7 coisas que não devemos fazer em hostels

7 coisas que não devemos fazer em hostels

Eu gosto de hostels e, em geral, essa é a minha escolha de hospedagem quando estou viajando. São um bom ambiente para conhecer pessoas e fazer atividades diferentes, além de serem mais baratos. Mas, ao mesmo tempo, não curto quartos coletivos: eles são a minha escolha por pura e exclusiva falta de dinheiro. O problema com tais ambientes compartilhados é que, muitas vezes, por desatenção – ou falta de noção – a presença de um incomoda, e muito, o outro. Certamente eu já atrapalhei a existência dos meus colegas de quarto nesse ambiente, assim como já fui incomodada em outras situações.

Nós já contamos algumas histórias de gente muito estranha que encontramos em hostels. Neste post, vou levantar comportamentos que as pessoas deveriam evitar em prol do bem maior. Coisas simples, tipo deixarem de ser folgadas mesmo. Enquanto isso, eu tento ficar nos quartos privados dos hostels mundo afora, pelo menos quando meu orçamento permite.

Quarto coletivo não é lugar para bater papo às 23h

E nem de madrugada ou às 6h da manhã. Gente, não se deve conversar quando outras pessoas estão dormindo. Sim, todo mundo que comprou uma cama no quarto coletivo sabe que está sujeito a barulho, mas qual a necessidade de você ser o causador de um barulho 100% evitável? Simplesmente não fale com seu amigo quando entrar no quarto tarde ou muito cedo, porque as outras pessoas estão dormindo – e cochichos incomodam também, sério mesmo. Se for uma conversa importante, faça fora do quarto. Se não for, fale no dia seguinte. Isso também vale para Skype e afins. E até para o uso do celular fora do modo silencioso. Ninguém merece ser acordado a cada 5 minutos com barulinho de mensagem chegando.

Quarto coletivo não é lugar para fazer sexo

Não é piada. Já ouvi relatos de pessoas que fizeram e outras que viram/ouviram o ato acontecer. Numa boa: que deselegante! Entendemos a vontade alheia, mas ninguém é obrigado a ficar numa beliche enquanto o pessoal de cima está fazendo coisas que deveriam ser privadas. Tem um post incrível no blog Nomadic Matt (em inglês) que te dá dicas de quais espaços do hostel são mais aceitáveis para essa situação. Tipo o banheiro ou a lavanderia, por exemplo, depois que todo mundo já foi dormir.

Quarto coletivo não é lugar para acender a luz depois das 22h

Sinto muito que você tem que arrumar sua mala para o dia seguinte. Ou até se você chegou bêbado e não acha sua escova de dentes. Numa boa amiguinhos, a lanterna de celular foi inventada para esses momentos, não o interruptor de luz do quarto onde outras pessoas estão dormindo. Sim, a lanterna também pode incomodar os outros, mas consideravelmente menos do que a iluminação do quarto. Outra coisa: muitos hostels tem luz individual na cama. Você pode usá-la numa boa, mas verifique antes se sua luz individual não está chegando direto na cara de outra pessoa.

Crédito: hostelmanagement.com/Wikimedia Commons

Quarto coletivo não é lugar para comer

Todo mundo sabe que restos de comida atraem bichos indesejáveis, então por que você cisma de comer no quarto que divide com outras pessoas ao invés de na cozinha do hostel? Além disso, sua comida pode ter cheiros que o resto do mundo não quer sentir (estou falando com você, Cheetos). É desagradável, anti-higiênico e desagradável novamente. Não seja essa pessoa.

Quarto coletivo não é lugar para ficar pelado

E olha que não estou falando de sexo. Você não deve dormir pelado num lugar em que as outras pessoas não te conhecem e provavelmente não querem te ver pelado. E nem ligar o foda-se e se trocar de boa na frente de todo mundo. Você pode ser uma pessoa contra as amarras da sociedade, cansado das regras e que não está nem aí para a opinião alheia, mas também não seja um babaca. Roncos todo mundo está sujeito a suportar, mas ver bunda branca e outras partes, sem pedir, não é amarra da sociedade, é falta de respeito mesmo.

Quarto coletivo não é seu quarto

Pelo menos não seu quarto exclusivo. Mantenha seus pertences na sua mala ou no máximo na sua cama, não espalhadas por todos os cantos do quarto, no chão, no teto, no banheiro… A palavra coletivo implica que aquele quarto não é só seu, que você está dividindo o espaço e a convivência com outras pessoas. Bagunça, cheiros estranhos que emanam de meias sujas, entre outros, não devem invadir o espaço do coleguinha. Ouça sua mãe: seja limpinho e organizado. Se não der para ser assim sempre, pelo menos nessas ocasiões na vida.

Hostel quarto

Crédito: Luke Bales Stodola/Wikimedia Commons

Por fim, a área comum do hostel

Tire o que comeu da mesa da cozinha e lave sua louça (com sabão, só água não vale). Recolha restos de comida e limpe o que sujar, caso derrame alguma coisa. Mantenha o banheiro limpo, do jeito que você gostaria de usar. Fios de cabelo no ralo – ou grudados na parede do banheiro – não são aceitáveis, tal como pelos de barba feita na pia. Assim como xixi pingado para fora e outras coisas mais – apenas limpe!

Uma dica extra nessa era tecnológica: não seja a pessoa odiosa que usa todas as tomadas e não pensa em ninguém. Compre um extensor e viaje com ele. Aposto que você vai ser uma pessoa muito querida pelos outros com essa pequena atitude de cortesia.

E você, o que acha? Tem mais alguma sugestão para nosso código de etiqueta informal em hostels? Conta aí!

*Crédito Imagem Destacada; Hostel8/Wikimedia Commons

 

Sou jornalista, tenho 29 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite "morar no aeroporto". Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo. Siga @afluiza no Instagram

112 comentários em 7 coisas que não devemos fazer em hostels

  1. Oii tudo bem ?? Vou para Europa fazer um muchila o e para cortar gastos desnecessários decidi ficar em hostel quanto a mala fico preocupado… se eu botar um cadeado e deixar em baixo da cama da tudo certo ??

  2. Olá.
    Gostei muito dos comentários e gostaria de sugestões de como guardar dinheiro e documentos em quartos coletivos?
    Como posso manter dinheiro e documentos em segurança sem precisar carrega-los dioturnamente?
    Obrigado

    • Oi Dalton,

      Em hostels que tem cofre, você pode deixar lá.
      Para hostels com escaninho, eu recomendaria você levar seu próprio cadeado, é mais seguro

  3. Concordo plenamente com as regras, a educação em primeiro lugar. Não precisa estar em um Hostel para obedecer as regras, em qualquer lugar, se não estiver de acordo, não discuta, procure outro lugar ou siga corretamente.

  4. Vou Setembro/2017 para Portugal.
    Eu pretendo ficar 30 dias e minha duvida e com relação a bagagem…Estarei viajando com bagagem de mão e uma mala de ate 23 kgs.
    Me hospedei em Hostel em Veneza e minha mala era pequena. Nao tive nem o trabalho de colocar no armário.
    Deixava debaixo da cama.
    Como devo proceder agora?????????

    • Oi Lucia,

      Se for ficar em Hostel, costumam ter espaços para colocar a mala em bagageiro. Quando sua mala não couber no locker, o jeito é deixar embaixo da cama mesmo.

      Mas se você quer uma dica: não traga duas malas. É completamente desnecessário, ainda mais em setembro, que nem é tão frio.

  5. Ah! Amei toda essa discussão. Para aqueles que têm menos de 50 anos, que hoje são contrário e aqueles que são favoráveis às regras de convivência. Daqui há algumas décadas a maioria começa a pensar diferente. Os que agora acham que regras são coisas de reacionários e caretas começarão, não todos. Repito, a maioria, a admitir a necessidade de algumas regras para que todos possam vivem sem se matarem uns aos outros. Já aqueles que querem tudo certinho, começarão a ficar mais flexíveis e aceitar as pessoas como elas são. Já fui como os dois lados dessa discussão. Hoje, tento ficar entre um e o outro. Não forçar a minha maneira de ser e nem forçar ninguém a ser como eu sou. Procuro quem se parece mais com meu jeito e minhas convicções. Quando sinto falta de uma “bagaceira”..rsss, vou para o lado oposto.
    Vocês são ótimos! Amei todosssss
    Estou sozinha e pretendo conhecer o leste europeu, depois que vi a cidade de Mostar – Bosnia no canal de tv – OFF. Nunca saí do Brasil. Irei sim. Tiver um cancerzinho básico em 2015 e agora tenho pressa de ser feliz.

    • Adorei seu comentário Mariza.

      Você realmente resumiu de uma forma tão bonita o que é preciso para se aceitar e aceitar os outros.

      Espero de coração que você faça essa viagem e se precisar de ajuda para o planejamento, estamos aqui!

