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Atlas: Buenos Aires, Argentina

Visita à Casa Rosada, em Buenos Aires

Se os argentinos querem protestar, eles vão lá. Se querem comemorar também. Essa é a Plaza de Mayo, principal espaço público no centro de Buenos Aires e o local onde a cidade foi fundada, em 1580. Tudo bem que naquela época o nome era outro – Plaza Mayor, bem à moda espanhola. O nome mudou depois da Revolução de Maio de 1810, o começo da Independência da Argentina. Nesse tempo todo, vários prédios históricos marcaram presença na praça, com destaque para um, conhecido no mundo todo: a Casa Rosada, sede do poder executivo do país.

A primeira vez que eu vi a Casa Rosada foi sem querer, logo no primeiro dia como morador temporário de Buenos Aires. Ao andar pelas imediações da Calle Florida, procurando por uma boa cotação para trocar dólares por pesos, dei de cara com o local do trampo da Cristina, a então presidente da Argentina. “Olha, não é que é a Casa Rosada!”

Acho que é assim que a maioria dos turistas se encontra com ela, que está ali, tão pertinho de tudo, numa região onde há uma concentração absurda de estrangeiros por metro quadrado. A maioria deles faz o óbvio: corre para a Praça de Mayo e tira uma foto com a Casa Rosada de fundo. Mas é possível fazer mais – dá para entrar no local de trabalho dos presidentes argentinos. Sim, só local de trabalho – desde meados do século 20, a moradia oficial de presidentes é a Quinta de Olivos.

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A visita à Casa Rosada

É exatamente por isso que é possível visitar a Casa Rosada: de segunda a sexta o presidente está no prédio, trabalhando, mas aos sábados, domingos e feriados, não. Nesses dias o prédio é aberto aos turistas. E de graça – o único inconveniente é ter que reservar o passeio com antecedência no site visitas.casarosada.gob.ar. As visitas guiadas começam às 10h e terminam às 18h, sempre de 10 em 10 minutos, em espanhol, português e inglês.

Depois que você passa pela fila da segurança já dá para curtir um pouco do prédio. O salão que recebe os visitantes é uma galeria aos heróis sul-americanos e conta com quadros de vários deles.

Evita Peron Foto

O guia nos levou a várias salões importantes do prédio: dos Pintores do Bicentenário, da Evita Péron (onde há um vestido que foi usado por ela), dos Povos Indígenas, das Mulheres Argentinas (o local onde a Cristina Kirchner costumava fazer pronunciamentos oficiais) e alguns outros.

Interior da Casa Rosada

Interior Casa Rosada

Salão Casa Rosada

Um dos pontos altos da visita é quando passamos pela varanda da Casa Rosada. Dali, olhando para multidões reunidas na Plaza de Mayo, presidentes e outras personalidades argentinas fizeram a história acontecer. O mais famoso discurso, é claro, foi o feito por Evita Peron, então Primeira Dama, lá na década de 1950.

Plaza de Mayo, Buenos Aires

Por fim, a visita passa no gabinete da presidência. Depois de circularmos por uma série de corredores, chegamos a uma sala grande, mas sem nada de muito imponente. Antes que você ache as principais decisões do país são tomadas ali, pense duas vezes. Aquela é só a sala de um secretário mesmo. A da presidenta está logo a seguir. E é grandona, como você pode ver na foto abaixo (que eu não pude tirar, mas por sorte está disponível na Wikipedia).

Visita a Casa Rosada, Argentina

Gabinete da Presidência (Foto: Belgrano, Wikimedia Commons)

Um pouco de história

Um olhar mais atento deixa claro que a Casa Rosada tem um formato assimétrico. O motivo? Tinha um prédio dos Correios no meio do caminho. Durante o século 19, um imponente prédio foi construído ao lado da Casa Rosada. Tão imponente que a sede dos carteiros passou a chamar mais atenção do que a sede da presidência. Não que isso seja injusto, claro, mas também era óbvio que não poderia ficar assim. Por isso, um arquiteto foi contratado para juntar os dois prédios. Um arco foi feito entre eles e assim a Casa Rosada engoliu a antiga sede dos Correios de Buenos Aires.

Foto antiga da Casa Rosada

Prédio da Casa Rosada e dos Correios, em 1885 (Foto: Archivo General de la Nación Argentina)

Mas por que ela é rosa? Há controvérsias. Nessas três semanas aqui em Buenos Aires, já ouvi duas versões (e tem quem garanta que ambas são verdadeiras). Para uns, a cor rosa vem da união do branco e do vermelho, as cores de dois partidos políticos rivais: os  unitarios e os federales. Durante parte do século 19, esses dois partidos travaram confrontos violentos. O rosa, portanto, teria sido uma forma de mostrar a união do país depois do fim da Guerra Civil.

Já a outra versão, um pouco mais aceita, garante que o rosa surgiu da mistura da tinta branca com sangue de vaca, que na época era usada na pintura de várias casas – a substância ajudava na preservação do prédio. Hoje, no entanto, a parede é de tinta rosa mesmo. E fica ainda mais bonita durante a noite, quando uma iluminação deixa tudo mais rosado.

Casa Rosada de noite


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Rafael

Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014 voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura. Siga minhas viagens também no instagram, no perfil @rafael7camara no Instagram

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8 comentários sobre o texto “Visita à Casa Rosada, em Buenos Aires

  1. Que lindo! Já fui duas vezes a Buenos Aires e nunca consegui fazer o tour guiado da Casa Rosada 🙁

    Mas to confiante que da próxima vez que visitar a cidade eu vou! Falando nisso, to pensando em fazer um curso de espanhol de uns 2 meses na Argentina, ao final do meu ano sabático que se iniciará neste outubro. Vocês por acaso sabem se eu precisarei de visto de estudante ou algo do tipo? Porque como estarei viajando, vai ser mais difícil estudar lá se tiver q lidar com este tipo de burocracia…

    Obrigada!

  2. Me amarrei nas fotos, Rafael. Pena que não fiz o passeio quando visitei a cidade, mas fica pra próxima.

    PS: Trampo da Cristina foi 10!

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