Dicas para quem vai ficar em hostel pela primeira vez

Dicas para quem vai ficar em hostel pela primeira vez

A primeira vez que eu me hospedei em um hostel foi em Cape Town, na África do Sul. Essa foi também a minha primeira viagem internacional e, nesse tempo, quando eu era mais jovem e maluca que hoje, eu curtia o estilo de viagem “chegando lá eu vejo”. Isso significa que eu embarquei para o meu primeiro mochilão estrangeiro sem nenhuma reserva de hotel, passagem interna, ideia do que fazer. Nada. A única coisa que eu tinha era um roteiro mais ou menos anotado no meu caderninho de viagens. Essa também foi a minha (falta de) estratégia no meu primeiro mochilão pelo Brasil, um ano antes.

Quando chegou o dia de sair da casa em que eu morei durante o meu trabalho voluntário, eu e o Rafa colocamos nossas mochilas absurdamente grandes e pesadas nas costas (nós também não sabíamos fazer as malas) e perambulamos pelas ruas do centro da Cidade do Cabo em busca de uma cama para dormir. Não preciso dizer que deu muito errado.

Onde ficar em Cape Town - Long Street

Foto: Wikimedia Commons/Ossewa

O hostel em si não era lá tão ruim em termos de estrutura e limpeza, mas ficava bem no miolo dos bares da Long Street, a rua mais movimentada de Cape Town. Pra gente, isso pareceu uma maravilha na hora, mas foi só a noite chegar que a escolha se mostrou um inferno. Era gente bêbada gritando debaixo da nossa janela a madrugada inteira. Além disso, nosso quarto (que era duplo, não coletivo), não tinha ar-condicionado.

Nós também não ligamos muito para isso na hora que resolvemos, às pressas, ficar por ali mesmo. Mas se eu tivesse me preocupado em checar a previsão do tempo, ia descobrir que a temperatura subiria 15 graus de um dia para o outro. O resultado foi que a mesma janela que servia para nos deixar cientes de tudo o que rolava na rua era imprestável para refrescar o quarto. Eu lavava o cabelo antes de dormir só para o travesseiro ficar mais fresquinho e teve um dia que eu deitei no chão porque, sério, era insuportável ficar naqueles lençóis.

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Desses erros bestas, a gente aprende uma coisa:

– Mesmo que você não queira reservar com antecedência, compensa fazer uma pesquisa prévia na internet e chegar já com algumas ideias sobre onde ficar ou que tipo de hostel você quer. Acredite, é muito mais fácil tomar boas decisões quando você está sentadinho em uma sala com ar condicionado do que andando debaixo do sol com 30 kg nas costas. Um ano mais tarde, eu adotei essa estratégia na Índia e deu bem mais certo.

A primeira vez que eu fiquei em um quarto coletivo, no entanto, foi em Roma, já na volta ao mundo. Eu confesso que fiquei morrendo de medo de ser roubada. Dormia com passaporte, doleira e celular debaixo do travesseiro todos os dias. Também fiquei com medo do psicopata com tuberculose que dividia o quarto comigo (já contei essa história aqui).

Com o tempo fui me acostumando, pegando as manhas e achando essa história de dividir quarto com quem eu não conheço cada vez mais natural. Eu confesso que prefiro mil vezes ter um quarto para mim, mas como nem sempre isso é po$$ível, vou dividir com vocês um pouco do que eu aprendi nessa vida de alberguista.

Leia também: Quando o hostel não vale a pena

7 coisas que não devemos fazer nos hostels

Critérios eliminatórios na hora de escolher um hostel

Uma coisa muito útil na hora de escolher um hostel ou hotel é ler só os comentários negativos nos sites de avaliação, tipo o TripAdvisor ou o próprio Booking.com. Sério, você pode pular os elogios e ler apenas as coisas ruins. Dessas, você filtra aquilo que é frescura, aquelas coisas que são meio chatas, mas com as quais você consegue lidar dependendo do preço, e as que são inadmissíveis. No caso dos hostels, eu tenho alguns critérios eliminatórios.

1. Bedbugs 

Pode ser uma única reclamação no meio de 100 elogios, mas se alguém falou que o hostel tinha percevejos, ele sai da lista na hora. Eu tenho uma alergia monstra a picada de inseto, então sou bem rígida quanto a essa regra. E acredite, isso é bem mais comum que se imagina e não está restrito a hospedagens baratas. Em Nova York, por exemplo,  é endêmico. Em Paris também não é lá tão raro, mas essas pragas estão em todo lugar do mundo.