  6. Lendo cada post sobre a sugestão de algumas normas de convivência e aqueles que discordam – com seus argumentos para eles verdadeiros e a discussão que surgiu. Então, penso: Quem está com a razão? A autora do post ou os dois (Saulo e Jennifer)? Bem, vivemos a “Era dos Direitos” – livro de Norberto Bobbio. Direto tem a autora e os que concordam com ela de não gostar de gente visivelmente abusada, folgada, FDP! Por outro lado, direito tem Saulo e Jennifer de achar careta, convento, perda do romantismo essas regras que a maioria gosta que exista no hostel e em qualquer ambiente. Porque o filme que fica realmente não são das postagens dos lugares incríveis, são as toneladas de lembranças daquela bunda branca e magra do sujeito sinistro que estava deitado. Dos lindos seios daquelas turistas. Credo, do vômito do cara que chegou bêbado e chorou muito quando viu a “mina” transando com outro depois dele. Direitos. A era dos direitos. Direito de ser honesto e desonesto, limpo e sujo, educado e mal educado, gentil e tosco. Romântico e grosso, pessoa bacana e pessoa idiota…o que fazer? Saulo e Jennifer, procurem hotel aonde tudo seja conforme vocês imaginam que deva ser o hostel, para que não se perca o sentido do romantismo, das histórias sinistras, mas que se não fossem elas, que graça teriam? Coloquem muitas plaquinhas em quem não pensam como vocês. Que povo careta! São robozinhos do capitalismo selvagem! Para o restante que concordam com as regras de uma boa convivência, têm todo direito de querer um local onde todos possam descansar e conviver harmonicamente. Ter o mínimo de silêncio, limpeza e gentileza (desculpe-me, obrigado, por favor, posso ajudar?). Procurem estar em hostel que sejam dentro desse padrão. Direito de ter paz e sossego quando se quer ter paz e sossego. Para os contrários e os favoráveis. Cada um na sua.

  7. Boas dicas.
    Tenho 60 anos e quero viajar para alguns lugares da Europa que não conheço. Ir sozinha, encarece muito o custo com hotel. Pensei em ficar em hostel, já visitei alguns em São Paulo. Não estou muito segura quanto a ir sozinha ou pegar uma excursão.
    Mas as dicas foram ótimas.

  8. nossa, uma vez eu bebi um pouco a mais em montevideu e quando fui subir na cama de cima do beliche, acabei caindo e acordando o quarto inteiro hahaha… mas realmente, temos que respeitar uns aos outros.

  9. Muito interessante … Sabe que eu vou p Hostel inclusive c meu filho que hoje tem 7 anos . É muito tranquilo mas fico de olho nele e nas minhas coisas. Mas fora chegar no banheiro e encontrar uma surpresa no vaso, não passei por nada de tão constrangedor.

  10. …….eh uma boa leitura….. ótima postagem…. tenho 55 anos….frequento hostel a cinco anos….. , o primeiro ateh perguntei se aceitava velho , … depois disto nunca mais fiquei em hotel… e hoje em dia …viajo para hosteis em SP e Paraty e Ubatuba…. jah passei por todo tipo de experiencias que não vou aqui contar… pois isto aqui ia virar um livro…. são muito diversas as situações em hosteis… mas uma coisa eu aprendi , ….. HOSTEL EH UMA LIÇÃO DE VIDA …. E O RESPEITO …. QUE EH A BASE DE QUALQUER PEDAGOGIA , ….. O SUPRA SUMO DA CULTURA HUMANA …. O RESPEITO EH TUDO ….. , MESMO QUANDO SE TRATA DE PESSOAS SE DIVERTINDO …. SE SOMOS MAIS VELHOS …..TEMOS QUE RESPEITAR A JUVENTUDE …. SEMPRE FUI MUITO BEM TRATADO PELOS JOVENS NESTES AMBIENTES…. EH UMA EXPERIENCIA IDEAL … PARA PESSOAS MAIS VELHAS… , …. CONCLUINDO….. O RESPEITO EH A BASE DO CARATER DE UMA PESSOA …..

  11. Já aconteceu muita coisa comigo em hostel:
    Num quarto misto para 14 pessoas e todo ocupado em Estocolmo teve um casal tentando transar discretamente;
    Em todos os quartos femininos de tudo quanto é país pela Europa teve gente se trocando de boa na frente de todo mundo;
    Em Helsinque teve um banheiro com privacidade negativa;
    Em Berlim tinha um povo nojento morando no quarto em que eu fiquei e então tinha mil bedbugs na minha cama e eu fui comida viva. Além disso, tinha uns muçulmanos que colocavam o despertados pra tocar no meio da madrugada pra rezar (nada contra a religião, mas gente, se não consegue acordar sozinho, reze mais tarde, por favor);
    Em Varsóvia peguei o quarto individual, mas as paredes eram finas e tava rolando um festão no quarto do lado;
    Em Split só tinha eu de mulher no quarto misto, todos os caras dormiram só de cueca.
    Mas nem por esses motivos deixaria de ficar em um se a oportunidade surgir, conheci muita gente bacana e acabei fazendo coisas que geralmente não faço.

  12. Nunca dormi em um hostel, tenho 60 anos. acho que é mais para pessoas de meia idades, não sei bem. Mas da proxima viajem que fizer a Sampa, ficarei em um Hostel. Fico com reçeio de violençia, pessoas que chegam bebadas,de furtar algunha coisa nossa. Os horarios sao; entrada de 14;hs saida de 12hs do outro dia,foi o que entendi.Vou experimentar. Abraços.

  13. Menor pode se hospedar em hostel no exterior? (EUA mais especificadamente)
    Aqui no Brasil é necessário um autorização judicial, e p hotel lá fora também, porém, para hostel eu não sei.
    Se alguém puder me ajudar, agradeço!

    • Oi Carol,

      Eu não sei te falar exatamente, mas hostel é como hotel no sentido das leis do país. Menores viajando sem os país em geral precisam de autorização

  14. Oi Luiza, vou ficar em Chicago por três dias! Você sabe se no aeroporto tem algum guarda volume pra deixar minhas malas?! Não quero ficar andando com minhas malas…

  15. Olá pessoal, eu li o post e achei bacana, dei uma olhada em alguns comentários, sou proprietária de um hostel no Pelourinho Salvador, e tenho regras no hostel, para conseguir manter o bem estar de todos os hospedes, e as regras básicas colocadas neste post são ótimas por que dai começa o bom relacionamentos com todos. Sou flexível com ocorrências que temos. Mais seria bacana se todos se colocassem no lugar de outras pessoas por que tem mochileiros que chegam super hiper megas cansados e outros que vem no pique de zuação e tudo mais.e se esquece que hostel é um ponto de refazer energias, conhecer pessoas, acrescentar na sua viagem. . tenho ambientes na casa para o pessoal ficar a vontade com musicas e tudo mais, mais sempre tenho que ficar na observação para não atrapalhar o descanso alheio que é sagrado, e e relação a furtos de geladeira é difícil pq como no caso de chocolate, dica nunca deixe um chocolate em uma geladeira de um hostel, pq se vc voltar e ver ele lá. pode ter ocorrido algo estranho no hostel tal como só você estar no hostel.

  16. Natália Becattini, não te incomode com os comentários do tal Saulo; não passa de uma “sofística pouco sofisticada”. Só dá pra levar a sério se ele estiver brincando…

  17. Olá, nunca fiquei em Hostel, mas estou pensando em passar uma noite em um. Eu sou um rapaz introvertido, pão duro e estarei viajando apenas por motivos de estudo. Tem algum problema? Eles evitam esse tipo de gente com meu perfil? Sou obrigado a ser simpático e conversar e interagir com as pessoas? Também gostaria de saber, em média, pela sua experiência, de quanto é o tempo de estadia em um hostel.

    • Oi Guilherme,

      Em vários hostels que já fiquei encontrei pessoas como você, estudantes tentando econômizar.

      Fica tranquilo, hostel não evitam gente introvertida, hehe, não sei de onde você tirou isso. Você não é obrigado interagir com ninguém, se não quiser. Mas saiba que terá muito pouco espaço pessoal e privacidade. Se você preza muito por isso, talvez não seja o lugar para você.

      Sobre o tempo da estadia, você terá que conversar com os donos do local. Como disse, alguns hostels aceitam que estudantes “morem” lá por um tempo. Outros não.

      abraço

  18. Muita gente chapada comentando. Tentem se recuperar antes. Blogueiros, por favor, continuem seus trabalhos! Está ótimo. Grande parte das pessoas ainda tem um senso de ridículo apesar de serem criaturas diferentes e aguardam seus posts!

  19. Oi Luiza, tudo bem? Ótimo post!

    Mudando um pouco de tópico, você já ouviu falar em hostels que aceitam pessoas para trabalhar por 2 ou 3 meses? Você sabe como eu consigo um contato desses ou como eu começo a procurar?

