Experiência no Workaway: trabalho em troca de acomodação grátis

Experiência no Workaway: trabalho em troca de acomodação grátis

A Andréa Romão é redatora e roteirista. Tem o canal Kama Sussa onde fala de relacionamentos e sexualidade. No início de 2017, ela embarcou com seu noivo para um mochilão de cinco meses pela Ásia e o Leste Europeu. Ela escreveu este texto sobre a experiência de trabalhar em troca de acomodação pelo Workaway.

Quando eu e o meu noivo Gabriel tomamos a decisão de dar uma pausa na vida caótica do Rio de Janeiro por cinco meses, sabíamos que um destino que não poderia faltar na nossa viagem era o Japão. Primeiro porque o Japão é longe pra caramba do Brasil e as passagens são caríssimas, então como já estávamos planejando a temporada no sudeste asiático, de Bangkok para Tóquio seria um pulo – um pulo considerável de seis horas, mas mesmo assim, quando comparado com o Brasil, parece que é logo ali.

Decisão tomada, fomos fazer a parte mais divertida: pesquisar sobre o país e os lugares que gostaríamos de visitar. Foi aí que uma bandeira vermelha se ergueu em nossas cabeças. Todos os sites e blogs que líamos diziam sempre  a mesma: o Japão é um país caro. Como estávamos fazendo uma viagem sem luxos, um mochilão bem pé no chão, começamos a achar que a terra do sol nascente não iria caber no nosso orçamento. Mas o sonho era antigo, a vontade era enorme e sabíamos que se não fossemos nessa oportunidade, talvez acabássemos não indo nunca mais. Era hora de buscar alternativas.

como funciona workaway hostel

Foto: acervo da autora

Foi aí que conhecemos o Workaway. Um sistema no qual você oferece suas habilidades, ou sua boa vontade, em troca de um lugar para dormir e algumas refeições. É claro que existem outras plataformas como o Workaway e até chegamos a pesquisar uma ou duas mais a fundo, mas no final nos decidimos por ele porque o site era bem fácil de usar, estava cheio de feedbacks positivos e apresentava mais opções de trabalho do que outros similares. No entanto, o fator decisivo foi o fato de que o Workaway permitia criar perfil de casal. Em outros sites cada um precisa fazer o seu perfil separado e os dois teriam que se voluntariar para a mesma função. É o dobro do trabalho.

Dicas e informações sobre o Workaway

Na hora de fazer o perfil tem que rolar aquele capricho, mas também bom senso. Descreva apenas habilidades que você realmente possui. Se tem um tipo de trabalho que você tem interesse em fazer, mas não tem experiência, deixe isso claro. Por exemplo, no meu perfil eu disse que não tinha experiência com trabalhos em hortas e jardinagem, mas que adoraria aprender.

Quando for buscar uma vaga, você vai ver que as opções são muitas. Você encontra desde barman na beira da praia até programador especializado em wordpress. Cuidador de cavalos na Romênia, recepcionista para um hostel na Finlândia, músico para uma bar nas ilhas gregas… tem de tudo e mais um pouco.

Uma coisa que percebemos logo de cara é que cada host (a pessoa ou o lugar que está buscando um voluntário) tem suas próprias regras. Em comum todos têm o fato de disponibilizarem um lugar para dormir, mas é super importante ler a descrição do host com cuidado para entender bem quais as condições que eles oferecem. Alguns têm quartos privados, outros quartos compartilhados e chegamos até a ver alguns anúncios em que a acomodação era em barracas e que era responsabilidade do voluntário levar o próprio colchão.

workaway site

Site do Workaway

As refeições não são obrigatórias. Uns davam café, almoço e jantar, outros só café e havia também aqueles que não davam nada. É preciso checar antes todos esses pequenos detalhes, como a disponibilidade de máquina para lavar roupa e acesso grátis a internet, pra não ter nenhum surpresa desagradável. Havia hosts que ofereciam até alguns “mimos”: aulas de japonês, uma bicicleta ou carro a sua disposição, todas as panquecas de blueberry que você conseguir comer. Esse nunca vou esquecer! Pena que o Gabriel não queria ficar na zona rural.

Para não perder tempo mandando mensagem para um trabalho cujo perfil não é o seu, sempre leia cada linha. Alguns só aceitam mulheres ou só aceitam homens, muitos não aceitam casais (que triste), outros aceitam até famílias com crianças. E mesmo que não tenha nenhuma especificação clara, sempre tem que rolar o famoso bom senso. Por que você vai se voluntariar para uma vaga de professor de inglês se o seu inglês é nível intermediário? Ou para fazer vídeos de um hostel se você nem sabe como usar uma câmera ou programas de edição? Tenha comprometimento e respeito com as pessoas que estão se disponibilizando para te receber. Não ofereça uma coisa que você não pode dar.

Também é essencial ficar de olho nos feedbacks de outros voluntários. Às vezes uma descrição perfeita pode ser uma grande furada.
Muitas vezes enviávamos uma mensagem para um host e só muito tempo depois ele nos avisava que não estava procurando voluntários para os próximos meses, mas não atualizava essa informação no seu perfil. Isso fez com que perdêssemos um bom tempo.

E a nossa busca por um lugar no Japão, como foi?

