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Casais sem filhos: uma opção cada vez mais comum

*Por Maíra Castro, do blog Casais Sem Filhos. 

Quando a menina brinca com a boneca, não se enxerga apenas uma brincadeira inocente: ela está treinando para ser mãe. Para muita gente, a mulher carrega consigo o dom de ser mãe, de poder gerar uma criança. E isto não é só um dom, é uma responsabilidade que segue para a vida toda. A beleza de ser mãe (e as dificuldades) é alardeada por todos os cantos. Mas e se você não quer ter filhos?

O número de mulheres que, como eu, optam por não ter filhos cresce a cada dia no mundo e no Brasil. Uma reportagem da revista americana Times mostrou que, de 2007 a 2011, a taxa de natalidade nos Estados Unidos diminuiu 9% e que o numero de casais que não querem ter filhos cresceu em todas as etnias. Em média, uma em cada cinco americanas optam por não ter filhos, comparativamente a uma a cada 10 em 1970.

casais sem filhos

No Brasil, a revista Veja revelou que, de 2004 a 2013, a quantidade de casais sem filhos aumentou 33% no país. Essa estatística pode ser facilmente observada na vida cotidiana. As amigas não se casam mais aos 20 e poucos anos, como na época de nossas mães, e sim optam primeiro por ter uma carreira e adquirir uma boa remuneração. Só depois pensam em casamento, o que se dá geralmente entre os 25 e 35 anos.

No exterior, essa tendência já foi batizada como DINK (double income, no kids) ou DINKY (double income, no kids yet). Ou  algo como “dupla renda, sem criança” e “dupla renda, sem crianças ainda”, em português. O conceito remete a casais independentes, focados na carreira e que não pensam em ter filhos, de forma definitiva ou não. Com isso, acumulam duas fontes de renda que permitem gastar mais em atividades como viagens constantes, restaurantes charmosos, vinhos de qualidade, barzinhos da moda, ou seja, desfrutar de alguns pequenos luxos.

Nós optamos por esse estilo de vida. Nos casamos há dois anos, depois de morarmos juntos durante três. Fizemos o “test drive” do casamento e, como deu tudo certo, resolvemos passar para a próxima etapa. Eu tinha 29 anos e o Murilo 37. Sabíamos bem o que queríamos e o estilo de vida que gostaríamos de levar. Nos nossos planos, gravidez, bebê e maternidade não estavam incluídos. E ainda não estão.

casais sem filhos

Maíra e Murilo, do Casais Sem Filhos

Diante da crise no mercado financeiro, resolvemos vender o apartamento que tínhamos e aplicar o dinheiro da venda em fundos de investimentos de baixo risco. Murilo entende bastante de bolsa de valores e mercado financeiro. Confio nele, e também acredito que essa seja a melhor alternativa no momento, mas também penso que se tivéssemos filhos, talvez teríamos mais medo e gostaríamos ter um imóvel próprio para morar. Essa é uma das vantagens de sermos somente dois adultos, não nos prendemos muito a nenhum lugar.

Em relação à economia familiar, pagamos as contas do dia a dia e o que sobra é destinado ao “fundo de viagem”. Amamos viajar. Voltamos de uma viagem pensando na próxima. Fazemos questão de sair do país, pelo menos, duas vezes por ano e, viagens curtas de fim de semana, fazemos todos os meses. Sabemos que se tivéssemos crianças não poderíamos nos dar esses luxos, afinal de contas, filho custa caro.

Já fomos para Europa Ocidental, Europa Oriental, América do Norte e América do Sul. Ainda falta a África e a Ásia, que já estamos nos programando para conhecer. Gostamos de andar bastante, explorar a cidade, a culinária local e, principalmente, os “drinks” que a cidade tem a oferecer. Somos um casal que não dispensa o nosso happy hour de sexta-feira por nada nesse mundo.

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Na vida cotidiana, o que damos realmente valor é ir aos restaurantes que surgem na cidade, desde o mais requintado, com vinho de qualidade e pratos de chefs renomados, até o botequinho com mesa de plástico, cerveja gelada e camarãozinho na beira do mar. Uma balada também é muito bem-vinda. Não como nos 20 e poucos anos, de boates lotadas e musica eletrônica bem alta. Gostamos de lugares com música boa ao vivo, bom serviço e petiscos gostosos, de roda de samba a pubs de rock, estamos sempre animados para conhecer o que surge.

