fbpx

Vozes de Tchernóbil: Relatos de uma tragédia

Em 26 de abril de 1986, uma série de explosões na usina nuclear de Tchernóbil, na Ucrânia, lançou na atmosfera uma quantidade mortal de partículas radioativas que rapidamente contaminaram o ar, os rios e a terra da cidade de Pripyat e arredores. Desprovidos de informação e conhecimento, milhares de trabalhadores, militares e camponeses foram expostos à radiação e viram, por muitos anos, suas plantações e animais perecerem; vidas terminarem e crianças nascerem com má formação.

Na época, as autoridades soviéticas fizeram de tudo para esconder os verdadeiros impactos do desastre tanto dentro dos limites da cortina de ferro quanto para o resto do mundo. Aqueles que foram enviados para conter a catástrofe – muitos deles voluntários que depositavam grande fé no governo soviético -, chegavam despreparados e mal equipados e pouco sabiam das consequências do contato direto com a radiação. Muitos deles morreram em poucas semanas. Outros, carregaram as sequelas para o resto de suas vidas.

A Ucrânia, no entanto, passou longe de ser a única a sofrer com o desastre. Estima-se que o acidente chegou a contaminar quase três quartos da Europa, algumas áreas mais que outras. Mas ir tão longe não é necessário. A usina de Tchernóbil ficava mais próxima à fronteira da Bielorrússia que de Kiev, e o pequeno país agrário que contava não mais que 10 milhões de habitantes na época tornou-se uma vítima muitas vezes esquecida nos relatos sobre o desastre. Ali foram parar 70% dos radionuclídeos lançados na atmosfera. Foram 485 aldeias destroçadas e 23% do território contaminado, contra 4,8% do território da Ucrânia e 0,5% da Rússia.

Vozes de Tchernobil

É sobre essa vertente pouco contada da história que a ganhadora do Prêmio Nobel, Svetlana Alexievich, se debruçou por quase 10 anos para produzir sua obra mais aclamada. Vozes de Tchernóbill, publicado no Brasil pela Companhia das Letras, é um relato envolvente, emocionante e impactante sobre a tragédia. Deixando para trás os números duros e impessoais, a escritora buscou encontrar nas vozes e relatos de quem vivia ali na época o sentimento real de quem viu suas vidas destruídas por uma ameaça invisível que ninguém entendia muito bem.

São centenas de relatos de pessoas do campo, universitários, mãe, esposas, militares, engenheiros, bombeiros, oficiais do governo e médicos que buscam respostas ou conforto ao exporem suas experiências da tragédia e, juntos, conseguem montar uma colcha de retalhos que recria um panorama vívido e plural da Bielorrússia pós-Tchernóbil.

O livro é resultado de uma extensa pesquisa que contou com mais de 500 entrevistas, apresentadas como monólogos cheios de sensibilidade, detalhes e lembranças dolorosas. A técnica utilizada na construção dos relatos é a mesma já empregada pela autora em outras obras suas, como “Zinky boys: Soviet voices from Afghanistan war” e “Enchanted with death”, um livro sobre suicídio.

De acordo com uma reportagem do G1, a autora já afirmou que o que faz não é jornalismo: “Não permaneço no nível da informação, mas exploro a vida das pessoas, sua compreensão da vida. Também não faço o trabalho de um historiador, porque tudo começa, para mim, no ponto de término da tarefa do historiador: o que se passava pela cabeça das pessoas após a batalha de Stalingrado ou após a explosão de Tchernóbil? Eu não escrevo a história dos fatos, mas a história das almas”.

O resultado é uma mistura de entrevistas cheia de sensibilidade, narrativa literária e, por que não, jornalística também. Não foram poucas as vezes que o choro agarrou na garganta e eu tive que colocar o livro de lado para absorver um pouquinho do que eu tinha acabado de ler.

Clube Grandes Viajantes

Assine uma newsletter exclusiva e que te leva numa viagem pelo mundo.
É a Grandes Viajantes! Você receberá na sua caixa de email uma série de textos únicos sobre turismo, enviados todo mês.
São reportagens aprofundadas, contos, crônicas e outros textos sobre lugares incríveis. Aquele tipo de conteúdo que você só encontra no 360 – e que agora estará disponível apenas para nossos assinantes.
Quer viajar com a gente? Então entre pro clube!

Avalie este post

Compartilhe!







Banner para newsletter gratuita

Receba grátis nosso kit de Planejamento de Viagem

Eu quero!

 

 




Natália Becattini

Jornalista, escritora e mochileira. Viajo o mundo em busca de histórias e de cervejas locais. Já chamei muito lugar de casa, mas é pra BH que eu sempre volto. Além do 360, mantenho uma newsletter inconstante, a Vírgulas Rebeldes, na qual publico crônicas e contos . Siga também no instagram @natybecattini e no twitter.

  • 360 nas redes
  • Facebook
  • YouTube
  • Instagram
  • Twitter

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

2018. 360meridianos. Todos os direitos reservados. UX/UI design por Amí Comunicação & Design e desenvolvimento por Douglas Mofet.