanto, não sofri nenhuma tentativa de golpe. Tenho certeza de que muitos casos assim ocorrem, claro, mas mais certeza ainda que a quantidade de taxistas honestos é infinitamente maior do que a de golpistas, seja em Buenos Aires ou em qualquer lugar do mundo.

A ideia deste post é mostrar que numa viagem – e na vida como um todo –  há mais pessoas dispostas a ajudar do que gente que vai te passar para trás. Para isso, selecionei um monte de boas ações que gente desconhecida fez comigo, com a Naty e com a Lu.

Algum desconhecido já te salvou de um perrengue de viagem? Conta para gente como foi e vamos levar adiante essa mensagem: o mundo é um lugar legal. A prova disso? Entre muitas outras, o ser humano.

Dos perrengues que já fui salvo

1 – Assim que chegamos em Buenos Aires, no mês passado, o taxista fez questão de nos dizer quais cuidados deveríamos tomar na cidade, contar um pouco da história da Argentina e dar dicas turísticas. E olha que isso foi horas depois da Argentina perder a Copa do Mundo. E ele não estava num dia muito feliz, óbviamente.

2 – Há quem diga que Paris é incrível, mas tem um problema: os parisienses, que seriam arrogantes e mal-educados. Não foi isso que percebemos. Numa noite de 2011, estávamos perdidos na cidade. E um senhor de uns 80 anos, que não sabia uma única palavra em inglês, se esforçou muito para nos ensinar, com mímica, como voltar ao hotel.

3 – O mesmo aconteceu quando encontramos uma mãe que estava com dois filhos pequenos e não falava uma palavra em inglês. Ela passou vários minutos fazendo mímica para nos dar uma informação.

4 – Também em Paris, um parisiense ajudou uma tia da Naty a carregar as malas pelas escadas do metrô. E isso aconteceu mais de uma vez.

5 – Foi também na capital da França, em 2013, que dois parisienses pararam para nos explicar como chegar numa atração turística. E nem precisamos pedir ajuda – eles simplesmente nos viram com um mapa na mão e resolveram ajudar.

6 – Em 2011, resolvemos fazer trekking na Table Mountain, na Cidade do Cabo. Só que o clima mudou de uma hora para outra – naquele dia fez um calor absurdo e várias pessoas tiveram que ser resgatadas da montanha de helicóptero. Nossa água acabou depois de seis horas de subida, mas uma família indiana nos deu uma garrafa a mais para que pudéssemos ir até o fim.

Table Mountain

Não disse que teve até helicóptero?

7 – Também na África do Sul, precisamos deixar o país repentinamente, por causa de uma emergência familiar no Brasil. O dono do hotel onde estávamos, numa cidade chamada George, remarcou nossas passagens até Cape Town e avisou a todos hotéis seguintes que teríamos que cancelar a viagem. Antes disso eu tinha achado o cara meio chato, mas fui embora sentindo só gratidão.

8 – No Nepal, em 2012, uma greve geral tornou os deslocamentos por terra pelo país perigosos. O dono da pousada onde estávamos, em Pokhara, nos avisou disso e ofereceu as milhas aéreas dele para que conseguíssemos ir de avião até Katmandu. Ele foi tão legal que não me canso de fazer propaganda do hotel até hoje – ser for a Pokhara, fique lá.  E diga que nós mandamos um abraço.

9 – Depois de uma interminável viagem entre Nova Zelândia e Chile, chegamos em Santiago. Só que uma confusão no hotel atrapalhou a vida da Luíza, que não conseguia entrar no quarto dela. Depois de muita espera, ela chorou de desespero e cansaço. E um desconhecido se aproximou e ofereceu um abraço.  E não, ele não era um creep, só alguém legal mesmo.

10 – Em Kuala Lumpur, na Malásia, fizemos couchsurfing pela primeira vez. Além de nos receber de graça em sua casa, a Chiew inverteu a ideia do couchsurfing: ela fez questão de dormir no sofá e de nos dar a cama dela. E não houve nada que falássemos que mudasse a opinião da moça.  

Couchsurfing-host.jpg

Naty, Chiew  e Lu em Kuala Lumpur

11 – A Chiew também resolveu nos buscar no aeroporto. Fez isso ao perceber que nosso voo chegaria muito tarde e que um táxi até a casa dela seria muito caro. 

