Como trabalhar na Irlanda durante um intercâmbio

Cada intercambista tem uma experiência diferente na hora de conseguir trabalhar na Irlanda. Alguns arrumam de forma mais rápida, outros podem demorar bem mais. Nível de inglês, capacidade de adaptação a novas funções, uma boa indicação e sorte são fatores determinantes para definir qual será a sua história. A maioria das vagas de emprego é repassada por alguém que está saindo da empresa ou por um funcionário que ficou sabendo da disponibilidade. Portanto, conte a todos os seus amigos que você está à procura de emprego, imprima vários currículos, saia distribuindo pelos estabelecimentos da cidade e peça para falar com o gerente, isso é um diferencial. Uma vez por semana o shopping Dundrum disponibiliza uma lista com as vagas disponíveis, vale a pena ir lá e dar uma olhada.  

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O uso do termo subemprego, no Brasil, é considerado uma ofensa. Para os irlandeses, é só mais uma entre tantas formas de emprego. A carga negativa associada aos trabalhos que não necessitam de capacitação é mito que costuma cair por terra logo nas primeiras semanas do intercâmbio. Na maioria das vezes, por mais que você tenha um diploma, o seu destino será o mesmo: o setor de serviços. É claro que há exceções, como as áreas de Tecnologia da Informação e de enfermagem, que têm uma carência enorme de profissionais na Irlanda.

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Há também sites com várias vagas e páginas no Facebook dedicados a encontrar onde trabalhar na Irlanda. Entre eles:

https://www.facebook.com/staffwantedireland/

https://ie.indeed.com/

https://www.jobs.ie/

https://www.irishjobs.ie/

1. Trabalhar na Irlanda: Agências de recrutamento

Para quem quer alguma experiência internacional para colocar no currículo e um emprego fixo, uma alternativa mais rápida pode ser trabalhar como prestador de serviços para as empresas de recrutamento. São três mais conhecidas: Noel, Excel e a Drinks2u. Os trabalhos mais oferecidos são os de caixa, garçom, limpeza e auxiliar de cozinha.

Para a Noel e a Excel, é preciso pagar uma taxa e fazer dois cursos antes de começar a trabalhar. Esse valor é de aproximadamente 90 euros. São os cursos de Food Safety (manipulação de alimentos) e o Manual Handling (algo como o nosso segurança no trabalho). Depois disso, eles te cadastram com um contrato de zero horas, que significa que você é funcionário, mas só recebe quando trabalhar. E eles não são obrigados a dar um número mínimo de horas trabalhadas. Esse não é o melhor dos trabalhos, mas é uma mão na roda na hora do aperto. Há quem sobreviva somente com esse tipo de emprego.

Na Drinks2u não precisa de curso, o esquema de contrato é basicamente o mesmo, mas a demanda é um pouco menor. A parte mais interessante é que os trabalhos são geralmente em grandes eventos. No ano passado, por exemplo, alguns amigos trabalharam vendendo bebidas na pista dos shows do Coldplay, Beyonce, Ed Sheeran e Iron Maiden. O valor pago varia de acordo com o evento, mas nunca é inferior ao salário mínimo de 9,55 euros a hora, em todos os três casos.

2. Waitress e floor staf – Garçonete e ajudante de restaurante

A intercambista Anna Carolina chegou em um tradicional pub de Dublin na cara dura e, ao contrário do que muita gente faz, falou a verdade. Disse para a gerente que não tinha experiência, que o inglês dela não era bom, mas que tinha vontade e disposição para trabalhar. A gerente gostou da sinceridade, deu a ela um teste, mas ela teve bastante dificuldade. A princípio o trabalho era o de floor staff e somente limpar as mesas. Mas como ela estava sempre circulando pelo salão do pub, muitas pessoas achavam que poderiam fazer os pedidos. Pediam pratos, bebidas e informações e muitas das vezes ela não conseguia entender. Ela sempre tinha que pedir para alguém ajudar, até que, um dia, aprendeu. Era uma dor de barriga constante a cada vez que ela tinha que ir trabalhar, por causa do medo de fazer algo errado e perder o emprego.

“É claro que na escola eu também aprendi, mas o local onde eu realmente tive meu maior aprendizado foi no trabalho, servindo, passando aperto. Sinto falta até hoje, ainda estou no grupo do pub e pretendo voltar lá, porém como turista”, conta.

Quem opta por esse tipo de emprego tem que ter em mente que estará servindo outras pessoas, que nem todas são educadas e vão te tratar bem. Tem que estar preparado para ficar de pé por várias horas seguidas, ser ágil e aprender a equilibrar vários pratos e copos ao mesmo tempo.