    Obrigada!

  20. Que legal este post! Eu gosto muito de hostel, mas eu percebi que eles estavam acabando com as minhas energias. Na realidade quando você viaja você anda muito, descobre muitas coisas novas e é essencial que você tenha ao menos uma boa noite de sono para se revigorar para o próximo dia de aventura e chegando à conclusão de que a falta de educação da galera dos inúmeros hostels que fiquei estava estragando minhas viagens, eu tento ao máximo ficar em quarto privado de hostel. É mais barato que hotel e B&B e já usei duas vezes e faz uma enorme diferença. É mais caro, mas você consegue dormir e ainda tem a cozinha do hostel e consegue fazer algumas amizades na área comum. Faz diferença, então fica a dica. Ps; eu viajo com meu marido. Para viajantes solitáriXs, parece que você tem que pagar pelas duas camas (talvez não compense).

    • Oi Camila,

      Concordo com você que uma noite de sono faz toda a diferença! As vezes, o quarto coletivo é um suplício. Mas infelizmente não são todos os hostels que oferecem o quarto privativo individual e pagar por duas camas fica bem caro.

      bjs

  21. Gente, vou contar pra vocês, dando a visão do “outro lado”: regras são bem-vindas e necessárias. Sou proprietária de uma pequena pousada no litoral norte do RS, que funciona somente durante a temporada de verão (infelizmente, e não por falta de vontade, mas sim de público) e se criar regras é ser fascista, então o sou. Entendi perfeitamente a sugestão do post, minha única intenção é a de acrescentar. Não regras, mas comentários. Uma pousada não é muito diferente de um albergue, assim como um hotel não é. Embora não se compartilhem quartos, se compartilham espaços. Espaços são coletivos, piscina, salão de café, cozinha coletiva, estacionamento. E o que tem de gente que não respeita o espaço dos outros vocês não fazem idéia! Do cara que entra gritando quando chega da festa às 7h da manhã, aos que cozinham na cozinha coletiva e deixam as panelas sujas. Do que usa duas vagas para estacionar seu carro, ao que coloca o som do celular a todo volume na beira da piscina cheia de gente das mais variadas idades e gostos. Do que transa aos berros dentro do seu quarto, ao que coloca os pés sujos na parede branca recém-pintada. Parece que vivemos num mundo onde tudo é permissível e suportável. Não é só porque o vivente está de férias que pode fazer o que quer, do jeito que achar melhor. A gente tem de deixar fluir sim, tem de aproveitar o que a vida tem de belo, diferente, tem que ter curiosidade, mas respeito é fundamental. E necessário. E o que torna a vida uma aventura legal. E se não se impuserem regras o ser humano tende a agir como (exagerando) um neandertal. A propósito, adoro o blog de vocês. Tem me ajudado muito a planejar um mochilão que o marido e eu iremos fazer em agosto. Sucesso!

    • Oi Andrea,

      Tenho extrema dificuldade com pessoas que não sabem respeitar os outros. E pior, pessoas que além de não respeitarem os outros, ainda acham ruim quando alguém reclama do comportamento mal educado.

      Enfim, não deve ser fácil trabalhar atendendo o público.

  22. Turma, vou ser bem sincero. Sempre tive um pouco de receio em relação a hostel, sobretudo pela segurança ou falta dela. Imagino deixar ali minha mala com tudo dentro, inclusive o not. Sempre viajo com dois amigos,mas procuramos hotéis e até conseguimos uns bons e baratos, a exemplo de Roma e Logia Fiorentina em Florença. Tive uma única experiência em hostel. Hostel Mileno Central em Milão. Posso dizer que foi tranquilo, mas peguei um quarto para três com banheiro coletivo. O que mais empolga e a ideia de fazer amizades de outras partes de mundo, acho que isso proporciona um bom aprendizado. Espero ter “coragem” de encara outros hostel. Uma amiga sempre vai e inclusive já levou a mãe e disse não ter problemas. Estou indo a uma viagem por Honolulu, Los Angeles, Vegas e Miami, quem sabe pego algum hostel em um desses locais?!Abraços

    • Oi Manoel,

      A questão da segurança, você pode deixar seu notebook no cofre na recepção, por exemplo. Ou no armário trancado. Tem várias pessoas que não gostam de quartos coletivos, mas curtem essa questão da interação entre pessoas do mundo inteiro. Por isso, podem valer a pena ficar no quarto privativo do hostel ou então ficar num hotel e frequentar o bar do hostel.

      O hostel da HI em Santa Mônica, LA, é bem legal, já fiquei lá.

      Já em Las Vegas recomendo que você fique num dos hotéis cassino. Hostel lá não é uma boa ideia! Temos um post com indicações de onde ficar em Las Vegas: https://www.360meridianos.com/2014/02/onde-ficar-em-las-vegas-dicas-hoteis.html

      abraço

  23. Luiza, eu e minha mãe estamos indo pela primeira vez para a Europa. Nunca fiquei em um hostel, pelo que ouvi, acho que não vou me incomodar, mas fico um pouco preocupado com minha mãe com a questão do conforto, barulho, gente sem noção, etc, mesmo ela sendo uma pessoa bem tranquila e alto astral.
    Os hostels na Europa costumam ter pessoas de mais idade e familias? Será que devemos procurar hospedagens mais confortáveis? (e consequentemente mais caros)?
    Qual sua opinião, pela experiências que teve?
    Obrigado,
    Bruno

    • Oi Bruno,

      Tudo depende do tipo de hostel que vocês escolherem. Evite aqueles que tenham fama de muita festa. Também leia bem as regras, porque alguns hostels não aceitam hóspedes com mais de 35 anos. Se você ficar com receio, uma boa ideia são os quartos privativos de hostels, que costumam ser mais baratos que hotéis e bem mais confortáveis do que quartos coletivos.

      Espero que tenha ajudado!

      bjs

      • Obrigado, Luiza! Acho que vai valer a pena mesmo pegar um quarto privativo. Vou continuar acompanhando o blog, achei muitas dicas interessantes aqui.
        Beijos

    • Bruno,

      uma outra coisa que é boa de fazer é dar uma olhada nos comentários dos outros hóspedes sobre o hostel. Tem gente que vai pra hostel pra zuar e fazer bagunça mesmo, mas tem gente (tipo eu) que encara o hostel como um hotel com menos frescura, melhor preço e mais possibilidade de conhecer gente. Meu termômetro costumam ser sempre as avaliações dos hóspedes. Se tem uma galera reclamando que “é lugar de velho” ou “parece mais um hospital do que um hostel” ou “o lugar é muito chato porque tem lei do silêncio a partir das 23h” eu já sei que esse é um bom hostel pra mim. Por outro lado, quando eu vejo que os comentários em sua maioria contêm as palavras “animação”, “zuação”, “diversão” (ou seus equivalentes em outras línguas), eu corro desse hostel e procuro algum outro mais tranquilo.

      Na Europa, fiquei em hostels em Barcelona, Frankfurt, Paris e Nápoles. Todos eles muito tranquilos, organizados e bacanas. Vale a pena gastar um tempinho pesquisando vários hostels pra garantir uma boa escolha. 😉

  24. Otimo Post!!!
    Se vc está na parte superior da beliche não vale pendurar a toalha molhada na cama pegando a parte da cama abaixo, isso não neh!!

    E nem ficar no sobe e desce da beliche,faça tudo que tem para fazer e suba e fique.O bom senso agradece!!!

  25. 🙂 hahaahahh!!! Muito bom o post (e porquê não, os comentários?) Fico em hostels desde os 16 anos, mjá tenho um tempinho de estrada e curto bastante, até mesmo o fato de só haver forasteiros (mas para me misturar com os locais de cada lugar, eu costumo usa o Couch Surfing – tem outro post que fala sobre isso).

    Só uma observação Luiza: eu colocaria mais uma regra (ops, dica) no seu texto: “Por favor galeraaaaa, nããããooo roubem os pãezinhos, as latinhas de cerveja, e o requeijão que ficam na geladeira comunitária do hostel! Isso é uóóóóó!!! hahaahahahahahahh!!!!! Beijossss!!! 🙂

    • hahahaah Mila, muito pertinente sua observação. Em geral não deixo nada na geladeira, mas deve ser muito frustrante chegar lá e ver que sua comida foi roubada na cara dura!

