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O que aprendi morando sozinho

Roncos que vêm do sofá. É isso que escuto enquanto escrevo este texto, no escritório do meu apartamento, em Belo Horizonte. Quem dorme de forma barulhenta é meu companheiro de teto e de dia a dia, um simpático cachorro chamado Whisky. Há 12 meses moro sozinho, pelo menos do ponto de vista humano da coisa. Além do Whisky, o outro morador da casa leva a vida de forma, digamos, vegetativa: é um boldo enorme que herdei de um vizinho que se mudou para Porto Alegre.

Cheguei a pensar em dividir o apartamento com alguém que pudesse ajudar a pagar o aluguel, afinal o Whisky e o Boldo preferem se abster desse tipo de responsabilidade doméstica. Após alguns meses procurando, sem sucesso, os companheiros de teto ideais, desisti da tarefa e abracei um desejo que aos poucos tomou forma: morar sozinho.

Embora eu goste muito da minha vida solitária no centro de Belo Horizonte, por onde centenas de milhares de pessoas circulam diariamente, tenho que admitir que nem tudo é fácil. Parafraseando o Tio Ben, grandes poderes trazem grandes responsabilidades, inclusive quando o assunto é viver só. O Whisky e o Boldo concordam comigo.

whisky, dachshund

Olha a preguiça

Pagar contas

A minha primeira preocupação, assim que passei a viver sozinho, foi com o risco de ser engolido pelas contas. Aluguel, condomínio, água, luz, gás, IPTU, telefone e internet, cada conta com uma data diferente de vencimento e muitas delas com valores que não vão com a cara da minha conta corrente.

Eu achava que sabia me virar na arte do orçamento pessoal antes, quando morei em repúblicas, comprei um carro e viajei pelo mundo, mas nada se compara com os poderes jedi necessários para bancar uma casa sozinho. Virei mestre na arte das pedaladas fiscais e aprendi que vez ou outra as contas vão atrasar, ainda mais para alguém que não tem salário fixo, mas que algumas delas não podem deixar de ser pagas na data certa. Nunca. O mundo pode acabar em ligações de cobradores da NET, mas o aluguel precisa ser pago sem atraso, afinal a multa é altíssima e há fiadores que assinaram contratos na base da amizade ou do parentesco, mas que jamais devem ser incomodados.

Luz, internet e condomínio podem esperar um pouco naqueles meses mais escuros, mas é fundamental não perder o equilíbrio das contas e não deixar que elas se acumulem. Por ironia, a única vez que deixei uma conta atrasar por muito tempo foi por esquecimento: não me lembrei de pagar uma conta de luz, paguei as duas próximas e só descobri a falha meses depois, quando recebi um aviso de corte de energia. Deu tempo de corrigir o erro. Desde então, faço um check list mensal de contas pagas, para evitar problemas.

contas pra pagar

Foto: Shutterstock

Decorando a casa

Decidi ter uma casa legal e que me deixasse feliz, por mais que isso custe algum dinheiro. Tudo na vida é uma questão de escolhas e prioridades. Do mesmo jeito que economizei em absolutamente tudo para poder dar uma volta ao mundo e viajar mais, resolvi gastar parte do meu salário comprando móveis e tornando meu apartamento mais parecido comigo. Sofá, estante, rede de descanso, quadros, decoração: tudo isso tem um custo.

Por isso, lógico que a casa não fica pronta de uma vez. Até hoje não mobiliei toda a sala, mas aprendi a ter paciência e saber que, pouco a pouco, tudo se ajeita. O importante é ter um plano e saber em qual direção quero ir. Espero ter o apê pronto ainda nessa encarnação. Se não der, bem, nem o Gaudí conseguiu, né? Fora que ambientes vazios, digo, clean, estão na moda. E assim o Whisky tem mais espaço para correr e o Boldo pode crescer até ocupar toda a área que seria daquela estante que ainda não comprei ou do bar que ainda não fiz.

Tarefas domésticas

Não há praga pior que louça suja. Já pensei até em trancar os armários da cozinha com cadeados, deixando só um prato, um copo e talheres para uma refeição do lado de fora. Só assim para evitar a geração espontânea de louça suja que ocorre na minha pia.

