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Atlas: Paris, Madrid, Espanha, França

O Sol Também se Levanta: a Europa nos tempos do Hemingway

A escritora Gertrude Stein diria que Paris era o centro do mundo na primeira metade do século 20 – e que era por isso que tantos artistas, europeus e norte-americanos, viviam lá.

No entanto, ao ler O Sol Também se Levanta, primeiro romance de sucesso de Ernest Hemingway, a constatação é outra: os europeus até podiam estar em Paris porque a cidade era o coração cultural do Velho Continente. Mas, além desse motivo, os norte-americanos estavam na Europa também para beber, afinal os Estados Unidos viviam a Lei Seca.

E como todos eles, independente da nacionalidade, bebiam. O Sol Também se Levanta, cuja história se divide entre França e Espanha, se passa em mesas de bar, restaurantes e cafés. Os personagens estão sempre acompanhados de algo alcoólico. A farra era tanta que o livro quase se chamou Fiesta, antes que Hemingway optasse por um título mais bíblico.

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Paris, França

Sim, bíblico. Apesar da piada costumeira de que o título mostraria que, não importa o tamanho da gandaia, todos se levantam no dia seguinte – e mesmo com uma ressaca enorme para atrapalhar -, o nome dessa obra de Hemingway é uma citação do Eclesiastes, escrito pelo Rei Salomão.

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E o sentido do título fica mais claro quando pensamos também no versículo anterior ao que batizou a obra: “Uma geração vai, e outra geração vem, mas a terra permanece eternamente”. E então a Bíblia conclui, inspirando Hemingway: “O sol também se levanta e o sol se põe, e se apressa para o local onde nasceu.”

A obra é o retrato de uma geração, aquela que foi batizada por Gertrude Stein de geração perdida. Eram os jovens que viveram a Primeira Guerra Mundial – naquela época chamada apenas de Grande Guerra – e que seguiam a vida de forma pessimista e sem objetivos claros além da mesa de bar – para eles, tudo se resolvia em álcool. Assim como milhões de soldados, a Guerra tinha matado a inocência. A preocupação com o futuro está presente, mas sempre de forma amarga. “Você nunca teve o sentimento que sua vida está acontecendo e você não está aproveitando? Já notou que você viveu pelo menos metade do seu tempo?”, nos lembra o autor.

A história do livro começa em Paris. O personagem principal, Jake Barnes, é um norte-americano que lutou na guerra. Após o fim do conflito, ele passa a viver em Paris, mas convivendo com os traumas do passado, entre eles a impotência. Problema que ele aceita passivamente, como se fosse inevitável e algo que o impediria de ter uma vida amorosa ou mesmo uma vida normal.

Por outro lado, Jack é apaixonado por Lady Brett Ashley, relacionamento que não vai para frente por conta dos problemas de Jack. E não apenas ele gosta de Brett, mas também o ex-boxeador Robert Cohn, o único do grupo que não foi marcado pela guerra e que por isso mesmo guarda uma visão romântica do mundo; e Mike Campbell, um escocês que é noivo de Brett e perdeu toda sua fortuna (“Como você foi à falência? de duas formas: Gradualmente e repentinamente”). Por fim, há Bill Gordon, um escritor e veterano de guerra que escuta os desabafos de Jack.

Ernest Hemingway

Hemingway

Como outros trabalhos de Hemingway, O Sol Também se Levanta tem um fundo biográfico. As pessoas que inspiraram os personagens não só existiram, mas muitas delas não gostaram da forma como foram retratadas no livro. Jack, o protagonista, lembra Hemingway, que também serviu na Primeira Guerra e estava interessado na mulher que o inspirou a escrever sobre Lady Brett Ashley.

O Sol Também se Levanta inspirou uma geração. Moldou comportamentos, formas de se vestir, escrever e viver. A trama foi parar no cinema e permanece até hoje como o retrato mais fiel da geração perdida, um grupo de escritores e artistas que acabou por marcar o mundo.

Esse não é meu livro favorito do Hemingway. Por Quem os Sinos Dobram ocupa o lugar, seguido de perto por Paris é uma Festa, obra que também ajudou na criação do filme Meia-Noite em Paris, do Woody Allen, que fala dessa mesma geração perdida. Mesmo assim, gosto bastante desse primeiro best-seller do Hemingway.

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imigração em Madrid

Madrid, Espanha

E viajantes em geral não podem reclamar, afinal o livro é quase um guia prático para beber e comer bem em Paris. Muitos dos estabelecimentos citados pelo escritor são reais e existem até hoje, conforme mostra essa matéria do The Guardian. E não só na capital francesa. Madrid, na Espanha, também aparece no livro. Restaurantes, bares e hotéis são citados por Hemingway – a ponto de ser possível fazer um tour a pé pela cidade seguindo os passos (e os drinks) do escritor.

Também merece destaque a festa de São Firmino, que acontece há séculos em Pamplona, na Espanha, entre os dias 6 e 14 de julho. E que freqüentemente acaba em morte (15 vítimas fatais nos últimos 90 anos), afinal de contas não é uma boa ideia tentar correr de touros, como fazem muitos dos participantes da festividade.

o sol também se levanta

Foto: Baltasar García, Wikimedia Commons

Fã de touradas, Hemingway era frequentador da festa. Tanto ele como seu protagonista, Jack, levaram amigos para conhecer o evento, que serve de pano de fundo para os acontecimentos da obra. Eu jamais iria nessa festa – respeito tradições, mas não curto atrações com animais e muito menos a crueldade desse tipo de situação. Mesmo assim, gostei de ler e saber mais sobre a festa, que ganhou popularidade mundial justamente por conta do Hemingway.

O Sol Também se Levanta é um livro fácil de ler e uma ótima forma de conhecer melhor o trabalho do escritor. Além disso, é um lembrete que cada geração enfrenta seus desafios, mesmo sem uma Grande Guerra no meio do caminho. Em outras obras, o próprio Hemingway, um dos mais perdidos, completou: “todas as gerações são perdidas”.

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Rafael

Siga minhas viagens também no perfil @rafael7camara no Instagram - Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014, voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura.

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2 comentários sobre o texto “O Sol Também se Levanta: a Europa nos tempos do Hemingway

  1. Olá para os 3 blogueiros!
    Blog maravilhoso…fotos super lindas..infos valiosos…a única coisa que realmente irrita um pouco são esses simbolos gigantes de facebook..twitter..whatsapp e goggle+ que quase impedem escrever um comentário pricipalmente por tablet.
    Teriam como diminuir êsses símbolos?
    Seria bem mais agradável a leitura e bem mais fácil escrever um comentário.
    Abraços,
    Bibi

    1. Oi, Bibi. Agradeço pela sinceridade e sugestão. 🙂

      Esses símbolos são relativamente novos – estão no blog há pouco mais de um mês, apenas na versão para internet móvel.

      Vamos pensar no assunto, ok?

      Abraço.

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