12 – Em outra experiência de couchsurfing, o Marcel, um brasileiro, nos recebeu em Munique, justamente na época em que a cidade é mais concorrida: durante o Oktoberfest. Ele comprou um colchão inflável só para nos receber e nos deu a chave da casa dele, para que entrássemos e saíssemos a qualquer hora. A gentileza de uma pessoa que nunca tínhamos visto na vida permitiu que realizássemos um sonho antigo.

13 – Em 2011, nos mudamos para Índia, onde trabalhamos por um ano. O Dev, um colega de trabalho, fazia de tudo para ajudar os estrangeiros a resolver coisas básicas, mas que eram complicadas para quem não falava hindi: pagar contas, comprar gás, contratar um encanador…

14 – No Brasil, em 2010, o nosso carro atolou numa estrada de areia, entre Trancoso e a Praia do Espelho. Dois carros pararam para nos ajudar a sair de lá.

15 – A Naty deixou o celular dela na escada de um prédio, em Praga, na República Tcheca. Alguém achou e devolveu o iPhone na recepção do nosso hotel.

16 – A mesma coisa aconteceu com um taxista de Belo Horizonte, em 2011. Eu tinha acabado de comprar meu iPhone, mas ele caiu do meu bolso e ficou no banco de trás do carro. O taxista deu uma volta inteira na cidade para devolvê-lo – e não aceitou que eu pagasse o valor dessa corrida extra.

17 – A Luíza e uma amiga estavam perdidas numa cidade dos Estados Unidos. Elas já tinham caminhado dois quilômetros, quando o dono de uma loja de conveniência ficou com pena das duas, deu comida e providenciou que um funcionário as deixasse em casa.

E você? Tem um história para contar? Deixe um comentário e me ajude a ampliar essa lista.

Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014 voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura. Siga minhas viagens também no instagram, no perfil @rafael7camara no Instagram

42 comentários em Pode acreditar: o mundo tem jeito

  1. Socorro. Vocês conhecem a http://WWW.homeaway.com?
    Ontem eu e meu marido buscando uma alternativa mais em conta encontramos um apartamento para alugar por temporada nesse site e no momento da reserva ele pediu o número do cartao de credito que foi imediatamente debitado. Agora recebemos uma mensagem de que o proprietário nao responde e que nao está feita a reserva. Como se até já a pagamos?
    Será que caímos num golpe?

  2. Assim que li a matéria pensei imediatamente na experiência que eu e minhas amigas tivemos em Arequipa, no Peru. Fizemos o roteiro pensando em passar a noite no aeroporto, já que chegamos muito tarde e iríamos sair logo cedo. ocorre que o aeroporto é fechado à noite. Assim, estávamos exaustas, cheias de malas (a viagem era para 15 dias – imagina a bagagem de 5 mulheres) e sem a mínima ideia de lugar pra ficar. Assim, como de costume, alguns taxistas se ofereceram para nos levar dali. Teve um que insistiu muito, mas muito mesmo. inclusive, disse que conseguiria lugar para dormirmos. Depois de ouvir algumas histórias tenebrosas, temia que fossem nos roubar, largar em qualquer lugar e coisas do tipo. Perguntamos para alguns policiais se eles conheciam o taxista e eles – os policiais – negaram. Da mesma forma, o funcionário do aeroporto também disse que não sabia quem era. Depois de algum tempo, estando o aeroporto para fechar, aceitamos a ajuda. Nos separamos em dois grupos, os carros pegaram caminhos diferentes. Nunca chegava ao hotel. Pronto. Pensei que ali acabava a viagem. O taxista, então, notando o medo que exalava pelos meus poros, da minha respiração, disse: “Calma, vai ficar tudo bem”. Incrivelmente essa frase surtiu efeito. Fui me acalmando. Logo adiante, chegamos ao hotel. Era um lugar muito simples, de questionável higiene, mas pra quem iria dormir no saguão do aeroporto, ou então sabe-se lá aonde, estava ótimo (se bem que colocamos um armário na frente da porta, só por garantia). Na manhã seguinte, como o voo era muito cedo, o próprio taxista se ofereceu para fazer a corrida inversa (do hotel para o aeroporto). E assim o fez. Logo nas primeiras horas da manhã. Estando nascendo o sol, o mesmo estava lá. Ajudou a carregar as malas e, no caminho de volta, pude notar o quão bela era a cidade. De assustadora não tinha nada (só a minha percepção equivocada). É uma cidade linda, com paisagens singulares. Ele ainda deu uma de guia turístico e, no aeroporto, de fotografo. Muitas fotos o próximo fez a gentileza de tirar. Enfim, todo aquele medo, justificado quem sabe pelas histórias que se contam, não tinha razão de ser. De lá pra cá, tenho tenho comigo que, na dúvida, até prova em contrário, melhor confiar nas pessoas. Posso até me decepcionar, é provável que aconteça, mas é melhor viajar assim, mais leve. Obrigada CRISTIAN (esse é o nome do taxista). Espero que tenha passageiras melhores que nós.

