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Quase de Férias com o Ex

Às vezes a gente tem tempo, em outras, com sorte, tem dinheiro. Era o que pensava Aline*. O que normalmente fazemos é vender nosso tempo em troca de dinheiro. Ela, que mora em Portugal e queria passar as férias no Brasil, resolveu trocar seu precioso tempo por uma passagem barata. Com a ajuda de uma amiga agente de viagens, conseguiu uma passagem três vezes mais barata para cruzar o Oceano Atlântico no final de ano, mas sairia de Lisboa, com conexão em Madrid e em Nova York até finalmente chegar ao Rio.

Até aí tudo bem. Mais de 24 horas depois, ela estava na casa dos pais aproveitando o verão. Num dos reencontros com os amigos, logo nas primeiras semanas, Aline contou casualmente que, depois de voltar para Portugal, passaria ainda uma semana na Itália, no final das férias, e recebeu de volta o olhar suspeito de uma amiga. A notícia era nada animadora: “o Bernardo* também vai para lá, de lua de mel. Eu não sei exatamente quando ele embarca”, disse a amiga, mas estimou mais ou menos a semana.

Bernardo era um ex problemático, que havia partido o coração de Aline alguns anos atrás e pouco depois engatado um romance com outra e que culminou num casamento – daí a lua de mel.

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Apesar de se dar conta que eles viajariam em datas muito próximas, Aline concluiu que não estariam no mesmo voo ou na mesma cidade. Ela tinha a louca conexão e depois seguiria para Milão. E ele provavelmente embarcaria para Roma. E assim seguiu suas férias tranquilamente, sem voltar a pensar no constrangimento de trombar com o ex e a nova esposa.

Quando chegou o dia do retorno, um domingo, Aline foi para o aeroporto pronta para a sua longa jornada. A surpresa desagradável começou quando seu voo atrasou. Um hora virou duas, que viraram três, depois quatro, até que a companhia aérea disse aos ansiosos passageiros que sentia muito, mas o voo só sairia no dia seguinte. E, assim, Aline e o resto dos seus companheiros de voo tiveram que voltar para casa. Só seguiriam viagem bem no dia em que o ex partiria para sua lua de mel, do mesmo fatídico aeroporto.

Tudo o que Aline conseguiu pensar na hora foi: “Meu Deus do céu”. E praticamente passou a noite em claro bolando um plano de ação. “Eu tenho uma informação privilegiada. Sei onde ele vai estar e posso descobrir quando”, pensou ela. “Vou usar isso a meu favor.”

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Ao chegar no aeroporto, muito mais cedo que o necessário e munida de sua tal “informação privilegiada”, Aline correu para o painel de voos e checou os horários dos aviões partindo para a Itália. Bingo! Havia um voo para Roma às 17h. Foi, então, direto para o guichê da empresa aérea, sem olhar para os lados, para não dar chance para o azar. Mas finalmente respirou tranquila: seu voo de conexão em Nova York partiria às 13h.

A tranquilidade, porém, durou pouco. É que às vezes a lei de Murphy vem meio ao contrário. Ao olhar a reserva de Aline, o atendente da companhia aérea, percebendo o destino final como Lisboa (de onde ela seguiria mais tarde para Itália), ofereceu para ela um voo direto ao invés das várias escalas. Ela respondeu feliz: “Por favor!”, e ainda arrematou com uma brincadeira: “E se for de executiva, melhor ainda”.

Nunca uma brincadeira deu tão certo, porque Aline ganhou uma passagem de executiva direto para seu destino final. A verdade é que com o cancelamento do voo no dia anterior e vários passageiros nervosos e ameaçando processar a empresa, o upgrade de classe foi de brincadeira à realidade com muito mais facilidade do que qualquer um esperaria.

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Mas já diria o ditado: “alegria de pobre dura pouco”. No caso, o check-in e a entrada na área VIP só começavam duas horas antes do voo, que partiria por volta das 19h.

De um lado, vitória. Do outro, o retorno da preocupação com as “pessoas felizes indo para a lua de mel”. Ela conferiu onde era o check-in de Roma, e ficou o mais longe possível daquela área do aeroporto. De posse do voucher que tinha recebido da empresa por conta dos atrasos, comprou um açaí tamanho “esconda a minha face” e ficou sentada lendo suas revistas.

Bem quieta, no seu cantinho, até às 17h, quando finalmente já era seguro circular em paz pelo aeroporto.

Só depois disso tudo é que Aline embarcou e e teve um voo incrível junto dos mais afortunados, satisfeita não só com os luxos à sua volta, mas com a felicidade de ter evitado o rei das tortas de climão – e graças à sua “informação privilegiada”.

*Os nomes da história foram trocados para preservar a identidade dos envolvidos


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Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 30 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite "morar no aeroporto". Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo. Siga @afluiza no Instagram

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