2. Ausência de lockers 

Do ponto de vista da estrutura, esse é o critério mais importante para mim. Um hostel tem que ter um locker por hóspede. E dentro do quarto. É lá que você vai guardar tudo de valor que você tem para poder sair tranquilo. Já fiquei em hostels que alugavam os lockers por uma taxa extra, mas hoje em dia não fico mais. Acho que é um item obrigatório do pacote.

Também é sempre bom ver se nas avaliações tem alguém reclamando que teve os lockers arrombados, porque isso pode significar que eles não são seguros o suficiente.

Hospedagem barata em Munique

3. Ausência de wi-fi grátis

Não sei como tem lugar por aí que ainda não oferece wi-fi gratuita para os hóspedes. Antigamente eu fazia o sacrifício de ficar num hostel desses se o preço compensasse muito, mas como hoje eu preciso trabalhar durante as viagens, esse critério virou obrigatório.

Mesmo que você não tenha esse tipo de obrigação nas suas férias, ter acesso ilimitado à internet facilita muito a vida durante a viagem. Você pode programar suas atividades do dia seguinte, checar se está tudo certo para o próximo destino, dar notícias em casa e um milhão de outras coisas que vocês já estão carecas de saber.

wi-fi  não tem

4. Mais que oito pessoas por quarto

Eu estabeleci oito como limite de gente em quarto de hostel que eu fico. Para mim, esse é o limiar entre uma hospedagem confortável e o caos completo. Mas, para falar a verdade, quanto menos melhor. A lógica é simples: se você divide o quarto com quatro ou seis pessoas, menores as chances de ter um psicopata (ok, nem rola tanto assim), menos gente vai fazer barulho de madrugada, menos gente vai ser folgada, menos gente para roubar sua cama… Enfim, mil e uma vantagens. Tem gente que não liga pra isso, que curte a vibe. Se você é uma dessas pessoas, maravilha! Vai pagar bem menos que eu pela hospedagem. Mas acho que qualquer pessoa com dificuldade para dormir vai concordar comigo.

Hostel quarto

5. Localização

Eu acho importante que os hostels fiquem perto de uma dessas duas áreas da cidade: a região turística ou a região de bares. Se puder ser perto dos dois, melhor. Um erro comum de cometer nas primeiras viagens que a gente faz é pegar o lugar mais barato, mesmo que seja longe. O tempo que você vai gastar se deslocando e o dinheiro do transporte público e do táxi quase sempre fazem essa conta ficar desfavorável.

Em algumas cidades essa regra não é assim tão simples. Grandes metrópoles, como Berlim, Londres e Nova York, não têm tudo concentrado em apenas uma área. Por isso, as opções de bons lugares para ficar são maiores, mas você não vai conseguir escapar do transporte público.

Para observar

Agora que você já eliminou os hostels da categoria “de jeito nenhum”, hora de ver qual o melhor entre os que sobraram. Nesse caso, tem uma listinha de coisas que podem contar pontos a favor.

1. Quantidade de banheiros 

Alguns hostels não têm a quantidade de banheiros adequada ao número de hóspedes. O resultado disso pode ser um longo tempo de espera na fila do banho, bexiga estourando e outras inconveniências que você já pode imaginar. Em geral, se esse for o caso, alguém vai ter reclamado disso nas resenhas do hostel. Fique atento a esse tipo de comentário.

2. Confortos básicos

Em algumas partes do mundo, é legal checar também se o lugar possui água quente. Acredite, isso não é tão garantido em diversas partes da Ásia, da África e até da América do Sul. Informe-se também sobre a existência de sistemas de calefação ou ar-condicionado, se for  necessário para seu destino ou para a época do ano que você for viajar (lembre-se da minha história).

2. O hostel faz seu tipo? 

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Tem gente que é mais festeira e quer balada todos os dias da viagem. Tem gente que prefere sossego para acordar cedo e aproveitar o dia na cidade. Para cada tipo de pessoa, existe um hostel. Antes de tomar sua decisão, tente descobrir se aquele hostel tem a ver com o seu estilo de viagem.

3. Oferece atividades, descontos e tours? 

Poder marcar excursões direto da recepção do seu hostel não é apenas prático, pode também ser uma opção mais econômica que sair procurando agências pela cidade. Muitas vezes, os hostels têm convênios com as operadoras e oferecem cartões de desconto e preços especiais para os hóspedes. Aqui em Salta, na Argentina, onde estou agora, tem diversas opções de passeios ao redor da cidade que você só consegue fazer de carro ou por meio de uma agência de turismo. E eu descobri que os preços oferecidos pelo hostel são uns 20% mais baratos que em qualquer agência do centro da cidade.

Além disso, muitos hostels oferecem opções de atividades como free walking tours, pub crawls, festas e sessões de cinema que podem ser uma boa maneira de conhecer o pessoal e encontrar uma atividade diferente e divertida para a sua viagem.

