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Síndrome da página em branco e sacos a vácuo

Eu sou uma procrastinadora profissional e costumo relutar muito antes de fazer coisas que considero chatas, principalmente textos. Mas esta semana tenho vivido uma experiência nova na minha vida: a tal “síndrome da página em branco” – aquela em que você fica encarando a tela e simplesmente congela, trava, quer chorar e não consegue ter absolutamente nenhuma ideia além da vontade de jogar o computador pela janela.

Mesmo quando estou no ápice da desmotivação, nunca tive dificuldade em escrever alguma coisa, qualquer coisa que fosse. Mas já que nada está saindo há horas e minhas 35 tentativas de escrever algum texto não se desenvolveram, resolvi enfrentar o problema de frente escrevendo sobre ele. Senta lá, Cláudia, que lá vem post história/desabafo.

Voltei de viagem no último domingo, depois de uma semana na praia, no Algarve (todas as fotos que ilustram este post são de lá – corre no nosso Instagram para ver mais!). Depois de pegar três longos trens de volta para Coimbra, cheguei em casa e quis morrer só um pouco. Cometi o erro primário de desligar a energia elétrica da casa e me esqueci da geladeira, ou melhor, de toda a comida dentro dela. Por que diabos eu desliguei a chave geral de casa? É que a empresa de eletricidade e gás anda fazendo umas cobranças abusivas e decidimos deixar tudo desligado para evitar mais contas altas. Mas essa decisão foi tomada às 6h30 da manhã, quando o cérebro mal funcionava e a memória apagou “geladeira com comida” da cabeça.

Para piorar o azar, nas últimas semanas tem feito o maior calor do mundo em Portugal – chegamos aos 40 graus no domingo. Resultado, entrar em casa depois de uma semana de viagem e se deparar com aquele cheiro de comida podre (além da dor de saber que toda a sua comida estragou) é muito triste. Passei boa parte da segunda-feira jogando coisas com cheiros horríveis fora e livrando minha geladeira da maior colônia de fungos da história de Coimbra #exagerada.

algarve portugal

Enfim, a verdade é que a praia não foi o suficiente para acalmar meus ânimos e a minha geladeira com fungos só contribuiu para o estresse que está sendo a semana pós-ferias – eu me vi ansiosa e, de certa forma, enjoada de ficar na praia, dada a quantidade de coisas que tenho que fazer.

Minha síndrome da página em branco tem a ver com o fato de que, além de todo o trabalho aqui no blog, eu estou nos últimos 15 dias antes de entregar minha dissertação, naquela fase que eu não aguento mais olhar para o que já escrevi, mas preciso terminar. Ok, já lidei com prazos chatos assim antes, mas minha ansiedade só cresce, muito por conta da necessidade dos sacos a vácuo citados no título deste post.

A culpa não é dos tais sacos, pelo contrário, eles andam é me salvando. É que eu tenho que sair do apartamento que moro aqui em Coimbra, porque a minha housemate, a Valéria, está voltando para o Brasil e ia me dar muito trabalho manter o apartamento com várias contas estando no nome dela e eu não querendo ficar em Coimbra muito além da data da minha defesa. Pelas minhas contas, nos últimos 5 anos, essa será a minha sétima mudança de casa – e nem é a última de 2016.

Vida de nômade não é nada fácil. Meu plano inicial era me mudar para Lisboa quando a Valéria fosse embora. Até cheguei a olhar aluguel na cidade (spoiler: bem mais caro do que em Coimbra). Mas aí a realidade me deu o primeiro choque: eu ia me mudar para Lisboa, mas não conseguiria sequer passar um mês inteiro morando lá, com as programações de viagens de setembro e outubro e a necessidade de voltar a Coimbra por conta das questões acadêmicas. Ok, Lisboa foi temporariamente riscada da lista.

Aí veio o outro balde de água fria. O processo de renovação da minha autorização de residência no SEF (serviço de imigração aqui de Portugal) não correu como esperado. A informação que tinham me dado alguns meses atrás já não é a mesma e eu também entendi errado sobre a possiblidade de continuar aqui trabalhando remotamente.

Não esgotei todas as possibilidades ainda, mas todo mundo sabe que esse processo de visto é extremamente chato e burocrático e não há nenhuma garantia de que conseguirei alguma coisa. Ou seja, grandes são as chances de que eu tenha que voltar de vez para o Brasil – não que eu ache isso ruim, só não era o que eu estava planejando no momento.

algarve portugal

Então: trabalho, dissertação, mudança de casas, visto e uma tremenda saudade e carência dos amigos e da família. Ser criativa e escrever nessas horas é muito difícil. Eu não tenho conseguido me concentrar em nada e até me peguei relendo aquele post que escrevi com dicas para ter mais disciplina e motivação, porque está complicada a coisa.

Nessa grande confusão, que pelo menos se resolverá – por bem ou por mal – até o final de agosto, os sacos a vácuo fizeram a minha alegria do dia. Não tem como não ficar empolgada em ver sua montanha de roupas se transformar numa coisa pequena e compacta num passe de mágica. E tinha 345 coisas para fazer hoje, mas acabei concentrando boa parte do meu tempo em espremer minhas coisas a vácuo, dada que essa era uma procrastinação útil.

Agradeço de coração ao gênio que inventou esse tipo de saco, que não só resolveu a maior parte da mudança, como me deu uma ideia meio estapafúrdia para escrever o post de hoje. #pequenasconquistasgrandesalegrias

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Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 34 anos e atualmente moro na Inglaterra, quando não estou viajando. Já tive casa nos Estados Unidos, Índia, Portugal e Alemanha, e visitei mais de 45 países pelo mundo afora. Além de escrever, sempre invento um hobbie novo: aquarela, costura, yoga... Siga minhas viagens em @afluiza no Instagram.

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