      Obrigada por comentar!
      bjs

  26. Eu não gosto quando pessoas sentam na minha cama ou largam coisas em cima, sei lá, não acho legal. Outra coisa chata que me aconteceu algumas vezes, foi chegar e largar a mochila na cama que escolhi e sair pra resolver algo, e logo em seguida, chega um grupo de gurias e tocam a minha mochila pra outra cama que elas não quiseram, normalmente em cima da beliche colada na janela. Não vejo porque fazer isto.
    Faço o possível pra não entrar fazendo barulho se as pessoas estão dormindo, fico o mínimo possível no quarto (só pra dormir e arrumar as coisas) e me divirto com toda essa “magia” que vocês tanto falam, passeando na rua e conhecendo os locais, se possível. Aquela área comum do hostel também não me interessa muito. Aliás, tenho a impressão que muita gente prefere fazer festa no hostel a ir dar uma banda na rua, ou mesmo quando o lugar não oferece opções, sentar na rua e tomar uma ceva… coisa bem boa. Acho hostel prático e mais em conta, mas não gosto muito do clima, não. De vez em quando surgem boas amizades mesmo, mas só se rolou a oportunidade de sair dali e bater um papo.

    • Oi Graziela, vc tocou num ponto bem interessante, que é o fato de que no hostel você dificilmente vai fazer contato com os locais, afinal, ali o ambiente é maioritariamente de estrangeiros.

      Acho que funciona bem uns (principalmente quem quer festa) e menos para outros. De fato, durante minhas viagens sempre vejo aquela pessoa que parece morar no hostel, porque sempre está lá na área comum.

      Obrigada por comentar
      bjs

    • Isso aconteceu comigo, de trocarem minhas coisas de lugar. Deixei a mochila, quando voltei tinham trocado ela de lugar. Ai coloquei ela no lugar que tinha escolhido, larguei meus outros pertences, mapas, anotações, casaco, essas coisas e sai novamente…Quando retornei à noite, tinham juntado minhas coisas, amontoado em outra cama e tinha alguém dormindo na cama que escolhi…Achei muita falta de respeito!

      • Nossa, isso nunca aconteceu comigo, mas acho que eu ia morrer de raiva e talvez até acordar a pessoa para xingá-la, dependendo do meu humor no momento #barraqueira haaha É muita falta de respeito e egoísmo.

  27. Interessante esse post, sou um hospede assiduo de hostel pois ainda é a melhor maneira de se fazer amizades quando se viaja sozinho. Entendo a lista como recomendações, não como regras. Ha inclusive exceções onde a balada se transferiu para o quarto, dai não adianta chegar querendo que todo mundo saia para você dormir que não vai rolar, Hostel é um lugar com regras básicas de convivência, mas sem leis rigidas, vale mais o bom senso e se a pessoa esta muito cansada e quer realmente uma noite de sono tranquilo, tem que procurar um outro lugar.
    Interessante também que geralmente os mal educados não são os brazucas. De uma maneira geral os mais limpos e que tem a maior preocupação em não incomodar somos nós, os demais muitas vezes não ligam a minima, seja no Brasil ou no exterior.

    • Oi André,

      É isso mesmo, não são regras, mas recomendações. Coisas que as vezes ficamos desatentos e acabamos incomodando os outros.

      Agora, realmente, se tá rolando uma balada no quarto não adianta querer expulsar a galera, melhor se enturmar e participar da festa, hahaha

  28. Não li todos os comentários… e já estive em diversos albergues, mas lembro de ter visto, em alguns deles, que havia um papel com regras fixadas parecidas com a autora do artigo. E sei que há certos lugares no hostel como bar, restaurante ou até mesmo uma área simples para bater papo, dar festas e etc. Enfim, não vejo problema 🙂

  29. Só falta o cara aí dizer: “hostel não é lugar pra dormir!” hahaha

    “Eu gosto de hostels e, em geral, essa é a minha escolha de hospedagem quando estou viajando. São um bom ambiente para conhecer pessoas e fazer atividades diferentes, além de serem mais baratos. Mas, ao mesmo tempo, não curto quartos coletivos: eles são a minha escolha por pura e exclusiva falta de dinheiro.”

    É exatamente o que eu acho. Se tivesse mais dinheiro ficava em hotel, porque eu não sou de ir pra balada e voltar de madrugada, eu durmo relativamente cedo para o padrão de um hostel (meia-noite). Levo um tapa-olhos e um fone de ouvido, pronto, não me incomodo se chegarem de madrugada. Mas tem gente que acha que ao entrar no hostel o respeito tem que ficar da porta pra fora e não está nem aí se incomoda os outros.

    Quanto à questão da socialização, acho muito legal, ver amizades se formando, gente se conhecendo e saindo juntos pra conhecer a cidade, etc, mas pra mim isso não é tão fácil, sou muitooo tímida e não tenho facilidade pra sair puxando papo com todo mundo. Então essa vantagem dos hostels não se aplica muito a mim. Acabo ficando mais pelo preço mesmo…

    • É isso mesmo Bethânia que eu quis dizer, só as pessoas tomarem um cuidado para não incomodar os outros, não regras obrigatórias.

      Também tenho dificuldade para falar com as outras pessoas que não conheço, mas já fiz amizades em hostels quando as pessoas vem falar comigo, rs!

      bjs

  30. Alôus, pessoale!!

    Puxa vida!!

    Eu realmente gosto desse site, acreditem em mim. Gosto dos textos como são escritos, sempre me respondem, acho isso o máximo.

    E mesmo que tenha escrito a maior asneira do mundo, as autoras foram super legais, humildes e educadas em suas respostas. Até mesmo divertidas.

    Mas esse post, em questão, é equivocado.

    Vivemos tempos interessantes, de nova classe média, de questionamento do Estado (no Egito, na Ukrânia, no nosso Brasilzão de Deus e do Diabo, só pra citar alguns).

    O caos é a palavra de ordem. E aposto nisso a nível macro (multidões, frenesi coletivo) e a nível micro (relacionamento um a um, grupos de pessoas, ambiente de trabalho, família).

    Admito que sou muito chato, a princípio.

    Mas VOTO A FAVOR DA VIDA, das pulsões, das paixões, do choro desenfreado, o drama cósmico do planeta em erupção. São nossos últimos momentos no planetinha finito?? Explosões atômicas e convulsões epiléticas erradicarão nosso atual estilo de vida ou toda a existência humana?

    Vocês optaram por estar na estrada, eu tenho inveja disso, admiro pra caraca, são minhas ídolas. “Nômades Digitais”?? Que eufemismo feio pra errantes, vagabundos, mascates, ciganos. ENFIM, LIVRES!

    Uma hora ou outra eu tenho certeza que vocês ficam muito muito putas com os sete motivos escritos nesse post. Tanto é que os escreveram. Mas tudo isso aí é militarismo, nazismo, facismo, caretismo. É escolher querer se enfiar no mosteiro, na clausura.

    Imagino a chatice que deve ser esse mundo limpinho, preto e branco, correto, educado, polido que vocês pregam, através das 7 regrinhas! Um saco!

    A grande mentira é essa “SEU DIREITO TERMINA ONDE COMEÇA O MEU”. O direito é estático, burro. A lei é paralizada, discutida, morosa.

    O que existe, meus amigos, é o jeitinho!!

    O jeitinho é a flexibilidade, a inteligência que supera o obstáculo. Porque, graças a Deus, somos todos diferentes e aí reside nossa identidade mais linda.

    Se somos diferentes a lei não existe. A lei é diferente para brancos e negros, para pessoas esquisitas e pessoas descoladas. O jeito é flexibilizar tudo, sou a favor disso. Sou a favor da inclusão, da tolerância, da gentileza.

    Pq, e é meio cretino falar isso, sou bastante privilegiado. Por ser branco e homem e classe média, tô na frente de muita gente simplesmente por ter nascido assim. Eu não escolhi isso. Assim como existe uma porção de outras pessoas na minha frente (mas menos que pra trás).

    A melhor forma de entender é imaginar a fila de um banco. Deficientes, mulheres grávidas, idosos, todos passam na minha frente. E é necessário que seja assim. Pq eu aguento muito mais que eles estar alí. Que tenham seu merecimento e respeito. Isso é legal.

    Então, a melhor forma de conviver é militando pelas cotas, pelos deficientes, pelos pobres, pelos intelectualmente atrasados.

    Voltando a cena de fila de banco. Transfere pra um albergue. A mãe espalhou todas as suas coisas de bebê pela cama procurando as fraldas enquanto amamenta. E o bebê chora. O senhor de idade perdeu o ônibus pro hotel e teve que passar a noite alí, naquele ambiente estranho. Ele não desliga a luz a noite, e fica com um radinho de pilha no ouvido. O cara é cego e passa duas horas a mais dentro do banheiro do albergue.

    VOU CITAR AS 7 REGRINHAS pra essa gente?? Claro que não!! O texto é discriminatório pq cria regras para pessoas iguais. Tudo bem, “o homem é a medida de todas as coisas” (jah disse Protágoras, antes de Cristo, e esse pensamento CADUCO, nos persegue até hoje) e escrevemos coisas cujo ponto de partida somos nós mesmos.

    A verdadeira coletividade é examinar situação a situação, jamais generalizar. Praticar a paciência e a compreensão. Isso sim é ser coletivo, meus queridos.

