Uruguai de carro: guia completo para organizar a viagem

Menor que o Paraná e a poucos quilômetros de várias cidades do sul do Brasil, é fácil conhecer o Uruguai de carro. E o melhor: o país, cheio de boas estradas e paisagens lindas, combina com uma road trip. Neste texto você encontra um guia completo para organizar suas férias.

Documentos para viajar pelo Uruguai

  • Brasileiros não precisam nem de passaporte para viajar pelo Uruguai – basta levar a Carteira de Identidade, em bom estado e com foto em que você seja reconhecível. Em muitos lugares você vai ler a dica dos 10 anos de emissão do documento, mas essa regra não é verdadeira.
  • Quem cruza a fronteira com o RG precisa preencher um formulário, disponível nos postos de imigração, que será carimbado e que deve ser apresentado na saída do país.
  • Se você já tiver um passaporte, porém, pode levá-lo que o documento será devidamente carimbado, dispensando o preenchimento desse formulário.
  • E lembre-se que a Carteira Nacional de Habilitação não tem valor para passar pela imigração. Há casos e casos de brasileiros que chegam na fronteira, percebem que estão sem o RG e precisam voltar pra casa.
  • Não é necessário ter comprovante de vacina contra febre amarela para entrar no Uruguai.
  • Certidão de nascimento também não é documento de identidade. Nem para crianças e recém nascidos, que precisam ter um RG ou passaporte.

punta del diablo

Punta del Diablo

Carta Verde e seguro viagem para sua road trip

A Carta Verde é um seguro obrigatório para veículos brasileiros que cruzam a fronteira com Uruguai, Paraguai e Argentina. O plano cobre acidentes com terceiros, durante a sua estadia no exterior. Não ter a Carta Verde pode impedir a entrada do carro no país.

O seguro pode ser contratado para períodos curtos, começando por três dias, ou maiores, como um mês. A melhor forma de contratar é entrando em contato com sua seguradora e pedir o serviço. Você pagará a taxa e eles te enviarão a apólice, que deve estar com você o tempo todo. Vale a pena orçar também o custo de uma extensão da cobertura do seu seguro para acidentes no Uruguai – é que a Carta Verde cobre apenas danos que você causar a terceiros e não te dá indenização em caso de perda do seu carro.

uruguai de carro

Montevidéu

Outra forma, mais burocrática, de contratar a carta verde é na própria fronteira, onde diversos despachantes oferecem o serviço. O preço varia de acordo com a duração da road trip, mas fica entre R$ 50, para viagens mais curtas, e R$ 200, para as de um mês.

Já o seguro viagem não é obrigatório, mas é prudente contratar um. Repare que as coberturas da Carta Verde e de um seguro de viagem tradicional não são equivalentes. Além de cobrir os custos hospitalares e outros problemas, a vantagem é o baixo valor investido: pagamos pouco mais de R$ 40 por pessoa para uma viagem de cinco dias.

Seguro Viagem: América do Sul
TA 40 Especial - Internacional Assistência médica USD 40.000 Bagagem extraviada USD 1.200 R$ 10/dia*
AC 35 INTER + TELEMEDICINA Assistência médica USD 35.000 Bagagem extraviada USD 1.200 (COMPLEMENTAR) R$ 11/dia*
Affinity 60 Assistência médica USD 60.000 Bagagem extraviada USD 1.200 (SUPLEMENTAR) R$ 21/dia*

Se a CNH não serve como documento de identificação, basta ela para dirigir no Uruguai – você não precisa ter a PID, Permissão Internacional para Dirigir. E não se esqueça, óbvio, do documento do carro. Se o veículo estiver no nome de alguém que vai viajar, então está tudo resolvido. Mas se estiver registrado como de terceiros, será necessário fazer uma procuração, assinada e registrada em um cartório que faça a chamada Apostila de Haia – consulte os cartórios que fazem esse serviço clicando aqui. Segundo o site da Embaixada do Uruguai no Brasil, a procuração também é desnecessária “caso o veículo seja conduzido pelo cônjuge ou por familiares do proprietário até segundo grau de consanguinidade”.

Será necessário também, na hora da imigração, preencher um formulário para o veículo. Guarde o documento em segurança, que poderá ser solicitado por policiais e deve ser devolvido na saída do país.

Veja também: 5 dicas para escolher o melhor seguro viagem para a América do Sul

Devo alugar um carro?

As maiores seguradoras não permitem que você alugue um veículo no Brasil e cruze a fronteira dirigindo. Algumas empresas, menores, até topam o serviço, mas o valor da diária aumenta consideravelmente, o que pode não compensar o custo/benefício.

Alugar um carro para viajar pelo Uruguai vale a pena – e muito – se você chegar em Montevidéu de avião e a partir da capital resolver conhecer outras cidades.

Ahh, e antes que eu me esqueça: o governo do Uruguai isenta turistas estrangeiros do IVA, um imposto, em 18%. Isso torna a locação mais barata, desde que o pagamento seja feito no Uruguai e com cartão internacional. O desconto vale também para reservas de hotéis – os preços mostrados por sites como o Booking já deixam o imposto de fora – e até nas contas dos restaurantes, quando o valor é devolvido na fatura do viajante.