3. Kitchen Porter – auxiliar de cozinha

Se você prefere o fim do mundo a ter que lavar a louça suja do almoço em família no domingo, trabalhar na cozinha de um restaurante ou hotel pode não ser muito a sua praia. Mas esse pode ser o seu próximo trabalho na Irlanda.

Por ser uma cidade bastante turística, em Dublin esse tipo de serviço tem muita oferta. A função é manter a cozinha limpa, o tempo todo. São pratos, vasilhas, talheres e dezenas de panelas a serem limpos, várias vezes ao dia. Além de ajudar na cozinha, descascando alimentos e montando pratos. Caso goste e tiver habilidade, há vários casos de quem começou como Kitchen Porter e acabou como cozinheiro ou até mesmo chef de cozinha.

É um dos trabalhos com a maior rotatividade, pois não é todo mundo que aguenta trabalhar em constante pressão. Porém, para quem quer umas horinhas a mais, é uma boa pedida, pois a maioria dos estabelecimentos acaba operando acima das 20h permitidas, devido a grande demanda de trabalho e horas extras.

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Crédito: Fishman64 – Shutterstock

4. Cleaner – serviços gerais

É o mais famoso dos trampos. É aquele que quando falta a grana do supermercado, você arruma um jeito de conseguir. Muitas famílias recorrem a intercambistas para fazer a faxina da casa, principalmente aos brasileiros. Tanto fascínio por nós é porque somos vistos como um povo que gosta de cuidar da higiene e, por isso, acham que cuidamos mais da limpeza.

Fazer o “cleaner” em casas ou estabelecimentos é um tanto quanto diferente do que é no Brasil. É que lá eles não usam tanta água e não têm o mesmo hábito de esfregarem as coisas, como nós temos. Para eles, um paninho com algum produto químico é sinônimo de ambiente limpo. As melhores formas de conseguir um trabalho como cleaner são por indicação ou nos sites de busca. O Gumtree é um dos melhores.

5. Housekeeper- camareira

Dizem que esse é um dos trabalhos mais pesados, juntamente com o Kitchen Porter. É onde muitas das mulheres trabalham, assim como foi comigo. Para a minha sorte, no hotel em que eu trabalhava, minha responsabilidade era a de arrumar no máximo sete quartos por dia. Já outras amigas precisavam arrumar até 20 acomodações.

É um trabalho que demanda muita força física e paciência, pois nem todos os hóspedes são compreensíveis, educados e respeitam o horário de check-out. É preciso aprender os nomes das roupas de cama e se acostumar com o temido duvet, que nada mais é do que a capa do edredom. Quem quiser se aventurar, vale a pena passar nos hotéis entregando currículos e pedindo indicações a amigos que já estão trabalhando no ramo.

6. Care Assistant – Cuidador

É um dos processos de trabalho mais longos e complicados, afinal, você precisará cuidar da saúde de outras pessoas. Algumas empresas aceitam quem não tem experiência e o salário costuma ser um pouco maior que o mínimo. Para começar o treinamento, é preciso preencher vários formulários, inclusive o Garda Vetting, que nada mais é do que uma certidão de antecedentes criminais. Para conseguir, o pretendente deverá ir a um posto da Garda, que é a polícia irlandesa, retirar os formulários, preencher e levar para a empresa de Care Assistant. São eles quem vão dar a entrada no pedido da certidão.

Depois de tudo preenchido, há uma entrevista. As perguntas geralmente são de como você reagiria em determinadas situações e experiências anteriores. Se você se sair bem na entrevista, tem uma introdução ao trabalho e, depois, um treinamento. Esse treinamento, dependendo da empresa, pode durar de um dia até uma semana. Depois de tudo feito, o candidato estará apto a começar a trabalhar.

Camila Fernandes, 28 anos, trabalha em uma das principais empresas do ramo na Irlanda. Segundo ela, a rotina de trabalho varia de acordo com as necessidades de cada cliente. Tem desde os que precisam dar banho até aqueles que só querem bater um papo. Em alguns casos, é necessário preparar uma refeição e até mesmo dar uma limpadinha na casa. Os shifts têm, em média, entre 30 minutos e 1h de trabalho.

