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Atlas: Praga, República Tcheca

Passeio pela história comunista de Praga

Tudo aconteceu na extinta Tchecoslováquia, mas nas ruas de Praga e nas conversas com os moradores as memórias continuam vivas. Foi ali, na capital do país que hoje chamamos de República Tcheca, que o Partido Comunista, com o apoio da União Soviética, chegou ao poder em 1948 – apenas quatro anos depois do país se ver livre da ocupação nazista.

O golpe deu início a mais de quatro décadas de uma história que os tchecos não se orgulham nem um pouco: governada através do medo, a população perdeu muitas de suas liberdades individuais e não podia nem mesmo expressar opinião contrária ao regime.

Não é difícil perceber que o pessoal por ali ainda guarda com amargura as recordações desse tempo. Não é para menos: o fim do regime só veio em 1989, uma data próxima demais para que o passado tenha se transformado apenas em história. Explorar os recantos desse passado, no entanto, pode ser uma boa opção para um passeio turístico que foge um pouco do checklist tradicional. De quebra, você ainda aproveita para aprender um pouco mais sobre um dos momentos mais marcantes do século 20.

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Praça Venceslau

Metrô: Estação Muzeum (linha vermelha) e Mustek (linha verde)

Praça Venceslau

Nada mais justo que começar um tour pelos marcos de um período marcante da cidade com o cenário de boa parte dos eventos que fizeram a história acontecer. A Praça Venceslau, ou Václavské námestí, foi palco de nada mais, nada menos, que a Primavera de Praga. Sabe aquele acontecimento que a gente cansa de estudar na escola? Pois é. Foi ali que, em 1968, milhares de pessoas se reuniram para protestar de forma pacífica contra o regime comunista.

O Partido continuou no poder por muitos anos depois disso, mas os manifestantes conseguiram afrouxar os punhos de ferro, conquistando direitos adicionais que foram tirados dos cidadãos com a ascensão do pessoal vermelho. É claro que os soviéticos não gostaram nada disso e mandaram, lá das terras geladas da URSS, tanques de guerra absurdos para combater uma manifestação pacífica.

Também foi ali que, anos mais tarde, a Revolução de Veludo tomou forma, em 1988. Novamente, uma multidão de tchecos tomou as ruas contra o regime. A diferença é que, dessa vez, a era comunista no país chegou ao fim. Com tanto acontecimento importante tendo a Praça Venceslau como palco, você deve estar imaginando uma praça imensa, não é mesmo? Bom, grande ela é, mas não do jeito que você pensa.

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Mais que uma praça, a Venceslau é, na verdade, uma grande e ampla avenida que começa na beirada da Cidade Velha e termina no Museu Nacional – lá sim você vai achar uma pequena pracinha onde até hoje as pessoas deixam flores em homenagem àqueles que lutaram pela liberdade do país. As homenagens continuam na estátua de São Venceslau, o homem no cavalo: logo abaixo dela fica um santuário a todas as vítimas do regime.

Dos dois lados da avenida ficam várias das principais lojas e restaurantes da cidade. No centro, canteiros e quiosques para facilitar a reunião de pessoas, por que o tchecos não usaram esse lugar como ponto de encontro apenas na hora de lutar contra o regime: até hoje, é ali que eles se reúnem sempre que necessário. Ainda bem que, duas décadas mais tarde, os motivos que levam o povo às ruas tenham mais a ver com arte que com política – hoje o lugar é palco de concertos, apresentações teatrais ou festas. Sinal de que os tempos são outros na bela Praga.

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Teatro Negro de Praga

Teatro Negro de Praga

 Foto: Divulgação

Em períodos de repressão, quando temos nossa liberdade de expressão cerceada, a arte pode se tornar uma poderosa ferramenta de luta e subversão. Durante o regime comunista, os soviéticos decidiram que a língua falada por aquelas bandas seria o russo. Isso significa que as escolas, teatros, pronunciamentos públicos e tudo mais deveriam ser sempre feitos na língua de Stalin.

Mas você acha que os tchecos abririam mão do idioma deles tão facilmente? Muitos anos antes, no século 19, quando tudo ali no centro da Europa era um império muito do confuso, eles já haviam lutado bravamente para defender a língua da dominação germânica. Com os russos não foi diferente.

Em 1961, dois artistas locais fundaram o Teatro Negro de Praga. Como forma de protesto contra a obrigatoriedade do russo, as peças eram completamente mudas. Para contar uma história inteirinha sem palavra, os criadores do movimento investiram pesado na parte visual, criando um espetáculo belíssimo. Sempre interpretado em um fundo negro e com muitos efeitos de luz, os artistas – que também se vestem de preto – manipulam objetos florescentes que, aos olhos da plateia, parecem flutuar, criando cenários mágicos.

A técnica já está bastante difundida em todo o mundo e mesmo em Praga você vai encontrar diversos espetáculos do Teatro Negro, que hoje está mais para escola que companhia. O valor dos ingressos varia de peça para peça e, dependo de onde você for assistir, pode ficar bem caro. É possível, no entanto, encontrar espetáculos entre 15 e 25 euros. Dá para reservar seu ingresso pela internet.

