O que fazer em Florença

O que fazer em Florença

Florença é uma cidade como poucas no mundo. Sua relação com a história e arte diz muito sobre a cultura ocidental. Não, não estou exagerando. Foram os banqueiros florentinos que financiaram as navegações espanholas e portuguesas e, graças a elas, o continente Americano foi descoberto. Mas vamos voltar alguns séculos nessa história antes de seguir em frente e contar o que, hoje, no século 21, Florença tem de melhor a oferecer.

A cidade foi fundada por soldados romanos. Devido à sua posição estratégica, próxima a rios, foi crescendo até que, na Idade Média, já era uma das mais importantes do mundo, por conta do próspero comércio. Por volta do ano 1000 d.C., começou a ascensão de Florença no mundo das artes, com grandes investimentos em arquitetura.  O papa Bonifácio VIII, em 1300, chegou a dizer que o mundo não tinha quatro, mas cinco elementos: Terra, Fogo, Água, Ar e os Florentinos.

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Quando os Medici tomaram o poder, no século 15, Florença já era uma das maiores cidades da Europa. A família era composta por banqueiros, que financiavam, entre outros, o próprio Papa – ou seja, gente poderosa até dizer chega.

Eles também foram grandes patrocinadores das artes. Lorenzo di Medici, ou Lorenzo, o Magnífico, foi um grande patrono de artistas como Michelangelo, Leonardo da Vinci e Botticelli. A família Medici ficou no poder por um longo período, até o século 17. (Temos um post inteiro sobre as celebridades florentinas).

Nos séculos seguintes, Florença caiu no domínio dos austríacos. Mais tarde veio Napoleão. Em 1861, a cidade passou a fazer parte da unificada Itália e foi, por 6 anos, a capital do país.

Durante a Segunda Guerra, Florença foi ocupada por um ano pelo exército alemão. Em 1944, quando eles estavam batendo em retirada por causa da aproximação dos ingleses, os alemães decidiram bombardear todas as pontes, para dificultar a passagem dos aliados. Felizmente, tiveram o bom senso de não destruir a Ponte Vecchio, devido à sua beleza e valor histórico.

piazza della republica florença

Visitar a Florença de hoje é ver ao vivo essa longa história nos prédios, monumentos, esculturas e museus da cidade. A Piazza della Republica marca o local onde o antigo Forum Romano ficava (uma maquete indica como seria Florença nesse período).

Na época medieval a região do Forum mudou muito e virou uma área densamente povoada e com um mercado. No século 16, esse era o Mercato Vecchio. Mas essas construções medievais foram todas derrubadas para que uma praça renovada fosse feita, obra para marcar a proclamação de Florença como capital da Itália. Hoje, o que se encontra lá é um arco enorme, uma coluna e, em volta, vários cafés, já tradicionais.

Não muito longe dali, a 200 metros, está o Mercato Nuovo, construído no século 16 e hoje voltado para o comércio de couro. Só que o interessante nesse lugar não são as compras, mas um porco. Para ser mais exata, Il Porcellino, uma fonte com uma estátua de bronze, muito popular entre visitantes.

O motivo é uma superstição do século 18, que garante: quem passa a mão no focinho do Porcellino voltará a Florença. E se você colocar uma moeda na boca dele e ela cair dentro da fonte, terá boa sorte. A estátua tem o focinho já desgastado, de tanta gente que vai lá passar a mão no bicho. Mas calma, hoje em dia ninguém está estragando uma obra de arte, que foi substituída por uma cópia. A estátua original está localizada no Museu Bardini.

Florença, Itália

Seguimos para a Ponte Vecchio, aquela que os nazistas desistiram de destruir durante a Segunda Guerra. Felizmente. A ponte é a mais antiga da cidade, com lojas que se estendem por todo o caminho, dos dois lados.

No inicio essas lojas eram ocupadas por açougueiros. Mas em 1593 a família Medici, incomodada com o mal cheiro do local, proibiu os açougues. No lugar, mercadores de ouro e jóias se instalaram ali – até hoje são essas as lojas que você encontra por lá.

corredor vasariano florença

Outra coisa muito interessante na ponte não pode ser visitada por todo mundo. É o Corredor Vasariano, construído por Georgio Vasari a mando de Cosimo I de Medici, em 1565. O corredor é uma passagem secreta que liga o Palazzo Vecchio ao Palazzo Pitti, passando pela Uffizi Gallery e claro, por cima da Ponte Vecchio.

O objetivo era permitir que os nobres pudessem cruzar de suas casas até o palácio do governo sem o risco de levar uma facada de algum cidadão descontente no caminho. Ali dentro fica uma coleção de quadros de grandes artistas. Para visitar o Corredor, é necessário fazer reserva pelo telefone +39 055 294883.

duomo de florença

Além da ponte, o outro importante cartão-postal da cidade é o Duomo di Firenze, ou melhor, a catedral Santa Maria del Fiore. É a maior igreja da cidade e o famoso domo, construído por Filippo Brunelleschi, é um grande obra de engenharia – ele se inspirou no Panteão, em Roma. Você pode entrar na Igreja de graça, basta enfrentar a fila.

