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Atlas: Jenin, Jerusalém, Israel, Palestina

Mornings in Jenin: para entender a Palestina

Eu comecei a ler Mornings in Jenin meio que por acaso. Foi logo quando eu conheci o projeto Volta ao Mundo em 198 livros, do blog Viaggiando. A proposta é ler um livro sobre a história ou cultura de cada país do mundo e que tenha sido escrito por um autor local. Eu sempre fui de ler muito, desde criança, mas assim como acontece com o cinema, a minha experiência com a literatura estrangeira é muito limitada ao eixo EUA – UK.

Ainda que meu escritor favorito seja Gabriel García Márquez, um colombiano, é inegável que temos muito mais acesso aos títulos norte-americanos. Foi por isso que eu quis abraçar o desafio de tornar meu atlas literário mais rico e diversificar meu repertório de histórias sobre cada canto do mundo. Mesmo que eu não tenha entrado por completo no projeto dos 198 livros, sem esse empurrãozinho eu nunca teria chegado ao Mornings in Jenin. Quando eu resolvi que minha próxima leitura não seria um best-seller anglofônico, peguei uma listinha da ONU e escolhi um número aleatório. O resultado foi um pouco irônico: a primeira parada da minha volta ao mundo literária seria a Palestina, uma região que ainda luta por reconhecimento.

Mornings in Jenin

Lançado no Brasil com o título “A Cicatriz de Davi”, o romance da escritora Susan Abulhawa conta a história de quatro gerações de uma família palestina, desde o fim da Segunda Guerra e da criação do estado de Israel, a transformação dos palestinos em um povo sem pátria e a vida nos campos da ONU. Depois de serem expulsos de suas terras, os personagens precisam enfrentar a longa jornada até a nova moradia, onde se estabelecem em assentamentos de refugiados. No percurso, Dalia, a matriarca, tem seu bebê Ismael roubado de seus braços por um soldado israelense. Criado como judeu, o garoto cresce sem saber nada sobre suas origens e aprendendo a odiar e reprimir aqueles que o colocaram no mundo.

Na maior parte do tempo, no entanto, nós somos mergulhados no ponto de vista de Amal, a irmã de Ismael que nasceu como refugiada no campo de Jenin. A infância de Amal é a minha parte favorita do livro. A inocência e as brincadeiras da garota contrastam com o cenário de repressão, guerra e destruição em Jenin. Entre entifadas, mortes de quase todos os parentes da menina, a reação desproporcional das tropas israelenses contra as ofensas desesperadas dos palestinos, conhecemos mais sobre uma história que nunca foi totalmente contada nos noticiários. No meio do livro, a autora faz uma provocação. Segundo ela, foi o povo palestino que pagou pelas atrocidades do holocausto judeu. Difícil não concordar  e não ter empatia depois de ler Mornings in Jenin.

Como literatura, acredito que o livro tenha se perdido em alguns pontos. A história do irmão sequestrado poderia ter sido melhor trabalhada, assim como a primeira parte do livro é desnecessária para o desenvolvimento do enredo principal. No entanto, acredito que, mais do que apresentar uma história impecável, o objetivo da autora era mostrar ao mundo as mazelas vividas por seu povo. Quando analisamos o livro sobre esse ponto de vista entendemos porque todos os detalhes estão ali. E é isso que faz o livro valer a pena: a chance de compreender melhor um dos conflitos mais injustos do nosso tempo, que pode ser simplificado no recado final da autora – os personagens do romance são fictícios, a Palestina não.

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Natália Becattini

Jornalista, escritora e mochileira. Viajo o mundo em busca de histórias e de cervejas locais. Já chamei muito lugar de casa, mas é pra BH que eu sempre volto. Além do 360, mantenho uma newsletter inconstante, a Vírgulas Rebeldes, na qual publico crônicas e contos . Siga também no instagram @natybecattini e no twitter.

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7 comentários sobre o texto “Mornings in Jenin: para entender a Palestina

  1. Nathalia, já te digo então, comece por As Memórias do Livro, a escritora é super empenhada, tem um olhar delicado e minucioso sobre a historia que escreve. Cada detalhe, o caminho que o livro percorreu, as marcas que deixaram nele. Me arrepio até hoje de lembrar desse livro!

    Ah! E já estou de olhos nos próximos posts sobre nômades digitais, oba! 2014 é o ano das realizações!

    Boa sorte pra todos que se aventuram e não tem medo de tentar!!!

    Beijo!

  2. Oi, Natália! Estou acompanhando há algum tempo o 360 e cada vez mais gosto da diversidade dos posts (com uma costura perfeita)! Sou uma leitora ávida e depois que li As Memórias do Livro, O Ultimo Judeu e O tempo entre Costuras, ambos com boa parte do enredo baseado em fatos históricos reais e em muita pesquisa histórica também, tenho dado preferência a escritores com essa veia literária! Anotei o título da tua dica e também vou me inspirar no desafio para buscar outras obras nesse estilo!

    Ah, aproveitando o comentário, gostei muito dos textos sobre nômades digitais e estamos em busca dessa possibilidade para um futuro próximo! Boa sorte nas tuas escolhas e um 2014 maravilhoso para vcs do 360!
    Beijo enorme!

    1. Ei Nine! Anotei esses três livros que você me indicou aqui. Eu também adoro esse tipo de leitura, que a gente aprende sobre a história de algum lugar. Mesmo que a gente estude na escola ou leia nos jornais, é diferente ter um visão por dentro, de quem muitas vezes viu o conflito de perto.

      Sobre os Nômades Digitais, vem novidade nessa área em 2014! Esperamos ajudar muita gente que tem interesse por esse estilo de vida. Ótimo ano para você também! Que você tenha muitas viagens e descobertas! Abraços!

  3. Fico feliz em saber que o #198livros tem uma “culpa” na sua diversificação literária, Natália! Sabe que muita gente me disse que o projeto foi o incentivo para voltar a ler ou para ler mais? Como uma apaixonada por livros, é claro que fico super feliz! De pouquinho a pouquinho a gente vai inspirando uns aos outros.

    Vou anotar o nome do livro na minha lista para quando chegar a vez da Palestina! E vou ficar esperando mais resenhas suas aqui! 🙂

    Beijos!

    1. Ei Camila! É um projeto super legal mesmo, inspirador! =) Principalmente quando a gente olha pra estante e só vê nomes americanos, ingleses. Mesmo quando a história é sobre outro país, o ponto de vista é americanizado.

      Abraços e muita leitura e fôlego para concluir o seu projeto! 😉

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