Nossos planos para o futuro são de eu aprender alemão e Murilo expandir os seus negócios no exterior. Fazer um mestrado e doutorado fora do país. Vivermos em outros cantos do mundo, conhecer outras culturas, falar outras línguas. Esses são os planos que realmente nos enchem os olhos. Sabemos bem que muitos desses programas que gostamos ou dos planos que almejamos seriam complicados com bebês ou crianças e, justamente por isso, optamos por curtir a vida a dois.

As pessoas têm uma curiosidade em perguntar sobre o futuro. Bem, acreditamos no clichê “o futuro a Deus pertence”. Realmente não sabemos o que irá acontecer, mas garantimos que a vida que nós levamos é muito gostosa. Temos família grande, muitos amigos e um ao outro. Não sentimos nenhum medo de ficarmos sozinhos. Vemos que há muitos casais mais velhos que têm filhos e vivem reclamando de solidão. E que pessoas agradáveis estão sempre rodeadas de amigos queridos, então tentamos viver dentro dessa filosofia.

Hoje, há muitas pessoas que vivem o mesmo estilo que nós e outras que, apesar de pensarem em filhos no futuro, optam por viver um pouco mais a vida a dois, aproveitar as vantagens de um casal sem filhos para depois começar a aumentar a família. Assim surgiu o nosso blog, o Casais Sem Filhos, com discussões sobre o assunto e dicas de lugares e viagens.

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10 comentários sobre o texto “Casais sem filhos: uma opção cada vez mais comum

  1. Achei o texto meio tendencioso. Dá a impressão que depois de ter filhos, a vida acaba. Nada a ver, só melhora. Te dá mais garra pra lutar pelo que se quer. E não deixei de tomar vinhos maravilhosos e de ir em restaurantes renomados, muito menos de viajar. Minha filha é uma companheira maravilhosa e como é gratificante mostrar o mundo pra ela!

  2. Esse é um dos motivos mais egoísta e ridículo pelo qual alguém pretende ter filho, até msm pq seu filho pode morrer antes de você ou te jogar num asilo etc.

  3. Adorei seu texto! Me identifiquei muito! Até mesmo vender o apartamento para investir o dinheiro em fundos nós também fizemos! hahaha
    Também penso em fazer alemão e em morar na Europa… Muita identificação envolvida!
    Viva a diversidade e nosso poder de decidir o que está ao nosso alcance.

    \o/

  4. Adorei!!! Meu marido e eu nos identificamos com vocês! Primeiro, garantimos nossa carreira e, agora, focalizamos nas viagens, aventuras… Não conseguimos pensar em outra coisa nesta vida – muito menos, ter filhos… Só neste ano, já fizemos três grandes viagens para o exterior, e já temos outras duas grandes até o final do ano, sem contar os passeios mais curtinhos pelo Brasil. Economizamos em tudo, para focalizar neste objetivo pleno e gratificante: Viajar! Abraços, e obrigada por compartilhar este depoimento!!

    1. Oi Juciara, que bom que você gostou do blog! Muito ver casais como nós e nos identificarmos, sabendo que tem gente vivendo assim como nós. Tb economizamos sempre com o objetivo de viajar. Deixo de comprar roupa, bolsa e sapato em prol de mais um destino interessante. Cada vez que vou ao shopping, olho o preço das coisas e penso: nossa, com esse valor eu poderia fazer uma viagem de fim de semana pra tal lugar… E acabo não comprando… Rs. Continue acompanhando e compartilhe conosco a sua opinião!

  5. Viva a diversidade de opiniões! Eu tenho uma filha de dois anos e adoro fazer baladas com a minha pequena e o marido, continuo tomando meu vinho tinto diariamente, ja conhecemos varios países juntos. Ela é uma companhia maravilhosa. O post é muito verdadeiro: filho tira a liberdade e custa caro, mas deixo aqui o meu relato: nao me impediu de viajar e deu mais alegria pras minhas baladas (no meu caso, que enjoei de boate).

    1. Oi Raquel, adorei o seu comentário. Principalmente, por que ele começa enaltecendo a diversidade. Acho super legal saber que você é mãe e continua fazendo os seus programas de adultos também, incluindo a sua filha. Como não tenho filhos, realmente não sei dizer como é ter uma vida, uma relação com o marido e também cuidar de um filho. Justamente por isso acho super bacana as pessoas compartilharem a opinião conosco. Continue acompanhando o blog e compartilhando o seu ponto de vista!

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