Na natureza selvagem e a síndrome de Alex Supertramp

Na natureza selvagem e a síndrome de Alex Supertramp

Em setembro de 1992, Christopher McCandless foi encontrado morto dentro de um ônibus por um grupo de caçadores ao norte do Denali National Park, no Alasca. Mas sua história percorreu muitos quilômetros antes de chegar ali. Filho de uma família disfuncional de classe média, Chris renunciou a toda comodidade que tinha para viajar pelos Estados Unidos levando praticamente nada de dinheiro e pertences pessoais.

Depois de viajar de carro, trem, carona e de percorrer centenas de quilômetros a pé, ele embarcou para a sua última aventura nas terras geladas do Alasca, onde pretendia passar meses sem qualquer contato com a civilização. Ali, por uma falta de preparação que beira a ingenuidade e a estupidez, morreu por inanição e envenenamento.

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A história de Christopher, que adotou o nome de Alex Supertramp enquanto viajava, em mais uma tentativa de cortar os vínculos com seu passado, chamou a atenção da imprensa e da opinião pública. Mais tarde, o jornalista Jon Krakauer investigou os motivos que levaram o viajante à morte e relatou a tragédia no livro Na Natureza Selvagem, adaptado aos cinemas com roteiro e direção de Sean Penn. O filme foi um sucesso de bilheteria e transformou Chris McCandless em um mito moderno, fascinando milhares de pessoas com espírito aventureiro em todo o mundo. Mas por que a história de um andarilho inconsequente e com posturas potencialmente suicidas nos fascina tanto?

“Recebo milhares de cartas de pessoas que admiram McCandless por sua rejeição à conformidade e ao materialismo com o objetivo de descobrir o que era autêntico e o que não o era, colocar a si mesmo em prova e experimentar a essência da vida sem uma rede de segurança ”, conta Krakauer, em um artigo que escreveu sobre o tema.

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O longa também foi responsável por estimular uma nova tendência turística no Alasca: o ônibus no qual Chris passou seus últimos dias é hoje um lugar de peregrinação que atrai viajantes inspirados por sua história. Gente que, muitas vezes, enfrenta perigos muito parecidos com os experimentados por McCandless, devido à natureza hostil desta parte do Alasca.

Os guias locais calculam que mais ou menos 50 pessoas fazem o caminho a cada semana. Alguns desses aventureiros que conseguem alcançar o ônibus em segurança acampam ali por dias, refletindo, escrevendo e conversando sobre o estilo de vida moderno, as alternativas possíveis e a fascinação pelo isolamento. Ao partirem, deixam notas que refletem a influência do estilo de vida perseguido por Chris, seja nas paredes do ônibus ou em uma mala que guarda relatos de outros viajantes que passaram por ali.

Chris Ingram, um desses peregrinos que teve sua jornada até o Magic Bus – como McCandless o batizou em uma de suas anotações – registrada no site christophermccandless.info afirma que a aventura não valeu o risco de perder a vida. Ele fez o trajeto em 2010, poucos dias depois que outra viajante, Claire Jane Ackermann, morreu afogada nas águas caudalosas rio Savage, o mesmo que impediu o protagonista de voltar à civilização a tempo de se salvar.

Na Natureza Selvagem - Filme

Na página, Chris Ingram escreve: “Eu tive muito tempo ao longo do caminho para contemplar a história de Chris, assim como minha própria vida. O deserto é um lugar pobre para colocar suas preocupações, seus sonhos, suas esperanças, seus pensamentos, desejos e felicidade. A natureza selvagem é apenas isso, selvagem. Imutável, implacável, que não conhece nem se preocupa com a sua vida. Que existe por si mesma, não sendo afetada pelos sonhos ou cuidados do homem. Mata os que não estão preparados ou conscientes”.

A conclusão de Chris Ingram é compartilhada por muitos. Em especial entre os habitantes do Alasca, McCandless está longe de ser popular. Em geral, nos fóruns e debates que proliferam web afora, é possível encontrar dois tipos de pessoas: as que admiram o viajante e as que acreditam que ele era um irresponsável e botam na conta de Krakauer a culpa por transformá-lo em um ídolo pop.

