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Atlas: França, Holanda

As paisagens que inspiraram as pinceladas de Van Gogh

Em abril de 1889, Johanna van Gogh, recém-casada, mudou-se para o pequeno flat de seu marido, no bairro de Pigalle, em Paris. Na gaveta de uma escrivaninha, encontrou cartas e mais cartas escritas de Vincent – o cunhado já falecido –  para Theo, seu esposo. Theo morreu em 1891, e coube a Johanna dedicar sua vida à publicação dessas cartas, o que fez em 1914.

A história de Van Gogh, explica Ronald de Leeuw, é entendida como fascinante por vários motivos: porque seus contemporâneos falharam em apreciar seu talento, porque existe a lenda de que ele falhou em vender um único quadro durante a sua vida, ou por sua intrigante morte e os mistérios que nunca foram totalmente esclarecidos, que cria uma aura na imaginação das pessoas. De Leeuw é professor de história da arte, e foi, de 1986 a 2008, diretor dos principais museus de Amsterdam, o Van Gogh Museum e Rijksmuseum. 

Depois da primeira edição das cartas, publicada em 1914, outras se seguiram, inclusive uma coletânea mais ampla, em comoração ao centenário da morte do artista, organizada por De Leeuw e o Van Gogh Museum em 1990. Hoje, todas essas cartas – são 902 no total – estão disponíveis online, no site Van Gogh Letters. 

Ler essas cartas, segundo Ronald de Leeuw, é uma forma de entender melhor o artista e fugir das ideias distorcidas que existem sobre ele:

“A mitologia de Van Gogh tornou-se um impedimento para acessar diretamente seu valor criativo”.  

Leeuw continua: “A ênfase que seus primeiros críticos colocaram em sua obsessão, e também sua loucura, eclipsaram a mensagem que ele próprio queria transmitir. Sua ambição de tornar-se conhecido como um pintor da vida camponesa e de retratos modernos está em desacordo com a imagem predominante de um louco que morreu como mártir da arte.”

Um pouco da história de Van Gogh

Vincent Van Gogh nasceu na Holanda, em 1853, e com vinte poucos anos tornou-se assistente de uma firma internacional de negociantes de artes – era uma profissão comum entre seus familiares. A carreira levou ele a morar em Londres, Paris, Amsterdam, Bruxelas e outras cidades. Foi na Inglaterra, com saudades de casa, que apresentou os primeiros sinais de depressão. Nesse meio tempo também começou a se interessar mais por desenhar, o que evoluiu naturalmente para pintura.

Sua primeira grande obra foi pintada em 1885, na Holanda. The Potato Eaters traz uma cena de pobreza doméstica. Um ano depois, seu irmão Theo, que acabou tornando-se também negociante de arte, ajudou Van Gogh a estudar em Paris. Foi onde ele conheceu Gauguin, Toulouse-Lautrec e Seurat, que tornaram-se grandes influenciadores de seu trabalho.

Em 1888, depois de dois anos em Paris, Van Gogh estava exausto e lutando contra os episódios de sua doença mental. Foi assim que chegou em Arles, no sul da França. As paisagens provençais dali foram cenários de alguns de seus trabalhos mais famosos, como Girassóis (foto ao lado). Também foi em Arles, conta Ronald de Leeuw, que ocorreu o famoso episódio em que o pintor cortou a própria orelha: “Ele sentiu remorso por ameaçar Paul Gauguin com uma navalha durante uma discussão”. Após o evento, o pintor foi enviado a um sanatório por um ano.

Em 27 de julho de 1980, Van Gogh se matou com um tiro, no cenário de uma de suas últimas pintura (a que ilustra o final deste texto) . Ele morreu dois dias depois.

Ao longo de sua carreira como pintor, que durou pouco mais um década, Van Gogh criou mais de duas mil obras, incluindo 860 pinturas a óleo. Seus últimos dois anos de vida foram particularmente produtivos. Suas obras, explica o Google Arts and Culture, abrangem paisagens, natureza morta, retratos e autorretratos, que são caracterizados pela profusão de cores e pinceladas marcantes.

