quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
5 coisas que você só vai ver na Índia
Há 10 anos, o governo indiano resolveu criar um slogan que ajudasse a promover o turismo no país. Desde então, a frase “Incredible India” é usada para estampar outdoors, posters e chamadas de agências de turismo mundo a fora, na tentativa de atrair viajantes em busca de destinos exóticos. A campanha foi um sucesso e a Índia se tornou o destino turístico de maior crescimento no sudeste asiático, e eu te garanto que nenhum dos turistas que passaram por aqui durante este período vai acusar o governo de fazer propaganda enganosa. A Índia é um lugar incrível. Tão incrível que às vezes parece parte de um outro planeta.
Se, por um lado, alguns itens essenciais e rotineiros na vida de um ser humano ocidental simplesmente não existem neste lado do mundo, por outro este país nunca vai deixar de surpreender um viajante desavisado com coisas que só se vê por aqui. E eu nem estou falando apenas de rios sagrados e poluídos com corpos de gente e de bicho ou de templos que ostentam imagens do Kama Sutra que teriam a exibição proibida em qualquer canal de TV brasileiro antes das 23 horas. Coisas bem mais simples podem te assustar quando você menos espera.
1. Limpador de ouvido
Foto: Lucas de Loyola
Você tá aí de bobeira e, de repente, sente aquela coceirinha dentro do ouvido te dizendo que é hora de uma limpeza. Nada de procurar o pacote de cotonete! O que você precisa é de ajuda profissional. Os limpadores de ouvido, ou orelhicures, podem ser encontrados nas ruas das cidades, exercendo seu ofício ao ar livre. Em um país com 1 bilhão e 300 mil habitantes, é claro que alguém iria nascer com vocação para tirar cera de ouvido alheio. Ou talvez essa seja só uma forma de criar postos de trabalho para esse tanto de gente.
2. Cerveja com 8% de álcool
Final de expediente, hora do happy hour com o pessoal da empresa. Se o seu escritório fica na Índia, tome cuidado. As cervejas aqui podem te levar à embriaguez em uma velocidade astronômica e, o que era para ser uma cervejinha de leve pode virar um porre homérico. Isso porque as strong beers, preferência nacional, têm nada mais nada menos que 8% de álcool. Pode não parecer muito, ainda mais se comparado a outras bebidas consideradas fortes. O problema é que o gosto é exatamente igual ao das cervejas que estamos acostumados, então, entre um bate papo e um petisco, é fácil se esquecer do que está bebendo e ir para casa trocando as pernas. Isso é tão comum que já virou piada: todo estrangeiro que chega aqui toma um porre com a temida Kingfisher strong logo nos primeiros dias. Depois disso você aprende: sempre que for comprar cerveja, lembre-se de especificar que quer as versões light, que ainda assim são mais fortes que as favoritas dos brasileiros.
3. Suásticas por todo o lado
Em que ano estamos mesmo? 1939?
Calma! Não precisa sair correndo da casa de um amigo indiano achando que ele participa de um grupo neonazista só porque você viu uma suástica esculpida logo em cima da porta da frente. Ou então entrar em paranoia achando que encontrou em algum lapso espaço-temporal e foi parar na Alemanha de 1939 quando um jipe de guerra com suástica vermelha passar ao seu lado.
Suásticas são símbolos poderosos, onde quer você esteja. Embora tenha sido usada por diferentes civilizações ao longo da história, foi só no século XX que ela se tornou temida. Quando um maluco de bigode resolveu adotar a suástica como marca da sua loucura, ela passou a representar um dos maiores e mais terríveis genocídios do mundo, assim como todos os ideais nazistas.
Isso para nós, simples ocidentais.
Por aqui elas são nada mais, nada menos, que a representação de Ganesha e são consideradas bastante auspiciosas, como eles gostam de dizer (embora eu ache que os judeus talvez discordem disto). E sim, elas estão por toda a parte, inocentemente penduradas nos retrovisores dos tuk-tuks ou em posição de destaque em altares.
4. Detectores de metal para enfeite
Acho que todos concordam que a Índia não é o país mais seguro quando o assunto é terrorismo. A memória dos atentados em Mumbai, em 2008, ainda é bastante recente e a bomba que explodiu no Superior Tribunal de Délhi, em setembro do ano passado, mostrou que a ameaça ainda está viva. Por isto, é normal que o país se preocupe com segurança. Quando cheguei, me assustei com a quantidade de detectores de metal que vi aqui. Eles estão em praticamente todas as partes, em um número bem maior do que o que eu vi em Londres, por exemplo. Ainda espero o dia que vou acordar e me deparar com um na porta do meu quarto.
Na primeira vez que passei por um, ele apitou como de costume. Comecei a tirar o cinto, o celular, as chaves de casa, todas as moedinhas, câmera fotográfica... Só percebi que ninguém viria verificar meus pertences quando a pessoa de trás na fila começou a resmungar, mal humorada.
Por aqui é assim: detectores por todas as partes. Você passa, eles apitam, você segue com todas as bombas que você quiser carregar. Eu ainda estou tentando entender a utilidade disto. Talvez seja apenas mais um ritual religioso que temos que respeitar, talvez eles apenas gostem de ouvir os sonoros Piiis emitidos pelo equipamento. Ou vai ver eles se sentem mais seguros se estiverem apenas conscientes de que existe a possibilidade de alguma daquelas pessoas estarem ali com uma arma, já que todos são reprovados no teste dos detectores. Vai saber...
A única exceção é nos aeroportos, onde a verificação de segurança realmente funciona. Foi num aeroporto que implicaram pela primeira vez com o meu kit de garfo e faca que carrego desde que cheguei aqui e que, por engano, estava esquecido na minha bagagem de mão.
5. Clareadores de pele
Nas revistas e propagandas, modelos mais brancas do que o resto da população são maioria; e anúncios de jornais publicados por pessoas que procuram um casamento para os filhos frequentemente usam a palavra "fair" como característica imprescindível para qualquer pretendente.
Uma pena. A pele morena, característica de praticamente todos os indianos, é bem mais bonita do que a versão desbotada e pálida que eles conseguem após usarem os tais cremes.
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Cerveja com 8 ou 9% de álcool eu já vi... agora limpadores de ouvidos... só por ai mesmo!!
ResponderExcluirParabéns pelo blog! Está ótimo!!
Ju, a coisa não é a cerveja ser forte. É ela ser parecida com a fraca e ser praticamente a única opção aqui!
ResponderExcluirO blog tá sensacional, meninos! :)
ResponderExcluirpor aí você chora conversando com sapos ou com vacas depois de tomar a cerveja forte?
ResponderExcluirUm dos melhores do blog até agora, Naty ;)
ela não, mas o rafa...
ResponderExcluirFernanda e Otavio: Valeu! =)
ResponderExcluirE não, eu ainda não falei com nenhuma vaca, mas conheço pessoas que chegaram bem perto disso...
E eu não choro sempre, apenas quando eles me dizem coisas relevantes sobre a vida, o universo e tudo mais...
Melhor mesmo é o registro da primeira ressaca da vida do rafa...pena que não fizeram imagens
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