Dicas e roteiros de viagem pela Costa Rica: do Caribe ao Pacífico

Dicas e roteiros de viagem pela Costa Rica: do Caribe ao Pacífico

Alguns países parecem ter sido criados para o turismo e a Costa Rica é um deles. Com praias, montanhas, vulcões ativos e dormentes e floresta tropical, a natureza foi bastante generosa ao oferecer opções para todos os gostos. Some a isso uma excelente infraestrutura de estradas e serviços, povo acolhedor e segurança pública e pronto, você tem a receita completa do bolo. A vocação é tanta que pode até passar do ponto: em alguns momentos, o país se parece um grande resort, como se a autenticidade local tivesse sido roubada pelo mercado turístico.

Mas ela está ali, basta procurar para ver, em especial nas pequenas cidades, nas comunidades indígenas, no gallo pinto (um mexido de arroz com feijão, típico dali e de outros países da América Central) que é servido a cada café da manhã, na preservação da biodiversidade, no sotaque característico dos “ticos”, como são carinhosamente apelidados os costa-riquenses. Está também no “Pura Vida” way of life, marcado pelo sorriso no rosto, tranquilidade e alegria presente no dia a dia local. Não é à toa que esse já foi eleito o país mais feliz da América Latina e um dos mais felizes do mundo.

Veja agora algumas dicas para planejar sua viagem para a Costa Rica e ideias de roteiros pelo país.

Puerto Viejo, na Costa Rica

Puerto Viejo. Foto: Shutterstock

Carro alugado ou trasporte público?

Se você não se importa de dirigir, alugar um carro pode facilitar e muito sua viagem pela Costa Rica. Dá para fazer tudo de ônibus, tranquilamente, já que o país conta com boa infraestrutura de estradas e de transporte. O inconveniente, no entanto, é que as viagens de ônibus demoram o dobro do tempo, pois os veículos costumam fazer diversas paradas ao longo do caminho. Além disso, para ir de uma região a outra do país, é quase inevitável passar por San José mais de uma vez, já que as empresas fazem da capital um grande hub rodoviário.

Quem optar por pegar no volante pode ficar tranquilo com a qualidade das estradas, mas deve ter cuidado redobrado ao dirigir, já que muitas delas passam por regiões montanhosas e são repletas de curvas. Veja aqui como conseguir o melhor custo/benefício no aluguel de carro na Costa Rica.

Quanto custa e qual moeda levar?

Vou ser direta: a Costa Rica é o país mais caro para viajar na América Central e deixa no chinelo muitos outros da América Latina. Se você passou por Nicarágua e Guatemala, então, pode levar um susto ao fazer a conversão ali e ver seus gastos mais que dobrarem. Já quem vem do Panamá verá custos mais parecidos, mas ainda assim levemente mais altos.

A moeda local é o Colón (USD 1 = 565 colones), mas a maior parte dos estabelecimentos turísticos aceita pagamento em dólar, inclusive supermercados. Algumas vezes, no entanto, o câmbio utilizado por eles será desfavorável. Aconselho a levar dólares e trocá-los já no país ou sacar diretamente dos caixas eletrônicos (cuidado com as taxas de saque), caso você prefira não levar todo o dinheiro em espécie. Não compensa trocar reais por colones ainda no Brasil.

Uma cerveja long neck em um bar sai por entre 2 e 3 dólares.

Um almoço em soda ou mercado sai por entre 5 e 8 dólares.

Um combo de fast food sai por cerca de 8 dólares.

Entradas em Parques Nacionais custam 16 dólares (exceto Cahuita, que é por doação voluntária).

Tours em grupos custam entre 40 e 80 dólares, dependendo do passeio.

Passagens de ônibus interurbanos são baratas, saem por entre 5 e 15 dólares.

Uma garrafa de água comprada com um ambulante sai por 1,50 dólares (no supermercado é mais barata, claro).

Dicas para economizar: Coma nas “sodas”, pequenos restaurantes familiares que oferecem comida típica e caseira por muito menos que os restaurantões turísticos. Também vale a pena dar uma chance aos mercados.

Os passeios são o que mais vão pesar no orçamento. Brincando, um tour em grupo de 20 pessoas pode sair por 60 ou 70 dólares. Pagar isso uma vez não é o fim do mundo, mas preencher todos os seus dias com eles pode triplicar o orçamento de uma viagem. Por isso, prefira fazer as coisas por conta própria (nesse caso, ter um carro ajuda bastante, já que algumas vezes as atrações naturais são mais difíceis de acessar por transporte público). Evite também cair no conto das agências de turismo que podem vender programas nem tão interessantes e ainda te fazer pensar que você PRECISA ver aquilo antes de ir embora. Pesquise bastante e já tenha em mente o que você quer fazer.

Se você fica em hostels, dá para encontrar quartos compartilhados excelentes por até 15 dólares, como o TripOn Hostel de San José (um dos melhores que eu já fiquei na vida). Quem viaja de casal ou dupla também consegue pagar mais ou menos o mesmo por pessoa em quartos duplos em pousadas.

Utilize o transporte público, esse sim bem barato, quando precisar.

O Seguro de Viagem é obrigatório em dezenas de países e indispensável em qualquer viagem. Não fique desprotegido na Costa Rica. Veja como conseguir o seguro com o melhor custo/benefício com nosso código de desconto.

Quando ir?