    Um grande abraço.

    • Saulo, você é engraçado, mas eu realmente acho que você não entendeu nada. Em primeiro lugar, as sugestões do texto não são nem pretendem ser leis. Em segundo lugar, você diz que é a favor da gentileza, mas diz “problema é seu que tá dormindo”. Gentileza pra mim foi o dia que eu cheguei de jetleg e fui tirar um cochilo no hostel as 4 horas da tarde e o cara que fava no quarto foi lá e apagou a luz pra mim, sendo que era 4 da tarde. Ele não precisava ter apagado, mas apagou. Um fofo. Isso é gentileza, chegar conversando de madrugada é o contrário de gentileza. E você pegou o que foi dito e levou pra um extremo absurdo, como se o sugerido fosse transformar o hostel em um quarto de hospital. É claro que não foi isso que foi dito! Eu mesmo já incomodei um monte de gente. Sei disso, mas foi sem querer – já fazer isso propositadamente é outra coisa, é egoísmo mesmo. Claro que a gente sabe que se você tá num hostel, vai acontecer um monte dessas coisas ai sem as pessoas terem necessariamente intenção ruim. Claro que vamos incomodar e sermos incomodados, todo mundo tem que ceder um pouco nesse espaço coletivo. Eu tenho o sono muito leve, acordo por qualquer coisa. Toda vez que alguém entra no quarto, eu acordo. Eu fico com raiva? É claro que não! Não é culpa das pessoas, você vai fazer algum barulho mesmo quando chegar, não tem jeito. Em hostel é assim mesmo. Agora é muito diferente alguém fazer questão de fazer barulho, chegar falando alto quando tá todo mundo dormindo, sem nem se importar com isso. Dessa pessoa eu ficaria com raiva, pq acho que ele se acha mais no direito de conversar do que eu de dormir, mesmo que eu fosse acordar de qqr jeito, sabe? Pq eu tenho que ceder e essa pessoa não? No seu primeiro comentário, ficou parecendo que você é que queria botar regra pra quem deve ou não frequentar um hostel. Como tipo, pessoas que querem dormir não podem ficar em hostel então problema é deles que não estão curtindo todas com o resto do pessoal. Hostel é só pra galeria party like hell. Eu não concordo com isso. Já conheci uma diversidade enorme de pessoas em hostel. Inclusive gente que morava lá. Esse menino, que apagou a luz pra mim, morava lá. Ele era estudante, vivia grudado num livro de cálculo e saia todo dia de manhã cedo, eu deveria dizer problema é dele se ele tem que estudar? Essa é a sua visão de não-caretice e gentileza? É isso que você parece tentar nos convencer com seus comentários.

    • E outra, é claro que escrevemos coisas cujo o ponto de partida somos nós mesmos! Isso é um BLOG, sempre escrevemos sobre nossas experiências e opiniões pessoais. Você já deve ter percebido isso em outros posts. Não é uma constituição, muito menos um manifesto pelo comportamento das pessoas nos quartos de hostels! E, gente, uma mulher com filho chorando, um cara cego, um senhor de idade que perdeu o ônibus, me diga se alguma dessas situações realmente já aconteceu com você em um hostel? Você inventou situações improváveis, que nem de longe correspondem a maior parte das situações que enfrentamos. É claro que nesses casos seria uma situação diferente, mas nunca aconteceu comigo. Sabe por que? Porque sempre que eu achei um cara mala em um hostel, ele era jovem, branco, sem nenhuma deficiência, solteiro, de classe média alta e curtindo o gap year da faculdade. E não, a gente não pretendia, em nenhum momento, criar uma análise minimalista de todo o tipo de situação que pode acontecer. Lidar com exceções, como as que você falou, depende do bom senso de cada um, como tudo na vida, né? Inclusive, exceções são amplamente utilizada por reaças para descreditar as militâncias que você citou (nunca ouviu falar daquela história de que “Lá na minha cidade tem gente que recebe o bolsa-família e não quer trabalhar” ou “eu conheço um negro pobre que entrou na faculdade sem precisar dessas cotas, então todos conseguem”?). Então, sim, um certo grau de generalização e observar tendências são necessárias quando a gente fala de sociedade, pq só assim a gente percebe que não, o problema não é do fulano que não consegue entrar na faculdade, é de toda uma classe que foi historicamente subjugada.

      E haha ciganos são um tipo de nômades, né? Mas não são digitais.
      Bjos!

      • Xiii Tirando a infeliz colocação sobre “reaça” (sou daquele que, como Nelson Rodrigues, diz que ser reacionário é reagir “contra tudo que não presta”), CONCORDO PLENAMENTE COM AS RECOMENDAÇÕES PARA A BOA CONVIVÊNCIA EM HOSTELS.

        UMA OUTRA? EVITAR TEMAS DIVISIONISTAS – COMO POLÍTICA – a menos que você esteja falando com alguém que tem visão muito parecida sobre essa dimensão das coisas.
        No Brasil é comum definir tudo o que pra mim não é bacana como “reacionário” (até mesmo a estupidez infundada – que na imensa maioria das vezes nada tem que ver com o conceito político de reação ou de conservadorismo). Muitas vezes, o dito “reaça” acaba não sendo nem coxinha ou conservador, mas mesmo um “cachaça com linguiça” com discurso típico de robozinho partidário, aquele chato sabichão que vive sua revolta “contra o sixtema” e adora tagarelar e palpitar sobre o que não conhece.
        No caso do Bolsa Família, por exemplo – não contrariando o que foi dito, mas apenas complementando sua informação -, o Bolsa Família foi feito para complementar renda, não para substituir ou tirar alguém da pobreza. Alguém sobrevive dignamente com um teto de R$ 177 per capita? Sabemos muito bem que não. Ao mesmo tempo, também não deixa ninguém vagabundo nem tampouco estimula a ter filhos pelo mesmo motivo mencionado. A propósito de políticas desse tipo, logo depois da Revolução Americana, programas como Renda Mínima foram implantados a partir de ideias de liberais republicanos como Thomas Paine (vale a pena conhecer a interessante história do cara).

        Bom, saindo da parte chata, a adaptação necessária a cada espaço é natural – como em cada país tem suas leis, suas normas e seus costumes – e não se chocar com elas, ou ao menos mostrar respeito é um grande ponto a favor. É melhor ser mais, digamos, “caxias” (ou “coxinha” sob certo aspecto) que “meter o louco” sem conhecer o local, bancar o “porra louca”, etc. A PESQUISA SOBRE O HOSTEL é fundamental, pois permite ter uma ideia aproximada e se o lugar definitivamente vai de encontro ao nosso perfil de viajante/pessoa. Acho que esse seria o mandamento zero. Se você vai a um hostel em Ouro Preto, época do carnaval, aí não tem como não se misturar e às vezes você nota que o ambiente pode ser até incompatível com você. Já aconteceu de eu sair antes de um determinado local e me virar pela cidade para arrumar algo mais tranquilo. Mas faz parte das experiências, erros e acertos das viagens. Com o tempo, viram experiências das quais possamos rir também.

    • Saulo, eu confesso: fiquei um pouco antipatizada de você no começo. Mas agora já estou mudando de opinião – e continuo concordando com a Naty: você não entendeu nada mesmo. Mesmo!!

      Olha só, não é porque o post (que nem foi escrito por mim, mas com o qual eu concordo inteiramente – apesar de algumas coisas, tipo ver gente pelada – nem me incomodarem tanto assim) sugere (vamos sublinhar: sugere) algumas posturas para que você não desrespeite os demais hóspedes em sua passagem por um hostel, isso não significa que não pode fazer nenhuma daquelas coisas em lugar nenhum, em circunstância nenhuma.

      Para tudo, tem um jeito que não vai incomodar outras pessoas (que, lembrando, têm o mesmo direito de não serem incomodadas que você tem de fazer o que você quer). Então, é possível conciliar os interesses/as vontades/necessidades de todos. Você pode conversar no hostel depois das 23h, claro que pode. Mas custa fazer isso nas áreas comuns, onde não tem gente tentando dormir? Você também pode comer no hostel (aliás, você até deve comer no hostel, porque mochila vazia não para em pé, não é mesmo?). Mas não é melhor fazer isso na cozinha, sem correr o risco de encher o quarto de migalhas e atrair parasitas com os quais os outros hóspedes terão que conviver depois? Você pode até fazer sexo no hostel se essa for a sua vibe. Mas ninguém faz um sexo 100% silencioso (o que seria, aliás, muito chato e careta – como você gosta de dizer) e os barulhos do seu sexo podem incomodar quem está querendo dormir. Para não ser desagradável e desrespeitoso com essa(s) pessoa(s), custa fazer sexo no banheiro?? E se outro cara (ou outra garota) demonstrar interesse no seu sexo, basta chamá-lx para um ménage no banheiro com vocês. Ninguém precisa ser incomodado para você ter prazer, entende? É óbvio que se a mãe tiver que espalhar todas as coisas do bebê dela em cima da cama e por todo o quarto procurando fraldas enquanto o bebê chora e ela tenta amamentar, eu não só serei compreensiva, como me oferecerei para ajudá-la a procurar.

