Tags:
Atlas: Índia

Os golpes mais comuns na Índia

Ainda um pouco confusos depois de acordarmos em plena madrugada e sacolejar pelas ruas de Nova Délhi a bordo de um tuk-tuk, tentávamos nos equilibrar com nossas mochilas grandes e pesadas e, ao mesmo tempo, atravessar com pressa todo o espaço que separava a rua da plataforma onde pegaríamos nosso trem.

Nós tínhamos ido a uma festa na noite anterior, o que quer dizer que tivemos, ao todo, umas três horas de sono. Some a isto o fato de que era fevereiro e estava fazendo um frio danado às cinco horas da manhã. Dá para entender porque meu humor não estava dos melhores…

Eu, que costumo ter um passo rápido, estava à frente dos outros, com as passagens na mão. Ao me aproximar do detector de metais, um homem que parecia ser funcionário da estação me chamou.

– Posso ver sua passagem, madame?

– Claro – Eu respondi, entregando o papel para ele.

Ele olhou para o bilhete por alguns segundos.

– Seu trem foi cancelado. Você precisar ir até aquele guichê – ele disse, apontando para uma janela do outro lado da estação.

Eu olhei para a cara dele. Três policiais estavam sentados a menos de cinco metros. Peguei o meu bilhete de volta e disse:

– Go to hell!

Essa, meus amigos, foi a história de como nós não caímos em um golpe na Índia. Eu não sei exatamente como o golpe prosseguiria. Provavelmente a pessoa no guichê ia me cobrar uma taxa absurda para “remarcar” a passagem. Provavelmente o guichê era falso. Provavelmente a passagem que seria remarcada não teria valor algum.

Viagem de trem Índia

Viagem de trem na Índia

E não, o trem não havia sido cancelado e nós não estávamos nem na estação certa. Nós só não fomos enganados porque o amigo que nos hospedou em Nova Délhi tinha passado pela mesma situação semanas antes e escapou ileso.

Existem muitas armadilhas para turistas desavisados viajando pelo subcontinente indiano. O único jeito de conseguir escapar é identificando a situação antes que levem suas ricas rúpias embora para bem longe e nunca mais voltar. Por isso, preparamos uma lista com alguns dos golpes mais comuns na Índia para você se prevenir.

O preço da corrida de tuk-tuk

Trânsito Índia

Uma coisa importante para saber antes de entrar num tuk-tuk: desconfie dos motoristas. Não estou querendo generalizar. Muitos deles são honestos e encontramos alguns muito simpáticos, que cobraram o preço justo sem que precisássemos insistir, além de terem sido ótimas companhias de city tour (motorista de Fort Kochi, um abraço pra você). Mas, se existe alguém que está numa posição muito cômoda para te enganar são eles. Você não conhece o lugar e não sabe qual o preço justo. Isso te coloca em desvantagem para negociar.

O golpe mais comum que eles aplicam é cobrar muito acima do que você deveria pagar para ir do ponto A ao ponto B. Como rúpia não nasce em árvore, a melhor ideia para evitar jogar dinheiro fora é perguntar a alguém quanto deve custar a corrida antes de tentar negociar o preço com o motorista.

O golpe da comissão do hotel

Outro golpe muito mais irritante é o do hotel. O motorista de tuk-tuk espera os turistas desavisados na estação de trem ou ônibus e pergunta se eles querem ir para um hotel. O malandrinho então te leva para hotéis nos quais ele já tem acordo e recebe uma comissão por cada hóspede que chega lá. O problema é que a comissão não sai do preço da diária, mas sim do seu bolso, e você acaba pagando muito mais caro do que deveria se tivesse chegado sozinho. E não adianta dizer que você já tem reserva, ele vai tentar te convencer de que o lugar é ruim e sujo e, se não funcionar, ele vai entrar atrás de você e cobrar a comissão dele do mesmo jeito.

Alguns chegam ao cúmulo de te seguir de hotel em hotel até você decidir onde vai ficar. Em Varanasi tivemos que ameaçar de chamar a polícia para um motorista, porque nos recusamos a ficar no hotel que ele queria – que era ruim e fora da área turística – e ele começou a nos seguir onde quer que a gente fosse.

Depois de muito brigar, nós descobrimos que a melhor forma de evitar esse tipo de problema é dizer que você vai ficar na casa de amigos ou parentes e pedir para ele te deixar em um restaurante próximo ao local onde você vai procurar hospedagem. É claro que é sua opção pagar a mais para cobrir a comissão do cara, ainda que ele não tenha te ajudado a escolher ou encontrar o hotel, mas eu acho que é muito melhor quando a gente sabe que isso está acontecendo do que quando tentam te passar a perna.

