Villa Adriana e Villa d’Este, em Tivoli: um bate-volta de Roma

Villa Adriana e Villa d’Este, em Tivoli: um bate-volta de Roma

Era um dia de muita chuva quando eu e minha mãe pegamos um ônibus em Roma e, cerca de 30 km depois, descemos em Tivoli. Estávamos lá para visitar duas das atrações mais famosas da cidade. A Villa Adriana, um enorme complexo residencial construído pelo Imperador Adriano no século 2 d.C., e a Villa d’Este, uma rica propriedade, inspirada na primeira, construída pelo filho de Lucrécia Bórgia e neto do Papa Alexandre VI, no século 16.

Uma das coisas mais legais sobre Roma é que as cidades no seu entorno também são carregadas de histórias e belezas incontáveis. Tivoli é um desses bate-volta excelentes para se fazer. Além das duas atrações citadas acima, que são Patrimônio Mundial da Humanidade, a cidade em si também é charmosa e tem outros lugares legais para se visitar.

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A cidade fica ao pé de uma colina, o que permite uma vista linda dos vales e planícies nos arredores, que são o limite entre as regiões do Lazio e Abruzzo. A cidade antiga era chamada Tibur e é ainda mais antiga do que Roma, datando de 1215 a.C, um importante ponto de confluência de diferentes povos, como os Latinos, Sabinos e Gregos.

Isso pode ser provado por conta da existência das ruínas de um santuário destinado a Hércules, construído no século 1 a.C., e que ainda são visíveis. Foi dominada por Roma a partir do século 4 a.C. e reconhecida como uma cidade romana três séculos depois, quando começou a se tornar um dos destinos em que os homens ricos de Roma construíam suas casas (as tais Villas).

Villa Adriana em Tivoli

História da Villa Adriana

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A Villa Adriana, como o nome diz e eu já comentei ali em cima, foi construída pelo Imperador Adriano e combinava elementos arquitetônicos e artísticos do Egito, Grécia e Roma para formar o que o então Imperador considerava uma cidade ideal. Adriano era um apaixonado pelas artes e arquitetura e ele mesmo desenhava alguns dos prédios a serem construídos. É interessante dizer também que o estudo de monumentos da Vila Adriana foi crucial para o redescobrimento de elementos da arquitetura clássica dos períodos da Renascença e Barroco.

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É interessante se perguntar por que diabos o Imperador romano decidiu construir sua residência fora de Roma, afinal, o Palatino e a Via Appia eram os lugares de escolha para os governantes. Acontece que Adriano tinha uma má relação com o senado e aristocracia romanas, porque ele, tal como seu antecessor e quem o colocou no “cargo”, Trajano, era nascidos na região que hoje é a Espanha.

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Além disso, quatro grandes líderes militares que eram próximos a Trajano e também aristocratas romanos e possíveis candidatos ao trono foram assassinados imediatamente após a morte do Imperador.  A suspeita era que Adriano encomendou os crimes. Ele, porém, só chegou em Roma onze meses depois da morte de Trajano, negou sua participação, mas as relações continuaram estremecidas. Com isso, Adriano viajava muito e ficava o menor tempo possível em Roma. Para os períodos que precisava ficar na Itália, a ideia de construir um grande palácio fora da cidade, mas ao mesmo tempo bastante perto, foi a solução encontrada (fonte).

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O local escolhido ficava fora do centro histórico, nas colinas da antiga Tibur. O planalto já era ocupado por uma vila, da época republicana, no tempo de Sula e Julio Cesar. Tal propriedade pertencia à família da esposa de Adriano. Ainda, estrategicamente, era possível chegar a Roma tanto pela Via Tiburtina, uma estrada, ou de barco, pelo rio Aniene. Para completar, essa região é famosa pelas minas de mármore e suplementos para produção de cal, além da abundância de água (quatro aquedutos que alimentavam Roma saiam das colinas de Tívoli). E os banhos imperiais precisariam de muita água.

É quase impossível saber ao certo para que se destinavam todas as construções e ruínas ainda visíveis da Villa Adriana. Na visita, há 40 hectares visíveis, dos 120 que um dia fizeram parte do complexo. Muitos dos campos que parecem hoje abertos não eram jardins, mas provavelmente salões, corredores e áreas internas.

Para tentar dar uma noção melhor para vocês, esse é o mapa e a maquete da área:

Visita a Villa Adriana

Você pode visitar a Villa Adriana assim que chegar em Tivoli ou depois de conhecer o resto da cidade. A Villa fica fora do centro histórico de Tivoli, mais ou menos uns 5 km – o ideal é pegar um ônibus que custa €1,30 (tem que comprar o bilhete antes, numa Tabaccheria) – o veículo sai da Piazza Giusepe Garibaldi.

Villa Adriana Tivoli

O horário de abertura do monumento varia ao longo do ano, consulte o site oficial para verificar. Os bilhetes inteiros custam 8 euros e a entrada é gratuita no primeiro domingo de todo mês. A visita completa leva cerca de três horas.

Villa d’Este em Tivoli

Vila dEste tivoli jardins

A Villa d’Este é bem mais recente que a Vila Adriana. E uma boa parte da decoração, esculturas e do mármore nessa construção foi retirada da primeira. É que na Idade Média a Vila Adriana foi completamente saqueada ao longo dos anos, até não sobrar quase mármore e riqueza nenhuma para contar história.

