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Como um peixe estragou o reveillon e outras catástrofes

O assunto nos grupos de Whatsapp é um só: “O que faremos no Réveillon?”. Mais do que qualquer outra data, a passagem de ano movimenta a cabeça de muita gente e quase ninguém está disposto a ficar em casa e fazer absolutamente nada. É o fim de um ciclo e o início de outro, um momento que, diz a superstição, indica como será o ano que começa. Se isso fosse verdade, então meu 2017 deveria ter sido um grande vômito no meio-fio, mas, no fim das contas, ele tem se mostrado um ano muito bom, obrigado.

Sim, meu Réveillon do ano passado deu errado, mas isso também não quer dizer que tenha sido ruim. Mesmo com a forma única e definitivamente memorável de passar a virada. Os relógios marcavam 23h30 quando eu parei o carro, interrompi as tentativas até então frustradas de chegar ao show de fogos e cedi à grande vontade que tomava conta de mim – colocar para fora do corpo que não lhe pertencia o peixe frito almoçado horas antes, mas que parecia não querer terminar 2016 comigo.

Suando frio, aceitei o remédio ofertado pela moradora da casa da frente e observei os olhos de pânico da minha namorada, tudo isso enquanto me acomodava na sarjeta, pronto para viver os últimos minutos de 2016 – arreda pro lado, cachorro, porque preciso vomitar para ver o ano acabar.

Vencido o peixe, deu tempo de entrar no carro, voltar ao hotel, lavar o rosto, a boca e escovar os dentes. Segundos antes de meia-noite, eu estava limpinho e só um pouco deprimido.

Pode até ter sido o primeiro em que passei mal, mas aquele Réveillon não foi o único que deu tremendamente errado. Na realidade, conto nos dedos de uma mão os que deram 100% certo. Em quase todos os outros houve alguma coisa fora do script: briga familiar nos últimos segundos do ano, gente que não se falava na hora da virada, rolha assassina de champanhe que quebrou o dente da amiga, engarrafamentos monstruosos para chegar na festa e até o Réveillon em que eu pisquei, dormi e acordei no ano seguinte. Quem eu quero enganar? Isto aconteceu em bem mais que um ano.

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Em geral, a experiência tem me mostrado que, em se tratando de Réveillon, menos é mais. Quanto menos trabalho der, melhor será. Quanto menos esforço, menos multidões, menos dinheiro investido, menos horas de planejamento, mais chances de você passar a virada numa boa, tomando uns bons drinks e abraçando as pessoas que importam para você, sem complicações, vômitos ou brigas.

Impulsionados pelo efeito manada, pela vontade de festejar como se não houvesse amanhã no ano que vai chegar, pelo simbolismo de recomeço de tudo e pela página em branco que o novo ano significa, nos esforçamos ao máximo para tornar cada Réveillon especial. Festa? Claro! Viagem? Por favor. Principalmente se você só tem folga do trabalho nessa época do ano.

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O problema é que tanta procura faz do Ano-Novo um das piores momentos para viajar: nenhuma época é mais cara, mais lotada, mais complicada. Praias paradisíacas se transformam numa luta nada silenciosa por um lugar para fincar o guarda-sol; restaurantes abrem a lista de reservas para o Réveillon mais de um mês antes da festa, mas com preços bem maiores que o normal; hotéis triplicam o valor das diárias e estradas ficam lotadas de gente que busca desesperadamente pela melhor noite do ano. Pode anotar: em geral, o gasto de uma viagem durante o Réveillon equivale pelo menos ao dobro do valor necessário para viajar para o mesmo destino, mas algumas semanas antes. A não ser, claro, que você siga o fluxo contrário.

No fundo, todos sabemos que ter uma noite intensa não vai apagar tudo que deu errado nos últimos 12 meses e nem garantir que o ano seguinte vai ser melhor. Mas isso não quer dizer que a gente aprenda facilmente. E, entra ano, sai ano, cá estou eu, jurando que não farei nada complexo na virada. Ignorando convites, fingindo que não vi promoções de passagens aéreas, mas sempre topando alguma coisa mirabolante de última hora. Nem que seja uma festa com todo mundo, amigos, conhecidos, vizinhos e parentes, enfim, só quem ficou sem programa para a passagem de ano.

Eu sei, o ano está longe da acabar. Mas vai falar que você ainda não pensou no que vai fazer no Ano-Novo? Aceito propostas. Já sei que quase certamente alguma coisa vai dar errado.

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Rafael

Siga minhas viagens também no perfil @rafael7camara no Instagram - Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014, voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura.

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2 comentários sobre o texto “Como um peixe estragou o reveillon e outras catástrofes

  1. Essa é a pior noite do ano pra sair! Principalmente no Brasil a melhor escolha é ficar em casa com a família, comer e beber decentemente e curtir a virada no conforto do ar condicionado, com um banheiro limpo à disposição. Quando passei réveillon fora em outros países não foi tão ruim, mas sair no Rio de Janeiro dia 31/12 é suicida. Hahahaha

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