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Cedo ou tarde os cabelos brancos chegam

Da minha infância, tenho uma memória inesquecível. Minha mãe deitada no meu colo enquanto eu mexia nos cabelos dela, para um lado e para o outro, numa caça ao tesouro por aqueles fios brilhantes, prateados, que ainda eram esparsos na cabeleira negra. Cada fio de cabelo branco me garantia um centavo. Eu não me lembro se cheguei a juntar um real. Sequer me lembro de ter sido paga, mas não me esqueço do processo de procura pelos fios, não só na cabeça da minha mãe, mas também das minhas tias e da minha avó. 

Essa lembrança veio forte quando me peguei fazendo a mesma busca de frente para o espelho. Com 30 anos, ainda tenho poucos cabelos brancos escondidos na minha cabeleira negra e cacheada. Mas basta fazer o mesmo processo de jogar o cabelo de um lado para o outro, aquela caça ao tesouro da minha infância, que encontro os fios prateados brilhando dentre os demais.

Às vezes, me pego admirando o contraste. Penso na cabeça completamente branca do meu avô, tão bonita. Em outras, principalmente quando é aquele fio que constantemente volta bem na beira da minha testa, tento arrancar como se fosse uma peste, reclamando internamente que não tenho as mãozinhas de uma criança para pagar um centavo.

Leia também: Pensamentos sobre a chegada dos 30

procurando fios brancos na cabeça

Por Nina Buday / Shutterstock

Assim, tenho uma relação complexa com esses fios sem cor, que representam o primeiro passo em direção a um futuro que inevitavelmente virá. Me divido entre a mulher que acredita na liberdade para sermos como somos, e nos amarmos apesar das convenções sociais, e aquela que passou uma vida inteira aprendendo que cabelos grisalhos não ficam bem para representantes do sexo feminino. 

Quantas mulheres você conhece que assumiram os cabelos brancos? Eu consigo contar nos dedos aquelas à minha volta, apesar de hoje haver um movimento maior para isso. Não vale lembrar apenas das mulheres mais maduras, acima dos 60 anos. Pense aí também quantos dos seus amigos homens, que desde os 20 ou 30 já têm vários fios brancos. Os meus nunca se preocuparam muito com isso. Talvez, volta e meia se incomodem com alguma piada. Mas não são chamados de desleixados por aceitarem a forma como naturalmente seus corpos se transformam com a passagem dos anos. 

Para os homens, os grisalhos podem ser até mesmo uma honra, um marca visual de sua maturidade, ou até como parte do seu charme – o inverso não é verdade. Conheço várias mulheres, inclusive eu, que vivem essa dualidade de questionar e se revoltar com as imposições sociais de que mulher não pode envelhecer, mas, igualmente, se sentem completamente inseguras e com vontade de esconder as marcas do tempo que cedo ou tarde, aparecem.

fios de cabelo grisalhos

Por Koy Jung / Shutterstock

Ainda não decidi o que farei com os meus, quando chegarem de verdade. O que cada uma fará com seus fios brancos – arrancá-los, pintá-los de loiro, preto, roxo, ou deixá-los crescer naturalmente – deveria ser uma escolha pessoal. Mas é difícil falar em escolhas pessoais quando, enquanto meu avô é conhecido como o “senhor dos cabelos de nuvem”, eu nunca vi a minha avó, hoje com mais de 80 anos, com mais de poucos fios brancos na cabeça. 

Para quem quer inspiração de mulheres de todas as idades em processo de deixar os cabelos brancos, recomendo visitar o instagram da Grombe e o Jovens Grisalhas. Ambos tem fotos, mensagens e dicas de mulheres passando pelo processo de “embranquecimento” da cabeleira.


