Não conta lá em casa: turismo improvável

A primeira vez que eu toquei no assunto “conhecer a Índia” lá em casa, a notícia foi motivo de preocupação geral. Minha mãe, tias e até o Rafa se juntaram para me dissuadir da ideia e no fim das contas eu acabei trocando o destino do meu primeiro intercâmbio para a África do Sul. E olha que a Índia não é nem de longe tão estigmatizada quanto países como o Afeganistão, Iraque e Somália.

Por isso, dá para entender bem a escolha do nome do “Não conta lá em casa”, programa estilo reality show exibido no Multishow e que, em 2013, foi transformado em livro por um dos quatro integrantes do programa, o jornalista André Fran.

Munidos de uma câmera e muita coragem, o grupo percorre os lugares mais perigosos, mal falados e precários desse planeta, registrando imagens e impressões de cantos que poucos turistas ousam enfrentar.

Não conta lá em casa - Livro

Repleto de curiosidades dos bastidores das filmagens e pensamentos que o autor registrou durante a sua jornada, o livro pode ser uma boa forma de completar a experiência de quem conhece e curte o programa de TV.

Leitores que caíram de paraquedas, por outro lado, podem se sentir um pouco frustrados com os poucos detalhes sobre a cultura e os lugares. Como o objetivo é ser um complemento à série e uma forma de mostrar histórias que ficaram de fora da telinha, André Fran não se aprofunda da forma como muita gente poderia querer.

Muitas vezes, ao final de um capítulo, ficamos com aquela sensação de “conta mais!”. Ai, o jeito é abrir o computador para procurar mais relatos em blogs ou dar um jeito de ver o programa. Ainda assim, o livro apresenta informações interessantes e é uma boa forma de sanar – ou criar – a curiosidade sobre esses lugares muitas vezes esquecidos ou discriminados.

Escrito com base nas viagens das primeiras temporadas da série, o Não conta lá em Casa nos leva a lugares como o Mianmar e sua ditadura opressora (que terminou em 2011), a fechada Coreia do Norte, o Irã, Tuvalu, Etiópia, Djbuti, Somália, Afeganistão, Indonésia e o Japão desolado após o terremoto de 2011.

tsunami japao

 Foto: Lance Cpl. Ethan Johnson (CC BY 2.0)

Entre os destinos que mais me impressionaram, destaca-se a Coreia do Norte. Sempre tive uma curiosidade imensa sobre o que se passa dentro das fronteiras do país mais fechado do mundo. Será que eles realmente acreditam que o Grande Líder inventou o micro-ondas? Como eles vêem o resto do mundo? A que tipo de informação externa eles têm acesso? As conversas entre os meninos e a guia que os acompanhou por lá ilustram bem as diferenças de mentalidade e como os norte-coreanos enxergam o regime.

Os momentos de tensão enfrentados pelos grupos também estão entre minhas passagens favoritas. Dá para imaginar que um programa com uma proposta dessas exige muita coragem e, em alguns momentos, foi preciso tomar atitudes extremas e até mesmo malucas para conseguir as imagens. Nessas horas que dá para ver que os meninos contaram, acima de tudo, também com a sorte.

Uma das maiores lições dos relatos é bem óbvia, mas de uma forma ou de outra a gente acaba se esquecendo dela: nenhum lugar é totalmente fiel ao seu estereótipo. As ideias que a gente forma sobre lugares onde a gente nunca esteve são frequentemente simplistas, limitadas e exageradas.

Ainda não leu esse livro? Consulte o preço dele na Amazon (link afiliado)

*Imagem Destacada: Terremoto no Chile. Crédito: Pedro Villavicencio (CC BY-SA 2.0)

 


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Natália Becattini

Já chamei muito lugar de casa, mas é pra Belo Horizonte que eu sempre volto. Viajo o mundo em busca de histórias e de cervejas locais. Além do 360, mantenho uma newsletter sobre o a vida, o universo e tudo mais, que eu chamo de Vírgulas Rebeldes. Vira e mexe eu também estou procrastinando lá no instagram @natybecattini e no twitter.

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7 comentários sobre o texto “Não conta lá em casa: turismo improvável

  1. Olá.
    Assim, como o colega, eu, minha irmã e mais três amigos fizemos a viagem mais curiosa de nossas vidas ao fazer o tour pela Coreia do Norte durante a maratona de Pyogyang em 2015….
    Fora a chegada onde nos sentimos como se estivessemos naqueles filmes da 2ª Guerra Mundial (rs), não tivemos maiores problemas…

  2. Ola Natalia!!

    Tambem adoro esse programa. Vou comprar o livro com certeza!!

    Uma outra dica para quem gosta desse topico eh o blog do Gabriel (gabrielquerviajar.com.br). Tem muita coisa legal por la!

    Abracos e parabens pelo blog!!

    Anderson

  3. Gente, como pode??? Esse blog tem tudo que eu mais gosto!!! Hahahaha

    Eu amoooo o “Não conta lá em casa”, amo amo!!! Acho que eles foram os primeiros responsáveis a atiçar a minha curiosidade por países antes ditos como “impraticáveis”.
    Lembro bem quando li o capitulo do Irã, pra mim um dos melhores, desmistificando o nosso habito de oriente médio único, assim como africa unica.

    Alem disso, eu não vi a serie, eu li o livro e sou dessas que acha que o livro é sempre melhor! rs

    Beijos e sucesso ao 360 e ao Não Conta lá em Casa em 2015!

    1. Hahah que bom que a gente tem sintonia, Isabel! Eu sou louca para conhecer o Irã e explorar mais a África. Lá em casa o povo fica doido mesmo com as minhas ideias de viagem.

      Abraços!

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