Passo uma hora lavando tudo. Esfrega aqui, seca ali, guarda acolá. Ufa! Bora fazer um misto quente que deu fome. Olho pro lado e puft: tem uma faca suja de manteiga, um prato e um copo na pia. “Beleza, é pouca coisa”,  me iludo. Tomo banho, trabalho um pouco e volto na cozinha, apenas para tomar um susto com o Everest em forma de louça que se formou numa manhã.

Elas brotam sem você perceber. E não adianta fingir que não viu. O Everest continuará lá, pronto para engolir o resto do apartamento. Sabe aquele copo que você deixava na pia só por alguns minutos, até o fim daquele filme, quando morava com seus pais ou com outras pessoas? Spoiler: não eram elfos domésticos que davam um jeito nele, mas as pessoas que moravam com você. E não há elfo que te ajude quando você está por conta própria.

o que aprendi morando sozinho

A mesma coisa vale para o restante das tarefas domésticas. Varrer a casa frequentemente, passar desinfetante, tirar poeira dos móveis, limpar o banheiro, lavar e colocar a roupa para secar são outras funções suas e de mais ninguém – ou então você acabará tendo que usar uma sunga de cueca e vai se surpreender quando as formigas levarem tudo embora, à moda dos Buendía.

No meu sistema ideal, limpo a casa semanalmente. E tento, no dia a dia, não tirar as coisas do lugar. O problema é quando uma sequência de viagens, de trabalho ou pessoais, não me deixa ficar em casa por muito tempo. É o começo do caos.

Comida

Comer fora todo dia? Impossível. E a questão não é só fazer a própria comida, mas lembrar de ir ao supermercado religiosamente. Não tem nada pior do que terminar o expediente com fome, abrir a geladeira e ter a sensação de que você acabou de morder um pastel de vento. E nem só de macarrão viverá o homem, embora seja inegável que ele salve vidas. Uma das minhas maiores dificuldades é evitar que a comida estregue na geladeira e vá para o lixo, afinal frequentemente tranco tudo, faço as malas e vou viajar. Fora que é complicado comprar porções individuais das coisas.

Além da comida, é importante fazer uma lista com tudo que precisa ser colocado no carrinho do supermercado, caso contrário vai faltar algo importante, seja sabão em pó ou papel higiênico. Trazer as coisas do supermercado é outra tarefa complicada, quase hercúlea, afinal não tenho carro. Desisti das sacolas e optei por fazer compras de mochila. Coloco tudo lá dentro e volto pra casa com as compras nas costas. Fica muito mais fácil carregar. O que não pode ir na mochila, para não amassar ou por falta de espaço, vai numa ecobag.

como é morar sozinho

Não deixarás a casa cair aos pedaços

Só não me entrego ao marido de aluguel porque o orçamento não permite. Por isso, tive que aprender a me virar quando algo para de funcionar. A resistência do chuveiro, lógico, foi o primeiro teste. Depois foi o chuveiro todo que teve que ser trocado, o ralo do banheiro que entupiu, uma tomada que parou de funcionar, a janela que emperrou (e por aí vai).

Eu sempre tive uma preguiça enorme desse tipo de tarefa, mas, bem, nada disso será resolvido sozinho. No começo, adotei a milenar técnica da procrastinação. O chuveiro precisava ser trocado, mas fazia um calor enorme na cidade, então por que diabos não deixar o Rafael do inverno cuidar disso, e por enquanto abraçar o banho frio e de quebra economizar na conta de luz?

Essa vida durou algumas semanas, até que criei vergonha na cara, comprei um chuveiro novo, abri um tutorial do YouTube e troquei a geringonça, sem grandes dificuldades. Por falar nisso, os tutoriais do YouTube viraram meus melhores amigos, seja para desentupir um ralo de banheiro ou para aprender a cozinhar algo que vá além do basicão. Até nó de gravata aprendi a dar no YouTube – não que isso seja útil.

A vida não é uma farra

Festa toda semana? Só se você for louco. Se já é complicado arrumar a casa sozinho, imagine limpar, sem ajuda, um apartamento que recebeu 30 pessoas no dia anterior. Embora eu receba visitas de tempos em tempos e faça cervejadas ocasionais por aqui, viver sozinho não é sinônimo de festa toda hora. E, acredite, não falta gente interessada em usar o apartamento para propósitos festivos quando estou fora da cidade, pedido que é respondido com um “mas é claro”, expressão que pode ser traduzida por “jamais”.