      No fundo, você realmente não entendeu o que estamos querendo dizer. Você julga que essas sugestões de como respeitar os outros em quartos coletivos de hostel são cláusulas pétreas de convivência, quando, na verdade, são apenas sugestões de como não ser desrespeitoso e inconveniente com as outras pessoas. E é ÓBVIO que existem exceções. É ÓBVIO que vai acontecer de incomodarmos e sermos incomodados. Mas que isso não sirva de pressuposto pra todo mundo ser egoísta e olhar somente para o próprio umbigo.

      • Saulo Cruz escreveu: “A grande mentira é essa: SEU DIREITO TERMINA ONDE COMEÇA O MEU. O direito é estático, burro. A lei é paralisada, discutida, morosa. O que existe, meus amigos, é o jeitinho!”

        Depois de ler isso, fica muito difícil concordar com o Saulo Cruz.

        Eu acredito profundamente no contrário: acredito que o MEU direito termina SIM onde começa o direito do outro. Eu acredito que EU não tenho direito algum de passar por cima dos direitos de ninguém. E isto não é uma questão de “lei”, mas de humanidade.

        Aliás, acho uma grande pena que as pessoas precisem de “leis” para obrigá-las a fazer o que qualquer pessoa civilizada entende como fundamental para a boa convivência entre iguais: respeitar os outros. E o famigerado “jeitinho” é, essencialmente, o contrário disso. É um eufemismo para egoísmo, individualismo e falta de empatia.

        Mas o mais grave do comentário do Saulo foi tachar posturas de respeito, higiene e educação como “nazismo”, “militarismo” e “fascismo”. Isto é um sintoma dessa tendência de tanta gente hoje em dia a confundir liberdade com comportamentos antissociais. Liberdade é poder escolher entre várias opções. E escolher ser educado e agradável não é atentado algum contra a liberdade de uma pessoa madura. Pelo contrário: escolher a birra é que é indício de falta de liberdade autêntica, porque indica um certo complexo de “preciso quebrar regras, preciso quebrar regras, preciso quebrar regras”. Uma atitude dessas é escrava, não livre. E é assunto para o consultório do psicólogo.

        Respeitar o espaço dos outros passa bem longe, mas bem longe de ser qualificado como “vida de clausura” ou “querer se enfiar no mosteiro”. É apenas a normalidade para pessoas de bem consigo mesmas e com os outros.

        Um abraço!

    • Olá Saulo, da mesma maneira que existem diferentes tipos de pessoas existem diferentes tipos de hospedagem e me parece que o seu jeito não se encaixa em nenhuma delas!

      Já tentaram tudo o q você preconiza: Sem amarras, sem leis, zero individualidade, cabelos ao vento, sexo, drogas, festas sem fim, faço o que eu quiser, abaixo a sociedade, anarquia, comunidades “descoladas” ou deslocadas. Simplesmente não funcionou, Woodstock foi um show, uma época, um delírio … trouxe transformações?

      Sim! Mas o que houve com aquela geração? A maioria voltou aos padrões, casou, teve filhos (não as dezenas com amor livre) buscou empregos ou empreendeu.
      Não prego um mundo super convencional, afinal se estamos aqui debatendo é porque buscamos experiências diferentes.

      Mas acredito que conviver bem é muito melhor do que tocar o foda-se principalmente se quem toca é o outro enquanto você PRECISA dormir.

      Cara comparar nômade com vagabundo e cigano demostra que você não conhece o significado das palavras nem entendeu o espírito da coisa.

      Mas cada um com sua opinião.

  31. Oi Luíza, quero trocar minha curiosidade pelo Rio de Janeiro pela sua de natureza, em especial a região da Serra da Canastra em Minas Gerais na divisa com São Paulo, proximidades de Franca/SP. aguardo….

  32. O que eu acho mais engraçado dos que discordam (e qualquer pessoa tem todo o direito de discordar) é que parece haver um problema enorme de interpretação de texto.

    O post não diz, em momento nenhum, que não é legal conhecer pessoas. É por isso que a autora adora hostels, inclusive. É por isso que ela viaja.

    O texto só diz que é necessário respeitar o espaço do outro. Afinal, o coletivo é de todos (daaã).

    Isso parece óbvio, mas não é. Esse mesmo problema, de respeitar o direito do outro, é um aspecto fundamental de tudo, não só num hostel. Vale para a vida.

    E mais: frequento hostels há anos. De forma geral as regras informais citadas aqui são respeitadas, porque em geral as pessoas tem bom senso.

  33. Saulo, achei você genial!

    Pela primeira vez na minha vida participo de um fórum de qualquer coisa, mas é que cara, você é gênio.

    O sinal da caretice apitou no primeiríssimo momento de verdade.

    E na real, entremos em um disco voador e zapemos dessa área muito louca.

    Venho em sua defesa. Pela vontade de viver, de conhecer e de re conhecer os outros e os mundos. lembrando que as regras não são assim tão estritas e tão restritas.

    as regras é a gente que faz pela energia que ronda.

    Não, não acho você abominável. Acho você legal. Vamos ser amigos?

    • Num entra num disco voador não, Patrícia. Aproveita que você estreou em “fóruns” e continua! =)

      Não sou o autor do texto, mas se nosso blog te estimulou a participar de uma discussão na internet pela primeira vez, creio que já valeu a pena.

      Abraço.

  34. UUUUUÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓNNNNNN

    ALERTA DE CARETICE !!

    Favor todos recolherem seus discos do Odair José, substituírem os documentários do michael moore por novelas de Aguinaldo Silva, apanhar qualquer fragmento de subversão dos anos 70, trocar pelos ares assépticos dos anos 00!!

    [onde você está com a cabeça, rapaz?? Conversa fiada no corredor e ao longo da noite?? Conhecer gente nova! NÃO!! Pegue suas coisas e fique no seu quadrado!!]

    “Suportar” o próximo, “aturar” as manias alheias, “onde termina o seu direito começa o meu” isso tudo são coletividades tortas, distorcidas. A verdadeira coletividade é o olho no olho.

    O albergue faz parte do roteiro. Assim como um EXCELENTE hotel com todos seus mimos também trás brilho à viagem.

    Hostel é experiência humana. Para o bem e para o mal. Não é a grande maravilha do universo, acho que o charme é justamente esse: é o atendente que está no primeiro dia, super atrapalhado, mas fala português e seu sonho é se tornar escritor em Paris. É o porteiro que veio parar de bote naquela pátria que não o adotou mas que permite sua estadia.

    Insisto no mesmo argumento: pagar um pouco a mais para ficar num hotel ruinzim para que nenhum desses 7 conflitos terríveis e insuportáveis possam acontecer vale a pena. Se o grande problema é a convivência essa é a solução. Será menos dor de cabeça e tudo fica muito muito melhor quando estamos de bem com a gente. Vão por mim.

    • Você confunde as coisas Saulo. Conhecer as pessoas, ter uma experiência humana, de coletividade também é possível, e se torna bem melhor, com respeito ao próximo. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Agora se você quer acender a luz do quarto a hora que bem entender sem se preocupar com o outro, talvez você é quem deva pagar um pouco a mais para ficar num hotel ruinzim, já que não sabe dividir o espaço com outros e se acha no supremo direito de fazer o que quiser sem se importar com o próximo. E ainda rotula quem discorda de você.

      E espero que a gente nunca divida o quarto. Você deve ser o mala do hostel.

      • Naty, assino embaixo. Cara mala do capeta, credo! Até tendei estabelecer diálogo, mas tem gente que só enxerga o que quer e não está aberto à opinião dos outros. E ainda se acha no direito de me rotular de careta e o diabo a quatro. Não adianta nada ser “cool” e “muderno” desse jeito. Ou, aliás, não é assim que se é cool e muderno.

        Saulo, meu caro. Você está equivocado e não é pouco, não. Talvez você precise mesmo ter experiências humanas pra aprender a conviver com as pessoas e a enxergar que o seu direito supremo de conviver não pode conflitar com o das outras pessoas de não quererem ser invadidas. Mas, na boa. Espero que as pessoas que vão te proporcionar esse aprendizado sejam muito pacientes e não sofram muito para te ensinar essas lições.

