Free Walking Tour: vale a pena?

Os Free Walking Tours não são novidade no mundo de viagens. Surgiram em 2004, em Berlim, e hoje em dia você dificilmente vai encontrar uma cidade turística no mundo que não ofereça esse tipo de serviço. Apesar disso, confesso que a primeira vez que testei um desses tours foi em Praga, em outubro do ano passado, meio que por acidente.

Estávamos na recepção do hostel, esperando o Rafa, que não andava se sentindo bem. Aí vimos um agrupamento de gente lá e descobrimos que um tour, organizado por um grupo de hostels da cidade, sairia em breve. Decidimos dar uma chance para o passeio. Foi a melhor decisão que podíamos ter tomado.

Nosso guia em Praga era um jovem estudante de Relações Internacionais que, nas horas vagas, ganhava um dinheiro extra apresentando a cidade para os turistas. O tour focou no que mais gostamos de conhecer numa cidade: curiosidades e história, sem ser muito engessado, didático ou chato. Muito pelo contrário, o guia era engraçado e sabia prender a nossa atenção. E olha que era um grupo bem grande – mais ou menos umas 20 pessoas. Boa parte das coisas que aprendemos com o guia nós contamos nesse post sobre curiosidades e mitos de Praga.

Free Walking Tour Praga

Nosso guia em Praga, que esquecemos de anotar o nome. Sorry!

Depois do tour, todo mundo contou as moedinhas e deu uma gorjeta legal. Mesmo sendo um grupo composto por jovens viajantes econômicos, a média de gorjetas foi entre 5 a 10 euros por pessoa. O cara ainda foi solícito e nos deu dicas sobre lugares para comer e tomar cerveja na cidade.

Como funciona o Free Walking Tour?

Basicamente, como eu relatei aí em cima. Tem um ponto de encontro, em geral uma praça famosa da cidade ou o hostel. Você vai lá e diz que quer participar, eles vão te colocar numa listinha e te dar uma senha ou pulseirinha. Em geral são dois grupos diários em inglês e, de vez em quando, em espanhol. A maioria dos walking tours que existem por aí não tem opção em português ainda. Mas foco no ainda. Tenho certeza que as empresas já começaram a perceber o potencial do público brasileiro.

Se você for em alta temporada, ou for do tipo muito organizado, pode reservar pela internet antes a sua participação. Em geral, não tem que pagar nada, mas algumas empresas cobram três euros por essa reserva antecipada.

O tour dura uma média de três horas e te leva para as principais atrações turísticas da cidade, alguns lugares curiosos que provavelmente passariam batido. O legal é que mesmo que você já conheça a cidade, vai conseguir aprender coisas novas e ter dicas diferentes. Se você não for com a cara do guia, achar que está chato ou ruim, vire as costas e vá embora – simples assim. Se gostar, dê uma gorjeta no final – como vou explicar melhor logo abaixo, essa é a única forma de remuneração do guia.

Depois dessa experiência positiva, repetimos a dose em Berlim com ninguém mais, ninguém menos, que os inventores do conceito de Free Walking Tours, a empresa Sandeman’s New Europe  (o nome da guia era Lindsey – recomendo!). O criador foi Cristopher G. Sandeman, um britânico que aos 26 anos percebeu que havia um mercado a ser explorado com excursões guiadas, já que o medo de se decepcionar com a qualidade afastavam os jovens de participar desse tipo de passeio. A solução, para ele, foi permitir que a pessoa só pagasse o que parecesse justo.

free walking tour berlim brandenburgo

A Lindsey é essa moça de branco no canto da foto. O tour começou no Portão de Brandemburgo.

A Sandeman’s atua hoje em 18 cidades espalhadas pela Europa, Oriente Médio e Estados Unidos. O guias são freelancer, não têm nenhuma relação trabalhista com a empresa e são pagos exclusivamente com as gorjetas que recebem dos turistas. Além disso, segundo essa matéria da Folha, precisam pagar por volta de três euros por pessoa que vai ao tour. Ou seja, se o tour tiver pouca gente ou se eles receberem pouca gorjeta, vão ter que pagar para trabalhar. Isso também levanta questionamentos de algumas associações de guias turísticos oficiais, que consideram concorrência desleal.

Qual a diferença entre um Free Walking Tour e um tour com um Guia de Turismo certificado?

