“Com Amor, Simon”, para derreter corações gays (e não gays também)

Meu sobrinho de 13 anos me contou, com toda a naturalidade, que na sala dele do colégio tem um menino abertamente gay. Não é aqui em São Paulo, onde moro, é numa cidadezica do interior do estado. Me lembrou de quando era eu que tinha duas ou três espinhas na cara, um bigodinho ralo, e os meninos me acusavam de ser gay (viadinho, para ser mais exato). Feito uma partida de queimada, eu me esquivava desesperadamente, na tentativa de não levar essa bolada na cara. Cada vez que alguém puxava o coro do viadinho, eu congelava por dentro.

Pois ver, quase 20 anos depois, um moleque anunciando por vontade própria sua orientação, é bestificante. Não significa que ele não ouça umas groselhas, segundo meu sobrinho relatou. O pessoal tira sarro, e às vezes ele vira o bobo da corte. Mas tem uma diferença imensa aí na forma como isso o afeta: batalhar para ser quem é me soa mais digno do que a minha posição acovardada de negação. Não vou ser tão duro comigo, nem com aqueles que vivem dentro de seus armários, porque cada um que sabe quão difícil é se abrir. O fato é: está menos difícil viver sua vida da maneira que achar melhor. Ainda bem.

cartaz com amor simon

Cartaz do filme

Fui assistir ao filminho água com açúcar “Com amor, Simon” (“Love, Simon”, 110 minutos). Na história, o adolescente americano Simon Stier (Nick Robinson) vive o conflito de ser gay enrustido, até que começa a conversar online e anonimamente com Blue, outro garoto de sua escola que passa pela mesma situação. Sem spoilers, digo que é clichê em cima de clichê, previsível, mira em uma pegada anos 1980 nas músicas, que não se sustenta na estética ou roteiro, tem mil defeitos como filme. Mas, caramba, é aquela película gostosa da Sessão da Tarde que sempre se tratava dos teenagers héteros. Agora existe uma versão gay, uau!

Talvez ele chegue como um alívio para jovens de hoje que se identificam com o dilema de Simon e vire uma referência sobre como passar por essa fase tão difícil. No fim das contas, o marmanjo aqui recomenda o filme porque me debulhei em lágrimas ao recordar como foi a minha saída do armário. Teve pais compreensivos e amorosos, amigos maravilhosos, namorado apoiando, tudo da maneira mais quentinha e confortável, uma realidade rara entre LGBTQI+. Ainda assim, com essa rede de apoio imensa, foi das coisas mais difíceis que eu fiz na vida.

Se você que me lê agora é gay e ainda não conseguiu sair do armário, por qualquer motivo que seja, vá ao cinema ver “Com amor, Simon”. Escute a voz da experiência de quem já está livre há uma década: tudo vai ficar bem, eu te prometo. Bem, não, muito melhor! Você vai conhecer pessoas incríveis, e elas vão te amar do jeitinho que você é. Procure por elas, deixe para trás quem não te respeita. Como disse Mama RuPaul: “Como gays nós podemos escolher nossa família e as pessoas que nos cercam”. Dá um alívio danado não ter um segredo tão cabuloso.

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Se você não é LGBTQI+, também pode ajudar. Seja parte da rede de apoio de alguém que ainda vive no conflito: tente deixar claro que apoia a pessoa sem forçar a barra. Realmente a defenda se alguém falar baboseiras. Vocês têm o poder de transitar em círculos heterossexuais e afrontar o status quo de dentro. Sabe quando aquele tio dispara um “acho que o fulano é meio viadinho”? Então, por favor, rebata. Ainda deve demorar um pouco para que a angústia de tantos Simons fique no passado. Até lá, toda ajuda é bem-vinda — nem que seja de um filme tão bobinho.

Crédito das Imagens: Shutterstock


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Victor Gouvêa

Meu pai sempre me disse que a melhor coisa da vida era viajar. Eu acreditei. Misturei as formações em Turismo e Jornalismo para viver de viajar e contar tudinho. Parti de uma cidadela de 30 mil habitantes para morar em SP, EUA e Alemanha, visitar mais de 40 países (e contando) e acumular as histórias mais malucas.

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