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Atlas: Cairo, Egito

Os bastidores de um museu no Egito e as raízes da civilização humana

Um restaurador cuidadosamente remontava um colar, continha colorida por continha colorida. A peça deve ter mais de três mil anos. Ele usava como guia uma imagem impressa de como seria o objeto. “Essa é a primeira tentativa. Mas infelizmente acabei de perceber que cometi um erro. Vou ter que começar novamente do zero”, explica. Pergunto quanto tempo ele demora para montar a peça. “Hum, três ou quatro semanas”, responde ele com um sorriso nervoso.

museu no egipcio conservacao arqueológica

Quando eu soube que íamos visitar o Grande Museu Egípcio (Grand Egyptian Museum ou GEM), ainda em construção, eu não imaginava que faria uma das visitas mais emocionantes e informativas da minha vida. Para ser sincera, eu pensei: “o que diabos vamos fazer numa obra? Mal sabia eu, porém, que iríamos visitar os bastidores de um museu arqueológico, os laboratórios de conservação e os galpões onde eles recebem e preparam enormes esculturas.

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museu no egito papiro

museu no egito madeira tumba

Os corredores cinzas eram enormes, com portas de ferro, que lembram aqueles laboratórios de filme de terror dos anos 1980 (aham, Stranger Things). Éramos acompanhados por uma comitiva de personalidades do governo egípcio, além do diretor responsável pelo novo museu, Dr. Tarek Tawfik.

museu no egito mumia

Por trás das pesadas portas, laboratórios de conservação de madeira, pedra, cerâmica, tecidos e até “restos humanos”.  Visitamos salas enormes e cheias de mesas com coisas interessantes e com alguns arqueólogos e restauradores trabalhando, tal como o que abriu este texto. Nossa guia nos mostrou um antigo sapato feito de contas douradas. E também a imagem de como deveria ser a sandália no passado e os materiais originais que eles usavam para tentar recuperá-la de forma mais fiel possível. “Tudo é original. Se alguma das contas está danificada ou faltando, fazemos uma réplica de papel japonês”, explica.

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O modelo e a peça arqueológica sendo conservada

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Um chapéu, já recuperado e a foto de como estava quando foi encontrado

Durante a visita, vimos tumbas e múmias, papiros, jóias, peças de vestuários e objetos variados. A guia apontou para um barco de madeira dentro de uma espécie de saco plástico: “Todas as peças em madeira que recuperamos ficam seladas a vácuo por vários dias, de forma que qualquer micro-organismo não sobreviva”, informou ela.

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A sala das docas, onde chegam e são armazenadas as esculturas

Pintar, colar, reconstruir, não deixar que nada quebre ou apodreça, e mantendo-se fiel à peça original, com milênios de história. “Como vocês viram, nosso staff está trabalhando meticulosamente na restauração desses artefatos”, nos disse, mais tarde, o Dr. Tawfik.

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“Segundo a Lei das Antiguidades, somente egípcios podem trabalhar na restauração dos artefatos. Eles são todos absorvidos do Departamento de Restauração da Faculdade de Arqueologia da Universidade do Cairo. Só quando temos a sensação que não conseguiríamos resolver é que pedimos ajuda de especialistas no exterior. O Egito é muito consciente de que esses artefatos não só são a história do país, mas são parte da herança da humanidade”, completa.

Grande Museu Egípcio: reinado e eternidade

A visita aos bastidores nos deu uma perspectiva do longo trabalho que há pela frente. A primeira fase da abertura do Grande Museu Egípcio será em dezembro de 2018. Nesse momento, a exposição deve contar com 87 enormes estátuas e peças de arquitetura do Antigo Egito, além das galerias do Rei Tutancâmon, o mítico faraó que faleceu ainda adolescente, em 1327 a.C. Serão sete mil metros quadrados e cinco mil peças da tumba do jovem rei. “Pela primeira vez desde a descoberta, em 1922, nós estaremos mostrando a coleção completa, tudo o que foi encontrado dentro da tumba. Até hoje, somente um terço foi mostrado”, explica o diretor.

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As obras do Grand Egyptian Museum

Na fase dois, prevista para 2022, estarão em exposição 45 mil peças. Por fim, na fase três, a segunda barca do faraó Queóps, que construiu a Grande Pirâmide, ganhará uma galeria no novo museu.

Quanto ao museu arqueológico que já existe, o Museu Egípcio, na Tahrir Square, Cairo, vai receber uma merecida reforma. As obras de lá – com exceção da coleção de Tutancâmon e os tesouros da Rainha Hetepherés, mãe de Queóps , continuarão em exposição, mas, segundo o professor, com mais espaço e uma nova atmosfera para que o visitante possa apreciar seus detalhes.

museu no egito vista piramides

O novo museu terá vista panorâmica para as pirâmides

O diretor do GEM explicou a identidade do novo museu em duas palavras: reinado e eternidade. O museu vai buscar aprofundar no modo de pensar do Antigo Egito e suas crenças religiosas – como isso influenciou as peças que sobreviveram hoje. “Não vamos olhar para uma peça sozinha como uma obra-prima. Mas sim como essa obras, em conjunto, ajudam a entender o Antigo Egito”.

Por fim, o Dr. Tawfik convida: “Esse museu, será no futuro, a janela para o mundo. Convidamos todo o mundo para vir nos visitar. Esse será um fórum onde culturas se encontram. Estamos lidando com as raízes da civilização e da história”.

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O Dr. Tarek Tawfik em frente as obras

Eu, como uma aficionada pela história do Antigo Egito, sempre que posso visito museus ou exposições que tratem sobre o tema. Com isso, não poderia deixar de perguntar ao Dr. Tawfik se eles recuperariam as peças e artefatos que estão em museus de Londres, Viena, Roma e outros países. “O que será mostrado no Grande Museu Egípcio são peças que estão vindo do Museu Egípcio no Cairo e de todos os sítios arqueológicos no Egito, além de todos os centros de armazenamento no pais inteiro. Das 50 mil peças que estarão em display, 30 mil nunca foram colocadas aos olhos do público antes”, explicou. O diretor também comentou que, para abertura, não há planos de recuperar nenhuma peça do exterior. “Mas o Egito tem o direito de requerer qualquer objeto que saiu do país de formas ilegais ou circunstâncias duvidosas”, completa.

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Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 30 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite "morar no aeroporto". Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo. Siga @afluiza no Instagram

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