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A noite da matança

O zumbido começou longe. Pá! Um tapa na orelha fez o barulho parar por exatos 5 segundos. Um afastamento calculado antes que ele retomasse a busca pelo local perfeito para conseguir o que queria. Sangue.

A escolha, antes de dormir, era simples. Ou deixavam a janela aberta, ou morreriam de calor. Na verdade, havia uma terceira possibilidade: pagar 5 euros extras, todas as noites, para ligar o ar-condicionado. Mas um casal com sérios problemas de rinite – e alguns problemas de bolso – preferiu não dormir com o ar gelado e artificial ligado. 

As duas primeiras noites transcorreram sem tantos distúrbios. Foi na terceira que a convivência humano-inseto tornou-se impossível.

O corpo coberto com um fino lençol não estava protegido o suficiente. Essas pequenas pragas com asas são seres capazes de adentrar pelos menores espaços ou até mesmo, dizem as más línguas, perfurar através dos fios para chegar até a pele: “os mosquitos, em geral, se guiam pelo calor, odor e CO² que emana da pele e buscam regiões mais expostas do corpo humano para picar. Se não encontram, podem perfurar tecidos e alcançar a pele em busca de vasos sanguíneos.”

pernilongo ataque

Foto: Shutterstock / frank60

Logo, não era só barulho o incomodo. Em pouco tempo, a coceira desesperada também se tornou um dos motivos para o despertar fora de hora.

Os relógios, naquela calma ilha grega, marcavam entre 3h e 4h da manhã quando, cansados de claramente perder a guerra, o casal partiu para o ataque. Fecharam as janelas e acenderam as luzes. Com as próprias mãos, desajeitados e sonolentos, iniciaram a caçada.

O barulho das palmas e tapas nas paredes talvez tenha acordado os vizinhos. Mas isso não impediu o casal de seguir com sua missão. Algum tempo depois, que pode ser calculado em muitos minutos ou verdadeiras décadas, a matança estava concluída. O céu, a essas horas, já começava a ficar mais claro e os primeiros contornos do sol nascendo no mar Egeu se desenhavam.

slide nascer do sol ilha de cos grecia

Exaustos, dormiram as duas horas que lhes restavam.

Acordaram mal-humorados e coçando. As testemunhas da batalha na madrugada não se resumiam aos pequenos calombos na pele. Nas paredes, estava a prova maior da matança que ocorrera. Não só os corpos amassados de pernilongos, mas manchas de sangue do casal se acumulavam, nas paredes e até no teto. Contaram. No total, mais de quinze manchas vermelhas e corpos despedaçados pela suite.

Sem ter o que fazer, fugiram da cena do crime. Arrumaram as malas e partiram, deixando para trás, e na própria pele, as marcas da matança na madrugada.

Nunca souberam como reagiu a pobre dona da pousada ao entrar no quarto mais tarde, naquela manhã, para se desfazer dos corpos.

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Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 34 anos e atualmente moro na Inglaterra, quando não estou viajando. Já tive casa nos Estados Unidos, Índia, Portugal e Alemanha, e visitei mais de 45 países pelo mundo afora. Além de escrever, sempre invento um hobbie novo: aquarela, costura, yoga... Siga minhas viagens em @afluiza no Instagram.

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4 comentários sobre o texto “A noite da matança

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