Akumal, a praia para nadar com tartarugas no México

Akumal, a praia para nadar com tartarugas no México

Eu obviamente não falo maia, mas a Wikipédia me garantiu que Akumal é uma palavra desse idioma que significa algo como “lugar das tartarugas”. Tem sentido. Essa praia de águas claras a 106 km de Cancún e menos de 40 de Playa del Carmen é casa de tartarugas marinhas há séculos. Foi só na década de 1960, no entanto, que a cidade começou a surgir, já abraçada com o turismo – mergulhadores foram alguns dos primeiros viajantes a passar por ali.

Hoje, Akumal já deixou de ser a vila pacata e sem turistas de outros tempos, mas continua pouco conhecida, pelo menos se você comparar com as vizinhas Cancún e Playa del Carmem, tomadas de ponta a ponta por resorts de luxo. E, reza a lenda, você não precisa mergulhar com cilindro para ver tartarugas. Basta pegar um snorkeling e flutuar para encontrá-las por ali.

Por tudo isso, vale a pena reservar pelo menos um dia do seu roteiro para Akumal. Mas, dada a beleza da praia, quem ficar mais não vai ter do que reclamar, não.

Akumal, Mexico

Akumal

Nadando com tartarugas em Akumal

Segundo o site Mexico News Daily, pelo menos cinquenta tartarugas podem ser avistadas, todos os dias, nadando nas águas claras de Akumal. Elas vão ali em busca de alimento, em especial nos corais que ficam na praia. Assim que chegamos em Akumal, várias pessoas passaram a oferecer o serviço de guia até as tartarugas. Optamos por não contratar, mas esse foi o grande erro da viagem. É que a praia é pública, com entrada gratuita, mas a área em que as tartarugas nadam é demarcada por boias. E só guias credenciados podem levar turistas até lá. Obviamente que eu não sabia disso, ou então teria contratado o serviço, que custa entre 20 e 30 dólares por pessoa – não estranhe, mas nessa parte do México os valores são quase sempre informados no modo gringo.

Alugamos o equipamento para snorkeling num dos quiosque em frente à praia, deixamos mochilas no guarda-volumes do estabelecimento e entramos na água, na área que nos informaram que era permitido mergulhar sem guia. Por duas horas eu vi de tudo – e isso quer dizer areia, algas e peixinhos. Mas nada de tartarugas. Pela cara de decepção dos outros turistas que nadavam por conta própria, foi fácil perceber que essa era a situação geral.

Depois de voltar para casa e pesquisando para escrever este texto, descobri que as coisas mudaram em Akumal recentemente. Antes não havia áreas de mergulho tão demarcadas assim, o que permitia que turistas sem guia avistassem tartarugas com maior facilidade. A mudança, na realidade, foi por um bom motivo. É que o aumento no número de turistas começou a trazer problemas ambientais para Akumal, deixando as tartarugas estressadas e destruindo os corais. Por conta disso, órgãos ambientais chegaram a fechar a praia para snorkeling por quase dois meses, o que se provou ser uma boa ideia, já que a situação ambiental melhorou. Agora, é preciso seguir algumas regras ambientais em Akumal. Regras que são, é bom lembrar, fundamentais para manter vivo as belezas que tornam especial esse cantinho do México.

  • Entrar na praia continua sendo gratuito e não é preciso contratar o serviço de um guia. Mas, caso você queria nadar na área em que as tartarugas se alimentam, é preciso estar com um guia credenciado. Isso é aconselhável também porque o guia ajuda cuidar da segurança do próprio viajante, que precisa estar atento com correntes e para não se chocar com recifes.
  • Só é permitido nadar com as tartarugas de 9h às 17h.
  • O colete salva-vidas agora é item obrigatório. Isso é importante para evitar que você pise sem querer nos corais, que morrem por conta do contato (não pise nos corais em nenhuma hipótese). Por falar nisso, jamais toque ou persiga tartarugas ou qualquer animal marinho. Isso é grave! É preciso manter uma distância de pelo menos três metros do animal. E cuidado com stalkeadas muito longas – depois que estiver por perto por alguns minutos, siga seu caminho e deixe a tartaruga numa boa.
  • Evite o uso de protetor solar ou bronzeadores que não sejam biodegradáveis. Isso vale também para entrar nos cenotes ou em qualquer lugar que seja berçário de vida marinha, principalmente aqueles em que a água fica retida, como piscinas naturais.
  • Leve sua câmera para mergulho, como uma Gopro. Mas convém tomar cuidado com bastões, já que eles são um item a mais para danificar o meio ambiente.
  • E, claro, leve embora com você o seu lixo. Já conchinhas e tudo que pertencer à praia deve continuar na praia.

