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Não há calmante melhor que janela de avião

Pra mim, não há calmante mais efetivo que um lugar na janelinha do avião. Não digo na comparação com o efeito de medicamentos de fato, mas porque me cago de medo de voar. Dizem que os seres humanos se dividem em duas espécies: aqueles que têm medo de viajar de avião e os que fingem que não têm. Eu não faço a menor questão do fingimento.

Mas este texto não é sobre o medo em si, mas seu antídoto. Se turbulências me fazem suar frio; se decolagens me fazem apertar o encosto da cadeira; se aterrissagens me levam a rezar para tudo que é divindade disponível, a calma vem assim que, lá em cima, eu consigo um lugar na janela, para assistir do alto o espetáculo que é esse nosso mundão sem porteira. Pode parecer contraditório, mas, pra mim, nenhuma imagem traduz melhor o sentido da palavra paz.

Veja também: O verdadeiro medroso de avião

19 fotos incríveis tiradas de dentro de um avião

janela do avião

Foi assim outro dia, num voo entre Porto Alegre e São Paulo. Cintos atados, serviço de bordo interrompido e avião balançando, mas logo, lá embaixo, surgiram praias recortando o litoral brasileiro. Mais pra frente, já com o voo tranquilo, vi uma cidade repleta de arranha-céus e praias para lá e para cá – seria Balneário Camboriú? Se era eu não sei, mas assim vamos em frente, brincando de adivinhar cidades.

Chegando em São Paulo foi a vez de me impressionar com a quantidade absurda de navios ao redor do porto de Santos – contei pelo menos 70. E assim, contando navios, eu me esqueci que um pouso estava chegando. Dessa vez nem doeu.

Eu sou o tipo de pessoa que pesquisa em qual lado do avião é melhor ficar. Não por questões de segurança, veja bem, afinal acho que isso faz tanta diferença quanto usar um assento para flutuar. A questão é saber onde está a melhor vista. Indo para Fernando de Noronha, por exemplo, as janelas do lado esquerdo valem ouro – só elas dão uma vista panorâmica para os Dois Irmãos.

Já no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, a briga deve ser pelas janelas do lado direito. É tão bonito que eu sempre ignoro que na frente da pista tem um mar. Por falar nisso, hora de declaração polêmica: pode até existir, mas eu desconheço voo mais impressionante que a ponte aérea entre os aeroportos de Congonhas e Santos Dumont.

Certa vez, conversando com um gringo, descobri que para estrangeiros esse voo é mais inacreditável ainda. Perguntei quais eram os cenários mais lindos que ele tinha visto no Brasil. A resposta foi a dobradinha Rio/São Paulo, mas não pelas cidades em si. Pela vista da janela do avião. Pão de Açúcar, Maracanã e Cristo logo dão lugar para a grandiosidade da capital paulista – e o sempre impressionante pouso em Congonhas, com direito a observar gente na janela de seus apartamentos e um aeroporto que surge no meio da cidade.

A listinha continua. Em Foz, as Cataratas. Para Belém, a Amazônia. Em Porto Alegre a aproximação é pelo Guaíba, enquanto o voo para o Chile reserva a passagem pela imensidão branca da Cordilheira dos Andes. A turbulência por ali é uma tradição, mas quem se importa? Com um cenários desses na janela…

voar para o Chile

Sempre torci o nariz para o aeroporto da minha cidade, o longínquo Confins, que fica a pelo menos 50 minutos de carro de Belo Horizonte.  Até outro dia eu achava que era por conta do trabalho envolvido no transfer para o aeroporto, o que não é toda a verdade: também me chateava não conseguir ver BH da janelinha. Até que, sei lá porque, eu percebi que me sentava sempre do lado direito da aeronave. Foi só pegar um lugar no lado esquerdo e pronto. Lá estava BH.

É claro que tudo isso varia conforme a rota que o avião faz. Mas, mesmo que não seja uma regra, da janela eu não abro mão. E aguardo ansiosamente pelo dia em que elas sejam maiores e permitam uma vista panorâmica até para quem está no corredor. Só não podem ser muito grandes – não quero me lembrar que também tenho medo de altura.


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Rafael

Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014 voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura. Siga minhas viagens também no instagram, no perfil @rafael7camara no Instagram

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