Veja também: Como alugar um carro com o melhor custo/benefício

Imigração no Uruguai em viagens por terra

Atenção na hora de cruzar a fronteira: o controle de passaportes não é a coisa mais efetiva do mundo. Nossa viagem começou em Santa Maria, na região central do Rio Grande do Sul, e seguiu por 254 km até Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai. A cidade uruguaia do outro lado é Rivera. E por fronteira entenda uma rua e linhas imaginárias, já que as duas cidades são conurbadas e é difícil saber quando uma começa e outra termina. As populações brasileira e uruguaia convivem diariamente e por ali predomina o portunhol.

Por isso, não estranhe ao descobrir que o controle de passaportes é feito dentro de um Shopping, o Siñeriz. Você passa a praça de alimentação, vira à direita e carimba a saída do Brasil. Depois dá três passos e entra na fila pra carimbar a entrada no Uruguai. Feito isso, volta pelo mesmo caminho, cruzando as filas dos dois postos novamente. Lógico que essa é a situação em Rivera e não é exatamente assim em outras cidades, mas dá a ideia da informalidade que pode ser cruzar a fronteira.

road trip Uruguai

Montevidéu

Ou seja: é possível sair de um país para outro sem fazer o controle migratório, que é responsabilidade sua. E até sem querer. Só que, se você se esquecer e não passar pela imigração, pode ter problemas lá na frente, seja no caso de ser parado pela polícia, seja no check-in do hotel. Não se esqueça também de registrar, na volta, sua saída do Uruguai e seu retorno ao Brasil.

Compras

Ao voltar, muita gente para nas cidades uruguaias de fronteira para fazer compras nos shoppings. Lembre-se do limite isento para compras no exterior por terra, que é de 300 dólares por pessoa. Há também outros limites: segundo a Receita, são permitidas 20 unidades de produtos com preço abaixo de cinco dólares (com no máximo 10 produtos idênticos). Quando o bem custa cinco dólares ou acima disso, aí o limite máximo é de 10 unidades, sendo três idênticas. Além disso, o limite quantitativo de bebidas alcoólicas é 12 litros, o de cigarros é de 10 maços (com 20 unidades cada), o de charutos ou cigarrilhas é de 25 unidades e o de fumo é 250 gramas.

Trocando dinheiro na fronteira entre Brasil e Uruguai

Eu tinha medo da conversão ser ruim na fronteira, mas a cotação do peso em Rivera era a mesma que depois encontramos em Montevidéu. Há algumas casas de câmbio – eu troquei numa dentro do Shopping Siñeriz, a poucos metros do controle de passaportes.

Por mais que reais sejam plenamente aceitos em Montevidéu e que dê para pagar muita coisa com cartão, convém trocar alguma quantidade de dinheiro. Evite fazer essa troca na sua cidade, já que fora do Uruguai a cotação do peso, que é uma moeda de procura menor, sempre vai ser desfavorável para você.

Estradas, pedágio e gasolina no Uruguai

Muitas das rodovias uruguaias têm pedágios. Na Ruta 5, que percorremos por cerca de 500 km e que vai de Rivera até Montevidéu, foram três pedágios, todos de 100 pesos uruguaios (cerca de R$ 11). Pagamos em pesos, mas vi placas informando que era possível pagar também em dólares e em reais, embora em cotações piores. Há relatos de que pagar com outras moedas não é possível em todos os pedágios, por isso leve alguns pesos com você.

O estado das estradas é, no geral, muito bom. Respeite as regras de trânsito locais e não passe do limite de velocidade. Não beba e dirija, já que as regras quanto a isso por lá também são rígidas, e lembre-se se trafegar sempre com os faróis ligados.

homem caminha no litoral de Montevidéu

Homem caminha na orla, em Montevidéu

Se você cruzar a fronteira pelo Chui, a rota mais comum para quem parte de Porto Alegre, preste atenção na presença de animais na pista no trecho brasileiro da rodovia, já perto do Uruguai – por ali fica a Reserva Ecológica do Taim, ondem vivem muitas capivaras, entre outros bichos.

A gasolina é consideravelmente mais cara do que no Brasil, então convém abastecer antes de cruzar a fronteira. Fique atento também para o tanque e tenha em mente que o próximo posto pode estar longe.

Veja também: Onde ficar em Montevidéu – melhores bairros
Roteiros de viagem pela Argentina e Uruguai: 5, 7 e 12 dias

Dicas de roteiros no Uruguai de carro

Há vários pontos para fazer a travessia do Brasil para o Uruguai. O mais comum, seja pela relativa proximidade com Porto Alegre, seja por ser porta de entrada para o litoral uruguaio, é o Chuí, a cidade mais ao sul do Brasil e que é conurbada com a uruguaia Chuy – ali a separação é também apenas uma rua. Outras opções comuns são Jaguarão (Brasil) / Rio Branco (Uruguai) e Santana do Livramento (Brasil) / Rivera (Uruguai). Se o Chuy é a melhor saída para quem vai ao litoral, Rivera é a melhor rota para quem pretende seguir diretamente para Montevidéu.

