Carnaval no Rio de Janeiro: dicas para cair na folia

Certamente o carnaval no Rio de Janeiro é o mais famoso do mundo. Tanto é que todos os anos milhares de estrangeiros e brasileiros desembarcam na cidade maravilhosa para curtir um samba e cair na folia. Apesar dos hotéis mais caros e da cidade cheia, passar o carnaval no Rio de Janeiro vale a pena e é muito divertido. Segundo a Reuters, em 2014, 900 mil turistas foram conferir a festa na Cidade Maravilhosa, mas a minha impressão é que eram milhões de pessoas. Todas elas fantasiadas.

Veja também: Onde ficar no Rio de Janeiro – os melhores bairros e hotéis
Passeio no bondinho do Pão de Açúcar, no Rio

bloco imoveis

Carnaval no Rio de Janeiro: a folia dos blocos de rua

Os bloquinhos de rua são a democratização do carnaval. Ao contrário do sambódromo, não é preciso pagar para participar (só a sua bebida). Vai quem quer, e se não gostar de um bloco é só ir embora e curtir outro. Eles começam a lotar as ruas semanas antes do carnaval. Não tem hora do dia ou da noite que você possa sair sem encontrar gente fantasiada, de vestido da Minnie a um grupo vestido de camaro amarelo. Cada ano, a cidade recebe cerca de 500 blocos oficiais, de acordo com a prefeitura.

Eu sou avessa à muvucas e me diverti horrores no Rio, sem me meter em (grandes) furadas. Achei muito legal que realmente todo mundo vai fantasiado. Eu felizmente não presenciei nenhuma briga, assalto ou situação de tensão. Foi só folia mesmo – mas não custa ser esperto e não sair por aí com o dinheiro e o celular num bolso solto fácil de ser levado.

A grande dica é que os melhores blocos começam cedo, tipo 7h ou 8h da manhã. Pode parecer estranho começar a beber nessa hora, mas carnaval é carnaval. O site do guia oficial do Rio de Janeiro reúne todos os blocos e é possível filtra-los por dia e bairro. Tem o blog de um pessoal carioca, o Diário do Rio, em que eles fazem uma avaliação de alguns bloquinhos. Achei muito útil.

Para garantir que a festa vai ser boa, vale a pena se ligar em alguns truques. Bloco muito cheio costuma ser só para os fortes. Experimente passar, mesmo que sem querer, pelo maior bloco do mundo, o “Cordão da Bola Preta”, que reúne 1,5 milhão de pessoas e você vai ver o verdadeiro significado de multidão. Para quem não curte tanta muvuca e prefere algo mais tranquilo, vale a pena evitar os blocos do centro e Ipanema. Nos dias de festa fica quase impossível pegar o metrô pra esses lados. Para te ajudar a escolher, o site da Wikirio estima quantas pessoas devem comparecer em cada bloco.

amigos-carnaval

Há exceções: o blog “Sargento Pimenta” reuniu 150 mil pessoas no aterro no Flamengo no ano em que eu fui.  Apesar dessa multidão, a folia acontecia num espaço aberto e o bloco não anda, fica parado em um palco. Isso quer dizer que dá pra escolher um canto agradável e curtir a festa dali.

Carnaval no Rio de Janeiro: os desfiles na Sapucaí

Os desfiles das Escolas de Samba acontecem, todo mundo sabe, no Sambódromo, também conhecido como a Marquês de Sapucaí. São 12 escolas do grupo especial. Seis desfilam no domingo e seis na segunda feira, das 21h às 3h50. Além disso, sexta e sábado 19 escolas de samba do chamado grupo de ouro (junção dos antigos grupos de acesso A e B) também desfilam. Por fim, no sábado depois do carnaval, as cinco escolas com melhor classificação, incluindo a campeã (decidida na quarta-feira de cinzas), fazem o desfile das campeãs.

