Cruzeiro pelo rio Li e as fantásticas montanhas da China

Cruzeiro pelo rio Li e as fantásticas montanhas da China

Um cenário de outro mundo que a China inteira leva no bolso. A paisagem formada pelas montanhas calcárias dos arredores de Guilin e pelos meandros do Rio Li, no sul do país, é tão marcante que foi escolhida para estampar a nota de 20 yuans, o dinheiro chinês. A propaganda só aumentou o interesse dos viajantes por essa região, que até pode ser pouco conhecida no exterior, mas é uma das mais procuradas por turistas chineses.

Na falta de uma nota de 20 yuans, basta uma foto para entender a razão. Como dentes que saem da terra, picos se espalham por uma área gigantesca – não são uma ou duas dezenas, mas incontáveis deles. Cenário que surgiu há centenas de milhões de anos, por uma combinação de três fatores. O primeiro foi a formação do solo, rico em calcário. O passo seguinte contou com a ajudinha da Índia. Ou melhor, da placa tectônica onde está o país, que se chocou com a placa da Ásia e fez surgir os Himalaiais e mais um monte de montanhas adjacentes, como os dessa parte da China. Por fim, as monções, com seus ventos típicos, deram conta do resto. Nascia assim um dos lugares mais deslumbrantes do mundo.

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Navegando pelo Rio Li

Há diversas formas de conhecer a região, incluindo trilhas, pedaladas, voo panorâmico de helicóptero e um passeio que eu não fiz, mas gostaria: voo de balão. A forma mais tradicional, porém, é descer o rio Li, que nasce numa montanha chamada Mao’er, corta ao meio Guilin, cidade com quase cinco milhões de habitantes, e depois segue para Yangshuo, que é bem menor. O rio tem 165 km de extensão, mas a parte turística, digamos assim, é esse trecho entre Guilin e Yangshuo, de pouco mais de 80 km.

Todos os dias, às 8h da manhã, vans passam em hotéis de Guilin, cidade que merece pelo menos um dia no roteiro de viagem, por conta de seus lagos, pagodas e passeios. De Guilin os ônibus seguem até o Zhujiang Pier, a 30 minutos do centro da cidade. É dali que partem as grandes embarcações que fazem o cruzeiro pelo Rio Li, que dura cerca de cinco horas e termina no porto de Yangshuo, pouco depois da hora do almoço.

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O passeio não é barato, até mesmo por ser dos mais concorridos da China: custa em torno de 60 dólares por pessoa, mas o valor varia dependendo da classe escolhida. O ticket inclui o serviço de transporte até o porto, almoço no barco, guia que fala inglês e o transporte de novo para Guilin, feito de ônibus. Muitos turistas, porém, usam o cruzeiro como forma de transporte até Yangshuo, que vira base para mais dois dias de viagem.

A parte mais bonita do trajeto fica entre Yangdi e Xingping, duas vilas. É nesse trecho que estão cenários marcantes, como o que inspirou o dinheiro chinês. Outro ponto alto é Mural Hill, cujos picos têm cores diferentes. Essa formação também é chamada de Nine Horses, pois os picos lembrariam nove cavalos, nas mais diversas posições – eu confesso que nem reparei.

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Outra opção: bamboo rafting no rio Li

Pode ser por conta do preço mais salgado, pode ser pela duração do cruzeiro, mas muita gente acaba optando por um tour mais curto e em pequenas canoas. O nome engana: não é rafting, não é bambu. Na realidade, as águas do rio Li são calmas, nível zero de aventura, e a canoa – que costuma ser de um plástico que lembra o bambu – percorre tranquilamente o rio, com turistas sentados em cadeirinhas. O barco é motorizado e controlado por um barqueiro.

Foi esse o passeio que eu fiz. Como era ano novo chinês, até tentamos reservar um lugar no cruzeiro, mas já estavam todos lotados. Por isso, acabamos optando pelo bamboo rafting, o que não foi um mau negócio. A lógica é a mesma: você sai de Guilin às 8h da manhã, de ônibus, mas segue pela estrada por 1h20, até o porto de Yangdi. O passeio de bamboo rafting vai justamente no trecho entre essa vila e Xingping, que é o mais bonito de todo o roteiro.

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Como as embarcações são menores, é possível mergulhar ainda mais no cenário e você evita os grandes grupos. Os barcos costumam ter quatro ou seis cadeiras. Tente garantir as da frente, para as melhores vistas, ou reserve um barco inteiro para seu grupo. Uma vez sentado e navegando, não é permitido se levantar, por segurança. Todas as fotos deste texto são desse passeio, que custa em torno de 30 dólares por pessoa. No final do tour, o ônibus te deixa em Yangshuo.

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Bamboo Rafting no rio Yulong

Tem muita gente que vai direto para Yangshuo e nem passa por Guilin. Eu acho que isso é um erro, mas entendo o ponto: a cidade é menor, o clima na frente do rio é mais tranquilo e as atividades ao ar livre valem a pena. O problema é que quem faz isso descarta a possibilidade do cruzeiro, que é feito sempre no sentido Guilin – Yangshuo. Aí restam duas alternativas: dá para pegar um ônibus em Yangshuo, até o trecho entre Yangdi e Xingping, de onde é possível fazer o bamboo rafting descrito no último tópico. E também é possível fazer outro passeio semelhante, mas no rio Yulong, um braço do rio Li e que está colado com Yangshuo.

A tranquilidade é a maior vantagem desta opção, já que são canoas sem motor e este rio não permite grandes embarcações. O preço mais baixo e a menor distância a partir de Yangshuo são outras vantagens, mas há quem diga que o cenário não é tão impressionante.

rio li, China

Quando ir, como chegar e roteiro

A melhor época para conhecer essa região da China vai de abril a outubro, quando os dias estão mais bonitos. Minha viagem foi em fevereiro. Peguei um dia de chuva, o que atrapalhou um pouco, mas o pior de viajar no inverno é o frio – leve isso em consideração antes de escolher o bamboo rafting, já que as canoas são abertas e não dá para escapar do vento. Ainda assim é um passeio lindo.

O Aeroporto de Guilin recebe voos de todo o país e está a 20 km do centro da cidade. Já Yangshuo está a 80 km de distância. Há transfers oferecidos pelos hotéis da cidade, sem a necessidade de passar por Guilin na volta – foi isso que fizemos. Converse sobre essa possibilidade com seu hotel. Uma corrida de táxi de Yangshuo até o aeroporto leva uma hora e custa entre 300 e 350 yuans (50 dólares). Já o deslocamento de ônibus sai por 60 yuans por pessoa (9 dólares).

Outra forma de chegar é de trem – há estações em Yangshuo e em Guilin. Essa é uma boa alternativa para quem está em Hong Kong, já que basta cruzar a fronteira chinesa e pegar o trem em Shenzhen. A viagem dura pouco mais de três horas, em trens de alta velocidade.

guilin, china

Guilin

Sugestão de Roteiro e onde ficar

Eu cheguei de trem, por Guilin. Fiquei um dia lá e na manhã seguinte fiz o passeio pelo Rio Li, que terminou em Yangshuo, onde passei mais uma noite. Meu conselho é que, se possível, você aumente esse tempo: vale ficar um dia em Guilin e dois em Yangshuo e mesmo dois dias em cada cidade não te deixariam sem ter o que fazer. Em Guilin, me hospedei (e recomendo) na Lakeside Inn, uma pousada que fica em frente às pagodas e ao principal lago da cidade. Em Yangshuo eu fiquei no ótimo River View Hotel.

Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014 voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura. Siga minhas viagens também no instagram, no perfil @rafael7camara no Instagram

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