Um guia de turismo certificado é alguém que estudou bastante para exercer essa atividade. Por exemplo, a Deyse Ribeiro, que foi nossa guia em Florença, estudou dois anos e precisou passar por uma prova difícil para ser certificada como Guia de Turismo da região da Toscana. Ou seja, ela de fato conhecia bem do que estava falando. Já o Free Walking Tour é conduzido em geral por jovens, que não necessariamente têm conhecimento profundo do lugar, seguem um roteiro pré-estabelecido e podem cometer erros históricos.

Mas isso não define a qualidade do passeio. Já fiz tours excelentes com guias certificados, em Florença e Amsterdam. E também fiz Free Walking Tours ótimos, em Praga e Berlim. Também tive experiências ruins com os dois tipos de passeio. No caso, o problema era que o guia, oficial ou não, não sabia “prender” a audiência e dava as informações de maneira desinteressante.

free walking tour old town praga

O grupo na Old Town Square, em Praga

Dessa forma, na hora de escolher qual dos dois vai te levar pela cidade, você pode levar em consideração a grana que tem para gastar e a profundidade da informação passada. O Free Walking Tour costuma ser mais divertido e reúne gente do mundo inteiro, mas pode ser bem cheio e incomodar quem não curte muito a ideia de passear numa excursão. Por outro lado, guias certificados podem trabalhar tanto com grupos pequenos e privados ou com excursões, daquelas que tem uma fila enorme de gente. Ou seja, o segredo é pesquisar antes de contratar – e para isso que serve a internet, não é mesmo? Antes de contratar qualquer serviço cheque as experiências prévias: dê uma olhada no Trip Advisor sobre o que as pessoas falam dos guias e passeios, sejam eles pagos ou gratuitos.

Como encontro um Free Walking Tour na cidade que vou viajar?

Simples! Digite no Google: Nome da cidade + Free Walking Tour

Além disso, tem algumas listas na internet dando referência para alguns dos melhores passeios nas cidades. A que encontrei mais completa é do site Price of Travel.

Se você foi num tour numa cidade e gostou muito, por favor, indique nos comentários o nome da empresa e do guia. Se tivermos dicas legais, atualizo o post com as recomendações.


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Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 30 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite "morar no aeroporto". Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo. Siga @afluiza no Instagram

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36 comentários sobre o texto “Free Walking Tour: vale a pena?

  1. Fizemos dois em Barcelona. Maravilhoso. Amei os guias. No final do tour nos juntamos e fomos almoçar num restaurante bacana e barato junto com eles. Conhecemos muita gente legal. Final do mês vamos para Itália e repetiremos a dose. Recomendo.

  2. pessoal, boa noite. De quanto seria em média essa gorjeta que damos aos guias da free walking tour? Estou pensando em fazer em Roma, eles cobram 2,5 euros a reserva mais a gorjeta.

    1. E Márcia, isso depende muito do país em que você faz. Eu costumo deixar algo em torno de 5 euros ou dólares, mas em países com custo de vida muito baixo, acabo deixando um valor proporcional. Tem gente que deixa mais, enfim.. não tem uma regra…

    2. Oi Marcia,

      Não vejo muita necessidade de reservar. Tem sempre muitas opções que você pode simplesmente chegar e ir, sem pagar nada antes.

      Sobre a gorjeta, depende muito da qualidade do guia e de como você está de grana. Eu acho que algo entre 7 e 10 é justo.

  3. Eu simplesmente adoro Free Walking Tours! Fiz uns bem mais ou menos, pelos vários motivos que você cita no texto. Mas o que fiz em York foi tão maravilhoso que procuro outros por onde passo para ver se vai ser tão interessante quanto. Infelizmente não me lembro do nome do guia, mas quem o ver vai saber reconhecer. É um cara com toda a pinta de metaleiro, barbão e cabelos compridos brancos e colete de couro. Surpreendente!

    1. Larissa, eu também acho que sempre vale a pena, mas tem uns que são melhores que outros, claro! Eu gosto dos de Berlim que tem free walking tours sobre vários temas, não apenas o tradicional da cidade…

      Abraços e obrigada pela dica de Nova York (procurarei por ele quando for 🙂

    2. Oi Larissa,

      Que boa essa dica, porque eu to pensando em ir passear em York em breve. Vou procurar o cara da descrição. Você lembra qual era a empresa que fazia os tours?

  4. Eu fiz o Walking Tour em Split na Croácia com a Olga. Foi simplesmente incrível. E ela fez um paralelo entre a história antiga e recente do país que era o que eu mais queria ouvir.

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