Como comprar ingressos para o carnaval no Rio de Janeiro

Os ingressos para os desfiles do carnaval no Rio de Janeiro são vendidos pela Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro). O processo de compra é chato, pois eles divulgam o dia em que começam a vender os ingressos e essa venda é realizada somente por telefone, e nem sempre é fácil conseguir contato com eles.

Só é possível comprar quatro ingressos por ligação e você precisa fornecer o seu CPF. O boleto do pagamento é enviado por Faz (é, eu sei). Depois disso, é necessário fazer um depósito e após 20 dias, o papel informando da compra dos ingressos chega pra você por correio.

Depois de todo esse processo, já em terras cariocas, você precisa se aventurar na Rua da Alfândega, próximo ao Saara (o bairro), para pegar seu ingresso e curtir o carnaval. Detalhe: só o dono do CPF responsável pela compra dos ingressos pode retirar os ingressos. Outra forma de comprar os ingressos é por meio das agências de viagem, mas pode sair mais caro por conta das taxas de serviço e conveniência. Claro que deve existir o cambio negro também, porque no Rio não há regra que não seja burlada. O telefone da Liesa é (21)3213-5151.

No site da empresa tem os preços por local que você escolher ficar. E também tem um mapa da Marques de Sapucaí, que reproduzo abaixo:

Mapa sambódromo do Carnaval no Rio de Janeiro

Segundo a Flávia, amiga que me ajudou com as informações desse post, os melhores lugares são os que ficam perto da bateria das Escolas de Samba: próximo aos setores 2 e 3 fica o primeiro recuo da bateria, onde rola o aquecimento. Eles ficam por lá um bom tempo do desfile. O segundo recuo da bateria é próximo ao setor 11. Tem como ficar na arquibancada, onde os preços variam de 10 a 500 reais – a Flavinha comprou o dela no setor 2, por 220 reais. As cadeiras custam de 90 a 130 reais. As Frisas, que ficam na frente das arquibancadas, custam de 650 a 7.000 reais. E os camarotes custam de 35 mil a 104 mil reais (CHOCADA!).

Vale a pena assistir aos desfiles do carnaval no Rio de Janeiro?

Carnaval_-_Desfile_da_GRES_Unidos_de_Vila_Isabel_Brazil_2012.jpg

Foto de Vladimir Platonow/Agência Brasil

Nós chegamos à avenida por volta de 19h, apesar dos desfiles só começarem às 21h, para garantir bons lugares na arquibancada. O setor 2, onde estávamos, ficava do lado do primeiro recuo da bateria. A Flávia me explicou que melhor mesmo é o setor 3, que fica em frente ao 2 e te permite não só ouvir, como também ver o pessoal dos batuques. O caminho até a entrada do sambódromo era um beco bem esquisito com ambulantes vendendo água, bebidas e almofadas. Sim, almofadas. Cada uma custa 5 reais e garante que você não fique com a bunda quadrada, amenizando o contato com o concreto da arquibancada.

O que eles não mostram na televisão é que antes do desfile propriamente dito começar a bateria entra na avenida e faz um aquecimento tocando um samba antigo. É incrível. Depois eles voltam para o recuo, vêm os fogos de artifício e o desfile de fato começa. Seis escolas depois, muito samba, momentos de tensão quando dá alguma coisa errada e tentativa de adivinhação de quem vai ganhar, o maior show da terra terminou, lá pelas 5h40. No final eu já estava exausta, mas também emocionada.

Mesmo quem não gosta muito de carnaval e samba deveria ver um dia de desfiles na Sapucaí. É muito bonito e bem feito. Acho que nunca vou esquecer a cena da Mangueira arrasando com as duas baterias ou os gritos de é campeã após a Vila Isabel terminar. Passei o resto da semana lembrando fragmentos dos sambas que decorei lá na hora – eles entregam um caderninho que tem as letras e também explica ala a ala, carro a carro, o significado daquilo para o desfile (mais uma vez, muito melhor do que a Globo).

