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Mascarado! Olhe em volta, tem outra máscara atrás de você

Cada ida ao supermercado é um baile de máscaras. Um muito estranho, sem música, em que olhamos desconfiados uns para os outros e o dress code determinado pelos infectologistas não é seguido com rigor. Nesse baile, entramos de penetras, somos desgovernados pelo rei Momo e estamos cansados, mas sem hora para ir embora.

As festas mascaradas e o teatro Commedia dell’arte surgiram na Itália do século 16 e se espalharam pelo mundo, chegando ao carnaval do Brasil. Infelizmente, o baile de máscaras que vivemos hoje também teve uma origem – sinistra – na Itália. E os personagens lembram aqueles dos bailes italianos de antigamente.

Os pierrôs garantem um show de trapalhadas digno das melhores tragicomédias. Como o sujeito que espirra, tira a máscara, coloca no bolso, passa a mão no rosto e depois cumprimenta o amigo com a mão (eu vi). Circulam com a máscara embaixo do queixo, pendurada na orelha ou cobrindo apenas a boca, com o nariz de fora.

Ainda tem aqueles arlequins que se recusam a entrar no baile mascarado, gerando grandes celeumas, às vezes com trágicos fins. Não se sabe o motivo de tamanha aversão à máscara – até porque a exigência da vestimenta está bem clara no convite.

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baile de mascaras

A Performance by the Commedia dell’Arte, Claude Gillot, França, 1673 – 1722

As colombinas ainda não sabem ao certo o que fazer. A moça usa uma máscara de criança, cobrindo da beirada do lábio inferior à ponta do nariz. Num baile dos Estados Unidos, uma digna senhora recortou o buraco do nariz na própria máscara, para finalmente poder respirar. Mas o melhor foi a mulher do Rio de Janeiro que retirou a própria calcinha, na entrada do supermercado, e colocou na cara, gerando conversas pelo baile todo.

Assim como no Carnaval de Veneza, também temos por aqui o concurso para la maschera più bella, ou a máscara mais bonita. As candidatas de 2020 são as grandes grifes, que cobram pequenas fortunas por máscaras de suas marcas. Enquanto recebem textos de repúdio pela ganância sem noção, tem vendas esgotadas nos sites.

Também concorrem aqueles que querem dar um toque especial no seu EPI obrigatório, acrescentando pedras, rendas ou outros itens decorativos. E que sem dúvida enfeitam o baile, mas são uma fonte certa de acúmulo de micro-organismos – e desses queremos nos defender, não aproximar.

Já nossos médicos da peste, infelizmente, não têm acesso ao que precisam. Como o rei nu, às vezes enfrentam multidões. Mas estão sem trajes e equipamentos adequados, prometidos por bandidos que receberam baús cheios de riquezas, mas entregaram apenas promessas feitas de ar.

A referência para o título deste texto é o segundo ato de O Fantasma da Ópera. Como no nosso baile de máscaras, traz também o anúncio de tragédias inimagináveis, reveladas pelo fantasma mascarado e alimentadas pela ganância de quem se diz dono da festa.

Masquerade! Paper faces on parade
Masquerade! Hide your face so the world will never find you
Masquerade! Every face a different shade
Masquerade! Look around, there’s another mask behind you

Mascarado! Faces de papel desfilando
Mascarado! Esconda sua face para que o mundo nunca lhe encontre
Mascarado! Cada face uma cor diferente
Mascarado! Olhe em volta, tem outra máscara atrás de você (tradução livre)

 

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Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 34 anos e atualmente moro na Inglaterra, quando não estou viajando. Já tive casa nos Estados Unidos, Índia, Portugal e Alemanha, e visitei mais de 45 países pelo mundo afora. Além de escrever, sempre invento um hobbie novo: aquarela, costura, yoga... Siga minhas viagens em @afluiza no Instagram.

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