    • Se bem que, lendo o seu comentário de novo, logo se vê que você não entendeu foi nada do que foi dito. Quem foi que disse que é proibido conhecer pessoas? Quem foi que disse que as pessoas não são a coisa mais legal dos hostels? Quem foi que reclamou do atendente no primeiro dia de trabalho? Quem foi que reclamou das conversas até altas horas na sala comum? O que essas coisas tem a ver com tornar o quarto coletivo um lugar mais bacana, onde todos convivem sem impor suas vontades sobre as dos outros, onde o sono do cara que vai sair amanhã as 5 da matina para um tour super foda é respeitado? Realmente não entendo seu argumento.

    • Prezado Saulo, sou Luiza, autora do texto. Sinto te informar, mas depois de ler seus dois comentários a conclusão óbvia a que chego é que, ao contrário do que você afirma, você não gosta de gente. Você claramente não dá a minima para as outras pessoas e é um tremendo de um egoísta. Porque só sendo muitíssimo egoísta para confundir respeito e boa educação com recalque. Quem gosta de conviver e conhecer outras pessoas, de qualquer cultura, respeita e é bem educado em qualquer situação. Sugiro que você faça esse teste um dia e perceba como muito mais pessoas vão querer te conhecer em retorno.

  35. Se todo mundo tivesse bom senso e respeito ninguem precisar escrever esses posts para que os desligados acordem, assim como diversos comportamentos insensatos do ser humano em diversas outras situações!

    De qualquer forma parabenizo por levantar a discussão e tambe’m alertar a galera que curte os hostels e fazem coisas que nem em sua casa fariam!

  36. Boa Raquel Sodré! Se tivesse o “like” do face, já teria curtido! ^^
    Eu tb fico em hostel e quarto coletivo pela economia. Já fugi depois da primeira vez que dormi num hostel por simplesmente não entender as regras. No meio da viagem fui acostumando com a ideia de dividir quarto e banheiro com outras pessoas que no fim, estava tudo ok…
    Respeito é fundamental!

  37. Opa, tenho que discordar do Saulo aí em cima, sobretudo em uma coisa: eu não gosto de hostels, e os frequento pelo simples motivo da falta de dinheiro. Tenho certeza de que muuuuitas outras pessoas passam pela mesma situação de terem que ficar em quartos coletivos por causa disso (como a própria autora). Como assim, a diferença é pouca?? Me passa o nome desses hotéis tão baratos aí então que ficarei mais que feliz em mudar meu lugar de hospedagem.

    • Opa, é uma pena! Tomara que um dia você comece a gostar de hostels. Não muda para hotéis baratos não, tenta mudar a forma de ver as coisas, você pode se surpreender. E claro só se quiser!

  38. uau, acabou com meu romantismo mochileiro.

    quantas vezes descobri que tal pessoa fala português dando boa noite ou falando coisinhas na hora de dormir? É o pretexto pra puxar papo de manhã.

    E as vezes que aquelas espanholas malucas chegaram gritando no meio da noite, bêbadas, felizes e lindas… e foram tirando as roupas, celebrando a vida enquanto os que FINGIAM dormir observavam extasiados em buracos do cobertor?

    Uau, e aquele casal de um sueco com uma nigeriana? Como será que eles fazem amor?? Qual o problema de amar deliberadamente quando o crime e a violência são ostentados?

    Sem luz depois das 22h?! O quarto é coletivo! Problema seu que ESTÁ alí pra dormir. Na verdade, em todas as vezes que fiquei em hostel a noite era o início, pouca gente dormia. Só quem tava lá era quem precisava arrumar a mala pro dia seguinte!

    Foi um holandês que me explicou que balas de galetina são ótimas fontes de proteínas. Ele comia na cama, um saquinho colorido e infantil, achei engraçado aquilo, comentei “cara, um homem da sua idade comendo coisas de criança!” e ele me deu a dica!

    Adoro saber o que os outros carregam consigo em suas malas. Sou curioso pelas coisas da vida, pelas coisas do mundo e, principalmente curioso sobre nossa raça, espécie, nossa tchurminha humana. Inclusive recomendo esse excelente ensaio, o “Persona Series” em que neguinho revela o que traz consigo (http://www.flickr.com/photos/jasontravis/sets/72157603258446753/with/11291298583/), do criativíssimo Jason Travis.

    O autor do texto está profundamente infectado pela bactéria Burguensis Piriri Recalquis. Um albergue é uma experiência coletiva por sí só, não é uma pousada de bacana, e nem uma estalagem da Madre Superiora. Se quer todas essas coisas, pq não vai pra um hotel? Sinceramente, a diferença é tão pouca que ir pra um ou para outro é uma questão de escolha.

    Concordo que temos que lavar as coisas da cozinha e trazer cabos extensores conosco.

    Admito que sou uma pessoa estranha. Gosto de gente. Acredito que uma viagem é 20% comida e paisagem e 80% povo. Uma viagem plena é isso.

    • Nossa, Saulo, tenho que discordar veementemente de você nessa. Eu gosto de hostels e costumo ficar em quartos coletivos – até quando viajo com meu namorado. Acho muito bacana a interação que os hostels oferecem, curto a opção de não ser servida o tempo todo, de ter alguém arrumando minha cama e trocando minha toalha todo dia, de poder fazer a minha própria comida, de conhecer gente nova, de arrumar novos companheiros de viagem e tooodas as outras coisas legais que os hostels têm para oferecer. Porém, nem por isso, eu estou sujeita a aceitar TUDO. Falta de respeito, principalmente, é algo que não estou, definitivamente, disposta a aceitar. E acho que respeitar o próximo – não só em hostels, mas em qualquer lugar que você estiver – é o mínimo, mas o mínimo mesmo esperado de um ser humano.

      O pretexto para descobrir que outras pessoas falam Português, por exemplo, pode ser usado de manhã, em quanto você estiver preparando/tomando seu café da manhã na cozinha do hostel. Você não precisa incomodar os outros – que você não sabe se querem ser incomodados – para isso. Aliás, falando por mim, se eu for acordada por algum colega de quarto falando – em Português, em Inglês, em Holandês ou em Marciano – e desrespeitando o meu sono, vou automaticamente interpretar que aquela pessoa é muito desrespeitosa e, logo, alguém com quem eu não quero fazer amizade.

      Sobre as pessoas se trocarem e fazerem sexo no quarto, tenho a dizer que: 1) as pessoas trocarem de roupa não me incomodam tanto assim, pra falar a verdade. Quanto ao sexo, sugerir bom senso para os casais apaixonados não é, de forma nenhuma, nem palidamente, parecido com ostentar o crime e a violência. Não é porque as pessoas não podem matar ou agredir outras que elas, então, podem fazer sexo onde bem quiserem. Entende como essas coisas não se relacionam? Mais uma vez, aqui, o raciocínio é de que as pessoas podem não querer ser incomodadas com esse tipo de atividade do colega de quarto. E, como você não sabe se ela quer ou não ser incomodada, melhor não arriscar, não é mesmo?

      Achei muito interessante a sua frase: “O quarto é coletivo!” Como você deve saber, se alguma coisa é coletiva, isso significa que ela é DE TODO MUNDO, e não de ninguém. Assim, a pessoa que está no quarto que também é dela tem todo direito de dormir se ela assim o quiser. Ou o seu direito de acender a luz é maior do que o direito que o seu colega de quarto tem de dormir? E caso a resposta for afirmativa, por quê? Não me parece um discurso muito coletivista, não é mesmo?

      Também acho muito legal saber o que as pessoas trazem consigo em suas bagagens. Os pertences de alguém dizem mesmo muito sobre aquela pessoa e, muitas vezes, sobre a cultura à qual ela pertence. Mas isso não significa que eu goste de tropeçar em um par de tênis jogado no meio do quarto. Também não significa que eu goste de ter que dormir com a minha mochila em cima da cama porque o colega está ocupando todas as áreas livres com seu violão, suas 3 mochilas, seus sapatos espalhados, seus moletons fora da bolsa… Além disso, é bom poder transitar pelos corredores dos quartos sem me preocupar se vou quebrar um telefone de um ou uma câmera do outro que estão jogados no chão (sim, sou o tipo de pessoa que se preocupa com não estragar as coisas dos outros, mesmo que os próprios donos não demonstrem a mesma preocupação em não ter suas coisas estragadas).

      Sobre sua colocação de o autor do texto estar infectado pela bactéria Burguensis Piriri Recalquis, acho que cabem algumas reflexões: você conhece o autor (na verdade, a autora) do texto? Que evidências você tem para afirmar algo do gênero? Se a pessoa pensa diferente de você, logo, ela está infectada pela bactéria Burguensis Piriri Recalquis? E mais: se a pessoa não está disposta a ser desrespeitada e a ceder seu direito – de coabitar o mesmo ambiente que os outros, de dormir sossegado, de não tropeçar em pertences alheios, de não ver partes ou práticas íntimas de outras pessoas etc etc etc – logo, ela está infectada pela bactéria Burguensis Piriri Recalquis?