  3. Inverno em Viena, achei uma blusa de lã muito bonita na C&A e resolvi comprar. Horas depois, andando pelas ruas, eu não percebi que ela “engastalhou” (existe essa palavra? 🙂 num arame e rasgou toda a parte do braço.

    Achei, então, um costureiro, um tiozinho turco muito gente boa, que me fez o serviço de graça, mesmo frente à minha insistência para pagar.

    Muito legal quando acontece algo assim em viagens. 🙂

  4. Um pouco atrasada no post, mas mesmo assim resolvi relatar uma situação de gentileza que aconteceu comigo e minha amiga em Orlando:
    Ficamos o dia inteiro no parque da Disney (mesmo, das 8 da manhã até quase meia noite) e acabamos perdendo o shuttle que o hotel disponibilizava. Resolvemos pegar um ônibus de linha mesmo que, segundo o cara que trabalhava no balcão de informações, passava onde a gente precisava. Ele realmente passou… Reto! Fomos parar numa estação de ônibus em downtown, sem saber nem pra onde olhar. Vimos um outro ônibus que ia pro parque da universal e perguntamos pro motorista se ele passava pelo nosso hotel (que era perto do parque) e ele só poderia nos deixar perto, pois não passava por lá. Entramos no bus e na hora de pagar, vimos que não tínhamos os 2 dólares trocados pra pagar a passagem, então o motorista deixou a gente ir assim mesmo é, quando estava perto do hotel, ele nos avisou para descer e inclusive tinha pedido pro taxi que estava parado no semáforo ao lado dele nos esperar! Agradecemos, entramos no táxi e finalmente fomos pro hotel (depois de quase 3 horas!!!)

    Sei que poderíamos ter pensado em pegar o táxi antes, mas quando o esgotamento físico e mental tomam conta, a gente nem pensa direito 🙁 então fico suuuuuuper agradecida a esse motorista que nos ajudou 😀

    Sobre os nova-iorquinos, sempre que precisei de ajuda, me trataram bem e explicavam com vários detalhes pra ter certeza que eu ia achar o lugar que precisava. Óbvio que tem gente de cara amarrada, mas acho que é uma questão de observar né, tipo, tem muita gente com pressa ou que não quer ser incomodada, tem outras que tu já vê que estão mais tranquilas, dai para e pergunta 😛

    Enfim, ficou enorme o texto, vou calar os dedos hahaha e que sempre possamos ajudar e sermos ajudados 🙂

  5. Juro que chorei ao ler estas histórias. Fico muito feliz e mais esperançosa de que ainda existem seres bons nesta Terra.
    Também já fui ajudada em minhas viagens por pessoas bem pacientes em Buenos Aires, Orlando e até mesmo no Brasil, que ainda acredito ser um país bem receptivo para ajudar, apesar dos pesares.

    • Fico feliz de saber que gostou do post, Patrícia. A gente quase nunca para pra pensar nessas coisas, mas a verdade é que o mundo está cheio de pessoas boas.

      Abraço.

