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Astroturismo: lugares perfeitos para observar o céu e aprender sobre as estrelas

“Aquela ali é Polaris, a estrela polar. Com ela, encontramos o norte, mas nem sempre foi assim. Na época dos babilônios, a estrela polar era Thuban, aquela outra ali. Essa mudança ocorreu porque a Terra gira inclinada, como um peão, e seu eixo de inclinação vai mudando lentamente ao longo do tempo. No ano 5.200, a estrela polar será aquela, a Iota Cephei”. Munido de um laser e muita anedota galática para contar, nosso guia no Observatório do Lago Alqueva, em Monsaraz, Portugal, apontava para o céu e nos ensinava como as estrelas sempre influíram na história da humanidade. Ele nos ajudava a identificar as principais constelações, nos ensinava conceitos básicos de física e, quem diria, até de astrologia.

Inteiramente voltado para turistas leigos, o passeio do Observatório Astronômico do Lago Alqueva é um bom exemplo de uma tendência que tem impulsionado destinos do mundo inteiro. Focado na observação do céu e das estrelas, o astroturismo tem sido uma opção cada vez mais procurada em lugares que apresentam boas condições de visibilidade, como Portugal, Chile, Espanha e Estados Unidos. Só no AirBnB, mais de 3.000 anfitriões oferecem telescópios ou experiências astronômicas aos usuários. Em 2018, cerca de 50 mil pessoas reservaram, pela plataforma, hospedagem ou atividades nos Estados Unidos para ver de camarote o eclipse total do sol.

Além desses grandes eventos astronômicos – que podem ser também uma chuva de meteoros ou a aparição de planetas e cometas – há diversas formas de utilizar a folga para aprender sobre o espaço. Os passeios de observação noturna, em centros qualificados e com equipamentos apropriados, são os mais comuns, mas há ainda aulas de como tirar foto das estrelas e caminhadas que unem a atividade ao ecoturismo.

O que você precisa saber sobre o Astroturismo

Em primeiro lugar, não arrisque com o destino. Todo morador de cidade grande sabe que não é qualquer lugar que nos permite aquele espanto com a imensidão do universo. Quanto mais escuro e mais livre de poluição atmosférica for o local, melhor. Por isso, é preciso fugir dos centros urbanos e, em geral, escolher locais com grandes altitudes.

Para garantir a qualidade dos passeios, as Fundações Starlight e Dark Sky criaram sistemas de certificação que atestam a qualidade do céu e o investimento do destino na conservação e proteção, incorporando a observação como parte do patrimônio natural, paisagístico, histórico, científico e cultural. A primeira já certificou 17 destinos, a maior parte deles em Portugal e Espanha. Já a segunda deu o selo a 42 locais de observação, sendo grande parte deles nos Estados Unidos. Apesar do Hemisfério Norte sair na frente em número de destinos certificados, há alternativas também aqui pelo sul. Na América Latina, o Chile, na região do deserto do Atacama, é considerado um dos melhores céus do mundo. Austrália, China e Nova Zelândia também vêm se consolidando como destinos fortes no astroturismo.

Decidido o local, vale a pena pesquisar um pouco sobre ele. Alguns observatórios fecham durante feriados, outros exigem agendamento prévio das atividades ou têm uma ampla oferta de passeios para escolher. O planejamento também vai te ajudar a escolher a melhor data. Em geral, as noites que antecedem e sucedem a lua nova são as que proporcionam melhor visibilidade, mas outros fatores podem influenciar, como o vento. A época do ano também conta: algumas constelações só podem ser vistas em determinados meses. Escorpião, por exemplo, dá as caras no inverno do Hemisfério Sul, ao contrário de Orion, que pode ser vista durante o verão.