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Dublin. Crédito: Massimofusaro – Shutterstock

5. Visto de trabalho para brasileiros e as vagas em TI

Em 2017, o governo irlandês concedeu 635 novos vistos de trabalho para brasileiros. Nós somos o quinto país que mais recebeu esse tipo de visto. Ficamos atrás apenas da Índia, com 3316 vistos; Filipinas, 752; EUA com 724 e o Paquistão, com 644 novos vistos emitidos.

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O visto de trabalho ou o tão sonhado Stamp1, como é conhecido, tem validade inicial de dois anos, podendo ser estendido por mais três. Após cinco anos de trabalho no país, o trabalhador pode requerer a cidadania irlandesa, o Stamp4. Boa parte desses vistos é dada aos profissionais da área de TI, que têm bastante oferta de vagas de trabalho. Isso porque as principais empresas de tecnologia têm escritórios espalhados pela ilha. Entre elas estão: Google, Facebook, Dell, Twitter, YouTube, Amazon, Instagram e várias outras.

Se a intenção for conseguir um visto de trabalho, vale a pena dar uma olhada nesse link do governo irlandês, que mostra quais foram as empresas que mais concederam vistos para cidadãos que não fazem parte da União Europeia. A documentação varia do tipo de emprego você está se candidatando, mas as informações podem ser encontradas aqui.

Fabrício Bedeschi, 31 anos, foi para Dublin em outubro de 2016, com visto de estudante, mas com a intenção de arrumar um emprego em TI. Tinha inglês intermediário, com escrita e leitura avançadas, mas com pouca fluência em conversação. Seis meses após começar o intercâmbio, depois de várias entrevistas, conseguiu um emprego em uma empresa de TI, como desenvolvedor. O teste admissional, segundo ele, geralmente é feito em três etapas: entrevista por telefone com o RH, teste prático e, por último, a entrevista com um especialista da área.

Um dos pré-requisitos para a maioria das vagas é a experiência. Por isso, são raras as oportunidades dadas aos recém-formados e a quem ainda não concluiu a graduação. Para Fabrício, poderia ter sido diferente: “Se eu pudesse voltar atrás, não teria ido com o visto de estudante. Teria começado a procurar por emprego ainda no Brasil. Visto de trabalho compensa, principalmente na questão financeira. É uma grande oportunidade e você chega a receber até três vezes mais estando aqui. Mas quem vem, precisa estar ciente que, apesar de ser um país europeu, há dificuldades. Moradia, o clima e transporte são algumas delas”.

6. Trabalho informal

Não somente de trabalho legalizado vive o intercambista. As alternativas sem registro variam desde os que trabalham por conta própria, com serviços como manicure, cabeleireiro, cozinheiro e outros, até vagas em estabelecimentos comerciais.

Foi o caso de Felipe Fiorentini, 24 anos, que teve um único emprego em Dublin, em uma pizzaria. A vaga, ele conseguiu em um grupo de WhatsApp, com um brasileiro que ele não conhecia, mas que estava largando o emprego. Ganhava menos que o salário mínimo, 8 euros a hora, quando o mínimo era de 9,25 euros. O chefe era um italiano que também não falava inglês muito bem. Já no primeiro dia, o deixaram sozinho para atender e preparar os pedidos. Era ameaçado de demissão todos os dias, por qualquer erro que cometesse. Chegou a ser demitido uma vez, mas readmitido no dia seguinte.

Uma das vantagens desse tipo de serviço é poder trabalhar mais horas do que o permitido pela legislação. Em alguns casos, a diferença no final do mês chega a quase o dobro do salário de um trabalhador regularizado. O quê acaba compensando o fato de o salário ser menor. Mas vale lembrar que é um trabalho que não é reconhecido pelo governo irlandês e que pode causar problemas e, em casos mais extremos, até mesmo a deportação.

Um dos problemas de quem tem esse tipo de emprego é provar para a imigração de onde vem o seu sustento. Seja na hora da renovação do visto ou no aeroporto, ao entrar no país depois de uma viagem. Eles vão te questionar sobre como você tem se sustentado e, se não houver registro de algum empregador no seu sistema, eles podem desconfiar. Fique de olho!


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Fernanda Pádua

Tenho BH como meu ponto de partida e o meu porto seguro. Entrei pela primeira vez em um estádio de futebol aos 10 anos e ali descobri que queria ser jornalista. 20 anos depois, me tornei repórter esportiva e viajante nas horas vagas. Fiz intercâmbio na Irlanda em 2016/2017, pra estudar inglês. Tenho um objetivo de visitar todos os estados brasileiros e metade dos países do mundo e já percorri boa parte do trajeto, mas várias histórias e paisagens legais ainda estão por vir.

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