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Atlas: Índia

7 coisas que eu não encontrei na Índia

O Taj Mahal, as praias de Goa, os templos, Deuses e rios sagrados… não falta o que ver na Índia. Se os pontos positivos do país atraem, não dá pra negar que estrangeiros sentem um enorme choque cultural por causa das coisas simples que não existem por aqui. Antes de desembarcar, muitos gringos temem a falta do banheiro ocidental, por exemplo.

O famigerado banheiro indiano, um buraco no chão onde, ao contrário do restante do país, impera o vazio, parece mesmo assustador. Ali há apenas um singelo e finito nada entre o indivíduo e seu produto, e convenhamos que isso não é exatamente confortante. Graças a Shiva, esse banheiro não é tão onipresente assim e o vaso sanitário está em muitos lugares. Mas outras coisas, muitas simples, quase não existem na Índia. Vejamos sete delas.

vaca na india

Big Mac

Mochileiros sempre podem recorrer a ele, seja numa pequena vila sul-africana ou numa metrópole do sudeste asiático. Não gostou da comida local, está sem dinheiro ou simplesmente quer se empanturrar com uma alimentação sem qualquer valor cultural? Vá ao McDonald’s e peça um Big Mac, que é igual em todos os 119 países onde a rede de fast food funciona. Todos, exceto na Índia. Aqui o mantra “dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, picles e pão com gergelim” é ofensa aos deuses. Ou melhor, à vaca.

E como aquela história de que o Big Mac é feito com carne de minhoca não colou aqui, o McDonald’s desenvolveu um cardápio especial, completamente sem carne de boi. Um desafio e tanto para a empresa que mais consome carne bovina no mundo. No lugar do Big Mac está o Chicken Maharaja Mac, feito com carne de frango e muita pimenta, óbvio. Outras alternativas são o McChicken, o McFish e o astro local, o McVeggie.

Chinken maharaja mac

Fila indiana

Na Índia não existe fila indiana. E não é porque aqui qualquer alinhamento de pessoas é chamado somente de fila e nada mais. A expressão fila indiana vem dos índios nativos das Américas, e não da terra das especiarias. Era uma estratégia de guerra em que eles se deslocavam sempre pisando nas pegadas deixadas pelo companheiro. Dessa forma o último homem apagaria os passos do restante do grupo. Ok, tudo bem, mas quer dizer que na Índia as pessoas não fazem fila? Até fazem, mas de forma diferente.

Algumas vezes a fila pode ser dividida por sexos, com mulheres de um lado e homens do outro. Nesses casos a proximidade em que as pessoas ficam umas das outras pode assustar ocidentais. Mas, em geral, o que rola mesmo, das lojas às filas de ônibus, é um monte de gente tentando alcançar desordenadamente o mesmo objetivo.

Fila Rock Garden - Chandigarh

Coleta de lixo

Você coloca o saco de lixo na porta de casa e aguarda até o caminhão de coleta da prefeitura passar. Sente e chore. Nunca ouvi falar de serviço público de coleta de lixo na Índia, e o motivo é simples: isso não existe. Pelo menos não em Chandigarh, onde moramos. E olha que Chandigarh foi apontada pelo Ministério de Desenvolvimento Urbano como a cidade mais limpa da Índia…

Mas é claro que o lixo não vai ficar acumulado perto das casas dos ricos ou dos membros da classe média, que aqui representam cerca de 10% da população. Para isso há os carroceiros, que passam, em dias alternados, recolhendo a bagunça. A senhora que recolhe o lixo na minha rua cobra 40 rúpias (R$ 1,40) pelo serviço. Os mais pobres não pagam por isso – afinal alguns deles estão justamente trabalhando no setor – e têm que conviver com lixo acumulado na porta de casa.

lixão em chandigarh - India

Fechadura nas portas

Um morador da Índia jamais perderá as chaves de casa. É que as portas daqui não têm fechadura, mas um trinco por fora e outro por dentro. Ou seja, para realmente trancar a casa, você primeiro vai precisar de um cadeado. E só vai poder usá-lo quando a casa estiver vazia, caso contrário quem estiver dentro não consegue sair. Se quiser adotar o espírito fanfarrão, rola de trancar o coleguinha de propósito, mas a parte ruim é que ele pode revidar e trancar a porta por dentro também. E você ficará forever alone do lado de fora.