      Acho que o grande lance que os hostels nos ensinam é, de fato, a conviver em sociedade. E isso sempre significa abrir mão – para todo mundo. Ou seja, quando em quarto coletivo – e em qualquer outro ambiente coletivo -, em prol da boa convivência e do bem estar de todos, é recomendável restringir a sua liberdade para reduzir ao mínimo as chances de incomodar as outras pessoas e sobrepor o seu direito ao delas. É o que eu acho, pelo menos.

    • Eu ia responder também, mas a Raquel falou tudo. Tem coisas que não são questão de opinião (e nem de infecção bacteriana). São de gente ‘certa’ ou gente ‘errada’ 😉

    • Ufaaa ainda bem que você escreveu esta resposta Saulo!!!
      Eu quase nunca respondo os posts e certamente não escreveria tão bem, mas as pessoas precisam ler isso! Precisam mesmo!

      Adoro os textos e o blog (aliás parabéns aos três autores)!
      Mas apenas comecei a ler este post minha primeira reação foi: “uau, acabou com meu romantismo mochileiro”. Foi um alívio ler alguém sensato, descrevendo a paixão que eu sinto pela liberdade da estrada.

      Aaaa tem coisa mais apaixonante que a energia de um hostel. Aquele mundo paralelo, onde os interesses são outros, as línguas são variadas, a conversa é olho no olho. O próprio albergue em si é a vivência de uma sociedade mais livre. Respeito mútuo existe sim, podem ter certeza. Mas ao ler essas regrinhas listadas, senti um aperto no peito, senti todo o romantismo que eu sinto ao botar a mochila nas costas ir por água abaixo.

      Desculpa meninas, mas vejam isto como uma crítica construtiva. Eu entendi a intenção do post, mas ele está enganado sim. Precisamos regrar tudo? Precisamos mesmo ter essa regras nas nossas cabeças ao entrar num ambiente coletivo? Será que não nos podemos deixar fluir, e ver tudo com outros olhos? Sentir a atmosfera e nos deixar levar pelo momento? Será que faz tanto mal ver uma bunda branquela? Em fim, não são as regras em si. Mas é o fato das pessoas ter a necessidade de listá-las. Dependendo da circunstância as “regras” mudam. O fato de ter regras pré-estabelecidas é em si apavorante.

      Ser contra este texto não quer dizer não querer respeitar as pessoas, muito menos ser egoísta. Muito pelo contrário. Mas estas regras acabam com o charme, com o desejo de uma sociedade distinta, com as loucuras, com novas formas de viver, de conviver. Acredito em sociedades mais livres, mais respeitosas, mais sinceras e mais loucas.E o que mais me encanta na estrada, e nos quartos coletivos, é encontrar pessoas com estas mesmas paixões.

      • Gente do céu, mais uma vez: isso não são “regras”, nem uma constituição! Acho que vocês é que não tão sabendo interpretar o texto direito.

        “Dependendo da circunstância as “regras” mudam. O fato de ter regras pré-estabelecidas é em si apavorante”,
        Jennifer, é claro que as regras mudam! Onde está escrito que é algo fixo, pré estabelecido? A Luíza não tá pedindo pra ninguém imprimir esse texto, levar na mochila e toda vez que for entrar no hostel consultar pra ver se está agindo dentro da regra! Gente, são só uns toques, algo do tipo: “Ei, lembra que no albergue pode ter gente dormindo quando você chega, então tente não fazer muito barulho pra não incomodar o coleguinha”. Que mal há em sugerir isso? Você tem todo o direito de não acatar a sugestão… Faça barulho, quebre a cama, faça o que quiser! Que poder esse blog tem de forçar as pessoas a um tipo de comportamento? São apenas as sugestões que a autora acredita que podem tornar a convivência mais agradável em situações-padrão que ocorrem nos hostels! (veja bem: na maior parte dos casos não tem uma mãe com bebê no quarto ou qqr outra coisa do tipo, como tentou argumentar o Saulo – em boa parte dos casos, hostel sequer aceita criança e muitos tem limite de idade de 35 anos).

        Ninguém aqui é tão inflexível que não consegue se adaptar às diferentes situações e nuances que podem ocorrer e por isso precisa seguir à risca o que tá escrito em todas as situações sem nem interpretar o contexto. Mais uma vez: são toques gerais, que podem ser aplicados à muitas situações, mas certamente não a todas! Essa nunca foi a pretensão do texto. Já fomos chamados de caretas aqui, mas quem age como se o que tá escrito fossem regras pétreas são vocês, que interpretam como se o post tivesse sido esculpido na tábua dos 7 mandamentos dos hostels!

        “Eu entendi a intenção do post, mas ele está enganado sim.” Achei esse posicionamento (e o do Saulo, que disse a mesma coisa) um pouco arrogante, você pode descordar, mas dizer que está enganado só pq você discorda é um pouco prepotente. Quem não concorda com você está automaticamente enganado? Já pensou que você é que pode ter interpretado de uma maneira enganosa? E outra, uma pessoa que chega dizendo “problema é seu que está dormindo” (primeiro comentário do Saulo) não quer respeitar as pessoas, coisa nenhuma.

        “Aaaa tem coisa mais apaixonante que a energia de um hostel. Aquele mundo paralelo, onde os interesses são outros, as línguas são variadas, a conversa é olho no olho” Again (ninguém respondeu ainda): onde no post está recriminando essas coisas? Pelo contrário, são essas as únicas coisas que fazem um hostel valer a pena. Vamos preservá-las, mas com respeito pelo próximo, sempre.

        • Hahaha relaxa Naty, desculpa se pareci prepotente (sério que pareci prepotente?), juro que não foi a intenção, mesmo. Eu disse que o texto está enganado, mas deveria ter dito que eu o achei enganado, nenhuma verdade é absoluta, e eu estou longe de ditar verdades.

          Foi só a minha visão, de um mundo paralelo sem tantas dicas do que não deve ser feito, sem tantos “não é lugar para”, com mais naturalidade, mais diversidade, mais paixão, mais pessoas com jeito woodstock de ser. É bom ter mais um ângulo de visão, para podermos enxergar com outros olhos aquela bunda branquela de um sueco desajeitado. E que não nos falte gentileza, solidariedade e respeito. Independente de regras ou sugestões.

          Bem esta discussão pode ser eterna. Não quero ficar aqui tentando ter razão. Um abraço.

          • Rs, tranquilo Jennifer, é só que eu acho que foi levado muito a ferro e fogo por algumas pessoas, sabe? Acho que não era essa a intenção, assim como qualquer outra dica que você acha aqui no blog não tem a pretensão de ser definitiva. Por exemplo: se a gente fizesse um post 10 coisas imperdíveis em Pindamonhagaba não quer dizer que todo mundo é obrigado a ir lá e fazer exatamente o que a gente falou, que a gente tá tirando a liberdade das pessoas de fazerem o que quiserem em Pindamonhagaba. Todo mundo tem o direito de discordar, ter outras opiniões, agir de outras formas. E isso não tem diferença nenhuma para esse post! Nunca foi a intenção estragar o romantismo de albergue de ninguém! Mas eu realmente não vejo qual o mal de dar sugestões sobre qqr assunto, já que é isso que a gente tem feito em 500 posts e nunca foi interpretado dessa forma.

  39. Luíza,
    Por ser militar, já tive que dividir muitoooooo alojamento com outros colegas. De tudo o que você falou acima, só não passei o aperto de ver as cenas de sexo explícito. Como sempre viajo com a família, aí não dá né! Aliás, em Roma, tinha alugado um “Bed&Breakfast”, bem pertinho do Coliseum. Só que quando chegamos, de madrugada, descobri que o lugar era um apartamento que ocupava um andar de um prédio antigo, tinha três quartos e um banheiro coletivo. Ouvi “um tanto” da minha esposa, pelo fato de não ter observado esse detalhe, já que havia perdido noites na web buscando um local mais barato e central. Pior, o prédio literalmente tremia quando o metrô passava embaixo. Não teve jeito, no dia seguinte , cedinho, chamei o proprietário e me hospedei num IBIS, fora da cidade, mas só depois de correr, com mala e tudo, para visitar o Museu do Vaticano, para o qual já havia comprado ingressos pela net. Gastei no transporte diário, todos os dias, uns 50 euros, mas dormi e comi em um local com qualidade. Por esse atropelo, e que temos o sonho de voltar à Roma, com mais tranquilidade

  40. Haha, realmente eu sei bem como são essas “situaçõezinhas” em quartos de hostel. Infelizmente a falta de bom senso não tem nacionalidade, raça, credo ou faixa etária, rs.

    Em tempo: O link pro “Nomadic Matt” tá errado, corrige aí! 😉

  41. Não tinha olhado quem tinha escrito antes de ler e já sabia que era vc, rs. Uma coisa boa tb de lembrar é desligar o despertador!!!! Uma vez fui tentar ser legal e fazer isso e cai bêbada da beliche, rs.

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