Como planejar uma viagem para o Parque Estadual do Jalapão

Valeu cada sacolejo do caminhão. Valeu a poeira, o enjoo e até perda do sinal do celular, que durou dias. Um dos destinos turísticos mais bonitos e isolados do Brasil, não decepciona. O Parque Estadual do Jalapão, em Tocantins, foi criado em 2001 e ainda está entrando na rota turística do viajante brasileiro. O Jalapão oferece cachoeiras, cenários deslumbrantes e um cartão-postal para turista nenhum botar defeito: a Serra do Espírito Santo, que aparece na foto que abre este texto.

Estive no Jalapão em fevereiro, viagem de seis dias que incluiu uma rápida passagem por Palmas, a mais nova capital estadual do Brasil. Quer planejar uma viagem para Parque Estadual do Jalapão? O primeiro passo é entender exatamente o que é esse parque de nome estranho.

Veja também: Jalapão, o Brasil que você ainda precisa conhecer

Jalapão, Tocantins

Onde fica o Jalapão?

O Jalapão fica no leste do Tocantins, perto das divisas com a Bahia, Piauí e Maranhão. Palmas costuma ser o ponto de chegada para quem vai até lá. A cidade está a 180 quilômetros do Parque Estadual, que é grande. E a microrregião do Jalapão é maior ainda: são 34 mil km² apenas no Tocantins. Difícil entender a imensidão do número, né? Para facilitar, saiba que Sergipe e Alagoas são menores que o Jalapão.

Por conta do tamanho, o Jalapão envolve vários municípios: Lagoa do Tocantins, Mateiros, Novo Acordo, Lizarda, Ponte Alta do Tocantins, Santa Tereza do Tocantins e São Félix do Tocantins.  As atrações do parque estão espalhadas ao longo dessa extensa área, o que faz com que qualquer viagem pelo Jalapão envolva grandes deslocamentos em veículos 4×4 e estradas de terra. Muitos dos atrativos estão ao redor de Mateiros, uma espécie de capital do Jalapão.

Todas as cidades são pequenas. Mateiros tem menos de dois mil habitantes, enquanto o maior dos municípios jalaponeses não alcança a marca de oito mil moradores. Números que fazem do Jalapão uma das áreas com menor densidade populacional do Brasil, com apenas 0,8 pessoas por km². Traduzindo: é raro ver gente nas estradas do Jalapão.

Viajar para o Jalapão

Cânion Sussuapara

Como chegar ao Parque Estadual do Jalapão

Há voos diretos para Palmas a partir de Brasília, São Paulo e Goiânia, operados por Azul, LATAM e GOL. A boa notícia é que as passagens não costumam ser caras. Eu paguei R$ 290, com taxas, com saída de Belo Horizonte e conexão em Brasília. Essa é a média de preços a partir de capitais do sudeste e do centro-oeste.

O preço sobe um pouco a partir de cidades do sul e do nordeste. E fica ainda mais caro a partir de outras capitais do norte, como Manaus e Porto Velho. A dica, para garantir bons preços, é comprar as passagens com pelo menos dois meses de antecedência e ficar de olho nas promoções das empresas aéreas.

Mas Palmas é apenas o começo da viagem. Passe alguns dias na capital antes de pegar a entrada novamente. São 64 quilômetros pela rodovia TO-050, até uma cidade chamada Porto Nacional. De lá são mais 116 quilômetros até Ponte Alta do Tocantins, pela TO-255, já dentro da área do Parque Estadual. A partir daí todas as estradas são de terra e a locomoção só é possível em veículos 4×4. E não é pouca coisa: até Mateiros, onde estão muitos dos atrativos do Jalapão, são quase 200 km por estradas de terra.

Jalapão, Tocantins

Serra do Espírito Santo, Jalapão

Por conta da pequena quantidade de gente no Jalapão e da completa falta de sinal de telefone ou internet, essa não é uma viagem indicada para se fazer sozinho ou sem um guia experiente. Agências de turismo montaram pequenos acampamentos no Jalapão e vendem pacotes a partir de Palmas. Eu viajei com a Korubo, num grupo de 30 pessoas, e recomendo a experiência. Falarei mais sobre o roteiro da Korobo abaixo.

Quantos dias ficar no Jalapão

Os roteiros das agências duram entre cinco e sete dias. Por conta das grandes distâncias envolvidas e das estradas de terra, acho que o ideal é ter pelo menos esse tempo de viagem. Quem fica mais não encontra motivos para reclamar.

Cachoeira da Velha, Jalapão

Cachoeira da Velha, Jalapão

Jalapão: melhor época

É possível visitar o Jalapão durante todo o ano. A época das chuvas vai de dezembro a março. Nesta época as estradas ficam (em tese) mais complicadas, a vegetação mais verde e e as temperaturas caem um pouco. Entre maio e setembro é época da seca, com estradas (em tese) em melhores condições e temperaturas um pouco mais elevadas. Eu viajei em fevereiro e gostei – choveu pouco e o céu estava quase sempre azul.

Sobre as estradas, vale dizer que a terra que vira lama na chuva é substituída por uma estrada bem arenosa na seca. Ou seja, a estrada raramente está em boas condições. Veículos atolam com frequência e mesmo os dois veículos adaptados da Korubo andam sempre juntos, para que um auxilie o outro em caso de problemas.

Como qualquer outro destino turístico, a procura aumenta nas férias e feriados. Reserve com antecedência caso pretenda viajar nessas épocas. Setembro é a melhor época para ver o capim dourado, vegetação típica do Jalapão que é usada para fazer artesanato.