Por falar em farra, tive que aprender um novo mantra: não beberás diariamente. Depois de um dia inteiro na frente do computador, é fácil querer abrir a geladeira, pegar uma cerveja e passar a noite na frente da TV, afinal não há ninguém para te julgar ou te encaminhar para uma reunião do A.A. E, ao contrário do que muita gente pensaria, não curto chá de boldo e prefiro, se possível, evitar ressacas frequentes. E não bebo destilados.

morar sozinho

Cuidando de você (e dos outros)

Uma parte assustadora de morar sozinho é quando você se dá conta de que não tem ninguém para te ajudar em caso de emergência. De queimaduras na cozinha a cortes nos dedos, de uma doença inesperada a um problema que você tem na rua – seus amigos e parentes demorarão a notar que você não voltou para casa e que algo não está bem. Tudo isso dá medo. E você vai ter que se virar.

Além de tomar mais cuidado e bolar planos mirabolantes que poderiam ser acionados em caso de emergências, deixei uma chave extra de casa com parentes e abracei o medo de estar só em meu Reino de poucos metros quadrados. Quer dizer, nem tão só: o Whisky e o Boldo dependem de mim. E isso é ótimo. Alimentar, levar para passear e brincar com o Whisky são algumas das partes que mais gosto do meu dia a dia. E, convenhamos, isso me ajuda a sair de casa três vezes por dia, rompendo com a ilha do home office.

Com ele, aprendi a inacreditável sensação e senso de responsabilidade que há em ter outra vida totalmente dependente da sua. O Whisky, claro, não dá sossego quando quer descer para passear ou acha que está na hora da comida. O Boldo dá menos trabalho, mas murcha quando não recebe sua cota de água.

Os limites da solidão

Eu sempre gostei da solidão. Sou introspectivo e tenho pavor de conversa fiada. Quando passo muito tempo na companhia de outras pessoas, mesmo de amigos e familiares queridos, logo preciso de meu espaço, para poder recarregar as energias e conversar com aquela voz interior que faz questão de ser sempre ouvida. Por isso, morar sozinho nunca me fez me sentir solitário – fora que tenho um cachorro sempre por perto.

Por outro lado, faço questão de sair da toca, seja para bares com amigos, para visitar parentes, para caminhar ou para ir ao cinema. E, mesmo sozinho, tenho sempre companhia, seja pela internet ou pelo telefone. No fim das contas, a solidão nunca bate de verdade.

Tudo é transitório

Gosto do meu apartamento, do meu bairro e da vista da minha janela, por mais que o barulho da cidade que acorda ou teima em dormir me incomode. Apesar disso, sei que tudo é passageiro. Essa não foi minha primeira casa (já nem me lembro quantas foram) e certamente não será a última.

Belo Horizonte

Por conta do aluguel e do condomínio, que não estão cabendo no bolso, e de um desejo de estar mais perto da minha família, comecei a pensar em me mudar daqui e já estou em busca de um apartamento mais econômico. Mesmo que o endereço se altere, não mudará o lar. E pode ser que chegue o dia em que morar sozinho não seja mais interessante pra mim. Até lá, sigo aprendendo a arte de governar um apartamento na companhia de um dachshund. E, claro, do Boldo.


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Rafael

Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014 voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura. Siga minhas viagens também no instagram, no perfil @rafael7camara no Instagram

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49 comentários sobre o texto “O que aprendi morando sozinho

    1. Oi, Aline.

      O Whisky fica na casa do meu pai. O Boldo e as outras plantas que hoje eu tenho ficam aqui em casa mesmo, mas monto um sistema de autoirrigação. Além disso, de tempos em tempos peço pra algum parente vir aqui em casa e verificar como as plantas estão, isso pro caso de viagens mais longas.

      Abraço e obrigado pelo comentário.

  1. Muito bom!!! Parabéns!!
    Gostei muito da narração! Incrível!
    De igual forma, tinha o desejo de ser jornalista. Já morei em alguns lugares, viajei e viajarei novamente sozinha. Hoje resido em Santa Cararina, na cidade de meus país, mas levo comigo a canção que diz: ” as roupas moram no armário, mas preferem as viagens!”. Sucesso no seu blog, na dua estrada e vida!
    Parabéns!