Dirigir no México

Akumal

Como chegar

A não ser que você pretenda passar todos os seus dias dentro de um resort all inclusive, o que eu não recomendo, a melhor forma de se locomover por Cancún e pela região da Riviera Maya é de carro. Foi o que eu fiz – alugamos um veículo em Playa del Carmen, por um valor bem parecido com o que é cobrado no Brasil. Leia aqui como foi a experiência de alugar um carro no México e saiba como garantir o melhor custo/benefício.

Para chegar em Akumal, basta seguir pela Carretera 307, a principal rodovia da região e que liga Cancún a Tulum, passando antes pela Playa del Carmen e por Akumal. Se você não estiver de carro, aí o deslocamento pode ser de táxi ou de transporte público. Vans brancas, os chamados colectivos, percorrem toda a rodovia, com várias saídas diárias. Basta esperar num dos pontos e fazer sinal quando avistar um dos veículos. O preço é tabelado, mas varia de acordo com a distância total que você percorrerá no veículo – de Playa del Carmen para Akumal, por exemplo, custa 35 pesos por pessoa.

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Onde ficar

Quase todo mundo vai para Akumal no esquema bate-volta, fincando base em Cancún ou Playa del Carmen. Mas eu acho que vale a pena fazer de Akumal uma espécie de base alternativa, passando algumas noites ali e aproveitando para conhecer os cenotes e Tulum, outra cidade de praia que está a 20 km de distância. Existem vários hotéis em frente à praia de Akumal. Os mais bem localizados são opções como o Hotel Club Akumal Caribe, o Del Sol Beachfront e o Las Villas Akumal.

Mas, caso você esteja de carro, minha recomendação é outra: o Akumal Chic at Lot 49, que foi onde eu fiquei. Este hotel/pousada está a três quilômetros da praia, num condomínio fechado. Não tem comércio por perto nem vida noturna, daí a necessidade de carro, mas é fácil ir de lá para a praia, tanto de carro quanto de colectivo. O hotel é muito bom, com piscina, banheira de hidromassagem no terraço, quartos com smartvs e equipamento de cozinha, como micro-ondas, e até alguns apartamentos completos, ótimos para famílias. Ponto positivo também para a vista do terraço, que é linda.

Comida, dinheiro e outras questões

Existem vários restaurantes em frente à praia, mas nem todos aceitam cartões – verifique antes de fazer seus pedidos. Os preços por ali seguem a lógica de Cancún, com a alimentação sendo bem mais cara do que em qualquer outra parte do México. Caso fique sem dinheiro, há ATMs, os famosos caixas eletrônicos, em Akumal. Apenas tome cuidado com as taxas, que podem ser altas. Os ATMs que entregam dólares, por exemplo, cobram dois tipos de taxas, uma delas proporcional ao saque, e definitivamente não valem a pena.

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Akumal

Roteiro ao redor de Akumal

Não deixe de aproveitar para conhecer também Tulum, que está pertinho. Além de praias lindas, essa cidade tem ruínas maias de frente para o litoral. E entre Akumal e Tulum estão alguns dos cenotes mais bonitos do México, como o XCaret, Xel-Há, o Dos Ojos e o Gran Cenote.

Cenotes são formações geológicas típicas do México e em que a água subterrânea acaba aparecendo na superfície, seja na forma de cavernas ou de pequenos lagos. Vale gastar seu tempo visitando um ou dois cenotes, mas tenha em mente que a entrada nos mais concorridos deles, como o Xel-Há, pode custar quase 100 dólares. Nos mais simples, porém, os preços vão de 5 a 20 dólares. E em geral o pagamento é só em dinheiro, inclusive nos mais caros.

Veja também: Chichén itzá, a mais bonita pirâmide maia do México

Cancún, Playa del Carmen e Riviera Maya: como planejar sua viagem

Comida mexicana: pratos típicos do país

Tulum

Quem tiver mais tempo pode aproveitar para esticar até Chichén itzá, mais bonitas ruínas Maias e que ficam a duas horas de Akumal. No meio do caminho ainda dá para passar por Cobá, outra cidade com ruínas Maias, essas no meio de uma mata, e Valladolid, uma cidade colonial.

Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014 voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura. Siga minhas viagens também no instagram, no perfil @rafael7camara no Instagram

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