O jornalista admite que, tantas quantas são as cartas de admiração que recebe, são as de desprezo: “Também chegam um monte de cartas de pessoas que pensam que ele era um idiota, que merecia passar pelo que passou porque era um arrogante, muito mal preparado, um desequilibrado mental e possivelmente com tendências suicidas”.

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A verdade é que, ainda que tenham sido as aventuras de McCandless que conquistaram os holofotes da cultura pop, ele não estava sozinho em sua fascinação pelo isolamento. No livro, Krakauer dedica dois capítulos inteiros para contar histórias de outros viajantes com ideias e excentricidades muito parecidas às de Chris.

Lendo o relato, é fácil entender por que esse tipo de aventura enamora, inspira e aguça a imaginação de tanta gente. Por mais que o desfecho tenha sido trágico, é alentador imaginar que as respostas às nossas preocupações e vazios existenciais estão escondidas em algum lugar no meio da natureza. Ou talvez tenhamos que ir tão longe em nossas jornadas pessoais para chegar à mesma conclusão de Chris McCandless em seus últimos dias: “A felicidade só é real quando partilhada”.

Texto publicado originalmente em espanhol no blog que escrevo para o meu mestrado em Jornalismo de Viagens, o Road to Nowhere.

Fotos: Reprodução

Já chamei de casa a Cidade do Cabo, Chandigarh, Buenos Aires e Barcelona, mas acabo sempre voltando pra minha querida BH. Gosto de literatura, cervejas, música e artigos de papelaria, mas minha grande paixão é contar histórias. Por isso, desde 2011 viajo o mundo e escrevo sobre o que vi. Também estou no blog sobre escrita criativa Oxford Comma. Siga @natybecattini no Instagram

33 comentários em Na natureza selvagem e a síndrome de Alex Supertramp

  1. Pra mim idiota e quem não tem a capacidade se perceber a grandeza de espírito desse cara. Continuem presos no cabresto que colocaram em vocês. Ver a realidade e para os fortes e não para os fracos. Grande lição Chris

  2. A maioria das pessoas julga a atitude de Christopher McCandless porque não sabe da história toda, já que a irmã dele pediu para omitir parte disso no livro de Jon Krakauer em que se baseou o filme. Não faz nem 3 anos que ela decidiu revelar os “bastidores” através do livro “The Wild Truth”, que ajuda a entender melhor os fatos.

    Só uma correção: O rio que causou esses problemas foi o Teklanika e não o Savage, que apesar do nome não é tão selvagem assim, conforme constatei há alguns meses 🙂

  3. Assisti o filme há algum tempo e até hoje trago na memória, história inspiradora e com um final trágico, pude refletir muito sobre a minha maneira de viver e ver as coisas, acho que passei a olhar com mais valor á algumas coisas.

  4. E no final do caminho você percebe que o que realmente importa não é o destino mas sim o caminho. Essa é uma história que pode ser interpretada de muitas maneiras dependendo dos olhos de quem vê, ms julgar é difícil pois não sabemos realmente quais eram seus objetivos. Talvez ele tenha encontrado no caminho o que buscava mas não percebeu, talvez ele tenha subestimado a natureza ou superestimado a si próprio. Mas de uma coisa eu sei, ele já estava morto quando saiu em sua aventura, não se encaixava no modelo de sociedade em que vivia e jamais iria conseguir voltar e ter uma vida normal.

  5. Bem, assisti ao filme nestes dias, meio atrasado, rsrrs. Existem dois focos, um é o filme, mesmo que baseado na história real, o outro é o julgamento da intenção do Supetramp. Ora, o filme encanta, pois foi extremamente bem trabalhado o enredo, de fácil entendimento, atores fantásticos. Ele deixa uma bagagem psicológica imensurável, que certamente me fará lembrá-lo por muitos anos. Julgar o despreparo do andarilho em sua jornada real não cabe. É fato, é história e ponto. Sua escolha, mesmo que equivocada para alguns, é rica de exemplos que cada um, em seu interior deve discernir. Assisti-lo sozinho (alone), sempre evidenciado no filme, foi crucial para minha interpretação. Portanto, entendo que não se trata de criticar o protagonista, coisa de escoteiro e salvadores, praticando seu conhecimento técnico. Seu “legado” é atemporal, mesmo com a crítica áspera dos incautos. Sensibilidade e capacidade de abstração não é para todos. Parabéns pela resenha, Natália!