Parque Nacional Cahuita, Costa Rica

Cahuita. Foto: Shutterstock

Faz calor o ano inteiro na Costa Rica, mas é preciso sempre levar casacos para os passeios nos vulcões e em altitude, onde a temperatura cai alguns graus e o tempo muda rapidamente. O país tem duas estações, a seca é a melhor para viajar e vai de dezembro a abril. Já a chuvosa é de maio a novembro. Entre maio e agosto, você enfrentará aguaceiros, mas vai poder aproveitar os preços mais convidativos da baixa temporada e pegará os lugares mais vazios. Depois disso, até novembro, é a temporada de tempestades tropicais e fica mais complicado. Além do clima, muitas estradas acabam interditadas nessa época.

No Caribe, o tempo é bastante instável e pode fazer as quatro estações no mesmo dia. Mesmo na estação seca, há chuvinhas quase diárias, em especial no fim da tarde, que logo passam e o céu volta a se abrir. Se você quer céu azul e verão forte, melhor seguir para as praias do Pacífico.

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Roteiro de 7 a 10 dias: Natureza e praias no Caribe

Quem chega por via aérea provavelmente desembarca em San José. Em uma viagem tão curta, o melhor é não perder muito tempo na capital, que, embora tenha seu charme, não é tão interessante quanto o resto do país. No dia seguinte à chegada, siga para La Fortuna, ao norte, onde você ficará dois dias para conhecer o Vulcão Arenal, o mais famoso do país, e as águas termais que brotam na região. Depois, siga para Tortuguero, um parque nacional no Caribe que é local de reprodução de tartarugas marinhas. Se você optou por não alugar um carro, a melhor forma de fazer esse trajeto é contratando um shuttle privado em La Fortuna. É significativamente mais caro que pegar um ônibus, porém você economiza o tempo de voltar a San José.

Seja qual for o seu meio de transporte, você precisa ir até Puerto La Pavona e, de lá, pegar um barco pelo Río La Suerte para Tortuguero, que não é acessível por terra (há a opção de voar para lá, no entanto). Passe dois ou três dias na reserva. Depois, você tem a opção de voltar a San José ou de seguir pelo Caribe em direção ao sul até Puerto Viejo de Talamanca, de onde você pode visitar o Parque Nacional de Cahuita, que protege algumas das melhores praias do país, e curtir um pouco da atmosfera hippie do lugar. Se você tem tempo, não deixe de conhecer as comunidades indígenas de Bribri e as fábricas orgânicas de chocolate.

De Puerto Viejo, há duas alternativas: ou você volta para San José ou segue rumo a Bocas del Toro, no Panamá.

San José - Costa Rica

San José. Foto: Shutterstock

Roteiro de 15 dias: Natureza e praias no Caribe

Esse roteiro é uma extensão do anterior, menos corrido e com alguns acréscimos, em especial se você estiver de carro ou puder fazer tudo com shuttle privado, o que poupa tempo. Passe dois dias em San José, siga rumo ao norte para La Fortuna. E com um pouco mais de tempo por ali dá também para visitar Rio Celeste e Monteverde. A primeira é um parque nacional que guarda um rio de água azul-da-cor-do-céu; a segunda é uma pequena cidade que tem um dos ecossistemas mais raros do planeta, uma floresta tropical riquíssima em biodiversidade, a 1600 metros de altitude. 

Depois, alcance o Caribe e a reserva de Tortuguero. Continue descendo até Puerto Viejo e Cahuita e, de lá, cruze o país para o Pacífico até a Reserva Natural Manuel Antônio, a 7 quilômetros da cidade de Quepo, que também guarda a dobradinha floresta tropical + praias incríveis, rodeada de montanhas.

Outra opção para esse roteiro é fazer o trajeto inverso, começando por Manuel Antônio e terminando em La Fortuna antes de voltar a San José ou até mesmo seguir para a Nicarágua. Ou, ainda, tirar o parque nacional do roteiro e seguir para uns dias em Bocas del Toro e, de lá, voar para San José ou para a Cidade do Panamá.

Roteiro de 20 dias ou mais: Da Nicarágua ao Panamá (e vice-versa)

Se a sua viagem à Costa Rica faz parte de um roteiro maior pela América Central, é muito provável que você entre no país pela Nicarágua ou pelo Panamá, dependendo do sentido do seu trajeto. Se você vem da Nicarágua, passará pela estrada Panamericana, que cruza o continente margeando o Pacífico. Aproveite esse caminho para conhecer Tamarindo e Sámara, dois destinos de praia no Pacífico norte do país – fique dois dias em cada.

Se você estiver de carro, vá para La Fortuna, onde você ficará quatro dias para conhecer também Monteverde e Rio Celeste. Se você está de ônibus ou quer conhecer a capital do país, faça uma parada de dois dias ou três em San José antes de seguir para La Fortuna. Na capital, aproveite também para conhecer o Vulcão Irazú, o mais alto do país, e as Cataratas de La Paz. De lá, basta seguir os roteiros anteriores de Tortuguero até Puerto Viejo. Fique mais quatro dias em cada um. De Puerto Viejo, é fácil cruzar para Bocas del Toro de ônibus.

La Fortuna, Vulcão Arenal

La Fortuna

De carro, fica fácil incluir também Manuel Antônio no roteiro, depois de Sámara. Basta seguir pela Panamericana até Quepo, de lá para San José e, em seguida, La Fortuna.

Caso você venha do Panamá, basta fazer o roteiro no sentido inverso.

Já chamei de casa a Cidade do Cabo, Chandigarh, Buenos Aires e Barcelona, mas acabo sempre voltando pra minha querida BH. Gosto de literatura, cervejas, música e artigos de papelaria, mas minha grande paixão é contar histórias. Por isso, desde 2011 viajo o mundo e escrevo sobre o que vi. Também estou no blog sobre escrita criativa Oxford Comma e compartilho minhas impressões de mundo também no instagram @natybecattini e no twitter.

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