  2. Obrigada pela ideia de fazer compras de mochila! Tão simples e eu nunca tinha pensado nisso! Tá salvando minhas idas ao mercado. Valeu mesmo =D

  3. Oi Rafael texto incrível,um dia não por vontade mas pelo destino iniciei minha vida sozinha,interessante que antes acreditava que seria impossível pois amava o aconchego de outras pessoas,mas o auto conhecimento me fez compreender que sou minha melhor companhia e hoje quando saio conto os minutos para retornar ao meu mundo,nele me refaço e me encontro e detalhe nunca mais senti solidão.

    Abraço.

  4. Cara…ótimo texto! Leve e descontraído e de quebra algumas dicas sutis…Também moro sozinho e digo que isso é muito bom e gostoso! Ninguém pra encher a paciência…e eu entendi perfeitamente a parte da cerveja…na minha geladeira não falta! rsrsrsr! Moro em Brasília. O que achou da cidade ? Vai sair muitos posts dela? Abração!

  5. Eu morreria de medo! kkk Medo de fantasmas, sacas? E é sério, se existe uma fobia pra isso eu tenho.

    Quando a galera sai meu cachorro fica comigo. Assiste TV comigo, fica no quarto enquanto me maquio e não me larga <3 Acho que ele sabe que tenho medo rs

  6. Tudo verdade!! Pior é morar fora da casa dos pais por 10 anos, sendo mais da metade deles morando sozinha e ter que voltar para conseguir realizar um sonho. A louça agora está sempre lavada, a casa limpa, comida o tempo inteiro, mas cadê o silêncio? Cadê a privacidade? Cadê a linerdade de receber alguém sem ficarem perguntando se vc está namorando? Cadê a voz interior qdo sua afilhada está gritando querendo brincar? Hahaha É difícil morar sozinha, mas tá mais complicado voltar para casa depois de tanto tempo. Rs Pelo menos sei q é algo temporário!

  7. Texto maravilhoso, Rafa. Já dividi apartamento com amigos, mas decidi morar só há algum tempo. Não tenho cachorro, e nem um boldo, mas tenho um cactus que tá resistindo bravamente. Já separei um prato, um copo , um talher, e uma panela só pra diminuir a quantidade de louças, mas esse plano ainda precisa de ajuste rsrsrs. Acho que ter mais cuidado com as contas é o que mais me perturba. É difícil resistir às compras, mas é necessário, ainda mais com o orçamento apertado. Seu texto me fez sentir menos só 🙂

  8. Meu grande desafio morando sozinha foi quando me deparei com uma barata perto da ração da minha cachorra. Depois que consegui matá-la, descobri que poderia viver sozinha tranquilamente. RS…

  9. Olá Rafael…Confesso que não tenho hábito de ler longos textos online, mas o título bem sugestivo e familiaridade deste universo me levou a degustar cada vírgula traçada como bom humor e curiosidade.
    Moro só há 25 anos dentre as 3 cidades que vivi e apesar das semelhança, cada um tem a sua história e aborda um olhar especial.
    Parabéns!!!

  10. Depois de um ano morando sozinho descobri como é difícil manter as contas e a louça em dia. As contas por esquecimento e a louça por preguiça mesmo, só li verdades no texto.

  11. Ahhh, seus textos são bacanérrimos sabia?!
    Eu sou louca para morar sozinha, amo uma solidão (gosto de pessoas, mas elas me cansam)…gosto da sensação de não precisar ser legal ou estar de bom humor pq tem outra pessoa na casa que não tem culpa dos problemas (ou do próprio humor). Penso que deve ser barra algumas coisas como os consertos por exemplo,ou de ficar doente, mas acho que é um experiência que faz vc se preparar para o contexto geral da vida.
    E sim, achei super legal vc dizer que tem seus amigos e tudo, que não é um isolado que odeia as pessoas e que quer viver numa ilha deserta hahahahaha é só que é uma questão de gostar da própria companhia.
    Bom, amei! Seus textos trazem essa realidade que às vezes de simples, ou de rotineira é ignorada em posts.

    1. Obrigado, Flávia. 🙂

      Eu adoro sair com os amigos, mas também curto muito ter meu espaço. Até poderia dividir o apartamento para economizar, mas prefiro achar um mais barato e continuar tendo essa liberdade.