Golpes na Índia: “é de presente pra você”

Estátua de Shiva no Ganges em Rishikesh, Índia

Estávamos andando pelas ruas de Rishikesh quando um gringo de aspecto europeu parou nosso grupo para conversar. Ele contou toda a história de vida dele, de como ele vivia na Índia e dava aulas de ioga e blablabla. De repente, ele abriu a bolsa e tirou alguns livrinhos sobre meditação e entregou para cada um de nós.

– Isso é para vocês se informarem melhor.

– Obrigada! – agradecemos.

– Agora vocês podem contribuir com a nossa causa? Pode ser qualquer quantia.

Silêncio. A minha vontade era dizer, sinto muito e ir embora. Se eu fosse ajudar alguma causa na Índia, com certeza não seria a de um europeu rico que escolheu virar hippie. Mas como os outro membros do grupo, visivelmente desconfortáveis, começaram a abrir a carteira, a pressão social foi maior. Na hora que o Rafa tirou a dele do bolso, o gringo olhou lá para dentro e falou:

– É, isso deve servir para vocês dois – apontou para mim e para o Rafa.

E foi assim, minha gente, que nosso orçamento ficou 200 rúpias mais pobre.

Isso aconteceu na Índia, mas é um golpe comum no mundo inteiro. Já vivi, inclusive, situações bem parecidas em Salvador – o “presente” eram fitinhas do Bonfim. A pessoa chega se fazendo de amiga, te envolve na conversa e te oferece um presente. Quando ela te pedir o dinheiro, você já vai estar em uma situação desconfortável demais para simplesmente sair correndo de perto dela e, se você tentar devolver o “presente”, ele vai recusar, dizer que é de graça, mas que você poderia contribuir com qualquer quantia. Constrangedor? Não, imagina!

A melhor forma de evitar o golpe é recusar o “presente” logo de cara, dar uma desculpa e sair de perto da pessoa assim que perceber as intenções dela.

O golpe das riquezas falsas

Como qualquer turista não demora a perceber, quase todo lenço na Índia é de pashimina, quase todo artesanato é pintado à mão por velhinhas da Caxemira e quase toda pedra é preciosa. Só que não.

Como nem tudo que reluz é ouro, cuidado ao investir em alguns itens caros vendidos na Índia. Jaipur e Agra são lugares famosos por suas joias, mas alguns comerciantes vendem objetos falsos e você pode acabar com um mega prejuízo. Neste link aqui você pode ler a triste história de uma mulher que perdeu 50.000 euros em um golpe parecido. Infelizmente, eu não sei ver a diferença entre uma joia e uma réplica, nem identificar uma pashimina de verdade, mas vale aquele velho ditado: quando a esmola é demais…

O golpe do escritório de turismo falso

Se quando você descer do trem e um monte de guias “cheios de boa vontade” te apontarem insistentemente o escritório oficial de informação turística, desconfie. Eles podem estar te levando para um escritório falso. Lá, os “agentes” vão te empurrar inúmeros pacotes e outros serviços por um preço simplesmente absurdo.

Variações desse golpe incluem tentar te convencer que os ônibus estão todos cheios, que os trens não estão rodando para o lugar para onde você que ir e inúmeras mentiras para forçar você a pagar mais por um serviço que ele vai te oferecer. Esse é um golpe muito fácil de cair e eu tenho certeza que muita gente sai dele pensando “que azar que não tinha mais assento no ônibus rodoviário para o Rajastão, mas ainda bem que esse adorável senhor reservou um táxi para mim por 1 milhão de rúpias”.

Vai viajar? O seguro de viagem é obrigatório em dezenas de países e indispensável nas férias. Não fique desprotegido na Índia. Veja como conseguir o seguro com o melhor custo/benefício para o país – e com cupom de desconto.


Compartilhe!







Quer nosso kit de Planejamento de Viagens?
Contém um Ebook, tabelas de orçamento,
roteiro e check-list (DE GRAÇA!)




Natália Becattini

Jornalista, escritora e mochileira. Viajo o mundo em busca de histórias e de cervejas locais. Já chamei muito lugar de casa, mas é pra BH que eu sempre volto. Além do 360, mantenho uma newsletter inconstante, a Vírgulas Rebeldes, na qual publico crônicas e contos . Siga também no instagram @natybecattini e no twitter.

  • 360 nas redes
  • Facebook
  • YouTube
  • Instagram
  • Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

19 comentários sobre o texto “Os golpes mais comuns na Índia

  1. Em relação a comprar jóias pra m a melhor joalheria e a tanishq. Mas temos que tomar cuidado. Qualquer lugar do mundo, aqui no Brasil então oq não falta é golpista..

Carregar mais comentários
2018. 360meridianos. Todos os direitos reservados. UX/UI design por Amí Comunicação & Design e desenvolvimento por Douglas Mofet.