4. Tem luzes individuais nas camas e/ou tomadas individuais

Isso é bem raro, mas eu pulo de alegria quando encontro um hostel que tem lâmpadas e tomadas individuais em cada cama. Serve pra te ajudar a arrumar suas coisas a noite sem acender a luz, ler quando todo mundo já está dormindo, carregar seu telefone sem precisar deixá-lo do outro lado do quarto. É uma maravilha!

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O que levar para o hostel

Algumas coisinhas para colocar na mala e melhorar sua experiência de quartos coletivos.

Cadeado: mesmo que o locker do seu hostel seja a chave ou código, leve um ou dois cadeados de boa qualidade para trancar sua mala.  

Chinelo: para usar nos banheiros coletivos.

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Toalha e roupa de cama: Eu levo sempre uma toalha esportiva de secagem rápida e que ocupa pouco lugar na mala. Já falamos dela aqui. Já a roupa de cama, depende. Alguns hostels cobram por ela, então se esse for o caso do lugar em que você vai ficar, você pode considerar levar a sua própria. Sinceramente, eu acho que o valor não compensa o espaço na bagagem. Escolher um hostel que não cobra por isso pode ser uma ideia melhor.

Sacos de pano: Para organizar as coisas dentro da mochila sem fazer barulho no quarto de madrugada ou de manhã cedo. Dica da Lívia.

Lanterna: Serve a do celular mesmo. Use para não ter que acender a luz do quarto durante a noite.

Protetores de ouvido:  Para não se incomodar com roncos e outros barulhos.

Extensão de tomadas: Eu costumo levar um desses grandes, com entrada para 10 tomadas, que é para garantir que nenhum dos meus trecos fique sem bateria. Muitos hostels têm apenas uma ou duas tomadas por quarto. Leve um desses e compartilhe com os seus colegas de quarto, se precisar. Garantia de que você vai ser amado por todos.

Os melhores e piores hostels que eu já fiquei

Melhores:

1. Czech Inn, Praga – Veja aqui

Excelente estrutura, decoração linda, quartos confortáveis. Possui apartamentos individuais também, para quem não curte um quarto coletivo.

2. Crash Palace, Rotorua, Nova Zelândia – Veja aqui

Casa linda, quartos para poucas pessoas e uma jacuzzi de águas termais.

3. Happy Snail, Cingapura – Veja aqui

Carinhosamente apelidado por nós como Casa do Mike, é um pequeno hostel bastante acolhedor.  E tinha FREE NUTELLA o dia inteiro. Caros, eu encerro meu caso aqui.

4. Tasso Hostel, Florença – Veja aqui

Festas gratuitas com comida liberada e apresentações de artistas locais uma vez por semana. Excelentes instalações.

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 Czech Inn

Piores: 

1. El Viajero, Montevidéu – Veja aqui

O quarto que ficamos não tinha nenhuma janela e dava para a área comum, onde a galera conversa até altas horas, e também para a recepção. Resultado: barulho a noite inteira e cheiro péssimo no quarto.

2. Incama Cusco Hostel, Cusco – Veja aqui

Nos garantiram que teria água quente na nossa volta de Machu Picchu, mas não tinha. Acho que em Cusco isso é normal, porque o abastecimento não funciona o dia inteiro, mas a mentira me irritou. Os horários do corte são sempre os mesmos, então poderiam ter nos avisado. Além disso, os cobertores fediam a mofo.

3. Choice Plaza Backpackers, Auckland – Veja aqui

Os quartos eram muito apertados, não tinha calefação nem cobertores suficientes para aguentar o frio do inverno neozelandês. E os cobertores ainda fediam a cigarro. Mas temos que relevar alguns problemas porque esse era o lugar mais barato para dormir em toda Auckland.

Obs: Esse post foi escrito por sugestão do Pedro Nogueira, um ex-calouro nosso da Comunicação Social da UFMG que descobrimos que acompanha o blog =) Valeu, Pedro! 

