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Como agir em caso de manifestações no exterior

Os lugares que a gente visita são muito mais do que um cartão-postal que nos espera nas próximas férias. Por trás daquele mar inacreditável de azul ou daquele monumento famoso existem tensões prontas para abalarem as estruturas do status quo, não importa se você está na Europa ou na Ásia, se o país é reconhecidamente instável ou se está tranquilo há séculos. O conflito faz parte da vida em sociedade.

Em alguns casos, essas tensões podem se manifestar de forma branda. Mas a gente já sabe que um corriqueiro grito a favor do passe livre pode acordar um gigante, que manifestações contra um acordo econômico podem evoluir para uma ameaça de guerra e que as primaveras democráticas não morreram nos anos 1960. Saiba como lidar com situações de instabilidade política durante um viagem.

Evite os focos do protesto

Protestos Tailandia

 Protestos em Bangkok (ilf_/Wikimedia Commons)

Manifestações costumam ocorrer em pontos específicos das cidades e não de forma generalizada. Descubra quais são os locais onde os manifestantes costumam se reunir e evite esses lugares em dia de protesto. Normalmente, prédios públicos e sedes governamentais são os principais focos, mas monumentos famosos ou emblemáticos também estão entre os lugares mais cotados para receber um protesto.

Em 2011, estávamos em Roma quando explodiram algumas manifestações contra a crise econômica. A coisa ficou violenta, com carros queimados e dezenas de pessoas feridas pela polícia. Nós tivemos que mudar nossos planos e a visita ao Fórum Romano e ao Coliseu ficou um pouco prejudicada, mas nós não vimos nem sinal de manifestação.

Da mesma forma, capitais e grandes centros econômicos costumam ter uma cena política efervescente. Na Tailândia, por exemplo, enquanto o bicho pega em Bangkok, a festa e a tranquilidade continuam nas praias. Leve isso em consideração na hora de planejar (ou mudar) seu roteiro. Neste site do governo britânico, você tem informações atualizadas sobre a situação política de cada lugar e se é seguro ou não viajar para lá.

Seguindo essas dicas, é provável que suas férias sejam pouco afetadas pelas manifestações. Se a instabilidade não for muito grave, claro.

Procure se manter informado

Em casos assim, a informação é a sua maior aliada. Leia tudo sobre as razões e consequências dessa instabilidade. Fique atento a possíveis desdobramentos que possam tornar a situação mais complicada. Consulte sites de notícia locais (se possível) e internacionais diariamente e converse com os nativos sobre o tema. E, acima de tudo, entenda o contexto histórico e político daquele país e os acontecimentos que levaram essa tensão a explodir. Só assim você vai compreender se é só coisa de 20 centavos ou se aquilo pode evoluir para uma guerra civil, por exemplo.

Protestos na Ucrania

Protestos na Ucrânia (Mstyslav Chernov/Unframe/Wikimedia Commons)

Esteja preparado para lidar com possíveis efeitos colaterais

Mesmo que os protestos estejam restritos a uma região da cidade, você pode ter que enfrentar alguns efeitos colaterais, dependendo da duração e gravidade dos levantes. Quando estávamos no Nepal, ficamos presos em meio a uma greve que parou o país. As manifestações eram pacíficas, como é em geral o bom povo nepalês, mas a ausência de serviço de transporte e de lojas abertas nos obrigaram a adaptar um pouco nossa viagem e até mesmo fugir de Pokhara no meio da noite, sob o risco de perdermos nosso voo no dia seguinte, em Katmandu. Já em Londres, tivemos que deixar a Catedral de St. Paul para outra ocasião, já que ela tinha sido fechada por manifestantes. Foi a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que a Catedral não recebeu visitas.

Outro exemplo é o Egito, onde as manifestações ficavam restritas à Praça Tahrir, no centro de Cairo, mas os efeitos da instabilidade política vivida pelo país são sentidos no país inteiro. Em 2011, quando os protestos começaram, a maior pirâmide do país foi fechada para visitas. Imagina ir ao Egito e voltar sem tirar uma foto segurando a pirâmide? Frustrante, né? Mas, para a sua segurança, é melhor que isso aconteça em casos assim.

Protestos no Egito

 Protestos do Egito (Adam Makary, Al Jazeera English/Creative Commons)

De acordo com uma reportagem do Último Segundo, com a diminuição do número de turistas estrangeiros que entram no país e a consequente queda de faturamento em uma das indústrias vitais para a economia egípcia, os comerciantes, que já eram incisivos, passaram a tomar atitudes violentas para obrigar os turistas a levarem seus produtos.

