Diferenças do português do Brasil para o de Portugal

O português é uma língua só, com acordo ortográfico e tudo mais. Mas as diferenças no modo de falar o português entre o Brasil e Portugal as vezes são tão grandes que impedem a compreensão entre tugas e brazucas. Nesse texto, você descobre algumas palavras e curiosidades do português de Portugal.

Como se diz ônibus em Portugal

– “Olha, esse prédio é meio longe”, disse a atendente da Universidade. “Acho que você deve ir para lá de autocarro”, completou.

Eu olhei para ela meio sem graça. “Mas eu não tenho carro”, pensei. Agradeci e segui meu caminho andando mesmo.

Essa conversa aconteceu no meu segundo dia morando de Portugal. Nesse mesmo dia, eu tive que ir ao Serviço de Estrangeiros. Enquanto eu esperava minha senha ser chamada, comecei a conversar com uma moça de Moçambique que aguardava do meu lado. Ela já morava em Coimbra há anos. Aproveitei então para perguntar para ela se havia algum ônibus para me levar de volta para casa.

Ela ficou me olhando com aquela cara de quem não tinha entendido. Perguntei novamente, bem lentamente: “Tem algum ônibus para eu ir para o lugar X?”. Ela respondeu: “ahm?? Um o quê”.

Eu repeti ônibus umas três vezes, até que uma portuguesa veio em meu socorro: “Ela quer dizer um autocarro!”

E então clique, tudo se esclareceu! Desde então já contei essa história para alguns portugueses amigos, explicando como “autocarro” não é uma palavra que faça muito sentido na minha cabeça. Para eles, isso tem a ver com um carro automático ou coisa assim. Para mim, se fosse pensar ao pé da letra, seria o meu próprio carro, sem nenhuma relação com um transporte que é coletivo.

Uma rapariga muito gira

Essa não foi a minha única história de confusão linguística, claro. Apesar de agora eu já estar mais acostumada e também ter amigas portuguesas, as divergências entre os nossos modos de falar ainda são motivo de piada entre nós. Por exemplo, as meninas morrem de rir quando eu falo que vou “esquentar” a comida no microondas. Para elas, é “aquecer”.

Numa festa, um português estava tentando me explicar por que é completamente absurdo o nosso uso da palavra “legal”. Para ele, se uma coisa é divertida ou interessante, grandes são as chances dela não ser legal, no sentido jurídico da palavra. Por aqui eles usam “fixe” ou “giro” para dizer que alguma coisa é “legal” ou “bonita”. Eu já ouvi, por exemplo, que sou uma rapariga muito gira. Era um elogio, mas parece piada.

Uma rapariga muito gira no Brasil

Mais palavras diferentes entre o Português do Brasil e de Portugal

Acha que eu estou exagerando? Dá uma olhada na frase abaixo e tente entender:

Atenção! Quando descarregarem o autoclismo, verifiquem se o “botão” vai para cima! Senão a sanita está sempre a deitar água!

Português

Tirei essa foto no banheiro da casa de uma amiga, depois de rir muito a respeito do aviso. A minha parte favorita, sem dúvida, é “deitar água”.

Outro uso de verbo fora de contexto para brasileiros é “meter”. Aqui, a professora fala que vai “meter o texto no sistema”. Os colegas falam que vão “meter a pena no computador”. E assim por diante. Não que seja incompreensível, é só um uso estranho para quem não está acostumado. Ah, a tal “pena” (ou “pen”) é o nosso pendrive.

E se alguém te pedir para travar o carro? O que você faria? Trancaria o carro? Acionaria as travas da porta? Bem, na verdade, em Portugal, querem que você freie o veículo.

Facto, recto, acto. O c fica assim no meio das palavras. Aliás, um fato para os portugueses é um terno masculino. Uma camisola, por outro lado, é usada por homens e mulheres, já que significa camisa. A cueca também é compartilhada por ambos sexos: a palavra calcinha não faz parte do vocabulário deles.

Se alguém chamar a malta, está se referindo à galera. Se te convidarem para tomar uns copos, estão te chamando para tomar uma cervejinha. Mas se você chegar ao bar ou tasca (ou a pastelaria, que na verdade é um café que vende não só doces) e te oferecerem um fino (ou imperial), não estranhe, esse é o nome para chopp.