  6. Há exatos dois dias pegamos um tuktuk do nosso hotel em Udaipur (India) para a estação de trem da cidade, pois nossa proxima parada no mochilão seria Agra, a cidade do Taj. “Até aí, tudo bem”, não fosse o motorista do famoso transporte do país estar bêbado. Isso mesmo! E pior: nem eu nem minha parceira de viagem percebemos. O que aconteceu? No caminho para a estação o cara acelerou com tudo, dormiu e jogou o veículo contra um muro. Com a graça dos deuses indianos não sofremos absolutamente nada (ok, um joelho roxo e uma pequena luxação na mão. O que realmente não é nada diante do que poderia ter nos acontecido). Com o barulho do impacto e com o nosso desespero, apareceram uns 6 indianos. Todos muito preocupados conosco e tentando nos acalmar dizendo que ficaria tudo bem. Percebendo o nosso desespero tanto do ocorrido quanto para não perder o trem, um deles nos colocou em seu carro e nos levou até a estação. Sem falar uma palavra de inglês, ele tentou nos acalmar durante o curto trajeto. Enfim, o povo indiano é demais. Tirando, claro, motoristas bêbados de tuktuk. 🙂 Saudações direto de Agra, a cidade do Taj.

    • Uma das melhores histórias que já li. hahaha!

      Ainda bem que deu tudo certo e ninguém se machucou de forma mais grave. 🙂 Aproveite Agra e todo o restante da Índia.

      Abraço.

  7. Incrível! Sim, eu acredito em um mundo melhor e se cada um fizer a sua parte, reclamar menos e ajudar mais…teremos um mundo melhor com certeza!!

    =)

  8. Olá Rafael, primeiro parabéns pelo blog, posso passar longos períodos aqui lendo e lendo sem ver o tempo passar, e realmente acho que o mundo tem jeito, em 2011 quando fui a Buenos Aires também passei por uma situação difícil, minha primeira viagem fora do Brasil com meu esposo e sem nenhuma experiencia levei pouco dinheiro pensando em sacar tudo lá e mesmo avisando o gerente da minha conta que irira fazer uma viagem internacional, quando fui fazer um saque no caixa eletronico, minha conta foi bloqueada, detalhe que era domingo demanhã rsrs nada de banco aberto, desespero total chorei horrores, vendo o meu desespero um brasileiro que estava lá me emprestou 200 dolares para que eu conseguisse pagar a diária do hotel e sobreviver até a segunda para resolver o problema, graças a DEUS foi o que me salvou e fiz questão de devolver o dinheiro o mais rápido possível para que ele não perdesse a fé nas pessoas também e continuasse a ajudar quem passagem por algum perrengue como esse meu. Sei que fiz várias coisas erradas nessa viagem mais agora já estou esperta e vou vou voltar lá em Abril e dessa vez vai dar tudo certo!!! Abraços!!!

    • Obrigado, Marcela. 🙂

      Que fantástico esse brasileiro que te ajudou – imagino seu desespero, situações assim são complicadíssimas.

      Abraço.

  9. Olá Rafael, gostei muito das informações postadas.Estou querendo fazer uma viagem para Buenos Aires. Além disso, minha filha tem 19 anos anos e vive falando que quer muito viajar sozinha, inclusive quer fazer faculdade em Montes Claros-MG. E eu fico morrendo de preocupação, pois são tantas noticias ruins na mídia, que assusta agente .

    Abraços,
    Lúcia

  10. Ótimo texto, concordo com cada palavra!
    Eu sou o tipo de pessoa que sempre vê o copo meio cheio e não ao contrário. E na minha opinião pra cada pessoa mal intencionada existem umas 10 pessoas boas e dispostas a ajudar. Em todas as viagens que eu fiz eu notei esse tipo de coisa.
    Eu não falo lhufas de espanhol e tanto na Argentina, como na Espanha e no Uruguai, TODO mundo se esforçava pra me entender e me ajudar.
    Mas eu tenho dois relatos em particular que me marcaram um pouco. Na minha primeira viagem pro Uruguai eu precisava voltar pro hotel e perto do lugar onde eu estava tinha uma rua bem movimentada, então como eu não conhecia Montevidéu, achei melhor eu esperar ali até passar algum táxi por que eu via que vários passavam por ali. Passavam muitos táxis, mas nenhum parava, nem quando eu fazia sinal. Achei estranho, pensei que eu devia estar fazendo alguma coisa errada e nisso passou mais ou menos uma hora e já tinha ficado escuro e eu morta de cansaço querendo voltar pro hotel, quando apareceu um moço dizendo que os táxis não paravam naquela rua, só mais adiante, e ele se ofereceu pra me levar até lá.
    Outra vez, em Porto Alegre (RS) meu dinheiro do dia tinha acabado e eu tenho anemia e estava passando MUITO mal. Eu não conhecia a cidade e não sabia como chegar em algum hospital, foi quando eu decidi pedir informação pra um senhor e pra mulher dele e acho que eles notaram a minha situação desesperadora e se ofereceram pra me levar até o hospital e ficaram comigo lá até eu ser liberada.

