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Mercado Central de BH: ponto de encontro mineiro

Todo belo horizontino tem uma relação especial com o mercado central de BH.  Sempre que viajo dou um jeito de visitar o mercado público ou as feiras de rua da cidade, e acho que isso vem um pouco da minha experiência de me perder pelos corredores cheios de cheiros e sabores diversos.

Adoro sentir o cheiro das comidas típicas, ver os moradores da cidade em suas compras cotidianas – que mudam tanto de um lugar para o outro -, as cores das frutas da estação e os gritos dos vendedores. E, mesmo depois de visitar vários mercados nesse mundão afora, um dos meus favoritos continua sendo aquele que eu frequento desde criança.

E o favoritismo não é só meu. O Mercado Central foi eleito, em 2016, um dos três melhores mercados para se visitar no mundo pela revista TAM nas nuvens, perdendo apenas para Mercat de la Boqueria, de Barcelona, e o Borough Market, em Londres.

A revista justificou a escolha ressaltando a qualidade dos produtos, a variedade de temperos, o queijo da Serra da Canastra, o artesanato local e os bares e restaurantes espalhados pelos corredores. Não é à toa que o Mercado Central de BH é considerado uma síntese de Minas Gerais.

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Mercado Central de BH

A história do Mercado Central de BH

Inaugurado em 1929, o mercado central é apenas um pouco mais jovem do que a própria cidade: a capital mineira tinha apenas 31 anos quando ganhou um espaço que deveria reunir todos os comerciantes da cidade, que antes se organizavam em feiras na Praça da Estação e na Rodoviária.

No início, o mercado funcionava como uma feira a céu aberto e as barracas rústicas de madeira logo se transformaram em um dos principais pontos da vida cotidiana de Belo Horizonte. Seguiu assim até 1964, quando o então prefeito decidiu vender o terreno. Para impedir que o lugar fosse fechado para sempre, os próprios comerciantes se mobilizaram e, através de uma cooperativa, conseguiram comprar o lote da prefeitura, aceitando a exigência de transformá-lo em um mercado fechado num prazo de cinco anos.

Descobrir essa parte da história me fez amar ainda mais mais o lugar. Através da mobilização coletiva de pequenos produtores, Mina Gerais ganhou um de seus maiores pontos turísticos e principais símbolos de sua cultura. E o Mercado Central de BH funciona assim até hoje. Os lojistas são os proprietários de sua loja e a administração do mercado é feita por eles.

Com mais de 400 lojas que vendem de tudo que você imaginar, desde frutas, queijos e doces típicos até ervas, panelas, temperos e artesanato tradicional, o mercado de BH consegue ser turístico sem perder aquele charme de lugar para fazer as compras da semana.

Queijos Mercado Central de BH

Onde comer no Mercado Central de BH

Não é só na hora de preparar o almoço de domingo que a gente se lembra do mercado. Ele é também um dos pontos de encontro mais tradicionais da cidade. Quer fazer um programa típico em Belo Horizonte? Então vai tomar uma cerveja em um dos bares que ficam lá dentro. E peça um bife de fígado com jiló para acompanhar. Pronto, já pode tirar sua carteirinha de mineiro depois dessa.

Dois dos campeões consagrados do concurso Comida di Buteco ficam dentro do Mercado Central. O primeiro é o Casa Cheia, que tirou o primeiro lugar em 2005 com o prato Mineirinho Valente. Em 2008, ficou em quarto com as deliciosas Almôndegas Exóticas (de carne de sol recheadas com abóbora e queijo ao creme, super recomendadas). Em 2012, foi vice com o Nas Tranças da Imaginação. Todos esses pratos ainda estão no cardápio, então dá para você descobrir as delícias dos concursos passados.

Já o Bar da Lora tem um prato entre os cinco melhores petiscos de Belo Horizonte todos os anos desde 2009. Se quiser provar um dos premiados, peça pelo Versões da Lora, Isca de peixe, Bar da Lora, Pura Garra da Lora (campeão de 2010, Garrão com molho malzebier) e o Mercadão da Lora ao molho dos Bohemios.

Tá com sede? Então dá uma parada rápida na tradicional loja de limonadas, em funcionamento desde 1938. Uma bebida refrescante e gostosa que é preparada da mesma forma há quase um século.