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Já chamei de casa a Cidade do Cabo, Chandigarh, Buenos Aires e Barcelona, mas acabo sempre voltando pra minha querida BH. Gosto de literatura, cervejas, música e artigos de papelaria, mas minha grande paixão é contar histórias. Por isso, desde 2011 viajo o mundo e escrevo sobre o que vi. Também estou no blog sobre escrita criativa Oxford Comma. Siga @natybecattini no Instagram

26 comentários em Dicas para quem vai ficar em hostel pela primeira vez

  1. Parabéns pelo seu blog, realmente suas dicas são muito úteis,no entanto em relação aos “percevejos ” estão dando uma ideia errada e estão castigando as principais vítimas – Todos os estabelecimentos de hospedagem!
    Os bedbugs são trazidos pelos viajantes e por isso são chamados da “praga de hotelaria”. Não há qualquer forma de prevenção a menos que se aplicasse na chegada um tratamento de desinfecção a todos os hóspedes e seus pertences- vocês aceitariam isso? pois a maioria não aceitaria e iria até sentir-se insultada.Quando aparece alguém picado ou alguma review referindo isso é pedida uma desinfestação e fica-se até com mais garantia da não existência nos tempos imediatos.Sabem que as pessoas podem ser picadas por exemplo numa viagem de comboio e como a alergia só aparece algum tempo depois quando já estão no hostel, este é que vai ser responsabilizado quando é duplamente vítima?Vitima da queixa desta pessoa e se esta os transportou irá ser vitima dos problemas e despesas futuras e ainda segundo o vosso conselho da falta de clientes.

    • Odete, para mim não importa muito de quem é a culpa dos percevejos. O problema é que eu sou alérgica e prefiro não ficar em lugares em que as pessoas reclamam que tem percevejos. Sei que é difícil, mas tenho que prezar pela minha saúde.

      Abraços

  2. Oi Natalia,
    Obrigada pelas suas informaçÕes.
    Sou professora universitária e vou pra NYC em final de outubro. Já fui várias vezes mas sempre em hotel ou casa de alguém. Dessa vez fiz reserva no HI NYC Hostel, num quarto para 4 e banheiro compartilhado.
    Tenho ainda algumas dúvidas.. tranquilo esse negócio de alguem barulho ou acender a luz. Eu bato na cama e durmo mesmo.
    Como quero ver o Halloween e ir a algumas festas, você não achará um absurdo saber que eu tenho 56 anos.
    Bem. Minhas dúvidas são quanto a bagagem. Há no quarto um lockergratuito no quarto e grande armario onde posso guardar minha mala antes do checkin e do checkout. Mas onde eu deixo a minha mala durante a minha estada, ao lado da minha cama, com cadeado?
    Obrigada outra vez.
    Beijos

    • Soraia, em geral, se dá para deixar debaixo da cama, eu deixo aí, se não dá eu procuro um canto que não vai atrapalhar muito a passagem e deixo trancada com cadeado. Isso quando os lockers não são grandes o suficiente para caber a mala.

      Abraços e sorte na sua viagem!

  3. Eu gostei muito do post, muito explicativo… Estou me mudando para Argentina, ate conseguir um ap, parece que vou ficar uns dias em um hostel, voce conhece algum bom?

  4. Olá!
    Tenho uma dúvida é não estou encontrando respostas na net.
    Você saberia me dizer como funcionam os serviços de lavanderia nos hostels da Europa?
    Ficarei 1 mês e gostarias de viajar somente com a bagagem de mão, porém estou preocupada em como lavar as roupas. Existe a possibilidade de nós mesmos lavarmos nossa roupa em uma máquina de lavar? Temos que pagar por esse serviço?
    Estou entre o hostel ou alugar um studio.
    Adoro o blog e já peguei muitas informações nele!

    • Adri, não existe uma regra, cada hostel é de um jeito. Em alguns tem lavanderia, outros não… Em geral você paga um valor baixo para usar as máquinas de lavar e secar e lava você mesmo a roupa.

      Abraços

  5. Excelente post Natália! Nunca fiquei em hostel e estava um tanto recioso quanto a como funciona, principalmente em relação à segurança. Seu post ajudou muito!

  6. Acabei de voltar de um mochilao com meu namorado e ficamos em alguns hostels, inclusive no Czech inn, em Praga: simplesmente adorei! Digno dos hotéis que fico por aí pela empresa. Ficamos num quarto para 4 pessoas, super limpo, confortável, cama ótima!
    Estou viciada neste blog! parabéns!!

  7. Ainda não arrisquei ficar em Hostel.
    Acaba que o custo não vale tanto a pena para nós que estamos em casa.
    A diária costuma ser de 30 a 40 reais, e em um hotel para casal conseguimos essa faixa de 80,90 no quarto….

  8. Pow Natália, sempre tive medo de hostel pq tds dizem que eh bem perigoso… mas com essas dicas fica bem mais fácil a experiência de um hostel.
    enfim, como sempre neh… Parabéns pela post, pois o blog tem me ajudado mto a andar por aí.

    • hahah perigoso?! Olha, perigoso não é não… pode ser meio desconfortável, estranho ou até mesmo irritante em alguns momentos (já quis jogar um travesseiro na cabeça de um roncador), mas não perigoso. E, apesar de todos os problemas, tem muitas vantagens e vale a pena a experiência.

      Abraços!

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