Algumas cidades interessantes de incluir na road trip pelo Uruguai, marcadas no mapa acima:

  • Punta del Diablo – Povoado de pescadores, meio hipster, meio hippie – enfim, o típico destino mochileiro. A população é de menos de mil habitantes. Fica a 300 km de Montevidéu e a 44 km da fronteira com o Brasil. Por ali, duas boas opções de hospedagem são a pousada La Viuda del Diablo e o hostel Mar de Fondo.
  • Cabo Polonio – Área preservada, repleta de lobos-marinhos. É possível chegar de carro até a base de visitantes e depois é preciso seguir de jardineira. Vila rústica e ainda mais hippie – poucos lugares têm energia elétrica. Para muitos, é o ponto alto do litoral uruguaio. Fica a 97 km da fronteira e a 252 km de Montevidéu. Um hostel bem avaliado por ali é o Viejo Lobo e a Olga Veigas y Otros é uma pousada simples e bem localizada.
  • La Pedrera –  Por estar a menos de 40 km de Cabo Polonio, essa cidade costuma ser escolhida como base para explorar a região. É um conhecido destino de praia para gaúchos. Uma opção de hospedagem por ali é o Hotel La Pedrera. Já a indicação de hostel fica com o Covadonga.
  • La Paloma – Mais 10 km e você chegará a La Paloma, cidade de menos de 4 mil habitantes, mas que também lota no verão. É a típica cidadezinha do litoral uruguaio, com praia com rochas e um farol. O UY Proa Sur é um dos hotéis campeões de reserva, enquanto o Balconada Beach é uma alternativa de hostel bem avaliada.
  • Punta del Este – A praia mais badalada do Uruguai e um dos destinos mais buscados por brasileiros – a cidade já foi até apontada pela Forbes como o balneário mais luxuoso do continente. Fica a 130 km de Montevidéu. Por ali, o Enjoy Punta del Este é um dos hotéis mais reservados e o Florinda 3* Sup é muito elogiado pela localização. Uma boa opção de hostel é o The Trip.
  • Punta Ballena – Apenas 15 quilômetros separam Punta del Este de Punta Ballena. Por conta da curta distância, tem quem prefira fazer essa cidade – mais tranquila – de base para conhecer a região. Além dos 12 quilômetros de praias, a grande atração turística é a Casapueblo, obra do arquiteto Carlos Páez Vilaró e que se tornou um dos principais cartões-postais do Uruguai. Se resolver ficar por ali, o Club Hotel Casapueblo e o El Sol De Las Grutas são boas opções.
  • Piriápolis – Outra cidade de praia. Fica entre Montevidéu e Punta del Este, a menos de 100 km da capital e a 40 de Punta. Além do litoral, há um teleférico e calçadões – as ramblas. Por ali, dê uma olhada no Skyblue e  no Hostería Miramar.
  • Montevidéu – A capital e o centro de qualquer viagem ao Uruguai. Recomendo que você se hospede em Pocitos ou Punta Carretas, o que muda – e muito – a experiência do turista (na minha primeira passagem fiquei no centro e foi bem diferente). Ficamos no Hotel Gema e gostamos. Outra opção boa, e de frente para a orla, é o Mercure, enquanto o Destino26 é um bom hostel nessa área.
  • Colonia del Sacramento – Cidade histórica, de origem portuguesa, e cheia de charme. Tem um pôr do sol lindíssimo. Está a cerca de uma hora de barco de Buenos Aires e a 180 km de Montevidéu. O El Viajero é uma boa opção de hostel, enquanto a Le Vrero é uma pousada muito bem avaliada.

E sempre dá para seguir viagem até a Argentina. Para isso, basta pegar a balsa para Buenos Aires, seja como passageiro, seja com o carro, com empresas como a Buquebus.

Se for de carro, não se esqueça de verificar se o hotel tem estacionamento. Em caso negativo, pergunte (ou veja se outro hóspede deixou essa informação nas avaliações do Booking) se é fácil parar o carro na rua ou se há estacionamento perto.  

Turista em praia do Uruguai

Cabo Polonio, Uruguai

Quantos dias ficar no Uruguai?

Para uma viagem de carro sem pressa pelo Uruguai e passando por vários destinos, reserve pelo menos uma semana. Mas quem tiver mais não vai reclamar: Montevidéu pode ser vista em dois dias, mas tem muito o que fazer por uma semana inteira.

Dá para visitar cidades como Colonia del Sacramento e Punta del Este no esquema bate-volta, mas quem pode passar uma ou duas noites certamente aproveita mais. E existem destinos, como Cabo Polonio, que cabem como paradas estratégicas de estrada, mas que também funcionam melhor se você pode ficar por uns dias e relaxar.

Quando ir?

É possível visitar o Uruguai o ano inteiro, mas se você quiser aproveitar o litoral, vá no verão. Mesmo praias mais badaladas, como Punta del Este, costumam ter movimento de dezembro a fevereiro, mas ficam mais paradas no restante do ano.


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Rafael

Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014 voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura. Siga minhas viagens também no instagram, no perfil @rafael7camara no Instagram

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