Para quem quer conhecer mais da vida do artistas, tem o filme Com Amor, Van Gogh, na Netflix e será lançado em breve At Eternity’s Gate, com Willem Dafoe no papel de  Vincent Van Gogh.

As paisagens de Van Gogh e onde se inspirar com ele

Ao contrário de artistas como Monet, que pintaram paisagens famosas, é possível ter uma noção de alguns dos lugares que Van Gogh pintou – levando-se em consideração que ele gostava de pintar a natureza e estar próximo à realidade. Mas isso não significa que sabemos de onde ele via a cena. Além disso, a paixão por cores que Van Gogh possuía deixava as cores do céu em tons como verde, amarelo ou roxo.

Leia também: O que fazer em Amsterdam
Visita ao Museu Van Gogh

O movimento artístico de Van Gogh era chamado pós-impressionismo. Junto com outros artistas, como Paul Cézanne e Paul Gauguin, era definido como uma rejeição aos impressionistas e sua preocupação com a pintura natural das cores da luz. Essa nova geração de pintores tentava dar ênfase em qualidades abstratas ou conteúdo simbólico.

Paris

Vista de Paris (1886)

Pintada da colina de Montmartre, ele aumentou propositalmente o tamanho dos monumentos na paisagem. É possível ver na pintura o Panteão, o Louvre e Notre Dame. O quadro está exposto no Museu Van Gogh, em Amsterdam. 

Arles

Noite Estrelada Sobre o Ródano (1888)

O período em Arles, uma cidade no sul da França e próxima à Marselha, gerou belos quadros como esse aí em cima, que mostra a noite estrelada na beira do rio. Outro quadro que lembra esse e que foi pintado no mesmo mês é  Terraço do Café à Noite. Este quadro está no Museu D’Orsay, em Paris.

Amsterdam

De Ruijterkade em Amsterdam (1885)

Uma obra do início da carreira de Van Gogh, pintada em Amsterdam, quando ele estava de mudança para a Antuérpia, na Bélgica.

Nuenen

A antiga torre da igreja em Nuenen (1885)

Nuenen é uma cidadezinha na Holanda onde Van Gogh viveu. A antiga torre da Igreja ficava próxima de sua casa. O pintor descreveu o lugar para o irmão em algumas cartas e também o significado por trás do quadro: o cemitério, as fazendas, a vida e a morte.

Saint-Rémy de Provence

Noite Estrelada (1889)

Um dos quadros mais famosos do artista foi pintado enquanto Van Gogh estava internado num hospital psiquiátrico, o Saint-Paul-de-Mausole, depois do incidente de automutilação. O artista escreveu sobre a paisagem em oito cartas para o irmão. O quadro está no MoMa, em Nova York. 

Auvers-sur-Oise, subúrbio de Paris

Campo de Trigo com Corvos (1890)

Acredita-se que Campo de Trigo com Corvos foi o último quadro de Van Gogh. E foi ali, nessa paisagem, que ele tirou a própria vida. Porém, segundo o museu Van Gogh, ele fez vários trabalhos depois desse. O artista queria expressar, com o campo embaixo de um céu de tormenta, “tristeza e extrema solidão”. Fica no Museu Van Gogh, em Amsterdam.


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Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 30 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite "morar no aeroporto". Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo. Siga @afluiza no Instagram

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3 comentários sobre o texto “As paisagens que inspiraram as pinceladas de Van Gogh

  1. Eu não sabia que um dos quadros mais famosos do artista tinha sido pintado enquanto Van Gogh estava internado no hospital psiquiátrico e ainda mais depois do incidente de automutilação nossa muito bom .
    Parabéns já estou ansiosa pelo próximo artigo.
    Beijos.

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