    • Oi, Patrícia.

      E tem brasileiro que tem preconceito contra brasileiro: diz que nosso povo é ruim, espertinho, aproveitador.

      Mentira. Tem muito mais brasileiro bom do que ruim (assim como acontece em qualquer nacionalidade, claro, afinal as cores da bandeira pouco importam).

      Não importa o país do mundo, tem sempre alguém pronto para ajudar.

      Abraço.

  11. Olá pessoal,

    Adoro viajar e também acho que existem mais pessoas boas do que más, mas a maior parte das vezes estamos tão de pé atrás que é difícil aceitar a ajuda…

    Felizmente já encontrei muitas pessoas impecáveis, uma das vezes em Israel após alugarmos um carro, parámos numa estação de serviço e quando regressámos já não nos recordávamos como o voltar a ligar (tinha um código e uma data de situações que se tinha que fazer) e um senhor Israelita quando percebeu que estávamos com dificuldade ofereceu para ajudar, telefonou para a empresa de aluguer, esteve imenso tempo ao telefone e lá conseguiu, no final nem aceitou que pagássemos a chamada 🙂

    Numa outra situação no Rio de Janeiro, nos distraímos a caminhar quando demos conta já não estávamos perto de nenhuma zona turística, não passavam taxis e não fazíamos a mínima ideia onde apanhar algum autocarro/ónibus, de repente passa um autocarro/ónibus e pára no meio da estrada e o condutor nos chama e avisa que vai para o Leblon, percebeu que andávamos perdidos e que ainda nos poderíamos colocar nalguma fria 🙂

    Beijinhos e parabéns pelo excelente trabalho

    Andreia

  12. Dizem que os nova yorquinos são arrogantes, idiotice, um dia lá perguntamos ao segurança do museu onde ficava o Mc donalds ele explicou n entendemos, sentamos nas escadas do museu e meu disse q não havia entendido, poucos segundos depois, o segurança desceu até nós e fez questão de nos explicarmos onde ficava o local.

  13. Olá, Rafael!

    Muito legal isso de compartilhar estes momentos.

    Já recebi muitas ajudas de desconhecidos e já ajudei a muitos também. Tenho muito isso em mente, se tenho condições de ajudar, por qual motivo não o farei? E acho que a vida acaba retribuindo de alguma forma, como diria nosso mestre “Gentileza gera gentileza!”.

    Uma das últimas que me aconteceu foi que eu estava “pernoitando” no aeroporto de Londres e eu estava no final da minha viagem esperando para voltar ao Brasil, sem dinheiro em espécie, e eu não estava conseguindo sacar, como se o banco estivesse bloqueando por segurança. Eu estava morrendo de fome e não tinha como comprar comida e teria que ficar no aeroporto mais 12 horas. Fui até uma loja estilo “Americanas express” que não lembro o nome e descobri que nem usar o débito eu conseguia. Foi aí que a menina que estava no caixa (acho que leu minha mente com a cara de frustração e fome que eu estava) colocou tudo que eu tinha pego para comprar na sacola e disse “pode levar, você vai ficar com fome a noite!” e eu disse que não, que eu estava com problema no cartão mas ia tentar de outra forma, e ela estendeu a sacola com os sucos e snacks que eu tinha escolhido e repetiu “Pode levar, não tem problema!”. Tinha dado 11 pounds. Eu agradeci e fui embora!

    Fiquei tentando sacar em todos os ATMs do terminal e em 1 deles depois de muito esforço eu consegui. Acabei voltando na loja e pagando a menina, e agradeci novamente. Conversamos um pouco e depois me despedi. Pretendo levar algo quando voltar e se ela estiver por lá deixar uma lembracinha!