Onde fazer Astroturismo: destinos certificados

  • Atacama, Chile

Atacama - Astroturismo

Foto: Shutterstock, por Tatsuya Ohinata

O clima seco e a elevada altitude do Deserto do Atacama transformaram o Chile em um dos principais destinos mundiais quando o assunto é astroturismo. Não é à toa que Antofagasta, principal cidade da região, foi reconhecida pela Unesco como a Capital Mundial da Astronomia. Hoje, o norte do Chile concentra 40% das estruturas para observação astronômica do mundo, e o investimento nesse tipo de atividade – para lazer ou fins científicos – é tanto que o governo pretende aumentar esse número para 60%. São dezenas de observatórios que, com diferentes graus de precisão e de alcance, permitem observar e aprender com as estrelas.

As visitas diurnas aos observatórios, para conhecer a estrutura e o trabalho dos cientistas, costumam ser gratuitas. Porém, é preciso agendar com antecedência para garantir uma vaga. O Observatório Paranal possui alguns dos equipamentos mais avançados do mundo, mas há ainda o ALMA, o Observatório Inter-americano de Cerro Tololo, o Observatório Gemini e o Observatório de La Silla, entre outros.

Os passeios de observação noturna, esses sim pagos e com um guia local, ainda incorporam conhecimentos das culturas nativas e contam como os povos andinos utilizaram seus conhecimentos astronômicos para avanços tecnológicos e manifestações culturais. O Observatório de Alarkapin, em São Pedro do Atacama, oferece esse tipo de atividade.

  • Monsaraz, Portugal

Lago Alqueva - Astroturismo

Foto: Shutterstock, por Fotoeventis

Primeiro destino certificado na Europa, o Lago Alqueva fica aos pés da cidadezinha de Monsaraz, uma pequena fortaleza medieval no coração do Alentejo, em Portugal. Além de ser um dos melhores lugares do mundo para observação astronômica, lá você ainda terá a chance de conhecer um dos mais belos castelos do país, se refrescar no lago Alqueva nos meses de verão e visitar dois conjuntos de monumentos que datam do neolítico (de 10 a 5 mil anos a.C). Atualmente, dois observatórios oferecem os passeios astronômicos na região: o Observatório do Lago Alqueva e o Dark Sky.

Leia também: O que fazer em Monsaraz, uma vila medieval no Alentejo

  • La Palma (Ilhas Canárias), Espanha

La Palma - Astroturismo

Foto: Shutterstock, por Ahmad Khal

Reconhecida pela Unesco como uma Reserva da Biosfera, essa bela ilha no arquipélago das Canárias possui características naturais únicas, sendo mais da metade de seu território sujeita a algum tipo de proteção ambiental. O Parque Nacional de La Caldera de Taburiente, mais importante reserva ambiental de La Palma, concentra diversos microclimas devido ao relevo. É ali que, a 2400 metros de altitude, foi construído o Observatorio del Roque de Los Muchachos.O lugar está acima do que se chama “Mar de las Nubes”, e possui uma atmosfera limpa, perfeita para a observação astronômica.

E a atividade é levada a sério por ali. A ilha assinou, em 2007, a Declaração Mundial em Defesa do Céu Noturno e do Direito de Observar Estrelas (Declaración Starlight La Palma). Além disso, em 1988, promulgou a Lei do Céu, tornando a Espanha o primeiro país a ter uma legislação para proteger um observatório astronômico. Até hoje, essa é considerada a lei mais completa nesse tema. Entre as medidas adotadas, estão a redução da iluminação elétrica na ilha em 50%, a proteção contra a contaminação radioelétrica e atmosférica e o controle do tráfego aéreo: aviões são proibidos de voar dentro do raio de observação.

  • Joshua Tree Park, Estados Unidos

Joshua Tree Park - Astroturismo

Foto: Shutterstock, por Robert Loe

Esse parque se orgulha de ter um dos céus mais escuros da Califórnia e de proporcionar a muitas pessoas a experiência única de ver a Via Láctea a olho nu. Por ali, a ideia é simplesmente pegar um cobertor, um binóculo e se deixar levar pela maravilha das estrelas, mas a administração também oferece atividades esporádicas voltadas para a observação astronômica.