      Abraço, Flávia.

  12. A realidade de muitos retratada em um excelente texto (gostei muito da forma que escreve)!

    Me identifiquei em todos os itens e ri muito com eles lembrando algumas situações (como cortar o dedo e ter que ir ao posto médico fazer quatro pontos ou me queimar). Dividi apartamento por 4 anos (meu inferno astral) e agora faz 2 que moro sozinho.

    Acho que tenho que lembrar da cota de água das minhas plantas, elas morrem ou de sede ou de falta de amor. Mas ainda persisto na tentativa.

    Mas como digo pra muitas pessoas, não abro mão da liberdade que conquistei morando sozinho, nem que me paguem!

    Abraço

    1. Obrigado, Rafael. Segredo: herdei, junto com o Boldo, outras plantas dos vizinhos. Mas a maioria não sobreviveu. O boldo segue firme e forte, ainda bem. hehehe

      Abraço.

  13. Adorei! Aliás, eu ri com o boldo. Muito providencial para ressacas,hahaha. Você não gosta de conversa fiada, mas vou falar. Duas coisas mudaram a minha vida: máquina de lavar louça e faxineira. Faz muita diferença só ter que manter o que ela limpa. Depois de 12 anos tenho uma faxineira a cada 15 dias e mudou minha vida, sério. E olha que aqui elas trabalham por hora, eu pago uma pequena fortuna por 3 horas a cada 15 dias. A lava louça então nem se fala. Facilita muito a vida, é um dinheiro que eu tinha muita dó de gastar mas agora acho que é o melhor dinheiro gasto do salário,rs Boa sorte para você, para o Whisky e para o boldo!

    1. hahaha! Pois é, Liliana. Todo mundo que chega aqui em casa ri do boldo – e do fato do cachorro se chamar Whisky. Devem me achar um alcoólatra. 😛

      Olha, eu queria muito ter uma faxineira de 15 em 15 dias. Espero conseguir um dia! Na lava louça eu nunca tinha pensado.

      Abraço.

  14. Só li verdades! Estou nessa brincadeira há 5 meses e, cara,a louça e os serviços domésticos em geral são a pior parte. Cozinhar tb é um dilema: comer congelados ou lanches economiza na louça mas sai mais caro e menos saudável tb. Pago as contas em dia, mas qse não sobra pra decoração. Enfim, é ir levando um dia de cada vez. Saber q outras pessoas tb passam pelos mesmos problemas deu um alento. Parabéns pelo texto incrível e boa sorte pra nós 🙂

  15. Que texto delicioso, Rafael!

    Eu vivo essa maratona há umas duas décadas, pelo menos, e ainda não descobri a engenharia certa pra fazer a maquina funcionar 100%.

    Tem a praga da louça suja, da roupa lavada acumulada sobre o sofá e das pilhas de livros que brotam pela casa inteira.

    Fora os meus cactus, coitados, que, invariavelmente, morrem de sede…

    Mas é divertido, né?

    1. Obrigado, Cyntia. 🙂

      Por falar nisso, queria ter tido tempo de te conhecer, em Brasília, mas estava viajando com um grupo de amigos e passei pouco tempo na cidade. Fiquei com vontade de voltar.

      Estou pensando em adotar um cactus, pra fazer companhia pro Boldo.

      Abraço.

  16. Eu realmente gosto do seu modo de escrever!!! Sensacional chuva de verdades. parabéns pela linguagem e forma tão sensivel de descrever as delicias e aventuras de cuidar de si. keep up!

  17. Adorei o texto, Rafa! Senti falta da foto do boldo..haha.
    Moro sozinha a 4 anos, e confesso que ainda acho a louça a pior parte…eu sempre penso em guardar parte dos meus pratos (ou esconder), mas depois desisto. Boa sorte 🙂