  6. Para aqueles que dizem: “Ele foi irresponsável por não ter se preparado corretamente para aquela aventura”, “Ele deveria informar-se melhor sobre o local”, “Ele deveria levar mais comida” e etc, quem diz esse tipo de coisa realmente não entendeu nada sobre o idealismo dele. Temos esse tipo de pensamento porque temos medo. Medo da incerteza sobre o futuro, da insegurança que teríamos se abandonássemos os padrões que estamos acostumados e conformados. Esse medo faze-nos tomarmos escolhas mais seguras para a nossa vida, mas o preço pago por essa segurança é a falta de liberdade, de sermos livres para vivermos da maneira como gostaríamos, para adquirirmos experiências e emoções que gostaríamos de vivenciar, mas não temos a devida coragem para isso, somos escravos da ilusão de segurança que os padrões da sociedade nos proporciona. Chris teve essa coragem, e ele não se preparou devidamente para isso porque como ele mesmo disse: “Nada é mais maléfico para o espirito aventureiro do homem que um futuro seguro”, essa frase é uma lição para aqueles que o criticam, se ele tivesse o devido preparo e planejamento, talvez isso tornaria sua aventura mais segura, mas como eu disse antes, o preço a se pagar pela segurança é a falta de liberdade, e Chris queria ser livre, então suas escolhas impulsivas e ditas como “irresponsáveis”, não foram tomadas por mera ignorância ou inconsequência, ele sabia muito bem o que ele estava fazendo, mas ao invés da segurança, ele escolheu a liberdade.

    • Se o preço da segurança é a falta de liberdade, o preço da liberdade é a morte? Não consigo ver as coisas desse jeito e concordar com isso. Acho que há um ponto de equilíbrio ao qual se pode chegar.

      • Essa questão de segurança e liberdade é um tema complexo que deveria ser ou já deve ter sido analisado do ponto de vista da administração de um governo, mas acredito que ainda não chegaram a alguma conclusão. Referente a vida de McCandless é lamentável fazer julgamentos, pois cada um tem seus motivos, mas referente ao filme fiquei bastante admirado e curioso, pois li pela internet que deixaram de lado a parte esotérica da história. O que deixa mais interessante, pois temos diversos exemplos desse ritual de isolamento no mundo místico, essa busca do “Eu” interior… É irrelevante a questão de chegar ou não ao Alaska, se ele morreu ou se não tivesse morrido, se ele foi imprudente ou não, se agora é um simbolo ou não. No fim das contas a intensão, os pensamentos, a verdade é o que conta para cada um de nós, essa é a verdadeira realidade. Destarte é melhor discutir não sobre a vida dele, mas sobre o sentido da vida, talvez era isso que McCandless procurava, talvez ele achou ter encontrado, talvez ele encontrou… Dormir, talvez sonhar; oh, ai está o maldito empecilho, pois do sono da morte, que espécies de sonhos podem vir?

        • Ao ver o filme realmente fiquei impressionado com o que ele fez e sua jornada e o estilo de vida que ele estava perseguindo.
          O local ao qual ele veio a falecer é de extremo risco, provavelmente sem um grande preparo e estoque de alimentos (que era a comodidade que ele queria deixar de lado) é muito difícil de sobreviver. Para quem acampa sabe que a falta ou esquecimento de qualquer item é um grande incomodo, imagina se escolher não levar alguns itens talvez essenciais.

          Mas o meu ponto de reflexão quanto ao que ele procurava, talvez fosse realmente a felicidade, que ele imaginava existir no isolamento, o que ele percebe ao final de sua vida que ela é compartilhada.

          Lembro daquela história do pescador que estava a afundar em seu barquinho e orou a Deus para que ele o salvasse, veio outro pescador o salvar e ele disse que Deus o salvaria… bom acredito que conheçam a história, ao chegar no céu o pescador pergunta a Deus por que ele não o salvou, e Deus responde que enviou 3 pessoas para salva-lo. (Não sou evangélico nem nada, apenas para contextualizar meu pensamento).