Para saber mais, fique de olho no calendário de eventos do parque. Em setembro, hospeda o Night Sky Festival, que conta com 20 telescópios, música, passeios noturnos e explicações sobre os astros e constelações. Para garantir um lugar, é preciso comprar os tickets com antecedência: eles começam a ser vendidos sempre em junho.

  • Galloway Forest Dark Sky Park, Escócia

Essa área de 300 metros quadrados, completamente protegida da poluição luminosa e atmosférica, foi a escolhida para a construção do Scottish Dark Sky Observatory, que promove diversos eventos voltados para o público geral. Além disso, o parque ainda conta com outros sete pontos de observação astronômica.

  • Poloniny Dark-Sky Park, Eslováquia

Considerado o local mais escuro da Eslováquia e um dos mais escuros da Europa, o céu noturno ali é preservado em sua forma quase natural. Quando o tempo está bom, é possível observar todos os objetos celestes tipicamente vistos a olho nu. Ali fica o Astronomical Observatory on Kolonica Saddle, e suas florestas de faias e abetos são consideradas patrimônio da humanidade pela Unesco.

  • Aoraki Mackenzie International Dark Sky Reserve, Nova Zelândia

Aoraki mackenzie - Astroturismo

Foto: Shutterstock, por Matt Makes Photos

Com 4.300 quilômetros quadrados, a Aoraki Mackenzie é a maior reserva “dark sky” do mundo. O Mount John Observatory é um dos principais centros de pesquisa astronômica da Nova Zelândia e conta com equipamentos de última geração. Para o público geral, o Hermitage Hotel oferece tours guiados de observação de estrelas que contam com uma apresentação em um planetário digital.

  • NamibRand Nature Reserve, Namíbia

Localizada no meio do deserto da Namíbia, essa reserva não é apenas um espaço de proteção do céu noturno, como também da biodiversidade da savana africana. A International Dark Sky Association classifica a reserva como “ouro”, a melhor classificação possível para a observação de estrelas.

Astroturismo no Brasil

Não há destinos certificados para a observação astronômica no Brasil. Isso não quer dizer, no entanto, que você não pode aprender e se encantar com as estrelas perto de casa. Diversos centros, clubes amadores de astronomia e observatórios oferecem atividades para o público em todo o país.

O Laboratório Nacional de Astrofísica, localizado na cidade de Itajubá (MG) é o principal destino de quem se interessa pelo astroturismo no Brasil. Todos os anos, eles promovem o “Tardes e noites de portas abertas”, que convida o público a conhecer as instalações e a utilizar os telescópios do Observatório do Pico dos Dias, na Serra da Mantiqueira. Em 2019, o evento ocorre no dia 14 de setembro, as vagas são limitadas e para participar é preciso se cadastrar no site do LNA.

Além disso, locais como o Parque Ambiental do Ipiranga (GO), o Nova Friburgo Country Club (RJ), a Serra do Itapetinga (SP), Paranaguá (PR), Novo Hamburgo (RS), o Parque Nacional do Caparaó (MG) e o Parque Nacional do Catimbau (PE) oferecem boas condições atmosféricas e de iluminação para a atividade.

Astroturismo amador

Vai a algum local afastado dos centros urbanos, de onde dá para ver aquele ceuzão estrelado? Então você também pode aproveitar a oportunidade para fazer astroturismo, ainda que as condições não sejam 100%. Para isso, um binóculo pode substituir os telescópios, e aplicativos como o SkyView, SkyMap e Stellarium ajudam a identificar os corpos celestes.


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Natália Becattini

Já chamei muito lugar de casa, mas é pra Belo Horizonte que eu sempre volto. Viajo o mundo em busca de histórias e de cervejas locais. Além do 360, mantenho uma newsletter sobre o a vida, o universo e tudo mais, que eu chamo de Vírgulas Rebeldes. Vira e mexe eu também estou procrastinando lá no instagram @natybecattini e no twitter.

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