O que comprar no Mercado Central de BH

Os belorizontinos sabem que tem coisa que você só encontra ali. Ou que o mercado é o melhor lugar da cidade pra comprar certos produtos. Ainda assim, não é difícil se perder e se encontrar em um corredor ou de frente a uma loja que você nunca tinha visto antes. Sempre que queremos queijos, doce de leite, goiabada, pimenta, cachaça e outros produtos bem mineiros, é para lá que corremos. E a cada corredor que a gente atravessa, mudam as cores e os cheiros.

Produtos Mercado Central de BH

Os melhores produtos para Comprar no Mercado central de BH são:

  • Gelatina de Cachaça (a marca Vale Verde é bastante conhecida)
  • Goiabada (procure pela goiabada da Zélia)
  • Requeijão em barra com raspas (as raspas são do que fica queimado no fundo do tacho e dão um toque especial)
  • Ervas, pimentas, temperos e produtos naturais
  • Queijo Canastra (a loja Empório Mineiro é um bom lugar para comprar)
  • Queijos Artesanais e outros produtores mineiros versão gourmet (a loja Roça Armazém mineiro é um bom lugar)
  • Doce de leite
  • Panelas de cobre e utensílios para cozinha
  • Artesanato local

Temperos: Mercado Central de BH

O que não é tão legal no Mercado Central de BH

Desde criança, a parte do mercado que mais me intrigou foi o corredor dos animais. Quando pequena, eu sempre queria passar por lá para ver os filhotinhos de cachorro, mas depois eu comecei a perceber que havia alguma coisa estranha na forma como aquilo era feito.

Primeiro foram os óbvios problemas sanitários que um monte de bicho vivendo junto sem a devida precaução pode causar. Como resultado, diversos filhotinhos acabam contraindo doenças e morrendo. As jaulas nem sempre são limpas e eles ficam amontoados, um em cima do outro. Não existem condições adequadas de ventilação, iluminação e higiene.

Mais tarde, comecei a questionar a legalidade da prática. São cachorros, gatos, coelhos e aves de várias espécies. Passarinhos lindos e coloridos que provavelmente não deveriam estar presos em uma jaula. Esses são os que ficam expostos, porque eu sei de gente que comprou até tartaruga contrabandeada lá dentro. E isso tudo acontece com a conivência do governo.

Todos os jornalistas de BH sabem que somos proibidos de filmar ou fotografar essa área do mercado. As imagens são liberadas em todas as outras áreas, menos nessa. E quem proíbe não são os vendedores, mas a própria assessoria de imprensa do mercado. Uma vez, um universitário até tentou registrar a venda, mas foi agredido pelos comerciantes. A venda dos bichinhos ocorre há décadas, mas a Vigilância Sanitária, o Ibama, a prefeitura e o Ministério Público parecem ser os únicos que não veem.

Onde ficar em BH – Opções próximas ao centro

O Mercado Central fica na Avenida Augusto de Lima, uma das mais importantes do centro da cidade. Fica hospedado pela região é uma boa ideia porque você estará perto de tudo, mas evite as ruas do próprio mercado e procure acomodação nos arredores. Os bairros Barro Preto e Lourdes, ambos vizinhos ao mercado, são alguns dos melhores para se hospedar em Belo Horizonte, além, é claro, do próprio centro.

Se você procura recomendação de hotéis na região, o San Diego Express e o OYO Barro Preto são algumas das opções.

Localização e horários de funcionamento

Mercado Central

Av. Augusto de Lima, 744 (Centro)

2ª/sáb 7h/18h, dom 7h/13h

mercadocentral.com.br

Casa Cheia

Loja 167

(31) 3274-9585

Bar da Lora

 Loja 115

(31) 3274-9409

Imagem destacada: Paulo JC Nogueira, WIkimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

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Natália Becattini

Jornalista, escritora e mochileira. Viajo o mundo em busca de histórias e de cervejas locais. Já chamei muito lugar de casa, mas é pra BH que eu sempre volto. Além do 360, mantenho uma newsletter inconstante, a Vírgulas Rebeldes, na qual publico crônicas e contos . Siga também no instagram @natybecattini e no twitter.

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4 comentários sobre o texto “Mercado Central de BH: ponto de encontro mineiro

  1. Eu sempre fujo da ala dos animais no mercado. Não entendo como é possível um lugar como aquele existir ainda hoje! Sempre vejo notícias de ativistas tentando acabar com a venda de animais no mercado, mas nunca dá em nada! Uma pena que um lugar tão legal tenha sua fama manchada por isso!

    1. É mto triste, Camila! Tem mtos lá que tem até carinha de doente. O que mais me revolta é que ninguém se importar, a ponto da própria administração do mercado impedir que a mídia grave denúncias. =(

      Abraços!

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