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Excesso de planejamento em viagens

Tem gente que monta roteiro de viagem assim: 7h da manhã – acordar. 30 minutos para o café da manhã. Caminhar por 15 minutos até o Coliseu. Ficar na fila por 20 minutos. Visitar o monumento por 30 minutos. Tudo cronometrado, calculado, previsto e revisto. Algumas vezes, esse tipo de roteiro pode vir acompanhando de uma maratona. 15 dias na Europa visitando umas 7 cidades. Ou seja, uma média de 3 dias por cidade, ou menos, porque não estamos contanto aí o tempo de deslocamento.

Desculpe se a carapuça serviu, mas tem muita gente que faz isso. Planejamento de viagem em excesso e/ou um ritmo de viagem alucinante. Os dois casos levam ao mesmo resultado: estresse. E assim, aquela viagem tão pensada e organizada por tanto tempo pode ser um pouco frustrante.

Mas eu não quero dizer neste post que existe um jeito certo de viajar e muito menos que o meu jeito é o certo (até porque, a equipe do 360meridianos padece de outro mal: a falta de organização). O que eu quero fazer é uma reflexão sobre como o excesso de organização pode ser tão ruim quanto a total ausência dele.

buenos aires san telmo

Vamos começar pensando que a maioria das pessoas viaja nas férias. Ou seja, é aquele esperado período do ano quando a gente pode finalmente se desligar do trabalho. Essa pessoa de férias resolve que vai fazer a primeira viagem internacional junto com a família, sei lá, para a Europa. E, já que está indo para lá, decide que quer ir a Paris, Roma, Londres, Lisboa, Madrid, Berlim, Budapeste e Amsterdam, de uma tacada só, em 15 dias. Esse é o caso mais comum. Essa viagem vai ser ruim? Provavelmente não, são lugares incríveis. O problema é que a pessoa não vai realmente conhecer nenhuma dessas cidades. Ela vai passar por essas cidades numa correria desenfreada e cansativa. Sim, o cansaço, acredito eu, é o maior dos problemas.

Para fazer caber no roteiro a visita a tantos lugares será necessário um itinerário apertado, o que, invariavelmente, envolve andar muito por aí. E andar é ótimo, porque você vê os lugares, ao invés de estar fechado no metrô. Mas, ao mesmo tempo, quando você tem 2 dias para ver tudo em Roma, se você estiver andando por uma rua e de repente achar um monumento de 100 a.C., seu cronograma vai estar ferrado. Além disso, seus pés podem doer, ou pode surgir uma bolha no dedão da sua esposa. E aí, como fica o ritmo de caminhadas?

Além disso, uma outra questão importante é o deslocamento. O processo de arrumar a mala e trocar de cidade é muito estressante, seja de carro, ônibus, trem ou avião. Nesses momentos, os perrengues costumam acontecer. Pode ser pneu furado, engarrafamento, trem cancelado, bagagem extraviada, atraso para chegar na estação… E aí, se o seu avião marcado para sair às 14h só saiu às 18h toda a tarde que você planejou passar em outra cidade foi perdida.

Outro perfil de planejamento em excesso é aquele que não necessariamente quer ir em muitas cidades num curto período de tempo, mas aquele que, como exemplifiquei no inicio do post, quer cronometrar cada minuto do dia numa cidade, igual àquelas excursões da escola. A pessoa chega, por exemplo, a Buenos Aires pela primeira vez e organiza minuto a minuto cada uma das atrações que vai ver, o tempo que vai levar para chegar em cada lugar, quanto tempo vai sentar para comer. Pior que no exército. O problema disso é que as viagens tem uma tendência a não seguir o previsto. A atração pode fechar sem aviso. O ônibus pode entrar de greve, pode haver um feriado municipal do qual você não sabia. Ou ainda, isso te impede de parar espontaneamente num café charmoso que você achou numa esquina e desfrutar ali de duas horas agradáveis ouvindo uma música boa e comendo doce de leite.

luiza mapa itália

Eu disse que o resultado do planejamento em excesso era estresse exatamente porque ele não permite, em momento algum, parar e descansar. Até o descanso está friamente calculado na planilha: “tarde livre”. Ele não dá muita margem para descobertas e uma necessária pausa para respirar e absorver tudo o que estava vendo.

Quem me motivou a escrever este post foi uma amiga muito querida que estava pensando em dar a volta ao mundo. Porém, depois de voltar de uma viagem pela Europa, me disse que tinha desistido porque não aguentaria o ritmo. A questão toda é: viajar não precisa ser cansativo demais e nem organizado de forma tão engessada. Uma viagem de 15 dias ou um mês vai ser mais corrida, sim, do que uma volta ao mundo de 6 meses a um ano. Mas o importante, eu acho, é que a volta da viagem deixe sempre um gostinho de quero mais e não de “ainda bem que acabou”.