Estrutura do carnaval no Rio de Janeiro

bloco-rio-carnaval

Para terminar, quero dizer um pouco da estrutura do Rio de Janeiro para um evento como o Carnaval. Seja por conta dos blocos, seja na saída da Sapucaí, conseguir um taxi é uma missão quase impossível. No dia dos desfiles fomos caminhando até a Central do Brasil, exaustos, mas não havia nenhum táxi disponível ou disposto a nos levar. Esteja preparado, portanto, para pagar a tarifa dinâmica do Uber e de outros apps. O metrô, apesar de funcionar 24 horas, algumas entradas das estações são fechadas. Isso, somado ao enorme fluxo de gente faz com que cenários de empurra-empurra não sejam raros.

Os ônibus todos também estavam lotados. Ouvi vários casos de pessoas que tiveram o celular roubado. Fora o cheiro desagradável de urina em alguns pontos da cidade e as filas intermináveis para os banheiros químicos. Não sei bem como resolver esses problemas estruturais com tantos visitantes na cidade de uma só vez, mas minha impressão geral é que falta organização por parte da prefeitura e também falta educação por parte de muitos foliões.


Compartilhe!



Com o 360meridianos, você encontra as melhores opções para planejar a sua viagem. Confie em quem já tem prática no assunto!

 

Reserve seu hotel com o melhor preço e alto conforto

 


Veja as melhores opções para seguros de viagem

 


Transfira dinheiro para o Brasil e exterior com menos taxas

 


Alugue veículos com praticidade e comodidade

 




Quer 70 páginas de dicas (DE GRAÇA!)
para planejar sua primeira viagem?




Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 30 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite "morar no aeroporto". Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo. Siga @afluiza no Instagram

  • 360 nas redes
  • Facebook
  • YouTube
  • Instagram
  • Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

7 comentários sobre o texto “Carnaval no Rio de Janeiro: dicas para cair na folia

    1. Ei Marcelo,

      É um pouco difícil ser objetiva numa festa tão subjetiva. Acho que você tem que levar em conta que cada um tem um gosto diferente, por exemplo, eu odeio multidões e jamais iria para Salvador. Dito isso, eu gosto muito do carnaval no Rio porque é democrático e dá para cada um achar a festa que se identifica mais – apesar de ser caro, para quem tem que pagar hospedagem. E também pelo clima da cidade toda fantasiada e festejando, mas sem um ar de micareta.

      Acho que dou nota 9 para a Sapucaí, com a única perda de ponto sendo pela falta de organização de transporte para sair de lá. Para os bloco de rua a nota é 8, mais pela prefeitura do que por eles – mais uma vez a perda de ponto é por conta da confusão que eles deixam o transporte: até fecham estações de metrô, em pleno carnaval. E ainda pela falta de segurança.

      ficou claro?

      bjs

  1. Ola! que legal este post..
    Bom para desmistificar meu olhar do carnaval do Rio.. adorei!
    Mas vejam só.. BH tbm teve um ótimo carnaval, o q significa uma super mudança. Tivemos vários blocos saindo nas ruas da capital vários dias de fevereiro!! (extrapolando as datas festivas).. Na verdade, eu acho q este novo carnaval belorizontino está nascendo em resposta as açoes proibitivas de manifestações culturais na cidade nestes últimos tempos.. as pessoas estão “acordando” e fazendo disso muita festa!
    Em razão desta mesma falta de incentivo dos órgãos gestores, os dias de folia tiveram alguns pontos negativos; falta de divulgação, banheiros químicos, limpeza das ruas, segurança adequada..
    Mas enfim, foi maravilhoso comemorar o carnaval, sem ter q viajar para outras cidades!

    1. Ei Cristina,

      Acompanhei o carnaval de BH pelas postagens dos amigos e achei super legal. Acho que essa falta de organização inicial é um pouco comum, porque ninguém esperava que fosse ser um evento tão grande. Vamos torcer para ano que vem a coisa ser diferente. A prefeitura não costuma ajudar muito, mas o povo está bem organizado e animado, e isso que conta para o carnaval, né?
      bjs

2018. 360meridianos. Todos os direitos reservados. UX/UI design por Amí Comunicação & Design e desenvolvimento por Douglas Mofet.