Evite entrar em polêmicas com os locais

Em momentos de crise política, é normal que os ânimos dos envolvidos estejam exaltados. Por isso, não importa qual sua opinião sobre o assunto, não entre em questões delicadas e polêmicas com os locais. Por mais que você esteja lá e tenha visto tudo acontecer, você observou como um estrangeiro. Limite-se a ouvir e entender a posição deles. Se pedirem sua opinião, seja educado e ponderado. Tenha cuidado para não ferir crenças arraigadas ou ofender as pessoas envolvidas.

Tenha um plano B

Então você planejou seu roteiro com uma planilha no Excel, reservou os hotéis e comprou todas as passagens e tickets de entrada em atrações turísticas com antecedência. Esteja preparado para jogar tudo isso no lixo e mudar seus planos. Sim, isso pode representar um prejuízo. Sim, vai ser doloroso. Mas esteja preparado para fazer algo completamente diferente do que foi planejado se a situação assim exigir. Inclusive voltar mais cedo para casa.

Se você souber da instabilidade antes de viajar, já embarque com um plano B em mente. É o caso de alguns leitores do blog que embarcaram recentemente para a Tailândia. Sem saber ao certo como estava a situação em Bangkok, eles já se prepararam para ficar na capital menos tempo que o previsto e curtir mais tempo na praia, mesmo que a visita a atrações famosas, como o Mercado Flutuante e Ayutthaya, tenha sido prejudicada.

Se a coisa ficar feia, procure o consulado

Guerra civil na Siria

 Guerra Civil na Síria (Voice of America News: Scott Bobb reports from Azaz, Syria/Domínio Público)

Se em algum momento você sentir que sua segurança está em risco, não hesite em contatar o Consulado Brasileiro mais próximo e pedir auxílio. Dependendo do caso, eles podem te dar orientações sobre como proceder, oferecer abrigo dentro do prédio consular e até te ajudar a voltar para casa. Na ausência de um consulado, um embaixada pode fazer esse papel também. Aqui você encontra uma relação com todas as embaixadas e consulados brasileiros.

Foto destacada: Mstyslav Chernov/Unframe/http://www.unframe.com/ (CC BY-SA 3.0)

 


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Natália Becattini

Jornalista, escritora e mochileira. Viajo o mundo em busca de histórias e de cervejas locais. Já chamei muito lugar de casa, mas é pra BH que eu sempre volto. Além do 360, mantenho uma newsletter inconstante, a Vírgulas Rebeldes, na qual publico crônicas e contos . Siga também no instagram @natybecattini e no twitter.

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5 comentários sobre o texto “Como agir em caso de manifestações no exterior

  1. Bom, eu acho que estou seguindo o caminho oposto hahaha!
    To indo meio que para o olho do furacão e no meu próprio país. Me inscrevi para ser voluntário da Copa no ano passado e no começo desse ano fui selecionado, resolvi encarar o desafio e, apesar das criticas, ainda me parece uma grande oportunidade e experiência. São só 6 dias (nada de anormal pra quem está acostumado com a carga horária de 40 h. semanais) enfim, acho que algumas dicas aqui podem me ajudar, espero sair vivo e com uma boa história pra contar XD.

  2. Na tentativa de regresso a pátria amada após 2meses por sudamérica, aconteceu de pegar estrada fechada na Bolívia, eixo La Paz-Cochabamba em virtude de protestos dos cocaleros contra, o que entendi, aumento do combustível, considerando que o próprio Evo Morales, na época, era presidente do sindicato dos cocaleros… Confusão, cansaço, estrada fechada, sensação de estAr presa sem saída, eita. Mas mesmo assim… tudo vale a pena se a alma não é pequena, quem quer passar do borjador, passa além da dor, como Pessoa pensa poesia!
    Abraço, sempre uma viagem esse blog!

    1. Nossa Ana! Que aventura essa na bolívia! E eu tbm acho que mesmo os perrengues podem sempre trazer algum aprendizado! Que bom que deu tudo certo! Obrigada por comentar! =)

  3. em 2011, vi protestos que ñ acabavam mais em santiago, no chile!
    transitei de boa pelas manifestações de junho, dos estudantes em prol do ensino universitario publico! a maior tensão foi em valparaiso, onde vi ação dos temíveis carabineiros! os caras pegam pesado msm! nem conseguimos ir na casa de praia do Pablo Neruda!

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