Planejar viagem Jalapão

Parque Estadual do Jalapão: o que visitar

As primeiras paradas começam em Ponte Alta do Tocantins. É lá que está o Cânion Sussuapara, que funciona como um cartão de visitas do Jalapão: para muita gente a viagem de fato começa ali. A Korubo para no cânion na viagem de ida. Paredões de mais de 20 metros dificultam a entrada do sol. O riachinho que passa pelo meio do cânion completa o cenário – e ajuda a diminuir a temperatura do local. Depois de horas balançando no calor jalaponês, o Cânion Sussuapara é um refresco merecido.

A 35 km do centro de Ponte Alta do Tocantins fica outro atrativo, a Pedra Furada, parada tradicional na hora do pôr do sol. Como o roteiro da Korubo não inclui esse local, não posso opinar, mas o site do governo do Tocantins conta como é ver o dia terminar ali.

Muitos quilômetros de estrada de terra depois e você chegará em Mateiros, vila  que conta com a maior parte dos atrativos do Jalapão. É nessa região que estão a Cachoeira da Velha, a Cachoeira da Formiga, os fervedouros – lagos em que é impossível afundar, por conta da ressurgência da água, e a Serra do Espírito Santo, com suas dunas, trilhas e lagos.

Na mesma região está o Rio Novo, onde turistas fazem rafting e nadam nas praias de água totalmente limpa. O acampamento da Korubo fica às margens do Rio Novo. Em Mumbuca, um povoado localizado em Mateiros, é possível comprar artesanato feito com Capim Dourado.

O que fazer no Jalapão

Cachoeira da Formiga

Por fim, a região ao redor de São Félix do Tocantins, a 260 quilômetros de Palmas, também tem fervedouros, serras, praias e ótimos lugares para praticar rafting. Destaque para o Rio do Sono e a Serra da Catedral. Não conheci essa área do Parque Estadual Jalapão, que não está no roteiro da Korubo, mas também parece interessante,

Jalapão: por conta própria ou com agências?

Na boa, até dá para ir por conta própria, principalmente se você estiver acostumado com esse tipo de viagem. Nesse caso, procure uma pousada em Mateiros (ou outra vila), vá num carro 4×4 e contrate um guia. Mas até eu, que adoro viagens independentes, acho que ir com uma agência é a melhor opção.

A Korubo montou um acampamento base de frente para o Rio Novo. As barracas são grandes, têm camas e banheiro e a estrutura é ótima, inclusive com banho quente e local para carregar equipamentos eletrônicos (por meio de um gerador). Todas as refeições estão incluídas no pacote e o acampamento é usado como base para explorar o Jalapão. Mesmo assim, prepare-se para viagens de três horas por dia nos caminhões da empresa. O caminhão maior tem um mirante, com quatro assentos. Os viajantes se revezam para viajar lá. Leve câmera e protetor solar e cuidado com os galhos das árvores. A vista é incrível.

Como planejar uma viagem para o Jalapão

Caminhão da Korubo

Nortetur e Venturas são outras agências que oferecem roteiros pelo Jalapão. A primeira inclui na viagem lugares como o Rio do Sono, o Morro Vermelho e a Serra da Catedral, que ficam em outros pontos do Parque Estadual do Jalapão, mas a hospedagem é em pousadas da região – eu gostei muito de ficar no acampamento. Já a Venturas tem vários dias de rafting durante a viagem, ao longo de acampamentos no Rio Novo.

O que levar na bagagem

Dinheiro em espécie, capa de chuva (se você viajar entre dezembro e março), repelente, lanterna, boné e protetor solar. Roupas leves, calçados para caminhada e rafting e um bom livro. Coloque músicas com jeito de road trip no celular. Ele só vai servir para isso.


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Rafael

Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014 voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura. Siga minhas viagens também no instagram, no perfil @rafael7camara no Instagram

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9 comentários sobre o texto “Como planejar uma viagem para o Parque Estadual do Jalapão

  1. Oi Rafael! Pesquisando sobre achei sua matéria, pois pretendo também ir e me feverwieo, mas estou mto receosa quanto a chuva. O que vc recomenda e qual a data de fevereiro vc foi? Costuma chover mais em qual parte do dia? Obrigada!

  2. Ótimo post! Me animou a conhecer o Jalapão! Fui, mas confesso que não sou do esquema “acampamento” rsrs. Acabei contratando uma agência de Palmas que organizou tudo com muito conforto em Pajero Dakar e hospedagem em pousada, a Cerrado Dourado Expedições. O Jalapão me surpreendeu em cada detalhe. É muito bonito mesmo. Falta um pouco de infra estrutura nos atrativos, mas é uma característica que “faz parte” do local. A imensidão de todo aquele cerrado, as dunas, os fervedouros.. é um lugar realmente único!

      1. Opa… parabéns pela aventura e pelo post… td blz??… pretendemos ir em 2 pessoas ao Jalapão entre os dias 13 a 17/03/17 de moto… sabem de alguém (mais 2) que estará por lá e queira dividir o aluguel de uma 4×4.

  3. Excelente post!!! Tenho pensado muito em ir para o Jalapão mas só conhecia o esquema da Venturas de acampamento bem rústico, tipo saco de dormir. Isso não é para mim. Uma amiga foi e sem querer dormiu em cima de um ninho de escorpião! Saber que tem outras opções menos punk pelo seu post me animou muito. Valeu!

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