A Mesquita-Catedral de Córdoba, uma joia da arquitetura árabe na Espanha

A Mesquita-Catedral de Córdoba, uma joia da arquitetura árabe na Espanha

Lá pelos idos de 700 d.C, os árabes cruzaram o estreito que separa a Peninsula Ibérica da costa norte da África e resolveram que iam ficar por ali mesmo. Eles batizaram a terra de “península de Al Andalus”, construíram palácios, cidades e mesquitas, e se assentaram. A chamada “ocupação moura” não encontrou muita resistência para tornar-se real – em menos de uma década, estava tudo dominado -, e se prolongou por séculos, só tendo terminado definitivamente em 1492. Tempo suficiente para deixar profundas marcas históricas, arquitetônicas e culturais por onde passou. Os mouros se estabeleceram em boa parte do território da Espanha e Portugal, mas a comunidade autônoma da Andaluzia, no sul da Espanha, foi sem dúvidas a que mais preservou as heranças do período.

Mesquita-Catedral de Córdoba

Córdoba inteira é uma dessas heranças, e a Mesquita-Catedral, aquela construção gigantesca bem no coração do centro histórico da cidade, é uma das principais joias deixadas pelos mouros na Espanha. Mas, Mesquita-Catedral? Pois é, construída pelos árabes sobre as ruínas de uma antiga igreja, foi poupada na reconquista cristã por ser bonita demais para ser demolida (a Igreja decidiu que era melhor botar abaixo todos os templos muçulmanos e judeus da região). O jeito era fazer a mesquita virar a casaca e, até hoje, ela funciona como uma boa e comportada catedral católica, com bispos, missas periódicas e tudo mais. O nome, no entanto, ficou: por todas as ruas em Córdoba, as placas apontam para a Mesquita-Catedral, ainda que a contra-gosto da Igreja, que acha um disparate seguir chamando de mesquita um templo absolutamente cristão.

Mesquita-Catedral de Córdoba

A Mesquita-Catedral de Córdoba recebe mais de um milhão de pessoas todos os anos. A maior parte delas procura o lugar por razões turísticas e culturais, e não com fins de adoração. Nesse caso, preservar o nome que evidencia a história local faz sentido: durante os anos árabes, a cidade era uma verdadeira metrópole multicultural (para padrões da época), onde cristãos, muçulmanos e judeus coexistiam em uma dinâmica social complexa.

Gigantesca, a mesquita que virou catedral vale a visita não apenas por sua importância histórica, mas porque ela é realmente impressionante. Essa é a maior construção islâmica do ocidente e a terceira maior do mundo. A construção é todinha decorada com 900 arcos em vermelho e branco, diversas pinturas cristãs e um órgão enorme e de cair o queixo.

Algumas partes foram parcialmente destruídas na reconquista e tiveram que ser restauradas, o que acabou resultando em uma mistura de estilos arquitetônicos que evidencia bem a cristianização do espaço ao longo dos séculos. A parte católica acabou sendo construída bem no centro e de forma nada sutil marca essa ruptura, o que não deixa de ser bonito e interessante.

Mesquita-Catedral de Córdoba

Mesquita-Catedral de Córdoba

Como visitar a Mesquista-Catedral de Córdoba

Horários: A Mesquita-Catedral de Córdoba abre de segunda a sábado, das 10h às 18h. Aos domingos e feriados religiosos funciona das 9h às 10:30h e das 14h às 18h.

Preços: O bilhete regular pode ser comprado no local e custa 10 euros (há desconto para estudantes). Visitas guiadas devem ser agendadas com antecedência no site oficial. A entrada é grátis entre as 8h30 e as 10h30, quando acontecem as missas. Você só vai precisar fazer silêncio e se segurar nas fotos, para respeitar o momento de oração dos fiéis.

Não deixe de subir no Minarete para ter uma vista da cidade, em especial da Juderia e do bairro árabe, e de passear pelo pátio das laranjeiras. A planta é uma marca registrada das cidades da Andaluzia.

Foto destacada: Shutterstock

Já chamei de casa a Cidade do Cabo, Chandigarh, Buenos Aires e Barcelona, mas acabo sempre voltando pra minha querida BH. Gosto de literatura, cervejas, música e artigos de papelaria, mas minha grande paixão é contar histórias. Por isso, desde 2011 viajo o mundo e escrevo sobre o que vi. Também estou no blog sobre escrita criativa Oxford Comma.

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