Um bom banho quente

Morei em duas casas, estive em hotéis e conversei com vários indianos. E não, até agora nada de banho quente que não seja de canequinha. E olha que só morei em bairros de classe média alta (deduzindo pelo número de carros que os vizinhos têm). Até agora tive duas principais opções de banho: 1) completamente gelado. Esse te faz pular desesperadamente a cada jato de água e pode causar regressão mental de uns 20 anos, do tipo “não quero tomar banho! NãonãonãonãoNÃO!”. 2) encher um balde com água e aquecer a dita cuja com um instrumento que, segundo minha avó, chama ebulidor.

Depois de uns 10 minutos é preciso colocar a mão dentro da água para testar a temperatura. Neste momento algumas coisas podem acontecer: a água ainda está gelada, o que te faz retirar a mão do balde imediatamente; a água está quase fervendo, o que te faz retirar a mão do balde imediatamente; você não tem ideia da temperatura da água, afinal tomou um puta choque quando enfiou seus dedos lá dentro, fato que te faz retirar a mão do balde imediatamente. Passada essa etapa é só desligar o ebulidor, levar a água pro banheiro e se esbaldar. Se estiver muito quente pode ser necessário jogar um pouco de água fria na mistura ou comprar um creme para queimaduras, das duas uma.

Com muita sorte e algum luxo é possível tomar banho com um geyser, aparelho que precisa ser ligado uns 20 minutos antes de você entrar no chuveiro. Sim, você acorda mais cedo e, sonolento, aperta o botão verde. Volte a dormir. Por algum milagre da natureza o moderno artefato aquece a água, oferecendo cerca de cinco minutos de banho quente (ainda bem que você já tem aquele creme para queimaduras). Mas seja rápido, ou a água vai ficar fria antes de você acabar de se enxaguar. Foi isso que me fez abolir o uso do condicionador.

Hipermercado

Na terra do Apu, nada de Carrefour ou Walmart. Precisa de frutas ou vegetais? Vá a uma feira, onde é possível comprar quase tudo bem baratinho. Mercadinhos, lojas de conveniência e, no máximo, um supermercado de médio porte, existem por aqui. Mas não espere encontrar um hipermercado. É que a presença de redes internacionais no varejo local é proibida por lei. Agora o governo avisou que vai rever a legislação, o que já deixou o Walmart com água na boca e doido para entrar nesse mercado bilionário. E não falta onde investir – segundo estimativas do governo indiano, apenas 8% do varejo é organizado, e isso nos grandes centro urbanos.

Mercado de Jodhpur

Vassoura

Não, nada de vassouras. Você vai achar rodo, flanela, produtos de limpeza, desinfetantes… Mas para varrer só um objeto que mais parece um espanador, usado em todas as casas, lojas, ruas, empresas e afins. Por mais que seja simpático, o manuseio não é fácil. Tente varrer o chão de casa todos os dias meio encurvado, já que o cabo não é grande o bastante, e no fim você vai querer que o mundo acabe em clínicas de fisioterapia. Não é sem motivo que o Dhalsim do Street Fighter está para Índia assim como o Blanka está para o Brasil. Só mesmo com muita elasticidade para alcançar todos os cantos da casa sem uma vassoura de verdade.

Clube Grandes Viajantes

Olá, somos a Luíza Antunes, o Rafael Sette Câmara e a Natália Becattini. Há 10 anos fazemos o 360meridianos, um blog que nasceu da nossa vontade de conhecer outras terras, outros povos, outras formas de ver o mundo. Mas nós começamos a sonhar com a estrada ainda crianças e sem sair de casa, por meio de livros sobre lugares fantásticos. A gente acredita que algumas das histórias mais incríveis do mundo são sobre viagens: a Ilíada, de Homero, Dom Quixote, de Cervantes; Harry Potter, Senhor dos Anéis e Guerra dos Tronos. Todo bom livro é uma viagem no tempo e no espaço. E foi por isso que nasceu o Grandes Viajantes: o clube literário do 360meridianos. Uma comunidade feita para você que ama ler, escrever e viajar.

Somos especialistas em achar livros raros, já esquecidos pelo tempo. Fazemos a curadoria de crônicas, contos e histórias de escritores e escritoras incríveis, que atualizamos numa edição moderna e bonita. A cada mês você receberá em seu e-mail uma nova aventura sempre no formato de livro digital, que são super práticos, para você ler onde, quando e como quiser.

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Rafael

Siga minhas viagens também no perfil @rafael7camara no Instagram - Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014, voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura.

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