  14. Em Caruaru, uma senhora que limpava a rodoviária ficou tão preocupada com o fato de eu ir sozinha pro hotel áquela hora da noite que parou o próprio serviço, falou com a dona da banca de jornal e conseguiu que ela me desse uma carona. Olha, a cada filho da puta no mundo, tem pelo menos umas 20 pessoas incríveis dando o melhor de si.

  15. Sim, o mundo tem jeito. Voltei a acreditar nisso na Tasmânia. Estávamos em Sydney e de lá meu filho ligou para reservar uma camper van para viajarmos pela Tasmânia durante uma semana. Meu filho, um amigo e eu. O responsável pela empresa, um belga, não só foi nos buscar no aeroporto, como nos deu uma pilha de guias de turismo e centenas de dicas imperdíveis. E equipou a camper van com TUDO o que precisávamos. Pura simpatia e gentileza.
    Na Tasmânia, em Bicheno, planejamos conhecer a Maria Island, mas perdemos a lancha da manhã. Para ir na lancha da tarde, só se fosse para acampar à noite por lá. Mas não tínhamos barraca. Anna, a atendente do Posto de Apoio ao Turista, ofereceu sua barraca para passarmos a noite na Ilha. Indicou o local da sua casa, ligou para o esposo e, quando chegamos, ele nos esperava com a barraca e um sorriso no rosto, além de nos brindar com várias histórias interessantes e ricas sobre a cultura local. Durante toda a viagem nos lembramos deles, e ainda hoje lembrar de tanta gentileza me faz querer ser sempre melhor.

    • Olha, essa história da barraca é simplesmente incrível. Como essa Anna estava disposta a ajudar. 🙂

      Obrigado por participar da lista, Adriana.

  16. Hola, Rafa! É verdade, existe muita gente bacana sim.. Tive uma experiência impressionante em Buenos Aires, numa noite de sexta-feira: distraída com o maridão, esqueci minha bolsa (com absolutamente tudo!!) em um táxi. Eu já a tinha dado como perdida quando tivemos a ideia de ligar pro meu celular, mesmo com pouca esperança uma vez que sabia que ele estava no vibra call.. Por sorte, depois de algumas tentativas nos antendeu um senhor velhiiiiinho que disse ter entrado no táxi com a esposa e ela tinha encontrado a bolsa. Eles a levaram pra casa porque perceberam que não era do taxista e diziam imaginar que alguém ia procurar por ela. Rapidamente nos passaram a direção da casa deles nós fomos imediatamente buscar.. e não faltava nada.. fiquei muito agradecida.. e mais atenta daquele dia em diante, rs..
    Ah, nós vivemos em Buenos Aires há três anos, amo o blog de vocês.. o dia que quiserem fazer um couchsurfing lá em casa, estão convidados!!
    Abraços!

    • Obrigado (por participar do post e pelo convite), Joana!

      Estamos adorando Buenos Aires. Tem alguma dica de moradora pra dar pra gente?

      Abraço!

      • Oi Rafa!
        Olha, pelo posts que vcs tem subido dá pra ver que manjam muito da cidade… Não faz falta que eu (pobre coitada que nao tenho tempo nem dindim pra fazer turismo na cidade, haha) dê muitas dicas pra vcs. Mas alguns lugares (de comer) que talvez vcs já conheçam, mas que pode ser uma sugestão pra quem ainda não conhece a cidade são:

        1) El Club de la Milanesa (“prato típico” deles), que tem a melhor milanesa de frango que eu já comi.. elas são gigantes, vc pode pedir a milanesa pra uma, duas ou tres pessoas.. eles tem zilhões de molhos, sempre que vou provo um novo, mas os meus prediletos são a milanesa de pollo (se diz pôcho), que é frango, “a la napolitana” (a mais tradicional) e o “patagonica” (que tem muzzarela, rúcula, presunto defumado e tomate seco… hummm, que delícia!!). Para acompanhar tem que ser com pure de batatas, que também é o melhor! (já provei muitos por aí sem gosto…) O preço de uma refeiçao pra duas pessoas (sem a bebida, cubiertos, e gorgeta) sai por volta de $150 pesos argentinos. O lugar é bonito no estilo rústico mas um pouco barulhento pro meu gosto, de modo que a fim de comer tranquila e pagar bem menos eu peço delivery. Vale a pena provar. Deixo o site: http://www.elclubdelamilanesa.com

