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Atlas: Brasil

Mariana e o Rio Doce: entenda e saiba como ajudar

Um rio de lama tóxica. Cidade sem água. O maior desastre ambiental do Brasil. É estranho pensar o quanto essas coisas estão distantes e ao mesmo tempo tão próximas da gente. Eu vivo em Portugal hoje, mas mesmo que estivesse em Belo Horizonte não seria diretamente afetada pelo desastre. Isso não quer dizer que não doa. Todos os dias, lendo os relatos dos meus amigos jornalistas ou daqueles que têm famílias ou amigos na região afetada, meu coração dói. Me dá agonia e tristeza em pensar que o Rio Doce morreu, talvez para sempre.

Além disso, eu viajava semanalmente, a trabalho, para alguma das cidades que ficam no curso do Rio Doce e estão na zona de risco da tragédia: Governador Valadares, Aimorés e Baixo Guandu fizeram parte da minha vida durante meses intensos de trabalho. Conheci aquelas pessoas, conversava e ria com elas. Não é só Mariana e seus distritos rurais que foram afetados pelo rompimento da barragem. Não é um caso isolado, as consequências disso vão durar anos. É assustadora a dimensão dessa tragédia.

O que está acontecendo?

Se você não estiver acompanhando de perto, vai aqui um pequeno resumo: no dia 5 de novembro, a barragem do Fundão, da Mineradora Samarco, cujos donos são a brasileira Vale e a estrangeira BHP, se rompeu na região de Bento Rodrigues, distrito de Mariana. No último sábado (14) percebeu-se que a barragem de Santarém não se rompeu, o que aumenta o risco de que ainda mais lama tóxica seja despejada. Ainda há uma terceira barragem, a Germano, com trincas e risco de se romper.

São sete mortos confirmados, quatro corpos ainda não identificados e 12 pessoas desaparecidas até o momento. Além disso, mais de 600 pessoas estão desabrigadas. A Bacia do Rio Doce tem população estimada em torno de 3,5 milhões de habitantes.

Já ficou claro até o momento que houve negligência da empresa nos procedimentos de segurança e monitorização dos riscos. A questão é que 62 milhões de metros cúbicos de água e dejetos sólidos, que contém diversos metais pesados, não só destruiram Bento Rodrigues, como seguiram o curso do rio Gualaxo do Norte. No dia 7 de novembro, o rio Doce foi atingido. É por ali que a lama segue, por Minas Gerais e Espirito Santo – onde chegou hoje – até o Oceano Atlântico.

Segundo o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Baixo Guandu, as análises apontam que entre os despejos “há metais pesados como chumbo, alumínio, ferro, bário, cobre, boro e até mesmo mercúrio” (fonte). Além disso, a densidade dessa lama leva ao assoreamento dos rios e à morte de toda a fauna e flora antes ali presente.

bento rodrigues lama mariana

Para completar, o abastecimento de água das cidades que dependem da bacia do Rio Doce fica comprometido. Em Governador Valadares, por exemplo, uma cidade com 280 mil habitantes, as bombas de captação de água foram fechadas. Com isso, a população ficou totalmente sem água. A Vale enviou 300 mil litros contaminados com querosene, que tiveram que ser descartados. O abastecimento de água está voltando aos poucos, mas só deve ser totalmente retomado no dia 18.

Hoje foi firmado um Termo Compromisso Preliminar da Samarco com o Ministério Público de Minas Gerais e o Ministério Público Federal, em que a empresa pagará R$ 1 bilhão para reparação dos danos socioambientais. O valor, porém, pode não ser suficiente para cobrir o prejuízo.

Ainda, a forma como se faz mineração no Brasil precisa ser revista (apesar e para além das tramas políticas no setor). Segundo a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Minas Gerais, entre 2008 e 2014, recebeu 12 novas barragens por ano. São 450 ao todo. O problema é que para extrair o minério com pouca concentração de ferro utiliza-se água, que tem que ser contida nessas barragens. Essa forma de extração não só é perigosa como obsoleta, já que é possível hoje em dia desenvolver barragens secas ou em pasta. Só é mais caro. Para entender mais sobre esse assunto, vale a pena ler essa matéria do Jornal O Tempo.

#UmAbraçoEmMariana

lama bacia do rio doce mariana

O município Mariana não está mais recebendo doações de roupas e objetos por enquanto, tendo em vista que não há mais onde armazenar. Ainda assim, água é um problema para todas as cidades afetadas pelo desastre ambiental. Foi por isso que a Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem começou uma ação para apoiar Mariana e toda a bacia do Rio Doce.

A ideia foi criar uma Vakinha, onde é possível doar qualquer valor, que será destinado a doação de água mineral para os municípios da bacia do Rio Doce atingidos pela lama. Se cada leitor desse post colaborar com 5 ou 10 reais, já faremos uma diferença enorme na vida dessas pessoas. O pagamento pode ser feito via boleto bancário ou cartão de crédito. Clique aqui para colaborar.

Atualização:

A campanha já utilizou uma parte do dinheiro arrecadado para enviar 100 galões de 20 litros para a região afetada.

galões um abraço em mariana

A campanha continua, afinal, o problema com a água persiste!

*Crédito fotos: Antonio Cruz/Agência Brasil – (CC BY-NC-SA 2.0)


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Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 30 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite "morar no aeroporto". Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo. Siga @afluiza no Instagram

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