Lennon Wall

Tram (bondinho) 12, 20, 22

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Lennon Wall

Até a década de 1980, esse era apenas um muro sem graça em uma rua comum de Praga. Um dia ele amanheceu pintado com trechos de músicas dos Beatles, frases ditas por John Lennon e imagens de seu rosto. Do outro lado da cortina soviética, o cantor havia acabado de ser assassinado e o mundo chorava sua perda. Em Praga, muitos jovens desafiaram a censura do governo para fazer o mesmo.

A música pop ocidental era banida nos limites soviéticos. Artistas que ousassem desafiar a lei reproduzindo as músicas proibidas poderiam ser presos. É claro que aquela parede cheia de frases que exaltavam a paz, a liberdade e todas essas coisas absurdas que esses jovens baderneiros querem incomodou o governo, que logo mandou que tudo fosse pintado de branco outra vez. No dia seguinte, lá estava o rosto de Lennon e os trechos das músicas dos Beatles outra vez. Não importava quantas vezes a polícia deixava o muro limpo, ele sempre amanhecia rabiscado. O lugar se tornou um símbolo de resistência para a juventude tcheca.

Lennon Wall Praga

Perceberam uma coisa? John Lennon conseguiu fazer as duas potências da Guerra Fria concordarem em pelo menos um ponto: que suas ideias eram muito perigosas para o status quo. Veja um post da Fragata Surprise sobre a região da Lennon Wall.

Museu do Comunismo

Ignorem a ironia: o Museu do Comunismo fica em cima de um McDonnald’s, em frente a um Cassino e pertence a um magnata norte-americano. Nós dispensamos a visita, porque o lugar mais parecia uma pegadinha pra turista típica do capitalismo selvagem, mas quem quer ver alguns objetos usados pelos soviéticos pode aproveitar o programa.

Dizem por aí que o acervo guarda um balcão de mercearia onde o pessoal buscava a cota mensal de 2 kg de carne, o macacão de um cosmonauta do programa espacial russo, bandeiras e recriação de ambientes típicos dos estados comunistas. Mais informações no site oficial.

Museu das Vítimas do Regime Comunista

Momorial Vitimas Comunismo

Foto: Wikimedia Commons/Honza Groh

Se você tiver mais tempo, pode achar interessante sair um pouco dos limites de Praga para visitar o Museu da Vítimas do Regime Comunista. Localizado em um antigo campo de concentração comunista, em Lesetice, o local funcionava como uma prisão para presos políticos. Hoje, exibe registros da perseguição contra a resistência e informações sobre o trabalho forçado nas minas da região. O lugar foi reconstruído e declarado um Memorial Nacional em 2000. A visita ficou de fora do nosso roteiro, mas confesso que fiquei com vontade de voltar em Praga só para ir lá ver. Saiba mais aqui.

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Natália Becattini

Já chamei muito lugar de casa, mas é pra Belo Horizonte que eu sempre volto. Viajo o mundo em busca de histórias e de cervejas locais. Além do 360, mantenho uma newsletter sobre o a vida, o universo e tudo mais, que eu chamo de Vírgulas Rebeldes. Vira e mexe eu também estou procrastinando lá no instagram @natybecattini e no twitter.

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6 comentários sobre o texto “Passeio pela história comunista de Praga

  1. à procura de sites que fazem referência ao meu recente livro “Viagem a Praga no Tempo da Ditadura”, encontrei este vosso blogue e aqui vos deixo mais alguma informação sobre a bela cidade de Praga, a que voltei em 2013. Quem, todavia, estiver interessado em saber algo do seu passado comunista, pode ler o meu livro.
    Escrito em entrevista com António Raúl Reis, membro fundador do jornal em-linha BomDia no Luxemburgo, este livro leva-nos aos anos conturbados de 1968-1970, em Portugal e na então Checoslováquia.
    São recordações preciosas do encontro entre essas duas realidades políticas, tão diferentes e tão semelhantes, as emoções e reflexões sobre dois mundos prestes a desmoronarem-se, que partilho com os leitores.
    Um pequeno livro que levanta grandes questões e pode suscitar bastante polémica, ao dar a conhecer às gerações mais novas realidades que, tencional ou intencionalmente, lhes foram escondidas ou deturpadas”. Para compreendermos o presente e o futuro temos sempre de conhecer o passado, e isso revela-se oportuno neste momento político.
    No design da capa, a ilustradora portuguesa Patrícia Dias conseguiu retratar o peso histórico-cultural desta época e, de forma a manter o conteúdo o mais real e original possível, foram utilizadas imagens dos meus registos fotográficos originais.

  2. Natália, mais uma vez parabéns pelo “post”. Estive 4 dias em Praga e não tomei conhecimento do muro de Lennon e nem do Museu de vítimas. Da praça Venceslau eu tinha lido alguma coisa na web. Definitivamente, fiquei com mais vontade voltar lá!
    Abraços

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