 


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Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 30 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite "morar no aeroporto". Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo. Siga @afluiza no Instagram

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14 comentários sobre o texto “Excesso de planejamento em viagens

  1. ola…Pretendo fazer uma viajem pela Europa em maio de 2016… Dublin, Caminho de Santiago, Portugal, França e Italia estão nos meus planos… poderiam me ajudar a colocar uma ordem nisso? rsrsrsrs ah, gostaria de ver os campos de alfazema tb… se puderem me ajudar, agradeceria… abço

  2. Eu acho um absurdo o povo falar “vou fazer 10 países em 20 dias”. Primeiro que “fazer” eu já acho esquisito, mas tudo bem. Só que parece que a pessoa acha que conhecer um país é passar 2 dias só na capital, tirar foto na frente dos pontos turísticos e pronto.

    Eu sou nova nas viagens internacionais, fui pra Buenos Aires ano passado e fiz um roteiro bem cheio, porque era muita coisa pra ver e eu tinha 5 dias, mas foi ótimo, não acordava super cedo e quando dava na telha a gente parava numa pracinha com um lago, estendia um lençol e fazia um piquenique! No Peru esse ano, foram 13 dias, com 2 cidades base, alguns passeios, e já achei cansativo.

    Sobre os horários e o tempo pra ir de um lugar ao outro, tempo que se gasta em média nas atrações, isso eu coloco no roteiro preliminar sim, só pra ter noção do tempo que vou precisar em cada lugar, porque fazer roteiro sem saber isso pode ser uma fria, você acha que dá tempo e coloca 3 coisas numa tarde, e quando chega lá vê que não dá nem uma direito! Aí, já na viagem, vou adaptando como der ou conforme o humor e a disposição no dia!

    1. Oi Bethânia,

      Concordo com você. Esse negócio de “fazer X cidades” é muito estranho mesmo.
      Eu em geral não calculo muito o tempo que vou gastar, mas faço uma lista dos lugares que quero muito ir. Em geral dá certo, rs

      bjs

  3. Luiza, adorei o texto! Sempre tenho tendência de querer ver 1 milhão de coisas por dia e acabo ficando super cansada nas viagens. Mesmo assim volto com gostinho de quero mais e sempre acho que 30 dias nunca são suficientes. To precisando muito de um ano sabático!!

    Leio zilhões de blogs de viagem e tenho vários que adoro, mas definitivamente o 360 meridianos é o meu preferido!! Adoro a maneira como vocês escrevem, principalmente os post sobre perrengues…

    Bjs!!

  4. Excelente post!
    Embora eu sofra de ansiedade e queira ver tudo rápido com medo que não dê tempo, eu acho fantástico não seguir um roteiro muito engessado e não encarar a viagem como uma obrigação de fazer tal coisa em tal hora. Por isso que eu gosto tanto de viajar sozinha, pois posso me permitir parar num café por horas ou visitar 87 atrações no mesmo dia.

    Beijo!

    1. OI Mariana,

      Eu sou muito ansiosa, mas um exercício que faço durante as viagens é deixar essa ansiedade de lado e curtir o momento. Acho que acabo voltando para a “vida real” mais tranquila, depois.

      bjs

  5. Já cometi muito esse erro, mas desse mal não sofro mais. Gosto de ter um roteiro mental para me basear sem muito estresse, só para ter noção de espaço, das atrações que ficam próximas uma das outras, para otimizar o tempo e não ficar que nem peru tonto. Pesquiso sobre os lugares e amo a preparação da viagem tanto quanto ela, mas escolho minhas prioridades e todo resto é lucro. Detesto ter obrigação em viagem, por isso acordar sem despertador é meu lema número um de férias, e evitar o excesso de reservas é o número 2, embora na Europa não reservar seja quase impossível para quem faz uma viagem econômica. Hoje em dia eu coloco 1 dia mais do que costuma ser o “tempo ideal” em cada cidade nas viagens longas, e nas de final de semana que fazemos por aqui eu vejo o que dá e no meu tempo. Sem nenhuma crise de deixar para trás o que não tive tempo para visitar.

  6. Eu começei com essa ideia de viajar o mundo, mas estou indo relativamente devagar, comecei ano passado em outubro, mas fiquei 9 meses na Índia para “aprender a viajar” e conhecer esse país tão complexo, assim como os autores dos meridianos. E agora estou no Sri Lanka. Mas a principal dica que eu dou é ACEITAR que você não vai ver tudo e assumir que se você tivesse 2/3 do seu tempo, o que visitaria. Assim você pode aproveitar muito mais. O problema disso tudo é aprender que a grama do vizinho não é mais verde que a sua, porque você não vai olhar para verificar!! 🙂

    1. Oi Leandro,

      Acho que vocÊ resumiu tudo. Realmente, a questão é aceitar que não dá para ver tudo. Além disso, sempre é possível voltar e ver o que não deu da primeira vez.

      bjs

  7. Por isso que eu fiz um semi-planejamento da minha próxima viagem, que só irá ocorrer no segundo semestre de 2014. Vou passar um mês na Coreia do Sul. Em Seul, onde consegui ver um pequeno “one-room” por um preço legal e ficarei lá. Visitarei outras cidades, mas com a segurança de poder deixar minhas coisas no apêzinho e sair apenas com o necessário. Não é algo muito comum, mas julguei prudente fazer em um local que quero visitar, conhecer e mergulhar a fundo na cultura e no dia-a-dia.

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