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Atlas: Índia

Não é um carro, é um autorickshaw

Começou muito tempo atrás, lá pelo século 19, naquela época onde direitos trabalhistas e bem estar no trabalho eram coisas que passavam longe da lista de preocupações das pessoas: um japonês resolveu que iria ganhar a vida puxando os mais preguiçosos (e ricos) em uma carruagem batizada de rickshaw. A ideia foi um sucesso imediato. O novo meio de transporte era mais rápido que as antigas liteiras e, claro, explorar a força de trabalho humana era muito mais barato que manter um cavalo. A novidade se espalhou por toda a Ásia e chegou a pegar até mesmo em alguns países da África, Europa e da América.

Mais tarde, a carruagem foi acoplada a uma bicicleta, o que facilitou a vida de quem puxava gente o dia inteiro e deu origem ao ciclerickshaw. Mas foi só no século 20 que os autorickshaws – ou tuk-tuks -, veículos motorizados de três rodas, começaram a circular pelas ruas.

Tuk-tuk-indiano

Apesar de ter desaparecido na maior parte dos países por não oferecer muita segurança aos passageiros e não ser tão eficiente e rápido como táxis e ônibus, o tuk-tuk, ainda é um dos principais meios de transporte na maior parte do sudeste asiático.

Na Índia, eles estão longe de cair em desuso. Pelo contrário, a produção destes simpáticos carrinhos de três rodas dobrou entre 2003 e 2010. Até 20% dos deslocamentos diários no subcontinente são feitos através de um autorikshaw, contabilizando um total de mais de 300 milhões de passageiros por dia. Em 2031, espera-se que este número ultrapasse os 480 milhões.

Atualmente, estima-se que uma cidade com até 4 milhões de habitante tenha entre 15 e 30 mil tuk-tuks. Já nas metrópoles, como Délhi e Mumbai, este número pode ultrapassar os 50 mil. Com tanto tuk-tuk assim, é fácil imaginar que esses veículos são parte importante da paisagem das cidades indianas e que seu uso afeta o dia a dia do país de diversas maneiras.

Apesar de serem baratos e uma excelente alternativa para o muitas vezes ineficiente sistema de transporte público indiano, o rickshaw também é extremamente poluente, contribuindo para piorar ainda mais a qualidade do ar nas maiores cidades. Para amenizar este estrago, o governo indiano começou a estudar formas de tornar o uso do carrinho mais sustentável tanto ambiental quanto economicamente.

auto-rickshaw, tuk-tuk

Na maior parte das vezes, o motorista não é o dono do veículo e, devido à ausência de uma legislação específica e de regulamentação trabalhista, eles acabam explorados pelos proprietários, que ficam com até 50% dos ganhos diários. Um motorista em Mumbai, por exemplo, chega a viver com apenas $5 dólares por dia. Não preciso nem dizer que, mesmo em um país onde 100 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, a profissão de motorista de rickshaw não é das mais prestigiadas.

A desvalorização está visível no tratamento dado a eles pelos outros indianos: Baya, palavra em hindi que significa irmão mais novo e que pode ser usada como um tratamento gentil para aqueles que ocupam o nível mais baixo da estratificada hierarquia social indiana – normalmente em uma posição de servidão. Usar o termo é considerado uma grosseria quando nos referimos a qualquer pessoa proveniente de uma camada socioeconômica minimamente elevada, como se fosse uma forma de diminuí-la.

O motorista do tuk-tuk é um baya, o de táxi, não. Como eu não entendo como uma palavra pode ser muito legal para um grupo de indivíduos e extremamente ofensiva para outros, demonstrando uma noção de superioridade – como se algumas profissões fossem mais dignas que outras – eu optei por não usar o substantivo para tratar com ninguém.

Durante nossos sete meses na Índia, fomos passageiros de centenas de tuk-tuks. Algumas das viagens mais memoráveis estão no vídeo abaixo:

Não é um carro, é um autorickshaw from 360meridianos on Vimeo.