Na hora de pagar a conta, não se esqueça de que os centímos são os centavos. No fim, para voltar para casa, você pode pegar uma boleia (carona) com seu amigo. E não se esqueça de despedir dizendo: Beijinhos! Assim mesmo, no diminutivo, como eles fazem com muitas palavras por aqui.

Outras palavras que eu já aprendi e podem enriquecer seu vocabulário portuga:

  • Paciente: Utente
  • Banheiro: Casa de banho
  • Criança: Miúdo ou miúda
  • Band Aid ou Esparadrapo: Penso (esse eu custei para aprender, tive que fazer mímica na farmácia)
  • Bala ou Chicletes: Rebuçado
  • Trem: Comboio
  • Ponto de ônibus: Paragem
  • Celular: Telemóvel
  • Geladeira: Frigorífico
  • Açougue: Talho
  • Presunto: Fiambre
  • Suco: Sumo
  • Sanduíche: Sandes
  • Misto-quente: Tosta
  • Café da Manhã: Pequeno Almoço
  • Canudinho: Palinha

*Crédito imagem Destacada: Marcos Santos/USP Imagens

Clube Grandes Viajantes

Olá, somos a Luíza Antunes, o Rafael Sette Câmara e a Natália Becattini. Há 10 anos fazemos o 360meridianos, um blog que nasceu da nossa vontade de conhecer outras terras, outros povos, outras formas de ver o mundo. Mas nós começamos a sonhar com a estrada ainda crianças e sem sair de casa, por meio de livros sobre lugares fantásticos. A gente acredita que algumas das histórias mais incríveis do mundo são sobre viagens: a Ilíada, de Homero, Dom Quixote, de Cervantes; Harry Potter, Senhor dos Anéis e Guerra dos Tronos. Todo bom livro é uma viagem no tempo e no espaço. E foi por isso que nasceu o Grandes Viajantes: o clube literário do 360meridianos. Uma comunidade feita para você que ama ler, escrever e viajar.

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Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 30 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite "morar no aeroporto". Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo. Siga @afluiza no Instagram

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28 comentários sobre o texto “Diferenças do português do Brasil para o de Portugal

  1. 🙂 “sande” não existe; é sandes, seja singular ou plural (tal como pires, por exemplo).
    Utente, é só no SNS. De resto, é paciente ou doente, no máximo.
    Uma torrada é uma torrada (pão torrado, com ou sem manteiga). Uma tosta são 2 fatias de pão com recheio e prensada na tostadeira.
    Chiclete é pastilha (elástica).
    Fino só é usado no Norte, de resto é imperial. Camisola é suéter no Brasil.
    E nunca ouvi ninguém chamar “pena” a uma pen(drive). Será uma cena nortenha?

    1. Oi Rosie,

      Obrigada por comentar e pelos apontamentos.

      Eu morei por mais de dois anos em Coimbra, que não é o Norte, e todos usam fino. Na minha experiência, só quem usa imperial é Lisboa. Foi onde ouvi usarem “pena” para falar do pen drive

  2. Sim várias diferenças que notei também – e é “pen” mesmo, nunca ouvi pena. Outras:
    cueca – boxers
    camiseta – t-shirt
    desodorante – desodorizante
    trem – comboio
    muito – bué
    tênis – sapatilha
    água sanitária – lixívia
    caminhão – camião
    delegacia – esquadra
    dinheiro – guito
    cilios – pestanas
    marrom – castanho
    mamadeira – biberon
    âncora do jornal – pivot

  3. Moro aqui em Coimbra há 3 meses e acho muito engraçado eles se referirem no passado mesmo querendo falar do presente ou do futuro. ”Eu gostava de ir à sua casa”. Ué, não gosta mais???

  4. AI que post maravilhoso! Rindo muito com isso. Nunca morei em Portugal, mas tendo me acostumado com ingles americano e morando no Reino Unido, passo pelas mesmas coisas de vez em qdo….agora acho o americano mais estranho do que o britanico.

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