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Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 30 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite "morar no aeroporto". Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo. Siga @afluiza no Instagram

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8 comentários sobre o texto “Cedo ou tarde os cabelos brancos chegam

  1. Eu vivo essa dualidade também, Luiza. Gostaria de poder assumir os fios brancos e deixar de ser escrava da coloração, mas ao mesmo tempo vem a insegurança e o medo de ser rotulada como desleixada… Rsrs
    Esse tabu dos cabelos brancos e outros tantos, são fantasmas que assombram, principalmente a nós mulheres…

    1. É difícil, mas temos que aprender a conviver com o nosso corpo como é. Odeio essa palavra: “desleixada”. Me dá ânsia de vômito só de pensar que as pessoas chamam as mulheres disso se não estão impecalvemente dentro de um padrão impossível

  2. Luiza boa noite! Te acompanho faz tempo no blog e agora no Instagram que já me trouxeram excelentes informações para minhas viagens. @afluiza preciso de sua ajuda: minha filha mora na Alemanha e vai ter bebê em setembro. Pretendo ficar com ela 5 meses. Ela tem a identidade alemã definitiva e pretendo assim que chegar procurar na cidade o órgão responsável pelos estrangeiros e pedir autorização para ficar lá além do período de 90 dias. Minha dúvida é se posso comprar minha passagem de ida e volta com 150 dias e seguro viagem também. Como passar na imigração? Me ajuda pois o consulado Alemão não me responde. Obrigada

    1. Os meus cabelos brancos chegaram aos 25 anos como herança genética paterna. Nunca tive uma relação boa com eles mas não uso tintura, uso somente tonalizante sem amônia a 30 anos. Adoro seus artigos. 😘

    2. Oi Maria Emilia,

      Teoricamente não, você tem que comprar a passagem para volta em 90 dias. Meu conselho é que você compre uma passagem numa tarifa que te permita trocar a volta sem cobranças extras. E o seguro, você pode fazer duas coisas: comprar um que te permita estender o período de cobertura durante a viagem ou fazer duas apólices, uma para os 90 primeiros dias e outra para o período seguinte. Aí precisando, na imigração você só apresenta a primeira.

  3. Opa, me identifiquei muito com essas reflexões!
    Fico indignada com a diferença de julgamento entre um homem ‘jovem’ grisalho e uma mulher da mesma idade e na mesma situação… Os meus primeiros fios brancos chegaram beeeem antes dos 30 e alguns eu arrancava, outros ignorava… E dizia pra mim mesma que ia assumir os grisalhos quando eles chegassem com tudo. Hhahaah (rindo de mim mesma). Agora, aos 31, tenho bem mais que “alguns” fios brancos., e de vez em quando eles ficam à mostra por meses, mas se aparece algum compromisso social ou de trabalho “mais sério”, já aderi ao tonalizante. Falo que se os brancos aparecessem bonitinhos, como a mecha da Cruela ou da Vampira, eu os deixaria quietinhos, mas já nem sei se é verdade. O olhar de “que desleixada!” da sociedade (ou da família rs) acabou sendo mais forte do que eu.
    Mas adorei conhecer o Jovens Grisalhas! Acompanhando pra, quem sabe, ficar mais forte que a sociedade rsrs

  4. Os meus chegaram antes dos 30. Com 31 já estavam absolutamente fora de controle. Agora com 34, já nem comento… rs
    Eu nunca tingi. No começo, enquanto ainda era viável, arrancava na pinça, agora não rola mais. Decidi aceitar pq me conheço: não sirvo pra ser escrava de salão de beleza. Qdo corto os cabelos, sempre aviso a cabeleireira pra fazer um corte onde eu não precise de secador, pq sei q horas na frente do espelho alisando as madeixas não são pra mim. Sempre fui assim.
    Agora, tenho total consciência de q pra mim é mais fácil pois há 8 anos não moro no Brasil. A Nova Zelândia é um país q aceita com muito mais facilidade os q não se rendem à ditadura da beleza. Nos 6 anos e meio q morei na NZ, se paguei pra fazer as unhas 3x foi muito. No Brasil, ia toda semana, e qdo estou no país de férias, me pego meio q me rendendo à esses velhos hábitos.
    A pressão é grande, mas vou seguindo do meu jeito. Por hora, não quero tingir, e espero q eu continue assim. Mas se mais pra frente eu mudar de ideia, tudo bem tb. Pra mim, o importante é estar feliz e plenamente em paz e satisfeita com a decisão 🙂

    1. Oi Caroline,

      Me identifiquei com tudo o que você falou no comentário (exceto a parte de já estar com os cabelos todos brancos). A pressão no Brasil por ser “perfeita” é muito maior do que eu já experimentei em todos os outros lugares que já morei.

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