  18. Texto supimpa!(usei supimpa para não repetir os adjetivos citados acima)
    Ainda não tive a oportunidade de morar sozinha,mas tenho experiência em assumir algumas responsabilidades com o lar que você citou.
    Por exemplo, eu moro com irmã e sobrinha atualmente.Dividimos os valores das contas,mas eu quem tenho a responsabilidade de ir na lotérica.Quando as contas chegam eu guardo em local estratégico no meu guarda roupas.
    Nos dividimos as tarefas domésticas, um dia eu cozinho e no outro ela cozinha (ela minha irmã ,pois minha sobrinha tem 5anos).Tem a faxina do fim de semana.
    Mas desde criança sempre tive responsabilidades com tarefas domésticas,minha mãe delegava as tarefas que cada um tinha que fazer.
    Eu não faço ideia como eu lidaria com a solidão se eu morasse sozinha.Eu sou introspectiva,as vezes eu e minha irmã estamos apenas com o corpo na mesma casa (interagindo nada,as mentes a quilômetros de distância). Mas,eu me acostumei com ter criança em casa e as vezes eu e minha irmã temos momentos de gargalhadas sobre qualquer idiotice. Então eu não sei até que ponto eu seria feliz na solidão.
    Na minha casa a manutenção do lar ocorre graças a minha irmã, ela pinta casa , pesquisa preço de utensílios e moveis,arruma o chuveiro.Eu só dou palpite sobre a manutenção e pago metade dos gastos.Coisas que nem eu e nem ela conseguimos fazer (instalar armário de cozinha,por exemplo) meu pai faz ,pois assim não precisamos pagar alguém para fazer.
    Ela é a pessoa que preocupa com a manutenção do lar e cozinha comidas bacanas(feijoada,arroz doce e etc). Eu sou a pessoa que já chega em casa pensando em retirar o lixo das lixeiras, sou a pessoa que verifica se está tudo trancado antes de dormir, sou a pessoa que vai na lotérica.E assim caminha a humanidade!

    1. Que bom que vocês se encaixam, que cada uma tem uma função importante. Assumir uma casa, seja sozinha ou com outras pessoas, dá sempre trabalho. 🙂

      Abraço, Natália, e boa sorte pra vocês.

  19. Excelente texto! As vezes sempre penso em como seria ter essa experiência de morar sozinha. Por enquanto ainda está nos planos 😉 Conheci o blog a poucos dias e estou amando o trabalho de vocês! Parabéns!

  20. Rafael, demais esse post! eu nunca morei sozinha, saí p/ morar com meu namorado (hj marido), mas mta coisa se aplica! As contas e a parte do elfo doméstico são as mais verdadeiras! Mesmo do supermercado, fazer comida e compras p/ duas pessoas sem deixar nada estragar tbm foi desafiador (quem compra 01 pepino, 01 cenoura e 01 beterraba na feira, né?? rs)
    Mto bom o texto!
    PS: essa foto do Whisky é p/ morrer de fofura!

    1. Acho que sim, Bárbara. A questão é ter que assumir a responsabilidade de uma casa, mesmo que com a ajuda de outra pessoa.

      Adoro essa foto também. haha. Ele passa dias assim.

      Abraço.

  21. Texto massa! Fiz um estágio desse tipo quando meus avós foram viajar por uns dois meses e fiquei alone em casa. A parte da louça que não se lava só é a parte mais verdadeira e cruel da empreitada… Era praticamente impossível lavar um prato ou colher assim que eu acabava de comer. No final das contas perdia facilmente umas duas horas lavando a montanha de louça suja. Fiz até um estoque de Pão, Queijo e Presunto, para o Café, Almoço e Jantar. hahaha.

  22. Bacana demais o texto cara!
    Tô nessa empreitada de morar sozinho já faz 9 anos.
    A parte mais complicada pra mim é exatamente aquela que você resolve passar mal. Putz, como é ruim não ter ninguém por perto pra te dar um dengo nesse momento… rs
    Você já contabilizou o tempo que se gasta para fazer e tomar café, almoço e janta + a parte de arrumar tudo isso depois?! Cara, tinha que ter algo mais prático! rsrs

    Abraço!

    1. É bastante tempo, Julio. Dá vontade de só usar copo descartável, mas aí a sustentabilidade iria pro lixo. haha

      O jeito é lavar.

      Abraço.

  23. Texto incrível, Rafa! Nao moro sozinho ainda, mas agora estou apenas dividindo com mais uma pessoa, o que fez as nossas contas ficarem bem mais altas! Assustou no inicio, mas já nos acostumamos e estamos indo bem. Estou comecando a gastar com decoracao tb!

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