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Atlas: Portugal

Oficina Shanti: Os tecidos que mudaram uma vida

Para quem cresceu em outra cultura, viajar à Índia é transformador, apesar dos perrengues que acontecem pelo caminho. Nem sempre atinge-se o estado de elevação espiritual dos monges, mas frequentemente a atmosfera fantástica do país contribui para que seus visitantes encontrem propósitos. Foi o caso da equipe do 360meridianos, que morou por lá nos primeiros meses de criação do blog. E foi o caso também de Rafaela Fortunato, uma psicóloga portuguesa que transformou o encantamento pelos coloridos tecidos indianos na Oficina Shanti, um empreendimento que mistura tecelagem, ancestralidade, mitologia e viagens.

Em 2014, depois de viver na Inglaterra, Rafaela se juntou à amiga Filipa Castanhinha num sonho de conhecer a região. Planejavam começar pelo norte da Índia, ficar algumas semanas no Nepal, onde visitariam Poon Hill, Pokhara e Annapurna, e depois voltariam à Índia, onde chegariam até Goa e Kerala, ao sul. Entre um destino e outro, paravam sempre em bancas de artesanato na rua e visitavam pequenas tecelagens familiares onde viam como os habitantes locais tingiam e estampavam os tecidos.

artesãs oficina shanti

Mas, enquanto se apaixonavam por aquele elemento cultural, também enfrentaram desafios, como se o Himalaia e a Índia não pudessem passar ilesas por aquela transformação. Colecionaram perrengues: gastaram mais do que deveriam em passagens de ônibus superfaturadas, reservaram acomodações que não existiam, viajaram com um taxista que fez com que desviassem bastante de sua rota. Foi quase o suficiente para desistirem. Mas a vontade de conhecer mais e mais sobre os tecidos fabricados na região era maior.

Tecidos Orientais, Mitologia e Viagens: como nasceu a ideia

Rafaela e Felipa não viajaram à Índia com o plano de construir um negócio. Mas a gente nunca sabe o destino. Quando voltaram para Portugal com as malas cheias de panos, decidiram transformá-los em capas de almofada, colchas de cama e tapetes de yoga estampados a mão com a tal técnica de blocos de madeira. Compartilharam as imagens com os amigos pelo Facebook e venderam tudinho no mesmo dia. E ouviram muitas pessoas perguntarem quando é que voltariam à Índia para buscar mais tecidos.

artesã oficina shanti, mesa de produção

Meses depois, voltaram.

E, dessa vez, já com uma viagem toda planejada para encontrar matéria-prima para roupas de inverno e um nome: Oficina Shanti – Made in travelling. A proposta também era um pouquinho diferente. Elas levaram as ideias e produziram junto com artesãos locais ponchos, mantas, cachecóis e outros artigos de lã, a cada dia aprendendo um pouco mais sobre técnicas e materiais.

Depois, veio a Tailândia, uma viagem mais cara, que conseguiram bancar graças a um projeto de financiamento coletivo que angariou mais de 1100 euros, investidos em seda e outras matérias-primas. Por lá, a dupla produziu sapatos de pano em parceria com uma oficina tailandesa, com materiais mais sustentáveis. Os próximos destinos foram o Marrocos e o Laos, para onde Rafaela foi sozinha depois que Felipa engravidou e decidiu focar na maternidade. Lá, aprendeu que é possível juntar as técnicas seculares de tecelagem com métodos que agridem menos o meio ambiente.

Mas a maior lição de Rafaela foi outra.

oficina shanti ateliê

Cada técnica traz em suas linhas séculos de tradições e rituais. As artesãs marroquinas têm as mãos desenhadas com figuras que simbolizam a energia que querem passar para os tecidos que fazem. As laosianas colocam laços em volta das tinas de tingimento para afastar más energias.

E, assim, unindo o aprendizado com formas mais sustentáveis de produzir tecido e colorir de forma natural com as tradições que passam de geração para geração, Rafaela hoje se orgulha do caminho que trilhou, e pretende ir bem mais além. Nos planos de 2019 estavam uma nova viagem à Tailândia (também financiada coletivamente por um crowdfunding), uma visita à Indonésia, onde mais lições a esperam, e a consolidação de um projeto de tecelagem na Aldeia do Xisto, em Portugal.

Em sânscrito, shanti significa um estado de paz mental e espiritual, e uma compreensão profunda de que, mesmo diante de obstáculos, é possível se manter pleno. No caso de Rafaela, shanti também significa paixão, história, cores, tradições e uma longa e incrível jornada. Saiba mais sobre o projeto!

espaço montado pela oficina shanti- sala com almofadas

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Otávio Cohen

Cresci lendo muitos livros e assistindo a muitos filmes. Deu nisso: hoje vivo de contar histórias. Por coincidência, algumas das melhores acontecem longe de casa. Por isso, de vez em quando, supero o medo de avião e a saudade do meu cachorro para ir em busca de uma nova história.

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