          Na história me parece que ele encontra muitas pessoas que iriam lhe proporcionar a felicidade que ele tanto buscava, mas ele optou pelo isolamento.

          Sem maiores julgamentos ao que ele fez consigo mesmo, cada um de nós tem o direito de procurar a felicidade, cada um a sua maneira.

          Mas é só uma reflexão.

  7. Olha, eu ainda não li o livro, mas vendo o personagem do filme, eu tenho que admitir que o McCandless foi imprudente. Isso porque ele poderia ter evitado a morte se tivesse se informado mais sobre aquela região do Alaska e, também, ter se preparado melhor ao invés de tentar se virar com um rifle e um livro sobre plantas.

    Eu respeito muito a decisão dele de tacar o “foda-se” para o que a sociedade pensa e ter seguido com os seus sonhos. Também o vejo como uma fonte de inspiração para que as pessoas comecem a buscar aquilo que irão fazê-las se sentirem mais felizes, mas só isso.

    Essa imprudência também é vista naqueles que fazem a trilha até o ônibus e acabam sofrendo algum acidente e até perdendo a vida ao cruzarem o rio Teklanika. E isso não é por falta de aviso não, pois as autoridades da região recomendam aos viajantes de fazerem a trilha no inverno porque o rio estará congelado e fácil de cruzar.

    Agora, não quero crucificar o Supertramp e espero que ninguém me leve a mal, mas depois desses episódios onde todo esse pessoal estavam dispostos a enfrentar várias consequências para chegar até o lugar onde ele morreu, teria o Alex se tornado um mártir?

      • A morte para ele era a civilização com suas falsas e hipócritas garantias e seguranças que, ao nos proporcionar, nos coage e controla. Se tem uma coisa que ele fez, sim, foi evitar ao custo mais extremo, essa morte que muitos vivem com apegada e ingênua satisfação. Há um trecho do filme que associa a fragilidade à pureza em contraponto à fraqueza. Ali reside a essência de sua corajosa ingenuidade. Não julgo como estupidez, nem burrice, nem suicídio. Creio se tratar de uma entrega pessoal, que aparentemente não estamos prontos ainda a compreender. Tanto os que o julgam com desprezo, quanto os que o enaltecem egoicamente.

  8. Concordo com tudo descrito por você Natália. Minha interpretação dessa jornada (baseada no livro e filme)era ainda meio confusa, até que me deparei com suas palavras. Mas o que me chama a atenção na narrativa dessa história é que cada vez que revisito a saga do Supertramp acho algo novo com relação aos sentimentos, família, natureza.. desapego. sensacional e trágico na mesma medida.

  9. Olá Natália! Eu não concordo em chamar chamar os atos dele de estupidez, talvez inconsequentes, mas não estúpidos. Acho que devemos respeitar a trajetória e as escolhas de cada, você não sabe o que pode tê-lo levado a se isolar dessa forma. Vendo o histórico que ele tinha em casa, consigo até mesmo compreender, talvez você não tenha tido uma vida tão conturbada dentro de casa, talvez tenha tido, mas soube lidar de maneira melhor. Eu poderia chamar uma pessoa que come batata frita todo final de semana de estúpida, mas não o faço, é a escolha dela e não a minha. Acho que nós não estamos aqui para julgar os atos de ninguém, porque do mesmo modo podemos ser julgados, ninguém é perfeito.

  10. Já comentei em outra postagem e volto aqui pra dizer a mesma coisa: você escreve muuuuuito bem, Natália. Eu leio os artigos quando me interesso pelo assunto, pela prévio que leio nas redes sociais. Até agora, a maioria são seus e, dos que chego até o fim satisfeito, invariavelmente tem sua assinatura no final. Te dou os parabéns sinceros de alguém que também tenta traduzir em palavras (talvez não tão bem quanto vc, rs) essa nossa existência. Um abraço.

    • Obrigada Alexander! Fico muito feliz que goste dos meus textos! 🙂 Esses comentários nos incentivam a continuar!

      Abraços e volte sempre!