Na praça que fica a Igreja também estão a Torre de Giotto e o Batistério (as portas são obras de arte incríveis). Todos são patrimônios mundiais da Unesco. Dá para subir no alto da Torre e do Duomo, comprando um mesmo ticket, por 10 euros. O ingresso inclui, ainda, a entrada no Batistério, no Museo dell’Opera del Duomo e nas criptas da igreja.

vista duomo

A Galleria degli Uffizi é um dos maiores museus de arte do mundo, com uma coleção de pinturas e esculturas renascentistas. O passeio na Uffizi pode tomar horas, dada a extensão do museu.

Vale levar em conta também o tamanho da fila para comprar os tickets e entrar. Quem está com tempo contado em Florença deve reservar o ticket antes. Para fazer isso pela internet, recomendamos a Ticketbar, uma empresa europeia que é parceria do 360 e tem até site em português. Detalhes aqui.

o que fazer em Florença

O que não falta em Florença, aliás, são museus (para informações sobre valores e abertura, clique no link no nome do museu). O Bargello é voltado para esculturas, incluindo trabalhos de Michelangelo e Donatello, entre outros. A Galleria dell’Accademia apresenta a estátua original de Davi, de Michelangelo, além de outras obras do artista. Também é possível reservar esse ingresso pela internet. Basta clicar aqui.

O Palazzo Pitti e o Giargino di Boboli são parte da antiga residência da família Medici. Atrás do palácio estão os Jardins Boboli, um complexo de jardins que também funciona como uma espécie de museu a céu aberto. Além desses, existem outros museus na cidade dedicados não só às artes, mas também à ciência, moda e história.

Se você não quer pagar para entrar num dos museus, a Piazza Signoria fará o trabalho. Essa praça é onde fica o Palazzo Vecchio, que abriga mais um museu e a prefeitura da cidade, mas você nem precisa entrar nesses locais para ver arte. Lá fica um réplica perfeita do Davi de Michelangelo. Além disso, também há uma grande coleção de esculturas, de artistas como Giambologna, Donatello, Bandinelli, Cellini, entre outros.

Ali também fica a Fonte de Netuno, que não é muito querida pelos florentinos, que a chamam de Il Biancone, ou gigante branco, devido ao Netuno gigante de mármore que eles acham feio. Diz a lenda que as mães levavam as filhas antes do casamento para ver a estátua nua, para que elas soubessem o que iriam encontrar na noite de núpcias.

O que fazer em Florença

O que fazer em Florença: onde comer

Quando bater a fome, o San Lorenzo Mercato Centrale é uma parada quase obrigatória. Como todo bom mercado, lá você vai achar frutas, peixes, massas, queijos e salames, tudo fresco. Nossa dica é que você procure a Il Salumeria, onde dá para provar os queijos e salames típicos da região e comprar no pedaço. Para almoçar mesmo, nos fomos ao Nerbone, que vende massa fresca bem baratinha, por volta de 4 a 6 euros o prato.

Para terminar o dia (talvez levando os queijos e vinhos comprados no mercado), o destino para o melhor pôr do sol de Florença é a Piazzale Michelangelo, com vista panorâmica da cidade, do outro lado do rio Arno. No fim do dia o céu ganha uma coloração rosa linda. Foi o piquenique mais bonito que eu já fiz na vida, realmente recomendo.

Nosso passeio em Florença foi acompanhado da guia Deyse Ribeiro, que também escreve para o blog Passeios na Toscana. Foi ela quem deu a maioria das dicas e informações que estão no post. Se você tiver interesse em fazer um tour por Florença e a região da Toscana com ela, tem opções para todos os bolsos! É só preencher o formulário abaixo ou entrar em contato com ela diretamente pelo site – mas não deixe de avisar que é leitor do 360meridianos!

Passeios na Toscana

O passeio foi feito a convite da Toscana Promozione, orgão oficial de turismo de Florença.

Sou jornalista, tenho 28 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite “morar no aeroporto”. Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo.

20 comentários em O que fazer em Florença

  1. Luísa, estou indo à Itália em dezembro. Teria 1 ou 2 dias para Florença, acha suficiente ou precisaria de mais? O que poderia priorizar nesses dias?
    Obrigada! Amo o blog de vocês! Pena que ainda não foram ao Sri Lanka e Myanmar pra pegar as dicas!
    Beijos!

    • Oi Fernanda,

      Os passeios que eu coloquei nesse post são possíveis de fazer em um ou dois dias.
      Talvez, não dê tempo de você entrar nos museus, mas fora isso, dá para fazer tudo. A cidade é pequena.

      bjs

  2. Boa Tarde.
    Gostamos de viajar e sou da opinião que devemos aproveitar um pouco a vida de acordo com as possibilidades .
    Iremos viajar os quatro, eu , marido e filhos para Veneza, Florença e Roma em Setembro.
    Será uma recordação dos vinte e cinco anos de casamento. Queremos aproveitar ao máximo.A minha questão é se será fácil a deslocação para chegar aos locais a visitar ?
    Obrigada.

  3. Olá! estamos, eu e meu marido, aqui na Itália, visitando algumas cidades. Estamos agora em Florença e entrei aqui para buscar dicas de como aproveitar os encantos da cidade. Adorei tudo o que postou! Muito obrigada! Algumas coisas já fizemos hoje e como não vi escrito aqui, vou recomendar também: jantar na Piazza Santo Spirito, a atmosfera de lá é incrível! depois, voltamos ao hotel pela Via de Tornabuoni – estava tudo fechado já, mas valeu a vista das belas vitrines de grifes famosas e a iluminação da rua.

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