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Essa Villa compreende o palácio e os jardins, uma representação da cultura renascentista italiana no século 16. Os tais jardins de fantasia, com diversas fontes, ninfas, grutas, espelhos d’água e música são um dos primeiros modelos de jardins planejados e que influenciaram outros na Europa.

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A Villa foi planejada e construída pelo Cardeal Ippolito II d’Este, quando recebeu o lugar de presente, juntamente com o título de Governador de Tivoli. Sua vontade de fazer uma vila tão luxuosa veio após o desapontamento de não ter tido sucesso em ser Papa.

Ele queria reviver a magnificência da Villa Adriana. A partir de 1550, o palácio e os jardins começaram a ser construídos e decorados com a ajuda de importantes artistas da época. O cardeal morreu em 1572, com o trabalho quase terminado. Em 1605, outro cardeal, Alessandro d’Este, deu início a novas obras para restauração e inovação da vegetação, fontes e decoração. Outra fase de reconstrução passou pelas mãos do famoso escultor Bernini, entre 1660 e 1670.

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No século 18, a falta de manutenção trouxe a decadência da Villa, o que só piorou quando a Casa Habsburgo tornou-se dona da propriedade. Além do abandono do jardim e de todo o sistema hidráulico, esculturas e peças de decoração foram retiradas e enviadas para outros cantos da Itália. Somente em meados do século 19 começaram trabalhos de restauração e abertura ao público.

tivoli vila d est

Visita a Villa d’Este

O bilhete de entrada a Vila d’Este inclui o passeio pelo palácio e jardins e custa 8 euros a inteira. No primeiro andar são feitas exposições temporárias e no térreo ficam os salões do palácio restaurados. Os jardins e suas fontes são abertos e a partir das 10h30, a cada duas horas funciona o órgão hidráulico, uma espécie de fonte musical.

Tivoli Villa dEste Italia

Os horários de abertura também variam ao longo do ano. A visita leva cerca de 1h30 a 2 horas.

O que fazer em Tivoli: dicas para um roteiro de um dia

Se sobrar tempo além das visitas às Vilas, vale a pena dar uma circulada por Tivoli. Há, ainda, outra vila, a Villa Gregoriana, com uma linda cascata d’água, várias igrejas e um centro histórico medieval bem charmoso.

Minha sugestão de roteiro seria: primeira parada na Villa Adriana. De lá, seguir de ônibus até o centro de Tivoli, almoçar, seguir para a Villa d’Este e depois caminhar pela cidade. O site oficial de turismo da cidade tem uma série de roteiros a pé sugeridos, passando pelas principais atrações. Confira aqui.

igreja tivoli

Como ir de Roma até Tivoli

Se você não estiver de carro, é bem fácil ir de ônibus. Em Roma, desça na estação de metrô Ponte Mammolo. Ainda no subsolo da estação, tem um café/bar que vende os bilhetes de ônibus. O nome da empresa é Cotral e o bilhete custa €2,20 (cada trecho). Depois é só subir as escadas rolantes até as plataformas.

Se você quiser parar primeiro na cidade e perto da Villa d”Este, basta procurar a plataforma que tiver “Tivoli” escrito. Informe ao motorista que você quer descer próximo a Villa.

Entrada villa deste

Para a primeira parada na Villa Adriana, procure o ônibus com a direção Via Prenestina, cujo ponto fica a 300 metros da entrada. Ainda, é possível pegar o ônibus com as direções Via Tiburtina ou Tivoli e parar a cerca de 1 km da Villa Adriana. 

Sou jornalista, tenho 29 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite "morar no aeroporto". Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo. Siga @afluiza no Instagram

6 comentários em Villa Adriana e Villa d’Este, em Tivoli: um bate-volta de Roma

  1. Olá, adorei seu post. muito util. Uma informação, eu irei com meu marido, minha mãe e meu bebe de 9 meses. Esse onibus tem acesso facil? E para voltar, seguindo o roteiro parada primeiro na vila adriana, qual onibus devo pegar para chegar até tivoli? e a ultima pergunta, da pra ir a pé do centro de tivoli até a Vila D´este? depois de lá pegaria um onibus para vir a Roma, qual onibus, o mesmo que peguei para ir?

    Desculpe-me tantas perguntas, mas quando se tem um bebe, o melhor é prevenir. obrigada

    • Oi Juliana,

      Sim, todos os ônibus tem fácil acesso. Na Villa Adriana o ponto fica exatamente em frente a bilheteria. E no centro de Tivoli é numa praça bem central, próxima a pé da Vila d’Este.

      Os ônibus que você deve pegar são os indicados no post.

  2. Olá Luiza, estou pensando em visitar a Villa d”Este primeiro e, em seguida, ir para a Vila de Adriano. Gostaria,por gentileza, de saber se devo descer em Via Prenestina? Existe alguma indicação dessa parada? Obrigado.

  3. Luiza, você já leu Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar? Se ainda não leu, garanto que vai querer voltar lá depois de ler. Quando estive em Roma não consegui ir.

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