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No tempo do faroeste: a magia do cinema western

Durante anos, um galo acordou o bairro entoando sua versão da trilha “O bom, o Mau e o Feio”, do Ennio Morricone. Todos os dias o mesmo canto, que me tirava da cama já querendo ver um faroeste qualquer. Até que ele parou. Não sei se o galo foi pra panela ou se deixou de gostar desse tipo de filme. Na realidade, não estou certo nem se o fã desse gênero de filmes era ele ou só eu, que ouvia no canto de um galo uma das trilhas mais famosas do cinema, mas o que importa é que desde então a vizinhança dorme até um pouco mais tarde. Sem faroeste.

Eu, no entanto, continuo colocando o filme Il buono, il brutto, il cattivo, que em português virou “Três Homens em Conflito”, como uma presença constante na minha listinha de preferidos. Eu e o Tarantino, que chegou a dizer que esse é seu filme favorito de vida e a maior conquista da história do cinema. Mas, né, o que o depoimento dele vale? 😛

Dirigido por Sergio Leone e dentro do spaghetti western, um subgênero de filmes de faroeste com produção italiana, “Três Homens em Conflito” tem, claro, Clint Eastwood, e a tal trilha sonora que é conhecida até por quem nunca viu o filme. Conta a história de três pistoleiros rivais que estão em busca de um tesouro enterrado num cemitério, isso durante a Guerra Civil dos Estados Unidos. O problema é que nenhum deles tem todas as informações necessárias para achar o tesouro – e um acaba precisando dos outros para encontrá-lo.

Dica: O filme está na Netflix, assim como os dois longas anteriores do Sergio Leone, que formam a Trilogia dos Dólares (o primeiro e o segundo filme  são, respectivamente, “Por um punhado de dólares” e “Por uns dólares a mais”).


Eu nunca pisei nos Estados Unidos. Apesar disso, os filmes do cinema western – o nosso faroeste – sempre tiveram um impacto gigante em mim. O pano de fundo é a Marcha para o Oeste, dentro daquele conceito de que os americanos deveriam expulsar índios – que sim, muitas vezes são vistos como os vilões, embora não sejam eles os invasores, e conquistar o continente.

E mesmo que essa seja a trama dos primeiros filmes de faroeste, feitos lá no começo do século 20, logo os roteiros ficaram mais elaborados – o índio deixou de ser o vilão que roubava as esposas dos colonizadores e a conquista da terra deixou de ser o tema central, embora permaneça no cenário amplo.

No meio disso tudo há a chegada da modernidade, com os trilhos de trem e as linhas de telégrafo, que alteram a realidade do Velho Oeste; há os vilões misteriosos que ameaçam as vilas; os saloons e as recompensas perdidas; há a chegada do gado e a busca do ouro. E, claro, há os desejos de vingança e a ambição sem limites, porque todo personagem, vilão ou herói, é capaz das coisas mais grotescas. Há, no Velho Oeste com seus personagens sujos e bons de tiro, uma humanidade de nuances psicológicas.

Um deles é William Munny, novamente o mesmo Eastwood, que fez fama em filmes de faroeste, mas dessa vez no longa “Os Imperdoáveis”, de 1992.  A gente sabe que ele é um pistoleiro aposentado. Sabe que o cara já foi bom. Mas o filme mostra é um William Munny que não consegue subir no cavalo, se arrepende do passado, não acerta mais a pontaria, apanha do xerife, não reage… até mexerem com o Morgan Freeman. Neste ponto, como todo bom faroeste, restam menos de 15 minutos de filme.

Xerife Little Bill: -“Você é William Munny, do Missouri, matador de mulheres e crianças.”

Munny: -“Isso mesmo. Já matei mulheres e crianças. Já matei quase tudo que anda ou rasteja. Estou aqui para matar você, Little Bill. Pelo que fez com Ned.” E… bam. Fim da máscara de velho arrependido e aposentado. “O homem que não quiser morrer, melhor sair pelos fundos.”

Todo bom herói tem um quê – ou mais do que isso – de vilão. É o caso do William Munny  Assassino de aluguel, torcemos por ele como se fosse o herói. Mas o mocinho da história é o Xerife Little Bill. “Eu não mereço isso. Morrer assim. Estou construindo uma casa”. “Merecer não tem nada a ver com isso”, diz o pistoleiro. E fim de papo.

Nem só de conflitos vivem os faroestes. Há ainda outro personagem central dessas tramas, aquele que me dá muita vontade de pegar a mochila e fazer um projeto de viagem por essa parte dos Estados Unidos . Estou falando da paisagem, aqueles cenários infinitos com montanhas ao fundo e um rio que corta a terra. Localizados sempre a oeste do Rio Mississipi, os filmes de faroeste foram fundamentais para a popularização de alguns dos lugares mais bonitos do país.

Eu nunca estive nos Estados Unidos, mas não me esqueço de uma cena de Shane, que no Brasil virou “Os Brutos Também Amam”: um cavaleiro solitário se afasta de um casebre onde uma criança grita seu nome, tudo com uma enorme montanha nevada no fundo. Não é dos meus faroestes favoritos, mas explica um pouco do fascínio por esta parte dos Estados Unidos.

 Mas o monumento do faroeste americano por excelência (e um dos lugares que mais quero conhecer nos Estados Unidos) é o Monument Valley. Na divisa entre Arizona e Utah, esse foi o cenário de vários filmes, em especial do diretor John Ford, como “No Tempo das Diligências” e “Rastros de Ódio”.
Uma grande reta leva para formações rochosas e quase verticais. Tá aí a maior prova da força do faroeste, que já foi descrito como o único gênero de cinema totalmente criado nos Estados Unidos: mesmo quem nunca viu ou diz que odeia os tais filmes de bang-bang reconhece esse lugar. E não pensaria duas vezes se fosse convidado para dar um pulinho lá.
*Fotos: Shutterstock

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Rafael

Siga minhas viagens também no perfil @rafael7camara no Instagram - Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014, voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura.

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