Acabamos encontramos um perfil de uma guesthouse buscando pessoas para arrumar e limpar os quartos e os banheiros. Ficava em uma cidade chamada Ise e o lugar recebia muito mais japoneses do que estrangeiros, exatamente o que estávamos procurando. Mandamos uma mensagem bem animada (nada de mensagem com cara de “copiei e colei”) e recebemos uma resposta super rápido. Eles foram muito atenciosos e nos explicaram as regras da casa: apesar de sermos um casal não poderíamos dormir juntos. Depois a gente acabou até ganhando um quarto privado, mas não estávamos contando com isso. Foi um brinde.

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Foto: acervo da autora

Havia uma renda mensal dada aos voluntários para almoçarem e jantarem, mas desde que a comida fosse feita dentro da guesthouse. Se quiséssemos comer fora, teríamos que pagar do nosso bolso. O trabalho era de três horas por dia, durante seis dias, com um dia de folga. Podíamos usar as bicicletas da guesthouse quando nenhum hóspede estivesse usando e lavar roupa uma vez por semana. Para nós estava tudo perfeito! Fechamos negócio. Ficamos o tempo todo em contato com o host, mandamos os dados do nosso voo e avisamos a que horas iríamos chegar.

No total foram quinze dias trabalhando nessa guesthouse e a experiência não poderia ter sido melhor. O trabalho era exatamente o que foi descrito, os funcionários eram pura simpatia e os outros voluntários internacionais eram super acolhedores. Estar em contato com a cultura japonesa, sem aquele olhar apressado de turista foi a melhor parte.

Sem contar a ajuda local que tivemos para comprar uma passagem ridiculamente barata para Tóquio. Como a cidade era pequena, não tinha muita coisa para fazer, então passávamos bastante tempo dentro da guesthouse socializando com os funcionários, os voluntários e os hóspedes, coisa que amamos. No final já tínhamos um sensação de viver em família e na hora da despedida deu aquela vontade de chorar.

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Foto: acervo da autora

Mas nem tudo são flores

Antes da viagem ficamos tão empolgados com a ideia do Workaway que resolvemos programar mais um trabalho: no Vietnã. O trabalho lá era bem diferente. Era um café onde os locais vinham para bater-papo com a gente. Isso mesmo, o trabalho era conversar. Em inglês, é claro, já que o objetivo deles era aprimorar o inglês, melhorar a pronúncia e perder a vergonha de falar em público. Super legal, né? O combinado com eles era mais simples: três horas de trabalho por dia, com dois dias de folga em troca de um quarto compartilhado nos fundos do café com camas individuais e um ar-condicionado.

Chegando lá não havia camas, só colchões no chão (daqueles bem fininhos e duros). Ar-condicionado tinha, porém não funcionava. Ficamos chateados com a descrição enganosa no perfil do host, só que depois olhamos os feedbacks no site com mais atenção e vimos algumas pessoas falando sobre as reais condições. Bola fora nossa não ter checado direito.  Mas o pior foi quando descobrimos que tinha ratos no quarto. Inclusive dava pra ouvir o barulho deles durante a noite.

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Da Nang, no Vietnã. Foto: Shutterstock

Por sorte estávamos em um lugar extremamente barato e por isso tomamos a decisão de ficar num hostel, mas voltar todos os dias para trabalhar. No final, não nos arrependemos da nossa escolha. Poder conversar com locais, sair com eles para almoçar ou explorar a cidade de moto foi inesquecível. Nossas duas semanas lá terminaram com uma apresentação que fizemos sobre o Brasil e uma lição sobre o Workaway: checar todos os feedbacks e na dúvida mandar mensagem privada para os voluntários que já estiveram por lá perguntando os mínimos detalhes. Não custa nada, né?   

No fim das contas, se tem uma coisa que recomendando para todo mundo é viver a experiência do workaway pelo menos uma vez. É realmente uma vivência totalmente diferente e especial.

Blog de três jornalistas perdidos na vida que resolveram colocar uma mochila nas costas e se perder no mundo.

4 comentários em Experiência no Workaway: trabalho em troca de acomodação grátis

  1. Estou na mesma situação da Sônia. não sei falar outra língua, senão a minha, mas já viajei sozinha por vários países (Alemanha, Suíça, Itália, Espanha, Inglaterra Bélgica, Áustria, Espanha) sempre fiquei em Hostel. Como o dinheiro tá acabando no momento estou na Irlanda e trabalho em casa de uma brasileira cuidando da crianças. Mas quero pegar a estrada novamente e sem gastar muito. Quero me aventurar pela Ásia. Aqui aprendi um tiquinho de inglês. Mas muito pouco. Vai me ajudar a me perder menos.rsrsr

  2. BOA TARDE
    NMAO DOMINO OUTRA LINGUA SO MESMO A MINHA LINGUA SO QUE JA VIAGEI POR VARIOS PAISES E ME VIREI MUITO BEM COM UM POUCO DE INGLES ESPANOL ITALIANO FRANCES E ATE MESMO MIMICAS KKKK

  3. bom dia.
    gostaria muito de ter essa Experiência no Workaway:porem, não domino outra linguá a não ser a minha, português, existe a possibilidade de participar mesmo sem saber outra língua?
    aguardo retorno.

    grata

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