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LadoB, revista sobre a cultura alternativa nas grandes cidades

Em agosto, eu passei 10 dias em Berlim. A começar pelo tempo que estive ali, essa viagem foi um pouco diferente das que eu costumo fazer. O objetivo era fazer todo o trabalho de campo de um projeto no qual eu trabalhei todo o primeiro semestre: a LadoB, uma revista sobre cultura alternativa para viajantes nas grandes cidades do mundo. A revista era meu trabalho de conclusão do Máster em Periodismo de Viajes da Universidad Autónoma de Barcelona, que defendemos na última quarta-feira.

Entregar a revista foi o fim de um ciclo. Desde a definição do destino – por meio de sorteio -, foram inúmeras ideias rascunhadas, reuniões nos fins de semana, discussões por WhatsApp e corrida contra o tempo. Várias vezes eu me questionei se teríamos algo decente para apresentar para a banca, mas no final as coisas deram certo e eu me orgulho muito do resultado. E é por isso que eu resolvi apresentar o projeto para vocês.

LadoB Revista de Cultura Alternativa

Nosso primeiro desafio foi definir o que era o underground ou a cultura alternativa. Tão logo a ideia de uma revista com essa temática foi ganhando forma, percebemos que cada um de nós tinha uma ideia diferente sobre o que ela significava. Decidimos que o alternativo nasce e se desenvolve nas ruas. É o contrário da produção industrial da cultura, dos produtos culturais de massa. A definição pode parecer ampla, mas nos permitiu buscar diferentes caras dessa Berlim alternativa.

Seguimos os passos de David Bowie na cidade. Nos infiltramos em uma sessão de Hip Hop na qual quem frequenta se sente parte de uma família. Saímos de festa com um grupo de refugiados sírios e escutamos suas história. Conversamos com imigrantes turcos e escutamos o que eles tinham a dizer sobre a gentrificação das cidades. Percorremos as ruas em busca dos grafites mais emblemáticos. Mergulhamos na história pouco contada nos livros didáticos.

LadoB - Revista de Cultura alternativa

É importante ressaltar que, apesar de ser sobre cultura alternativa, o público alvo do projeto são viajantes estrangeiros que querem explorar uma Berlim que não é mostrada – ou não ganha espaço suficiente – nos guias tradicionais. Mais que ver o Portão de Branderburgo, esse viajante busca encontrar uma cidade muitas vezes só acessível aos moradores locais, que tem interesses próprios e gosta de vê-los refletidos em seus roteiros e procura ter uma compreensão do contexto e conhecimento geral sobre o lugar visitado.

 

Páginas revista LadoB

Páginas da revista LadoB

Postais LadoB

O que eu aprendi trabalhando na LadoB

  • Me ensinou uma nova metodologia para criar conteúdo de jornalismo de viagens, e acredito que isso vai me ajudar a dar um passo adiante na minha carreira e nos futuros produtos que a gente criar aqui no blog.
  • Aprendi a trabalhar com equipes mais heterogêneas. Por mais que alguns dos meus colegas tenham se tornado grandes amigos este ano, não nos conhecíamos nada quando os grupos foram formados. Além disso, todos tinham formação, experiências e histórias muito diferentes e foi um desafio conciliar essas visões de mundo tão distintas em um projeto. Um desafio ainda maior para mim, que estou acostumada a trabalhar com gente parecida comigo. Afinal, o Rafa e a Luíza são amigos de uma vida e compartilhamos gostos, interesses e formas de pensar muito semelhantes.
  • Ajudou a transformar meu estilo de viagens. Acredito que de agora em diante farei um planejamento muito mais parecido com o que eu fiz para a LadoB, pesquisando atividades mais distantes do roteiro turístico tradicional e focando em meus interesses, ainda que eu tenha que deixar de lado o Top10 de coisas para se fazer em tal lugar.
  • Por mais que você idealize um projeto, ele nunca será igual ao que você vê em sua mente a menos que você realize todas as etapas sozinho. Um trabalho em grupo é a soma e a mistura de todas as expectativas e ideias dos envolvidos e isso não precisa ser ruim, pode ser uma forma de amadurecer nossa visão, por meio do embate de perspectivas, criar algo ainda mais único e original.
  • Eu acredito na organização horizontal, porém acho que ela funciona melhor quando cada pessoa é responsável por uma área ou setor diferente do projeto, em especial quando há muita gente envolvida. Na revista, tentamos fazer com que todos fossem responsáveis por tudo e isso gerou discussões intermináveis porque queríamos chegar a uma decisão que agradasse – ou pelo menos não incomodasse – a todo mundo. Se eu fosse trabalhar com um grupo assim outra fez, designaria alguém para coordenar a parte editorial, outra pessoa a parte gráfica, outro a produção, e por aí vai. Também acho que ajuda ter um coordenador geral para unir todas as partes do projeto e estar ciente de como vai cada braço.

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Natália Becattini

Jornalista, escritora e mochileira. Viajo o mundo em busca de histórias e de cervejas locais. Já chamei muito lugar de casa, mas é pra BH que eu sempre volto. Além do 360, mantenho uma newsletter inconstante, a Vírgulas Rebeldes, na qual publico crônicas e contos . Siga também no instagram @natybecattini e no twitter.

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4 comentários sobre o texto “LadoB, revista sobre a cultura alternativa nas grandes cidades

  1. Achei ótimo e me interessei bastante. Tenho um blog, o De Saias pelo Mundo,no qual o Rafa até já me ajudou dando umas opiniões e que é voltando pra mulheres viajantes 50+ e fiquei super afim de fazer. Só que já sou jornalista de viagem há 20 anos. Mesmo assim, acha que vale a pena pelo intercâmbio de culturas e novas formas do fazer jornalístico, sem falar de morar um tempo em Barcelona?
    Abração

    1. Oi Marlyana,

      Olha, só a experiência de morar em Barcelona já é incrível! O legal do master é que também é multicultural e você vai ter contato com muita gente de outros países e outros campos profissionais. Acredito que em alguns momentos o máster é bastante básico para quem tem formação em jornalismo, e ainda mais para quem trabalha há tanto tempo na área. Por outro lado, pelo menos para mim acredito que foi uma experiência muito válida (ainda que só trabalhasse com isso só há 5 anos quando fui) pois me ajudou a ver o campo com outros olhos. Não sei se do ponto de vista acadêmico seria interessante para você, mas acho que você poderia, sim, se beneficiar da experiência como um todo… Você já olhou outros cursos da UAB? Talvez tenha outro que te interesse também…

      Abraços!

    1. Thiago, sim ,um post sobre uma realização pessoal minha que eu gostaria de compartilhar com meus leitores que me escrevem e comentam diariamente demonstrando interesse no programa do mestrado.

      Não há motivos para pensar que seria um post sobre Berlim porque isso não está nem no título do texto. As dicas sobre a cultura alternativa em Berlim eu estou publicando desde agosto, se você se interessa basta entrar aqui: https://www.360meridianos.com/alemanha/berlim

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