  11. Cada pessoa tem uma opinião sobre o Christopher McCandless, mas sabe o que eu acho? Que morrer foi apenas parte da jornada que ele mesmo escolheu seguir. Talvez ele mesmo não quisesse se orientar por mapas ou estar 100% preparado para o lugar que fosse explorar e tudo isso fazia parte dessa jornada, entende? Ele foi ciente de que tudo podia acontecer, inclusive a morte e ,se pararmos pra pensar, a morte pode nos pegar estando em casa, no trabalho, na rua, em uma viagem ou em qualquer outro lugar e situação, então a preocupação dele talvez não fosse ser viver ou morrer, mas apenas seguir aquilo em que ele acreditava. E como tudo na vida, todas as escolhas tem uma consequência.
    Acho de uma estupidez tremenda as pessoas acharem que ele foi arrogante e egoísta por não pensar na família e simplesmente partir. Isso se tratava da vida dele e de mais ninguém. Quem somos nós para saber a vida que uma pessoa deve levar?
    Talvez ele tenha até morrido feliz, por ter seguido seu coração e, no final, é isso o que importa não é?

    • Acho uma estupidez maior ainda ser agressiva assim com uma opinião divergente da sua….
      A perspectiva que eu tive em relação à família dele não me torna estúpida, nem mais julgadora, nem mais idiota do que você…
      E eu ainda acho que a conclusão dele de que a felicidade só é verdadeira quando compartilhada (conclusão linda e maravilhosa na minha opinião) aponta para que talvez ele não tenha morrido feliz sozinho, mas enfim, só uma opinião, não mais estúpida do que qualquer outra.

    • Fernanda, acho que a gente nunca vai saber exatamente o que pensava o Chris, portanto ficar imaginando isso não leva a lugar nenhum. O que a gente pode discutir é o personagem, o mito criado pelo livro e pelo filme. E nessa narrativa, não me parece que ele estava feliz de morrer ali sozinho e daquela forma.

      PS: vamos parar de chamar opiniões divergentes de estúpidas. Não tem o menor motivo para a gente se agredir dessa forma. Vamos manter o nível do debate! Como você disse, cada um tem sua opinião sobre ele. Nenhuma é mais válida que a outra.

      • Entendo o ponto de vista de cada uma de vocês, mas pra mim sempre será estupidez alguém achar que uma pessoa devem fazer exatamente aquilo que os outros acham certo fazer.
        Sobre ele morrer feliz ou não, sinceramente esse nem é ponto X da questão, e sim o fato dele ter feito exatamente aquilo que ele se propôs à fazer. A morte foi apenas uma consequência de sua escolha.
        Simples assim!!! 🙂

        • Acho que o ponto nem é que achamos que ele deve fazer aquilo que os outros acham que deve fazer Fernanda. Não estamos dizendo isso. Mas você não está fazendo exatamente isso ao taxar como estúpida uma opinião válida apenas porque ela é diferente da sua? Como se quem não pensa exatamente como você não tivesse valor em seu pensamento? Isso é bem desrespeitoso. Fica a reflexão e meu apelo para que tratemos os outros com respeito nesse pequeno fórum.
          E sim, a morte foi uma consequência das escolhas dele. Isso não faz com que a história tenha um final feliz. Continua sendo trágica.

  12. Oi, Natália! P/ mim a beleza na história do Christopher McCandless está justamente nas diferentes visões e interpretações que as pessoas dão a ela…
    Eu sou uma que não sou fã dele não, porque acho ele bem egoísta em relação à família, obviamente não conheço todos os detalhes, mas ler e ver a dor da mãe e da irmã foram fortes p/ mim, acho que ele poderia ter sido quem foi sem ter desprezado tanto os sentimentos da sua família, em especial a irmã, com quem ele se dava bem.
    No mais, concordo que ele foi sim bem arrogante, não acho que p/ se comungar com a natureza vc deva necessariamente não se preparar de forma alguma, porque isso é justamente subestimar todo o poder e força da Natureza… a não ser que sua vida não seja importante p/ vc… rs mas isso é só uma opinião, no meio de tantas tão diversas que já ouvi sobre essa história!
    Gostei mto do post!

    • Também acho sua relação com a família bem egoísta, Bárbara, em especial com a irmã, mas tenho muitos sentimentos contraditórios com relação a ele haha.

      Abraços!