Dicas para andar de autorickshaw na Índia

– Use a lei dos 50%: sempre ofereça pagar metade do que o motorista pedir na primeira vez. Barganhe até chegar a um preço que você ache justo. Se você não tiver noção da distância, uma boa ideia é perguntar no hotel ou nas lojas quanto eles acham que deve custar a corrida.

– Em algumas cidades, o uso do taxímetro é obrigatório. Se for o caso, insista com o motorista. Pode ser que você descubra que muitos deles estão “quebrados”, principalmente se a distância que você deseja percorrer for pequena. Casos de taxímetros adulterados também não são raros.

– Se o motorista parar no meio da rua para pegar outros passageiros, não se assuste. É comum que a viagem de tuk-tuk não seja privativa. No entanto, caso isso aconteça, é justo que você pague um valor menor.

viagem de ciclerickshaw ou tuktukA bordo de um ciclerickshaw

– Pode ser que o motorista não conheça bem o lugar aonde você quer ir. Se você ficar perdido, o melhor a fazer é pagar uma pequena gorjeta (Rs. 10), descer em uma rua movimentada e procurar por outro rickshaw.

– Em cidades mais turísticas, é comum que o motorista tente te levar para lojas de souvenirs. Caso isso aconteça, insista no seu destino original e seja firme. No entanto, você pode conseguir city tours bastante econômicos se concordar em passar por duas ou três dessas lojas. Negocie antes de começar a viagem.


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Natália Becattini

Já chamei de casa a Cidade do Cabo, Chandigarh, Buenos Aires e Barcelona, mas acabo sempre voltando pra minha querida BH. Gosto de literatura, cervejas, música e artigos de papelaria, mas minha grande paixão é contar histórias. Por isso, desde 2011 viajo o mundo e escrevo sobre o que vi. Também estou no blog sobre escrita criativa Oxford Comma e compartilho minhas impressões de mundo também no instagram @natybecattini e no twitter.

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16 comentários sobre o texto “Não é um carro, é um autorickshaw

  1. Olá pessoal!

    Estou na India desde segunda feira (que dia é hoje, mesmo?), porém eu estava protegido dentro de uma bolha, que é a universidade de Kolkata que está nos hospedando: muito ar-condicionado (temperaturas acima dos 40 C fácil), comida menos temperada, feita especialmente para os estrangeiros, etc, etc. Porém ontem fomos fazer um passeio em um templo que fica fora da cidade, um passeio que durou quatro horas, e não há palavras para descrever o que é a India, e principalmente, a periferia de Kolkata! Eu estou gostando da experiência até aqui, mas mesmo assim é preciso dizer: a India não é para os fracos!

    Amanhã cedo parto para Bangalore e depois Mysore. Parece que as coisas lá são um pouco mais tranquilas, com um clima mais agradável, e uma comida mais apimentanda!

    Abraço, gente, e parabéns pelo blog! Depois de ver tudo o que vocês fizeram aqui na India, e sabendo como as coisas aqui são dificies para nós, vocês viraram meus heróis!

    1. Ei Bergantini!

      Espero que tudo tenha dado bem em sua viagem e que você tenha aproveitado ao máximo tudo que a Índia oferece! Com certeza é uma experiência muito diferente da que estamos acostumados e, exatamente por isso, difícil e enriquecedora! Agora você também pode dizer: Eu sobrevivi à Índia!

    1. Não tivemos a oportunidade de ir a Gurgaon não, mas nós moramos em Chandigarh, que também é a capital de Haryana, estado onde você vai ficar. O que eu posso te falar é que você vai estar em uma ótima localização para viajar pelos principais pontos da Índia, desde o Taj Mahal até o Rajastão. Não deixe também de visitar as cidades no meio do Himalaia. Abraços!

  2. Adorei o vídeo e o post!

    Amanhã começa a minha viagem para Índia! Primeiro vamos para a África do Sul, onde passaremos quatro dias, depois, Índia! Mumbai, Kolkata, Bangalore, Mysore, Delhi, Agra, e enfim, voltamos pra Delhi, pra pegar nosso avião de volta pra São Paulo! Medo e uma enorme expectativa de encontrar o novo são os principais sentimentos meus agora.

    Obrigado pelas dicas, gente! Depois eu conto como foi a minha experiência!

    Abc

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