        2) Ninina Bakery: uma cafeteria maravilhosa que abre todos os dias, tem tortas maravilhosas, mas a minha recomendação vai só pelo chá que tomo lá – a infusão de Rooibos Spice – vale a pena provar, gente, sem palavras (pro meu gosto é maravilhoso – tem rooibos da áfrica do sul, gengibre, cravo, canela, pimenta). Mesmo se nao for do seu gosto, acho que vale conhecer o lugar, é muito agradável e tem muitas opcoes de coisa gostosa, haha. Site: http://www.ninina.com/

        3) Sarkis: comida armenia – nao tem site, mas fica na Thames 1101 – certamente vcs já provaram coisas melhores na sua viajem ao mundo né, já sei.. 🙂 mas pros portenhos essa é uma das melhores opções do genero. A comida é muito gostosa e o melhor, é barata!! Minha sugestao é o kepe crudo (nao lembro se é assim que se escreve) – que é a carne crua, o pure de garbanzos (qye é o humus) o kafta de cordeiro e sempre peço umas empanadas abertas pra acompanhar. Importante: abre na hora do almoço e de noite (as 20h), quando abre já está cheio de gente esperando pra entrar, sempre lota. O ideal é ir cedo pra conseguir entrar rápido, outra coisa: se vamos de segunda a quarta tem uma mulher que lê a borra do cafe.. nao acredito nessas coisas mas é divertido pela experiencia. Outra coisa importante: só aceitam pagamento em dinheiro.

        É isso, gente..quanto a curtir um after hoje a noite: a galera tá caindo geral no El Salmón (Reconquista 1014), tem cerveja barata e depois das 21h eles abrem um espaço pra dançar (tocam principalmente cumbia argentina), é mais pra galera que quer paquerar, rs.. Nao é o mais sofisticado que existe, mas é divertido. Também tem o Antares (em palermo e san telmo – http://www.cervezaantares.com/ – a de palermo está na rua Armenia 1447), que é pra tomar cerveja artesanal de origem Mar del Plata. Lugar muito legal e muito cheio, pelo que também é bom chegar cedo.

        Espero que aproveitem alguma dessas dicas. Um abração!!

        • Joana, obrigado pelas dicas!

          Fomos no Sarkis um dia depois do seu comentário!

          Fantástico!

          Agora estamos no norte da Argentina, mas voltando para Buenos Aires vou testar as outras dicas.

          Abraço.

  17. Em Paris, uma moça que estava no trenzinho que liga o aeroporto aos trens/metros, me ajudou a comprar o passe para poder usar o serviço. Tenho um pouco de limitação para caminhar, nas estações de metro, até chegar ao hotel, tive de fazer baldeações com a mala, em TODAS as escadas, sem que eu pedisse, alguém pegava minha mala e a deixava escada acima ou escada abaixo! Enquanto eu, no meu ritmo, ia pelos degraus…
    Em Santiago, Chile, quando perguntava pra alguém, que passava na rua, determinada informação sobre direção de endereço, por várias vezes ouvi: “estou indo pra lá, você quer que eu lhe acompanhe?” Aceitei uma vez a companhia de uma mãe com 2 filhos. Fui conversando com ela e as crianças ficaram admiradas de ver a mãe “falar português”!
    Costumo viajar só e até hoje contei com a ajuda e simpatia das pessoas dos lugares por onde passei!

    • Nunca entendi essa fama de mal-educados que os parisienses têm. Tem gente ruim em qualquer país, qualquer cultura, mas muitas vezes a imagem que fica é a do estereótipo. Acho que esse é um caso claro, afinal fui muito bem tratado lá.

      Obrigado pelo comentário, Cândida.

  18. Rafael,
    Eu também já passei por situações parecidas na minha vida de viajante. Eu lembro quando eu estava em Belém, no Pará, e acabei pegando o ônibus errado, que ia para um lugar completamente diferente daquele que eu precisava ir.
    Quando fui perguntar para o cobrador como fazia para voltar e pegar outra condução que eu tive a surpresa. Todos que estavam lá levantaram para tentar me ajudar explicando como eu fazia para voltar. Uma senhora até desceu junto comigo apenas para me acompanhar e garantir que eu não me perdesse novamente.
    Abraços,
    Juliana Tavares

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