      • Total sentimentos contraditórios!!!!
        Acho que me coloquei muito no lugar da irmã dele, porque tenho uma irmã e somos muito unidas, acabo levando p/ minha perspectiva pessoal, não tem jeito…
        Inclusive minha irmã foi quem me apresentou a história dele, ela tem uma admiração muito grande pelo lado andarilho dele. Já meu marido, quando leu o livro, achou o máximo todo esse desapego e a vontade de comungar com a natureza, enquanto eu, mesmo achando super válida toda a experiência dele, não consigo me desapegar do lado da família…
        E justamente por toda essa diversidade de opiniões, de perspectivas é que gosto demais da história do Chris! mesmo que eu não concorde muito com as escolhas dele.

        • Acho que o ponto é que Chris era humano. Tinha defeitos, tinha qualidades, fazia besteiras, acertava, se equivocava e tinhas visões muito válidas sobre outras coisas. E claro que eu posso achar que ele não precisava ter feito isso com a família ou que ele podia ter sido mais prudente em sua aventura e continuar gostando da história dele. Não preciso idolatrá-lo ou odia-lo completamente, né?

          Abraços!

  13. Achei bem desinformado seu comentário de que “Ali, por uma falta de preparação que beira a ingenuidade e a estupidez, morreu por inanição e envenenamento.”

    Há várias teorias sobre o que causou a morte de McCandless. O próprio autor do livro pesquisou por anos e recentemente chegou a conclusão que ele morreu por comer uma planta que tem níveis mínimos de uma neurotoxina e que não afetaria uma pessoa com alimentação balanceada.
    McCandless tinha livros sobre plantas comestíveis e tinha o cuidado de procurar saber sobre os alimentos. O fato de que ele possa ter cometido um erro (e pagado com a vida) não é motivo para dizer que ele era inconsequente ou tinha tendências suicidas, não é mesmo?

    Estupidez é essa banalização de doença mental, ao repetir o que você mesma colocou como rumores de tendências suicidas, e esse julgamento de alguém cuja causa de morte provavelmente nunca vai ser esclarecida com 100% de certeza.

    Pode me bloquear, pode me chamar de hater, mas vocês já postaram aqui no site aquele vídeo do perigo da história única, mas aqui você fez pior, porque claramente teve acesso a várias histórias e ainda assim colocou uma delas como fato logo no primeiro parágrafo do seu post.

    • Olá Júlia, como vai?

      Você sempre comenta no blog e acho que já conhece um pouco de como trabalhamos aqui. Eu não vou te bloquear ou te chamar de hater porque você discorda de mim, jamais. Esse é um espaço de debate! Embora tenha sim achado desnecessária essa sua defensiva e até agressividade na forma de colocar sua opinião. A gente tem que aprender a discordar sem levar pro lado pessoal, não? Eu bloqueio sim alguns comentaristas, mas gente hater de verdade, que vem me ofender, me chamar de coisas, me acusar de certas atitudes e muitas vezes até questionar meus valores sem me conhecer, porque eu não sou obrigada a aturar esse tipo de coisa. Esse não é nem nunca foi o seu caso, mas sinceramente não precisava falar do jeito que você falou até porque eu acredito que eu nunca tenha sido mal educada com você.

      Bom, voltando ao tema da conversa, acho complicado você dizer que eu estou desinformada ou que estou me prendendo a uma história única porque nós duas fomos buscar as informações na mesma fonte, o livro do Krakauer. O que aconteceu é que a gente interpretou as coisas de forma diferente.

      Ao meu ver, a questão de que ele morreu por uma confusão com as plantas é bem irrelevante. Minha opinião de que ele era ingênuo e extremamente despreparado, vem de atitudes bem anteriores a essa e que poderiam ter evitado que ele passasse por isso. Os erros de planejamento (ou falta dele) começaram muita antes. Se ele tivesse se informado que o rio se tornava intransponível naquela ponto em determinada época do ano, uma informação tão simples e fácil de se conseguir, ele não teria passado fome e se alimentado dessas plantas a ponto de causar-lhe a morte. Se ele tivesse um mapa ele saberia que o rio era atravessável em outro ponto não muito longe de onde ele estava. Essas duas coisas são tão básicas, tão simples, que qualquer pessoa que se aventura na natureza precisava ter: informações sobre o clima e terreno e um simples mapa.

      A planta não foi a maior estupidez dele, concordo que um erro assim é fácil de acontecer ainda mais na situação em que ele já se encontrava, porém por uma arrogância meio estúpida e inconsequente sim ele subestimou a natureza, ignorou a ajuda de pessoas que estavam dispostas a ajudar, ignorou conselhos, ignorou a necessidade de se informar e se preparar. Foi bem na cara e na coragem e tudo isso acabou levando-o à morte.

      E quando eu digo atitudes suicidas não me refiro à depressão ou doença mental, mas sim ao fato de colocar a própria vida em risco de forma desnecessária, em uma espécie de falta de senso de auto-preservação (afinal, ele não estava indo acampar no quintal de casa, era um um lugar extremamente selvagem e várias pessoas disseram que ele não retornaria vivo. E ele foi sem preparo adequado), acho que nesse ponto você me entendeu bem mal.

      • Acho que eu me expressei mal na questão da doença mental. Eu não gosto da banalização de termos como falar que quem tá triste tá deprimido ou é bipolar ou falar que quem procura adrenalina tem tendências suicidas. Acho isso um desserviço a quem realmente tem doença mental e que ainda sofre muito preconceito na nossa sociedade. É isso que eu quero dizer com banalização de doença mental.
        E poxa, você achou o comentário agressivo, mas também achei muito agressivo você chamar o cara de estúpido e arrogante. Você sabe que o plano dele era justamente ir sem um mapa, era se perder, e por isso a falta de conhecimentos era ser filosoficamente coerente. Ele queria um senso de comunhão com a naturez que achava que não dava para conseguir com um mapa na mão. Ele arriscou a vida sim, mas isso era parte do que ele buscava. E o autor que pesquisou tanto a vida dele acha que ele teria sobrevivido, apesar de não conseguir cruzar o rio, se não tivesse se envenenado.
        Desculpa por ter sido rude, escrevi exaltada, mas ache muito victim blaming.

        • Eu entendi seu ponto com a doença mental, Julia, mas repare que hora nenhuma eu menciono depressão, por exemplo. E repare também que eu nunca usei a palavra “tendências” suicidas, e sim “posturas” suicidas, o que é bem diferente! Eu também nunca disse que quem busca adrenalina tem atitudes suicidas, mesmo quem pratica esportes radicais, por exemplo, tem todo um preparo, equipamentos de segurança que os protegem. O problema com o Chris, a meu ver, foi que ele não tinha nada disso, ele simplesmente não se preocupou em ter as informações e requisitos mínimos para garantir sua sobrevivência. Se ele não tivesse se envenenado teria sobrevivido? Talvez sim, talvez, não. Isso é algo que nunca saberemos e não adianta especular. Temos que lidar com o que temos de concreto. E sim, sei que ele queria comungar com a natureza, mas isso não faz do plano dele melhor ou mais seguro só porque era ideologicamente coerente. E não vejo porque um mapa e um pouco mais de informação o impediriam de comungar, isso foi muito inflexível da parte dele. Enfim, eu entendo o seu ponto e entendo a lógica dele, apenas não acho que tenha sido uma boa estratégia.

          Agora, eu achei muito estranha a forma como você reagiu, porque eu mesma tenha sentimentos bem contraditórios com relação a ele e deixo isso claro no texto. Eu não chamei ele de arrogante, a palavra só aparece no meu texto em uma citação do Krakauer na qual ele contava das cartas que recebia (embora eu realmente ache que ele tinha um senso de superioridade moral um pouco irritante). Eu não chamei ele de estúpido, disse que a falta de preparação dele beirava a ingenuidade e a estupidez, o que é bem diferente. A gente pode ter uma atitude estúpida sem ser estúpido, eu mesma já tive um monte e até que me considero inteligente, você não? Acho que você interpretou muito mal meu texto, porque na verdade eu gosto do Chris, apesar de não concordar com algumas atitudes dele e até considerá-lo um pouco egoísta. O tempo inteiro eu tento descobrir porque tenho completa fascinação sobre a história dele. Acho muito incrível mesmo, porque apesar de tudo eu entendo um pouco do que ele sentia, como eu deixo claro no final. Enfim, é isso.

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